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Jul
09

Hunter: The Vigil – Fechando o Cerco

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 09 – Fechando o Cerco

Don’t look to the eyes of a stranger
Don’t look trough the eyes of a fool
Don’t look to the eyes of a stranger
Somebody’s watching when the light goes down

Iron Maiden – Virtual XI – Don’t Look to The Eyes of a Stranger

2009, 21 de Março

Cena 01 – Últimas Palavras

Depois do pior dia de folga de todos os tempos, Lucy O’Hara finalmente chega em casa. O silêncio acaba ao toque do telefone:

- Oficial O’Hara? Aqui é o tenente Kauffmann. Eu sei que é a sua folga, mas gostaria que você viesse até o Saint Joseph. É sobre Ivan Mendez, o homem que você salvou.

No familiar saguão do hospital, O’Hara é informada que o estado de saúde de Mendez é preocupante. Ao que parece, o homem gostaria de agradecer-lhe.

No quarto, é recepcionada por Catalina, esposa de Mendez, que leva o pequeno Pedro no colo. Seus olhos marejados denunciam as últimas esperanças que se esvaem. Em sua companhia estão o irmão, Ramiro Garcia, e um amigo e colega do Zoológico do Lincoln Park, Pablo Salvedo. Todos se retiram para que Ivan Mendez possa falar-lhe com tranqüilidade.

Com curativos no rosto, pescoço e peito, Mendez mal parece vivo. Assim que O’Hara se aproxima, ele toma sua mão, falando com dificuldade.

- Obrigado… Eu consegui dizer… Adeus… A Catalina e Pedro.

O esforço produz uma mancha vermelha nos curativos sobre o seu pescoço.

- Não há o que agradecer. Agora, você precisa se recuperar.

Mendez puxa O’Hara até perto de seu rosto. A voz estrangulada mal sai da garganta.

- Hombre Lobo.
- Um lobo atacou você?
- Não. Lobo, não… Hombre Lobo.

O esforço rompe os pontos do pescoço de Mendez. Sangue cobre os curativos. Em instantes, alertadas pelos aparelhos, enfermeiras adentram o Saint Joseph Hospitalquarto. O’Hara deixa o local, não sem antes se despedir. Por um instante, Catalina parece incapaz de soltar a mulher que salvou o seu marido na primeira vez. Antes que possa partir, O’Hara é abordada por Ramiro Garcia.

- É uma vergonha que o marido de minha irmã venha a morrer para proteger animais que apenas ricos tem tempo para ver.
- Não sei o que dizer.
- Você é uma das policiais que está no Lincoln Park, não? Se tiver notícias a respeito de suspeitos, fale comigo. Quero poupar Catalina de mais sofrimento.

Com um cartão nas mãos, O’Hara toma o elevador. As portas se fecham e finalmente ela volta a respirar.

2009, 22 de Março

Cena 02 – Visitas Etéreas

Já é madrugada quando Karl Krueger e Jonathan Trager tomam o metrô no início da Linha Azul. Antes disso, fizeram visitas infrutíferas a dois endereços onde ocorreram desabamentos: a residência em frente ao Lincoln Park e o prédio onde morou Richard Stark. Todas propriedades da Fortuna Incorporações, empresa que era controlada por John Burgess em vida, ou um pouco além…

Sem recursos, decidiram por uma medida que ambos considerariam descabida, tresloucada até, há algumas semanas: tomaram o vagão que lhes permite encontrar um homem morto.

Como da outra vez, estão sozinhos quando as portas se abrem para a estação Belmont. Simon Ellsworth se aproxima nos mesmos trajes, batendo sua bengala com ponta de ferro no chão. Ele parece mais revigorado desde o último encontro.

- Olá!
- Precisamos lhe fazer algumas perguntas, senhor Ellsworth.Simon Ellsworth
- Não há problemas. Eu devo isso a vocês, depois do que fizeram por mim.
- O senhor sabe a respeito de John Burgess?
- Me parece que vocês foram bem-sucedidos. A presença de John praticamente inexiste.
- Praticamente?
- Sim, de fato. Ele não está mais no local escolhido para seu repouso. Está mais ao sul da cidade, além de onde posso senti-lo com clareza.
- E aquelas coisas que ele controlava.
- Sem o poder de John para sustentar-lhes, cessou sua existência.
- Sim, as coisas que saiam das paredes. Mas e os outros, que se pareciam entre si.
- Aqueles eram de carne, como vocês. Podem estar livres, mas, certamente, perturbados, já que os fios com que John os controlava foram definitivamente cortados.
- Pode sentir onde estão?
- Não, mesmo que John ainda pudesse manipulá-los, carregam apenas um resquício de seu poder. Eu ainda não sou forte o bastante para tanto.
- Muito obrigado.
- Como disse, eu lhes devo. Por isso, dou um conselho adicional. Mantenham-se longe do Lincoln Park. O que habita lá não deseja ser perturbado.

No vagão que os leva de volta à realidade, Trager sentencia.

- Quando tudo isso acabar, são os restos desse aí que vamos tirar da terra.

Cena 03 – Invasão

Após deixar Krueger, Trager chega ao seu apartamento. Ao abrir a porta, percebe imediatamente que alguém esteve no local. Cheiro forte de urina impregna o ar. Depois de abrir as janelas para deixar o ar frio da madrugada fazer o seu trabalho, ele constata que nada desapareceu. Na verdade, algo foi deixado para trás. Um pote de vidro com cinzas escuras estão sobre a mesa. Na parede, um símbolo pictográfico marca o gesso. A origem do odor insuportável está no chão, na forma de uma grande poça amarela.

Arrumando suas coisas rapidamente, Trager deixa o apartamento. Parte até a residência de Krueger, onde uma noite de insônia em busca de significados para o ato de vandalismo os aguarda.

Cena 04 – Marcando Posição

Krueger e Trager dirigem-se até o 18º Departamento de Polícia de Chicago. Receberam mais cedo um recado dando conta da liberação de seus pertences, retidos após os eventos ainda não esclarecidos no Lincoln Park. No local, são encaminhados até a garagem, onde o sargento Erik King espera por eles. Em sua companhia está uma jovem oficial, estranhamente familiar a Trager.

- Conferiram tudo? Está tudo aí?
- Sim.
- Então, assinem esses papéis. A propósito. Saiu o resultado do teste de disparo de arma de fogo, senhor Krueger. E adivinhe? O senhor disparou uma arma na noite do desabamento.
- O senhor está fazendo alguma afirmação que não estou compreendendo, sargento?
- Ainda não. Mas gostaria que trouxesse a sua arma para análise. Não é um pedido, na verdade.
- Tudo bem. Vou ver se a encontro.
- Você tem uma arma em seu nome e não sabe onde ela está?
- Faz tempo que não há uso. Apenas isso.
- O senhor sabe que é responsável por qualquer uso de uma arma em seu nome, não? Pelo menos até relatar o seu desaparecimento.
- Eu vou verificar.
- Quem sabe não é apenas mais alguma coisa que vocês esqueceram, como o que aconteceu naquela noite.
- Estamos de saída, sargento. Adeus!Erik King
- Adeus! Eu mando lembranças para seu amigo, Vittorino.

Ao final da conversa, King volta-se para O’Hara, que acompanhou a tudo em silêncio.

- O que acha desses dois?
- Não acredito que tenham feito algo. Mas Vittorino tem razão. Tem alguma coisa errada com eles.
- Ele falou com você também, não é?
- Sim. Pediu ajuda para enquadrar os dois.
- Pois eu acho que vale o aperto. Esses aí ainda não disseram tudo o que sabem.
- A história da amnésia é estranha.
- Para dizer o mínimo… Vamos esperar essa arma do Krueger antes de apertar os dois novamente. E cuidado com o tal Vittorino. Policiais entusiasmados demais não são boas notícias.
- Sim senhor.

Cena 05 – Muito Prazer!

Krueger e Trager abordam O’Hara a caminho do Lincoln Park, nas vizinhanças do 18º Departamento de Polícia. Nenhum deles a reconheceu de imediato, mas observaram a identificação em seu uniforme. Além disso, Trager lembrou-se de tê-la visto em frente ao prédio onde mora, na noite anterior.

- Oficial O’Hara, gostaria de agradecer o que fez por nós duas noites atrás.
- Sem problemas. É o meu trabalho.
- Houve algo estranho naquela noite conosco? Nós parecíamos estar fugindo de algo?
- Vocês estavam fugindo de algo?
- Não. Quero dizer, nenhum de nós recorda o que houve. Talvez pudesse nos ajudar.
- Os dois saíram correndo de uma residência. Achei que fosse um assalto. Eu os persegui até que desfaleceram em meio ao parque.
- Havia um jornalista com você, não? Um tal de Mailer.
- Sim. Henry Mailer. Eu o estava escoltando para fora do Lincoln Park quando os vi.
- Você estava em frente à minha casa ontem, não?
- É verdade. Você é um ótimo fisionomista. Parabéns! Adoraria continuar sendo interrogada, mas está no início do meu turno. Até logo.

Meeting PlaceDeixando o local contrariado, Trager tem uma surpresa. Em uma das árvores do Lincoln Park estão gravados dois símbolos. Um ele reconhece. É o mesmo que foi arranhado na parede de sua cozinha. O outro, riscado diversas vezes, está irreconhecível. Ainda que não entenda o significado dos traços, seu uso remete à demarcação territorial adotada por gangues em conflito.

O’Hara, enquanto observa seus interlocutores afastando-se, percebe que mais alguém circula nas imediações. É Pablo Salvedo, que ela encontrou na noite de ontem no Saint Joseph Hospital. Atrasada para o início de seu turno, ela não tem como verificar o que o homem faz àquela hora da noite no Lincoln Park, vestindo seu uniforme de trabalho do Zoológico.

2009, 23 de Março

Cena 06 – Pedido de Desculpas

Depois de um turno tranqüilo, uma surpresa após as últimas noites, O’Hara deixa o 18º Departamento de Polícia. À porta, um rosto familiar sorri na sua direção.

- Lucy?Luc Blanot
- O que você quer?
- Pedir desculpas, antes de tudo.
- Desculpas aceitas. Até logo!
- Ei, espere. Eu sei. Fui extremamente grosseiro com você. Acontece que eu não a reconheci. Depois lembrei de você no Saint Joseph Hospital. A propósito, me chamo Luc.
- Olá, Luc. Adeus, Luc.
- Sério. Você não gostaria de tomar um café. Para deixar esse pedido de desculpas completo.
- Já tive o suficiente de você. Boa sorte, Luc!

O’Hara percebe que Luc não está sendo completamente sincero em seu pedido. O que ele está querendo? Ela realmente não se importa. Não é um sotaque francês e um belo sorriso que farão O’Hara fraquejar. Ainda mais um sorriso que se desfaz tão rapidamente diante de uma negativa.

Cena 07 – Conhecido em Comum

Depois de um dia de aulas na Universidade de Chicago, Krueger percebe que a nomeação de Caleb Whitfield ao cargo de diretor do Departamento de História ainda não foi digerida pelos docentes. Apesar de persistente nos corredores, o desconforto não é o tema que mais lhe dá o que pensar naquele dia.

- Olá, professor Krueger. Espero que não seja inconveniente a minha visita sem aviso.
- De forma alguma.
- É um belo local a Universidade de Chicago. Há muitos anos não vinha aqui.
- Tem conhecidos aqui, senhor Bergmann?
- Temos um conhecido em comum, na verdade. Michael Cathcart.
- Ah… Sim. Ele acaba de aposentar-se.
- Tive com ele contatos esporádicos nos últimos anos. Cogitei fazer-lhe a Universidade de Chicagomesma proposta que lhe dirigi recentemente.
- O que houve?
- Cathcart era, então, um homem de interesses restritos que guiava um grupo com propósitos personalistas.
- O tal Núcleo de Pesquisa Acadêmica.
- Não me surpreende de todo que o senhor tenha conhecimento disso.
- Eu fiz as minhas próprias pesquisas.
- Deve ter descoberto que o grupo sob liderança de Cathcart enfrentou uma dissidência a partir da chegada de Jerry Detwiller, não?
- Sim. O conheci também.
- Uma tragédia o que aconteceu com ele e aquela outra professora no ano passado. Como era o nome dela?
- Judith Nadler.
- Exato. Nadler. O nome me é familiar porque ela e Detwiller, a partir de determinado momento, impuseram uma postura mais ousada para o NPA, contrariando o modo ameno de avançar de Cathcart.
- Entendo.
- Essa mudança está relacionada ao contato de Nadler e Detwiller com um volume muito peculiar e raro, cujo conteúdo resultou em duas tragédias, em 2004 e em 2008: o Origens do Rei Amarelo.
- (…)
- O senhor sabe do que estou falando. Esse livro é perigoso.
- Ele está em local seguro, é o que posso dizer a respeito.
- A minha proposta segue de pé, professor Krueger. Mas, como prova de confiança, peço que me entregue esse livro. Pelo bem de todos.
- Como disse, ele está em local seguro. Mas aceito considerar o pedido em troca de mais informações a respeito do grupo que o senhor representa.
- É justo. Voltaremos a nos falar, em breve.

Cena 08 – A Segurança do Cotidiano

Ao longo daquele dia, diversos eventos de menor importância, ou não, se desenrolam:

Jonathan Trager deposita na mesma caixa segura de um banco onde se encontra o Origens do Rei Amarelo as cinzas deixadas em sua casa e que, supostamente, pertencem a John Burgess.

Karl Krueger dirige-se a um dos inúmeros laboratórios da Universidade de Chicago e solicita a análise de alguns pêlos. Encontrados por Trager em suas roupas e, mais tarde, no Lincoln Park, o material é entregue sob a alegação de que seriam de um animal que vem atacando o rebanho na fazenda dos Krueger. O resultado é prometido para dali a quatro dias.

Jonathan Trager tenta retomar o contato com o vizinho de sua irmã, Troy Anderson. Depois dos acontecimentos ocorridos no porão de sua casa, Anderson mostra-se extremamente inamistoso e indisposto.

Lucy O’Hara entra em contato com Anastasio Vittorino. Ela voltou atrás em relação a Krueger e Trager. Após a narrativa do encontro no Lincoln Park, Vittorino conclui que ambos estão confusos, e dispostos a agarrar a primeira mão que lhes for estendida. Essa mão deve ser a de O’Hara.

Karl Krueger registra a perda de sua arma.

2009, 24 de Março

Cena 09 – Encontros Noturnos, Desencontros Matinais

Nesta noite, a ronda de O’Hara pelo Lincoln Park é um pouco diferente. A reunião de briefing comandada pelo tenente Herbert Kauffmann apontou alguns distúrbios na Praia da Avenida Norte. Fogueiras foram avistadas. A ocorrência não é incomum, especialmente durante a época mais fria do ano, quando moradores de rua tentam qualquer coisa para suportar a madrugada.

Em seu novo percurso, O’Hara acaba testemunhando um encontro reservado. Em vez de fogueiras, três pessoas estão na Praia da Avenida Norte. Uma delas é Pablo Salvado. À distância, O’Hara observa que a conversa é ríspida. Ao avistar a aproximação da oficial, o grupo dispersa. Salvedo vem em sua direção.

- Boa noite, oficial.
- Boa noite, senhor Salvedo. Sabe que não deveria estar aqui após as 22 horas, não?
- Sim, me desculpe. Isso não vai se repetir.
- Não está lembrado de mim? Do Saint Joseph Hospital? Estive no quarto de Ivan Mendez.
- Ah, sim. A policial que salvou a vida de Ivan.
- Como está ele?
- Ivan faleceu poucas horas depois que você saiu. Foi uma coisa terrível.
- Lamento. O senhor parece bastante perturbado. Era próximo da família?
- Sim. Éramos colegas no Zoológico. E amigos, também.

—-

Ao chegar em casa, no meio da manhã, O’Hara presencia uma discussão acalorada entre um casal. Aproximando-se para tentar arrefecer os ânimos, a oficial descobre que eram marido e mulher. Separados há algum tempo, Harold e Emily discutem a respeito de uma visita à sua filha, Hannah. Harold apresenta uma ordem restritiva contra Emily, que a obriga a agendar encontros previamente. Além disso, diz que a ex-mulher é uma viciada descontrolada. Emily rebate dizendo que Harold a impede de ver a filha, e que está livre das drogas há um ano. Visivelmente doente, a pequena Hannah tem marcas de agulha nos braços, onde Harold lhe aplica injeções de insulina. A doença da menina a obriga à reclusão, segundo Harold. O’Hara fica incomodada com a situação. Não é nos braços que os diabéticos recebem injeções. Além disso, a casa exala um cheiro horrível que se impregnou na pequena Hannah, apesar de suas roupas limpas.

Incapaz de fazer com os dois cheguem a um acordo, O’Hara sugere que Emily busque auxílio jurídico. No momento, o travesseiro é o que mais lhe importa.

Cena 10 – Mulheres

Após uma troca de e-mails, Trager encontra-se com Henry Mailer no Museu do Instituto de Artes de Chicago. A conversa é breve, e o objetivo, claro. Mailer entrega ao colega jornalista uma fita com a cópia da gravação realizada na noite em que ele e Krueger foram encontrados no Lincoln Park. Em meio ao diálogo, uma informação interessante vem à tona. Mailer esteve no prédio onde Trager mora e falou com uma vizinha. De gênio difícil, a mulher estava agradecida pela ausência de Trager, especialmente depois da algazarra que ele fizera duas noites antes.

—-

Penelope KleinA senhora Penélope Klein é uma daquelas mulheres que parecem ter nascido dentro de um roupão e ostentando brincos de pérola. O batom vermelho não cai bem nos lábios enrugados, mas a fazem lembrar de um passado onde a vida era mais bela. Um passado em que jovens como o senhor Trager respeitavam os idosos do prédio que são seus vizinhos de porta. E que absurdo foi aquele, quando ela foi tirar satisfações pelo barulho! Enviar a senhorita que o acompanhava para responder-lhe. Uma estrangeira mal-educada ainda por cima, que sequer foi capaz de abrir a porta. Não tivesse ela vindo no dia seguinte desculpar-se e pedir por Jonathan Trager, possivelmente a senhora Klein jamais a perdoaria. Mas ela era tão bela e educada, afinal de contas. E o sotaque francês, com aquele acento típico dos canadenses, ficava tão bem sem uma porta no caminho… Madeleine ela disse que era o seu nome.

—-

Penny não está no Gunga Dinner. Nem esteve nos últimos dois dias. Os colegas estão preocupados, mas ainda não chamaram a polícia. Se ao menos ela atendesse ao telefone… Motivado talvez por um sentimento de gratidão, Trager vai até sua casa. Parece vazia. E precisa de alguns reparos imediatamente. A porta dos fundos aberta eleva o nível de preocupação, que acaba atingindo o ápice diante da sala revirada, cenário provável de uma briga violenta. Levando consigo uma agenda de telefones, Trager conversa com um vizinho. Ele lembra de ter ouvido barulho, mas como Penny gostava de receber amigos e ouvir música alto, não deu atenção. A polícia chega em seguida…

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires
Lucy O’Hara: Sabrina Teixeira

25
Jun
09

True Blood – 1ª Temporada

True BloodOs episódios ainda estão rolando no DVD Player lá de casa, mas já tenho opinião formada a respeito da série. Eu gosto, é claro, ainda que não seja tão divertida quanto House e o sangue em Dexter pareça mais vivo. Às vezes, lembra Romeu & Julieta, com a diferença que uma família toma sangue e a outra toma sol. Enfim, desconfianças ancestrais impedem que o casal inter-racial formado por Anna Paquin (jeitosa, apesar dos dentes separados) e Stephen Moyer (vampiro, pálido, belo porque trágico. Todo mundo conhece o tipo) seja aceito. Os humanos acham que ela é uma vadia que se deita com um maldito sanguessuga assassino. Os vampiros, que ele é um idiota tentando interagir com a comida. Enfim, dois párias ao seu próprio modo. Ah, Sookie, personagem de Paquin, ouve os pensamentos das pessoas. E os vampiros são socialmente tolerados porque têm uma alternativa sintética ao sangue humano: True Blood, um composto criado pelos japoneses durante a II Guerra Mundial. Parece uma salada, e realmente é. Foi o que me manteve afastado da série até recentemente. Mas, funciona. Assista, nem que seja pelo monte de gente pelada a cada episódio.

23
Jun
09

Cinema em 1 Minuto – Rebobine, Por Favor

Rebobine, Por Favor – Be Kind Rewind

be_kind_rewind_posterSabe aquele desejo juvenil de fazer cinema por conta própria, mesmo com escassos (ou inexistentes) recursos à disposição? Rebobine, Por Favor (que na versão nacional tem um subtítulo digno de Sessão da Tarde) é um filme sobre isso. E outras coisas mais. Na trama, após magnetizar, e apagar, todas as fitas VHS da locadora de bairro que dá nome ao filme, os protagonistas resolvem refazer as obras dentro de uma concepção muito particular. Surpreendentemente, o resultado é aprovado, e estimulado, pelos clientes. RoboCop, Conduzindo Miss Daisy, Os Caça-Fantasmas, entre tantos outros, recebem uma homenagem “suecada”. A premissa é interessante, e pode agradar aos fãs de cinema capazes de reconhecer as referências, mas promete mais do que entrega. Os protagonistas, especialmente Jack Black, beneficiariam a produção com interpretações mais contidas.

23
Jun
09

Cinema em 1 Minuto – Sinédoque, Nova Iorque

Sinédoque, Nova Iorque – Synecdoche, New York

synecdoche-ny-posterNo início do filme, o personagem de Philip Seymour Hoffman poderia ser interpretado por Paul Giamatti. Ele é um fodido que ninguém respeita e carece de autoconfiança, vivendo uma vida miserável e sem previsão de melhora (e não irá melhorar!). Soterrado por uma série de problemas, o alento surge a partir de um prêmio que lhe permite montar a mais grandiosa, pretensiosa e estarrecedora peça de teatro jamais vista. A trama? Sua vida. Através dos ensaios, o personagem revê o seu passado e tenta compreendê-lo. Atores interpretando atores que interpretam atores pode tornar o acompanhamento da história um tormento, mas, quem se importa. Tenho minhas dúvidas a respeito da necessidade que Charlie Kaufmann tem de ser compreendido. Cinema Novo, saca?

19
Jun
09

Crônicas Hiborianas – Segunda Edição: O Deus Sombrio da Cidade Perversa

Crônicas Hiborianas – GURPS e M&M. Dois Sistemas, Dois Devil-WingsJogadores, Dois Mestres.

Segunda Edição: O Deus Sombrio da Cidade Perversa

Cena 01 – Na Taverna de Abuletes

O odor azedo do vinho barato mistura-se ao do suor exalado pelo corpo de homens e mulheres. De uma mesa, Conan bebe o último caneco que suas moedas podem pagar. Seus olhos azuis observam o movimento de quadris luxuriantes cobertos apenas pela transparência de véus. Não estivesse esperando por Jenna, o bárbaro certamente provaria dos prazeres de uma de suas colegas.

No balcão, Abuletes seca canecas que em breve receberão mais vinho. Com seus braços poderosos, Conan afasta bêbados, ladrões e todo o tipo de escória que habita o Deserto, a área mais infame de Shadizar.

- Onde está Jenna?
- Acalme-se, bárbaro. Em breve ela vai chegar. Sua cama será aquecida nesta noite.

Jenna, porém, não aparece. Acostumado a ser o senhor de sua própria vida, o jovem cimério se enfurece com o que imagina serem os caprichos da meretriz que tomou por amante. Uma rápida conversa com Abuletes e as mulheres que trabalham ali revela que Jenna vinha tendo problemas com um ex-amante: Feliks.

O tipo de cão covarde a quem Conan ensinará uma lição valiosa caso tenha tocado as patas em sua mulher.

Cena 02 – Mulher de Má Fama

Diante da porta de Jenna, uma velha encarquilhada grita palavras pouco lisonjeiras.

- Rameira! Meretriz! Saia desse buraco e pague o que me deve.
- O que há, velha?
- Quem é você? Um dos homens que a rameira traz à minha casa?
- Eu sou Conan. E essa não é sua casa.
- Sim, ela é. Jenna me deve 10 moedas pelo aluguel.
- Tome essas quatro. São as últimas que tenho.
- Por que está fazendo isso?
- Para que pare de gritar e suma da minha vista. Quando tiver mais moedas, darei a você.

Dentro da casa de parede e chão de barro, Conan se depara com o cenário de uma briga. Ainda que não exista sangue, a bagunça e os objetos quebrados não deixam dúvidas a respeito do que houve ali.

Cena 03 – Invasores

Feliks teve algum sucesso recente na vida, pensa Conan. O ouro extorquido de mulheres parece ter servido para pagar a casa no Distrito dos Mercadores. À espreita, o bárbaro aguarda a chegada do maldito. Um movimento às ocultas, porém, desperta seus olhos aguçados. A luz bruxuleante de uma vela ou tocha pode ser divisada através das frestas da porta.

Movimentando-se como uma pantera, Conan dirige-se até a janela lateral da residência. Usando sua espada como alavanca, rompe a tranca e com um salto entra na sala de poucos móveis. A única abertura leva a um quarto, onde, no chão, está uma tocha recém extinta.

Antes que seus olhos possam acostumar-se completamente à tênue iluminação da lua, um grito é emitido das trevas. De punhal nas mãos, um homem avança sobre Conan. O golpe apenas perfura sua túnica rústica. Em resposta, o bárbaro atinge-o no rosto com as costas da pesada mão. Retrocedendo para equilibrar-se, o adversário sorrateiro finalmente pode vislumbrar o porte poderoso do bárbaro, a larga lâmina que carrega e a maneira como faíscam selvagens os seus olhos azuis na escuridão. Abaixando o punhal, Demétrius desiste da luta.

- Pode ficar com tudo. Não desejo lutar.
- Acenda uma tocha. Quero ver o seu rosto de rato sorrateiro!

Assim que a luz revela o ambiente, Conan percebe sob a cama de Feliks um véu que já vira Jenna usar. O tecido ainda carrega seu perfume. A breve distração é o suficiente para que os dedos rápidos de Demétrius se dirijam a pedaços de osso cortados em quadrados e marcados com pontos pretos, que repousam sobre um pergaminho em uma escrivaninha.

- O que são esses ossos?
- Um tipo de moeda. São usados na Arena de Zenon. Para apostas.
- E esse papel, o que está escrito nele.
- É uma carta. Está assinada por Fafnir, líder do Culto do Deus Sombrio. Diz que Feliks ainda deve parte do valor cobrado dos novos membros.
- Deus Sombrio, é? Como se precisasse de muito para homens civilizados temerem a escuridão.
- Não se engane, bárbaro. Fafnir é um homem poderoso. E perigoso.
- Veremos!

Cena 04 – Habitantes da Cidade Perversa *

De volta ao Deserto, no caminho até a Arena de Zenon, Conan e Demétrius são interrompidos por um velho. Das sombras de um beco ele sai, tão encurvado que precisa virar o rosto para olhar nos olhos de seus interlocutores. Um pedaço de pau toscamente entalhado lhe serve de apoio. Suas roupas são as de um maltrapilho.

- Aqui, aqui! Por uma moeda.
- Não tenho moedas para lhe dar.
- Não, não. Não quero que me dê. Estou oferecendo algo.
- De que se trata, velho. Fale logo com essa sua boca imunda.
- Ali, minha filha. Por uma moeda. Ela é apertadinha. E é abestalhada. Não entende e não se importa.

Demétrius parece não dar atenção àquilo, mas Conan fica atordoado diante da proposta que apenas teria lugar nas ruas de Shadizar. Mais adiante, encostada na parede, está uma mulher que recém deixou de ser criança. Veste farrapos. Seu rosto de traços grosseiros emoldura um sorriso idiota de dentes podres. Mal há sinal de inteligência em seus olhos.

- Cão zamoriano, oferece a filha a estranhos em um beco?
- Ora, se não a deseja, cale-se! Certamente encontrarei homens dispostos a pagar por ela.

Conan leva a mão ao aço. O desejo de punir aquele horror lhe vem como um reflexo. Sua mão é detida por Demétrius.

- Se matar o velho, quem cuidará da filha? Você?

Incapaz de responder, Conan embainha a espada e se afasta, ruminando o que a civilização acaba de lhe ensinar.

Cena 05 – Dois Homens Entram…

A Arena de Zenon fica no subsolo de um pequeno prédio, no coração do Deserto. No térreo há apenas um guichê, onde ouro é trocado pelas fichas de osso que servem às apostas, e dois guardas mal-encarados. Lá embaixo, o ar é pesado e fede a suor e sangue. Cerca de cinqüenta homens, entre apostadores, combatentes e recolhedores, se espremem ao redor de uma arena delimitada por barras de ferro que vão quase até o teto.

Em poucos minutos, Conan, com o auxílio de Demétrius, sela um acordo. O cimério precisa vencer Amboola, o gigante kushita que já esmagou mais de vinte adversários. Sua presença na arena está inibindo apostadores. Conan travará um luta de bastões em troca de informações a respeito de Feliks e algum ouro.

As sandálias de Conan grudam no chão. O sangue que vem sendo derramado há muito pintou o barro. Girando seu bastão com destreza, Amboola avalia o adversário. Enquanto o kushita se parece com a coluna inamovível de um templo, o cimério, de cintura delgada e peito maciço, movimenta-se como uma pantera.

O primeiro golpe de Conan é rápido e leve, buscando revelar a velocidade de Amboola. Confiante, o negro subestima a força do adversário e lança um ataque devastador, mas lento. Conan se aproveita e atinge Amboola pela primeira vez, nas costelas. A platéia reage com gritos selvagens.

Restabelecendo-se, e um pouco surpreso – acabara de deixar a arena ileso –, o kushita avança mais cauteloso, mas sem desfazer o enorme sorriso sarcástico. Inúmeros golpes são trocados. A carne e os ossos de ambos são submetidos a um teste que faria ursos sucumbirem. Perto do final, quando a única coisa que se houve naquele subterrâneo brutal é a respiração pesada dos combatentes extenuados, um elemento inesperado é adicionado.

Por sobre um vão das grades que delimitam a arena, uma maça de ferro é jogada. Conan e Amboola encaram-se como o fariam serpentes um instante antes do bote. O Kushita atira-se na direção da arma, enquanto Conan tenta afastá-lo com um chute. Mal localizado, o golpe não é suficiente para desequilibrar o gigante, que se ergue com a maça nas mãos. Seu sorriso retorna, e os dentes brancos surgem tingidos de vermelho.

Conan sabe o que acontecerá em seguida. Amboola é um guerreiro orgulhoso, cuja reputação foi arranhada pelo estranho nortista que veio ameaçar seu reinado na arena. A maça corta o ar de baixo para cima, movida por uma força capaz de arremessar um homem a quatro metros de distância. Conan sai do caminho no último momento, afastando o tronco apenas o suficiente para livrá-lo da morte certa. Firmemente plantado no chão, o cimério gira o quadril e desfere um chute devastador nas costelas feridas de Amboola. O kushita tomba como um saco furado.

Cena 06 – Lambendo Feridas

O vinho jorra através da garganta de Conan, misturando-se ao sangue dos lábios feridos. Os dentes rasgam a carne de carneiro enquanto ele houve Abuletes.

- Más notícias são essas, Conan! Tudo o que envolve o culto ao Inominado Deus Sombrio é mau.
- Os homens na Arena de Zenon benziam-se como velhas crédulas toda vez que ouviam esse nome.
- Eles são uma religião formada por homens cruéis.
- Que quer dizer?
- Eles fazem cerimônias estranhas, em noites como esta. Dizem que precisam aplacar a fúria de seu deus para que ele não destrua o mundo.
- Que grande bobagem. Crom, de sua montanha, esmagaria esse deus de covardes.
- Que esse Crom o ajude, então.
- Ela já ajudou, quando me deu força para matar. Em breve, esses cultistas vão descobrir o resultado da benção de Crom.

Cena 07 – No Caminho do Deus Sombrio

Dirigindo-se sozinho até o Distrito dos Templos – Demétrius preferiu não arriscar-se contra as maldições de sacerdotes –, Conan logo vislumbra as construções imponentes erigidas em nome de deuses de toda a espécie. Bel, o deus dos ladrões; Azoth, que em seu sono guarda os mortos; Morath-Aminee, o devorador de almas; Omm e Zath, cultos rivais que adoram aranhas gigantes; Ong, deus da dor e da redenção; Shan, o semideus da guerra; e Zandru, senhor dos Nove Infernos.

Apesar da multidão que se desloca pelas ruas, o local é silencioso e pacífico. O perfume de dezenas de incensos impregna o ar que os sábios respiram durante discussões a respeito da existência e seus significados. Como gado na direção do abatedouro, a multidão dirige-se ao Templo do Deus Sombrio, uma torre encimada por um minarete de ouro e cercada por degraus que levam às portas principais da nave central. Uma luz dourada emana do interior. Sobre as portas, jóias e vidro roxo e vermelho mostram imagens de sacerdotisas de tempos imemoriais.

Conan desvia-se e dirige-se até uma ruela menos movimentada. Ali, encontra o esbaforido servo retardatário do Deus Sombrio. Sem maiores dificuldades, toma-lhe o manto e a faixa vermelha e roxa, deixando-o amarrado em um beco. Que os ladrões o encontrem antes dos ratos…

Misturado aos últimos fiéis que adentram o templo, Conan pisa os carpetes verdes e observa os adornos azuis que decoram o interior. A pintura do teto simula uma noite de lua cheia. Alcovas laterais recebem os viciados em lótus e haxixe em busca de visões religiosas. Quando o bárbaro senta-se, Fafnir, o sumo sacerdote, chega ao ápice de seu discurso repleto de metáforas incompreensíveis. Servos perfilam-se ao redor dos fiéis e começam a puxar correntes que movimentam um painel superior, revelando o interior oco da torre, através do qual vislumbra-se o minarete.

Em companhia de dois homens, Fafnir deixa o salão principal e dirige-se ao minarete, percorrendo uma escadaria que se estende pela parte interna da torre. Aproveitando-se da distração da multidão em êxtase, e já ciente de quem será utilizada para aplacar a fúria do deus, Conan parte atrás do sumo sacerdote.

Espreitando na escuridão das escadas, o bárbaro testemunha o que parece ser a preparação de algum tipo de rito religioso. Antes que aquilo vá adiante, ele arremessa uma adaga contra as costas de um dos sacerdotes. O homem grita, em agonia, enquanto Conan avança com o aço nas mãos, desferindo um golpe que faz tombar o segundo sacerdote. Seus olhos selvagens voltam-se na direção de Fafnir.

- Cão, onde está Jenna?
- Selvagem maldito, não sabe o que fez?

jenna jamesonA resposta de Conan é dada por seus braços gigantescos, que erguem Fafnir como se ele fosse uma folha. Aos gritos, o líder do Culto ao Inominado Deus Sombrio é devolvido aos fiéis, trinta metros abaixo. Preparando-se para enfrentar a horda que sobe as escadas, Conan ouve gritos por socorro. É Jenna, presa a uma parede atrás de um painel móvel. Assim que parte as correntes e sai da alcova, os cabelos da nuca de Conan se eriçam.

Uma figura enorme encobre parte da lua em seu vôo perverso. O som de asas gigantescas ressoa na madrugada. Conan controla seu pavor diante daquele horror alado. Firmando as pernas e com o aço em mãos, ele espera pelo confronto com o próprio Deus Sombrio.

Cena 08 – Asas Demoníacas sobre Shadizar

A coisa com cheiro de sangue velho experimenta o aço de Conan, que atravessa um de suas asas membranosas. O guincho agudo fere seus ouvidos. Sangue negro do Deus Inominado jorra sobre os braços e o peito do bárbaro, que aproveita o pouco espaço do minarete para manter-se afastado das garras e dentes pontiagudas que avançam sem cessar. A força extraterrena do Deus Sombrio, porém, se impõe sobre os músculos de Conan. Antes que ele possa alçar vôo com a presa, sofre um novo golpe. Encharcada, a espada arranca mais um naco de carne. A divindade ferida agora busca afastar-se. Sua única rota de fuga é o vão que desce até a nave central do templo. Conan não hesita um segundo antes de atirar-se atrás da coisa.

A essa altura, poucos fiéis permaneciam ali. A queda de Fafnir, seguida da Conanvisita assombrosa do Deus Sombrio, fez com que quase todos deixassem o templo, em pânico. Os que restaram testemunham a agonia de sua divindade, assolada pelos golpes constantes do cimério. Porém, nem mesmo a força de Conan consegue sobrepujar o vôo caótico, e o bárbaro é atirado contra os bancos.

Ferido e ciente de que tem apenas uma chance de atingir seu adversário antes que ele mergulhe para um ataque fatal, Conan toma impulso sobre os bancos e salta. Suas pernas poderosas o elevam acima da altura de dois homens, em um encontro aéreo devastador. A espada corta do ombro até a pata inferior do horrível morcego. O ser gigantesco tomba, debatendo-se sobre o próprio sangue escuro.

Com um golpe derradeiro, Conan encerra aquela agonia de guinchos sobrenaturais. O peito aberto da criatura expõe, aos seus últimos fieis, o coração morto de um deus.

* Essa é a reprodução de uma cena que ocorre no terceiro episódio da segunda temporada de Carnivàle. Originalmente, ela mostra o quão baixo as pessoas foram, ou puderam ir, durante a Depressão Americana. Aqui, ela serviu para ilustrar o caráter próprio de Shadizar, a Cidade Perversa, e seus cidadãos.

Crônicas Hiborianas:
Sistema: Mutantes & Malfeitores
Narração e Texto: Carlos Hentges
Conan: Carlos Alexandre “Gói” Fedrigo

18
Jun
09

Processo Seletivo – Peça em 1 ato

Cenário:
O salão de um castelo. O chão e as paredes são de pedra cinzenta. Há uma pele de urso no chão e armas e brasões sobre uma lareira acesa. Em uma mesa, dois homens analisam alguns papéis. Eles vestem mantos e parecem sábios.

Arabescos:
- Então, acho que são esses.

Zigurates:
- Qualquer um deles dará um ótimo empregado.

Arabescos:
- Finalmente! Não agüentava mais fazer entrevistas. Lembra daquele último?

Zigurates:
- O meio-orc paladino de uma divindade maléfica e obscura?

Arabescos:
- Não, não, o outro. O que o pai era elfo e a mãe anã.

Zigurates:
- Ah, sim… Percebi que ele teve dificuldade para preencher o campo “Raça”.

Arabescos:
- Acha que deveríamos rever essa pergunta?

Zigurates:
- Por quê? Acha politicamente incorreta? Será que podemos ser censurados?

Arabescos:
- Não. Nada disso. Mas seria mais educado pedir por “Categoria”.

Zigurates:
- Não, “Categoria” não pode. Eles vão confundir com “Classe”. Ou, pior, os mais velhos vão achar que estamos perguntando da armadura deles.

Arabescos:
- Estirpe, então, que tal? “Qual é a sua estirpe?”, essa é uma pergunta que dá vontade de responder.

Zigurates:
- Não, não, não! Deixe “Raça”. Esse negócio de estirpe não se parece conosco. Parece coisa daquele pessoal que vive no castelo no alto da montanha… Frankenstein, Falkostein… Algo assim.

Arabescos:
- Tudo bem. Mas estamos tergiversando. Precisamos nos decidir. Eu tenho uma preferida.

Zigurates:
- Aposto que já sei qual é…

Arabescos:
- É sempre assim. Sempre assim! Sempre que precisamos escolher, você diz isso. Eu não olho só para o Carisma, entendeu?

Zigurates:
- Sei, até parece. Eu vi você babando pelo Carisma dela. 20 não é Carisma para qualquer um, é claro. Exige uma combinação rara de sorte e estratégia.

Arabescos:
- Pois surpreenda-se, então. Eu não fiquei espiando o Carisma que aquela armadura escondia. Escolho o outro candidato. O grandalhão.

Zigurates:
- Não o achou um tanto abrutalhado. Um pouco tosco, até?

Arabescos:
- É, pode ser. Você tem o currículo dele aí. O que diz?

Zigurates:
- A Força e a Constituição são bastante altas. A Sabedoria é de envergonhar um pombo e a Inteligência é razoável.

Arabescos:
- Não precisamos ter gênios aqui, ainda que Inteligência sempre ajude, é claro. Essa outra aqui, por exemplo. Não é tão inteligente, mas tem as Habilidades necessárias ao trabalho.

Zigurates:
- É verdade, mas quem tem mais Inteligência aprende mais rápido.

Arabescos:
- Pode ser, se sobreviverem, é claro. Acho que Força de Vontade é uma característica mais importante. Mostra a capacidade de lutar e entregar-se.

Zigurates:
- Força de Vontade?

Arabescos:
- Sim, está aqui. Tem sete bolinhas. Admirável, não concorda?

Zigurates:
- Bolinhas? Mas o que está acontecendo aqui?

Arabescos:
- Acalme-se. Tivemos poucos candidatos na primeira semana. Eu resolvi ousar um pouco e admitir candidatos que não havíamos experimentado antes.

Zigurates:
- Pelos deuses, que confusão! Nunca vamos resolver isso. Você disse que ele tinha sete “bolinhas” em Força de Vontade?

Arabescos:
- Sim, isso. Que tal compararmos com a Vontade dos outros. Esse tem +7, por exemplo. Equivalem-se, portanto.

Zigurates:
- Não, não… Isso é um horror. Nunca vai funcionar. Fomos amaldiçoados. Olhe esse, olhe esse!

Arabescos:
- O que é que tem ele?

Zigurates:
- Trinta Habilidades diferentes. E algumas nem tem bolinhas preenchidas. E o que diabos é uma Informática. Nunca ouvi falar de tal arma.

Arabescos:
- Deve ser algo novo, moderno.

Zigurates:
- Elimine esse do processo.

Arabescos:
- Tem certeza?

Zigurates:
- Sim, temos opções demais. Não preciso de alguém usando uma Informática nesse castelo. E se isso for perigoso? Pode acabar derrubando as paredes, criando boatos ou coisas ainda piores.

Arabescos:
- Tudo bem, já foi para a lareira. Estamos ficando sem lenha…

Zigurates:
- Chame o criado, ou me ajude a eliminar mais candidatos.

Durante algum tempo, Arabescos e Zigurates se debruçam sobre as folhas. Diversas são jogadas ao fogo, em meio a resmungos.

Arabescos:
- Pés-peludos portador de um fardo, não!

Zigurates:
- Bárbaro com chapéu de chifres, não!

Arabescos:
- Humano, filho de plantadores de abóboras mortos por orcs, não.

Zigurates:
- Elfo, filho de plantadores de pitangas mortos pelos mesmos orcs. Triste, mas não.

Arabescos:
- Guerreiro albino com espada amaldiçoada, não.

Zigurates:
- Ninja. Ninja! NINJA!!! Não.

Arabescos:
- Loira, gostosa, 1,8m de altura. Espada de duas mãos. De nome Álvaro? Pelos deuses, não!

Zigurates:
- Isso é impossível, não há nada que preste aqui.

Lentamente, um encurvado ancião de barbas longas entra no salão. Carrega com dificuldade pedaços de lenha. Com as mãos trêmulas, alimenta vagarosamente a lareira.

Arabescos:
- Então, o que faremos? Como decidir?

Zigurates:
- Ei, Austragésilus! Você ainda tem aquele chapéu pontudo que usou na última festa do escritório?

Austragésilus:
- Tenho, sim senhor!

Zigurates:
- E o manto com as estrelas? É uma beleza aquele manto.

Austragésilus:
- Estão juntos no mesmo baú, senhor.

Zigurates:
- Você vai fazer o seguinte: pegue aquele cabo de vassoura, vista o manto e o chapéu, e vá até a taverna de sempre.

Austragésilus:
- Sim senhor!

Zigurates:
- Vou mandar mensageiros para que esses cinco que sobraram o encontrem por lá.

Austragésilus:
- Sabe que não gosto de contar histórias, senhor.

Zigurates:
- Sim, eu sei, mas você fica ótimo imitando o homem. Toda aquela coisa de destruição, fim dos tempos e tesouro… Você foi feito para o papel.

Austragésilus:
- Obrigado, senhor.

Zigurates:
- Mande-os para o Jardim de Inverno da empresa. O abandonado, sob a montanha, que acabou tomado pelos animais de laboratório do pequeno Ravengar.

Austragésilus:
- Sim senhor!

Zigurates:
- Diga aos sobreviventes que nos procurarem aqui, no escritório, para outra rodada de entrevistas.

Austragésilus deixa a o salão tão lentamente quanto entrou. Arabescos olha com admiração para Zigurates, que começa a organizar os papéis sobre a mesa. As luzem se apagam.

16
Jun
09

Um Sombrio Dito Notável – Linha do Tempo

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Linha do Tempo

1940

- John Burgess e Simon Ellsworth se conhecem. São projetistas aprendizes na Holabird & Root. Burgess imita os estilos de Phillip Johnson e Paul László. Ellsworth espera ressuscitar o estilo da Escola de Chicago.

1951

- A amizade de John Burgess e Simon Ellsworth se encerra por motivos não esclarecidos.

1953 – 1999

- Durante 46 anos, John Burgess e Simon Ellsworth levam adiante uma guerra secreta por meio de projetos de paisagismo, renovações e expansões de diversas pequenas construções na cidade de Chicago.

1994 – 2009

- Começam as viagens periódicas de Rudolf Bergmann até Munique, quatro vezes ao ano. Uma das datas coincide com o encerramento oficial das atividades da a Sociedade de Thule (Thule-Gesellschaft).

1995

- Simon Ellsworth é diagnosticado com leucemia.

1998

- Michael Cathcart vive uma experiência de natureza supostamente sobrenatural na Universidade de Chicago.

1999

- John Burgess morre devido a complicações de uma pneumonia.

2002, 23 de Abril

- O Núcleo de Pesquisa Acadêmico é oficialmente constituído.

2002, 17 de Agosto

- A leucemia de Simon Ellsworth torna-se mais agressiva. Ele muda-se para Rochester para tratamento.

2004, 12 de Março

- O Núcleo de Pesquisa Acadêmica começa a estuda a obra Origens do Rei Amarelo, de Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim.

2004, 03 de Agosto

- O Núcleo de Pesquisa Acadêmica, em cerimônia conduzida por Jerry Detwiller, segue as instruções do Origens do Rei Amarelo no Laboratório 316 do prédio de Ciências Biológicas da Universidade de Chicago.

2004, 14 de Dezembro

- William Conner comete suicídio atirando-se da Torre do Relógio da Universidade de Chicago.

2008, 04 de Dezembro

- Jerry Detwiller e Simon Ellsworth encontram-se pela primeira vez.

2008, 15 de Dezembro

- Karl Krueger começa a trabalhar na Universidade de Chicago como professor-assistente do Departamento de História;
- Jonathan Trager aceita convite para palestrar a alunos dos cursos de Letras e Jornalismo da Universidade de Chicago;
- Javier Webster comete suicídio nos banheiros do Auditório Samuel Fisher – Trager descobre um bilhete nas mãos do aluno contendo estranhos sinais;
- Karl Krueger e Jonathan Trager, colegas no passado, reencontram-se na Universidade de Chicago;
- Ellsworth, que retornara a Chicago três meses antes visando fazer pequenas contribuições para a arquitetura da cidade antes de sucumbir ao câncer, morre vítima de um incêndio criminoso facilitado pela ação de seu enfermeiro, Richard Stark.

2008, 16 de Dezembro

- Karl Krueger não tem sucesso em sua pesquisa a respeito da origem dos estranhos símbolos desenhados por Javier Webster;
- Jonathan Trager encontra-se com Michael Cathcart, diretor do Departamento de História da Universidade de Chicago – apesar do convite de trabalho, Trager desconfia que o professor apenas deseja garantir o silêncio do jornalista a respeito do suicídio no campus;
- Karl Krueger aprofunda suas pesquisas e descobre que um volume pode esclarecer suas dúvidas. Origens do Rei Amarelo, porém, encontra-se indisponível por estar em processo de restauração;
- Jonathan Trager passa-se por Jason Kemp, detetive que investiga a morte de Javier Webster. Em companhia de Karl Krueger, ele interroga Irvin Black, com quem o suicida dividia dormitório;
- Anastasio Vittorino descobre, durante a necropsia de Javier Webster, estranhos símbolos gravados a fogo no corpo do jovem;
- Karl Krueger percebe com estranheza o registro de 32 chamadas perdidas em sua secretária eletrônica, todas realizadas por um número inexistente;
- Jonathan Trager sonha que um estranho o ataca com um taco de baseball no banheiro onde descobriu o corpo de Javier Webster.

2008, 17 de Dezembro

- Jonathan Trager é interrogado pelos detetives Jason Kemp e Anastasio Vittorino no 21º Departamento de Polícia de Chicago – a Universidade de Chicago também foi cenário do suicídio de William Conner, há quatro anos;
- Karl Krueger descobre que Michael Cathcart, diretor do Departamento de História, e Daniel Holcomb, o professor que ele substitui, eram amigos íntimos;
- Anastasio Vittorino visita o local da morte de Javier Webster e encontra um símbolo escrito com sangue no chão do banheiro;
- Richard Stark entra em contato com Jerry Detwiller para marcar um encontro na semana seguinte. O encontro jamais acontece.

2008, 18 de Dezembro

- Karl Krueger descobre que o telefone que originou as chamadas para seu apartamento fica em um depósito esquecido no Departamento de História. Antes de ser surpreendido por Michael Cathcart, ele encontra anotações de um grupo de professores denominado “Núcleo de Pesquisa Acadêmica”;
- Anastasio Vittorino entra em contato com os pais de Javier Webster, Yolanda e Anthony. Aparentemente, o aluno tivera encontros com o responsável pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Chicago: Jerry Detwiller;
- Anastasio Vittorino interroga Jerry Detwiller após o funeral de Javier Webster;
- Jonathan Trager recebe uma ligação de seu editor, David Hoffman. Ao que tudo indica, a Universidade de Chicago tem sido palco de estranhos eventos com freqüência na última década. A possibilidade de um livro a respeito é discutida.

2008, 19 de Dezembro

- Karl Krueger encontra sob sua porta um convite de Daniel Holcomb para um encontro;
- Jonathan Trager tem um encontro desastrado com sua filha, Mandy;
- Krueger e Trager recebem um pedido de Daniel Holcomb – aparentemente, uma espécie de grupo ocultista formado por professores da Universidade de Chicago teve seu caráter acadêmico distorcido pela falta de escrúpulos de Jerry Detwiller;
- Karl Krueger descobre que o Origens do Rei Amarelo estava restaurado há semanas, tendo sido retirado naquela manhã por Judith Nadler, diretora da Biblioteca Regenstein, da Universidade de Chicago;
- Krueger e Trager presenciam um ritual conduzido por Judith Nadler e Jerry Detwiller. A cerimônia é interrompida e eles fogem, tendo o Origens do Rei Amarelo consigo.

Dezembro 2008 a Março de 2009

- Judith Nadler morre em decorrência de queimaduras na tarde de 19 de dezembro. Jerry Detwiller é internado no Hospital Psiquiátrico Bishopgate;
- A experiência é marcante nas vidas de Karl Krueger e Jonathan Trager. Em meio a tentativas de compreender o ocorrido, aproximam-se de suas famílias. Cada um a sua maneira, ambos agora são Caçadores.

2009, 07 de Março

- Trager e Krueger encontram-se para discutir as anotações de Jerry Detwiller;
- Trager e Krueger visitam Daniel Holcomb. O professor aposentado pede que esqueçam a experiência recente e sigam suas vidas;
- Trager e Krueger visitam Jerry Detwiller no Hospital Psiquiátrico Bishopgate e conhece a responsável por sua recuperação, Dra. Nolla Cooper. Detwiller fala sobre anjos.

2009, 08 de Março

- Trager e Krueger invadem a sala de Michael Cathcart e encontram trechos das atas de reunião no Núcleo de Pesquisa Acadêmica;
- Trager e Krueger encontram Richard Stark, enfermeiro do falecido Simon Ellsworth. Stark confessa ter facilitado a entrada dos responsáveis pela morte de Ellsworth. Ele fornece informações em troca de dinheiro para desaparecer de Chicago;
- Trager e Krueger encontram uma urna que é parte das instruções póstumas de Ellsworth a respeito da forma precisa como deve se dar o seu sepultamento.

2009, 11 de Março

- Trager e Krueger visitam o Cemitério e Crematório Parque das Acácias, onde estão os restos mortais de Simon Ellsworth. Lá, conhecem o maçom responsável pelo local: Rudolf Bergmann. Além de simbologia maçônica, encontram no local imagens que remetem à Sociedade de Thule (Thule-Gesellschaft);
- Trager suspeita que Ronnie Malone, seu ex-cunhado, ronda a casa de sua irmã.

2009, 13 de Março

- Mayara Trager Malone revela ao seu tio o desejo de conhecer algumas igrejas em Logan Square, Chicago, onde supostamente ocorreram curas milagrosas.

2009, 14 de Março

- Krueger e Trager visitam as propriedades onde Simon Ellsworth pediu, em testamento, que fossem depositados seus restos mortais;
- Victoria Trager Malone entra em contato com seu irmão e revela que um estranho chamado Adam procurou por ele em casa;
- Krueger e Trager visitam o antigo apartamento de Richard Stark, em um prédio que pertenceu a John Burgess. Todos os moradores apresentam um comportamento semelhante e compartilham características físicas.

2009, 15 de Março

- Trager e Krueger recebem, na residência do primeiro, a visita de Adam Smith. Ele pede por Richard Stark. Diante de negativas, ameaça a família de Trager;
- Depois de receber a visita de Troy Anderson, membro de um grupo de vigilância do bairro, Trager deixa a casa de Victoria, passando a noite nos fundos do Gunga Dinner.

2009, 18 de Março

- Krueger encontra-se com Rudolf Bergmann, que lhe entrega as cinzas de Simon Ellsworth, até então depositadas no Parque das Acácias;
- Krueger e Trager enterram os restos mortais de Simon Ellsworth em um dos endereços por ele indicado, em Noble Square.

2009, 19 de Março

- Victoria e Mayara Trager morrem em um incêndio que consome sua residência;
- Abalado, Trager pede que seu editor, David Hoffman, se encarregue do funeral da irmã e sobrinha;
- Krueger fica intrigado por uma foto no Chicago Tribune a respeito do aniversário de 114 anos da Linha Azul do L. Um dos trabalhadores retratados é idêntico a ele;
- Trager e Krueger encontram o falecido Simon Ellsworth na estação Belmont da Linha Azul. Ele lhes explica como eliminar a influência de seu rival, John Burgess;
- Trager e Krueger invadem a residência apontada por Ellsworth, em Lincoln Park. Antes que possam concluir sua tarefa, forças além de sua compreensão intervêm.

2009, 20 de Março

- Lucy O’Hara, em companhia de Henry Mailer, socorre Karl Krueger e Jonathan Trager no Lincoln Park;
- Krueger e Trager são levados ao Saint Joseph Hospital;
- O’Hara confronta um estranho no quarto de Krueger e Trager, mas não consegue impedir sua partida;
- O’Hara é abordada por Anastasio Vittorino, que suspeita das atividades de Trager e Krueger. Ele deseja ajuda;
- Trager e Krueger são interrogados pelo sargento Erik King, sem resultados;
- Trager e Krueger comparecem ao funeral de Mayara e Victoria Trager;
- Krueger dá um passeio por Chicago em companhia de Rudolf Bergmann;
- Trager vai à casa de Troy Anderson, que capturou o suposto responsável pela morte de Victoria e Mayara. Trager recusa-se a matar o homem, mas isso não poupa sua vida;
- O’Hara salva a vida de Ivan Mendez após um distúrbio com animais no Zoológico Fazenda do Lincoln Park.

2009, 21 de Março

- Karl Krueger acompanha a cerimônia de aposentadoria de Michael Cathcart e a transmissão do cargo para Caleb Whitfield;
- Lucy O’Hara é apresentada ao agente especial do FBI Dennis Bryson, que auxilia a Polícia de Chicago nos casos de violência que vem ocorrendo no Lincoln Park;
- Jonathan Trager pesquisa sem sucesso sobre fatos recentes envolvendo o Lincoln Park e as propriedades de John Burgess. Uma referência desconhecida surge: Rede Zero;
- O’Hara visita a mãe, com quem tem pouco contato. Em seguida, ela discute ao telefone com Anastasio Vittorino;
- Krueger encontra-se com Rudolf Bergmann na Míope Livros Usados. A conversa gira sobre as experiências inexplicáveis pelas quais passou recentemente;
- Trager é abordado por Henry Mailer e, em sua companhia, visita o local no Lincoln Park onde ele e Krueger foram encontrados;
- O’Hara conversa brevemente diante do prédio onde reside Trager com um homem visto anteriormente no Saint Joseph Hospital;
- Krueger e Trager encontram-se para decidir os próximos passos rumo ao coração das trevas;
- O’Hara visita Ivan Mendez no Saint Joseph Hospital. Antes de sofrer um colapso que o mataria horas depois, ele revela que foi atacado por um Hombre Lobo.

2009, 22 de Março

- Krueger e Trager entram em contato com o falecido Simon Ellsworth na Estação Belmont;
- O apartamento de Krueger é invadido. Cinzas, uma marca na parede e urina no chão são os sinais do vandalismo;
- Krueger e Trager recuperam seus pertences no 18º DP;
- Krueger, Trager e O’Hara encontram-se nas imediações do Lincoln Park;
- Trager percebe em uma árvore do Lincoln Park o mesmo símbolo gravado em seu apartamento.

2009, 23 de Março

- O’Hara não aceita as desculpas de Luc pela grosseria em frente ao prédio de Trager;
- Krueger e Bergmann conversam na Universidade de Chicago a respeito do Origens do Rei Amarelo e o Núcleo de Pesquisa Acadêmica;
- Trager deposita as cinzas na caixa segura de um banco, junto com o Origens do Rei Amarelo;
- Krueger solicita a análise dos pêlos encontrados por Trager em suas roupas e no Lincoln Park;
- O’Hara retoma o contato com Vittorino, que estimula sua aproximação junto a Trager e Krueger;
- Krueger registra a perda de sua arma.

2009, 24 de Março

- O’Hara testemunha um encontro entre Pablo Salvedo e outras duas pessoas no Lincoln Park. Ela descobre que Ivan Mendez faleceu;
- O’Hara interfere na discussão de um casal de vizinhos;
- Trager encontra-se com Henry Mailer, que lhe entrega uma fita gravada no Lincoln Park;
- Trager descobre que, na noite em que seu apartamento foi invadido, uma mulher chamada Madeleine estava em sua casa e falou com uma vizinha, Penélope Klein;
- Trager descobre que Penny desapareceu há pelo menos dois dias.

Resumo simplificado dos eventos ocorridos na crônica Um Sombrio Dito Notável, que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires
Lucy O’Hara: Sabrina Teixeira

15
Jun
09

Conan para M&M – Versão Final

Com a segunda sessão das Crônicas Hiborianas amanhã, fiz algumas mudanças de última hora na ficha anterior de Conan. O Nível de Poder passou para 7, e o total de pontos para 95. Revi as Perícias, Feitos e Complicações, principalmente.

Conan, o Bárbaro
Nível de Poder: 7

Habilidades:
FOR 16 (+3), DES 14 (+2), CONS 16 (+3), INT 12 (+1), SAB 12 (+1), CAR 14 (+2);

Perícias:
Acrobacia 4 (+6), Arte da Fuga 2 (+4), Cavalgar 2 (+4), Conhecimento: Local 4 (+5), Escalar 6 (+9), Furtividade 6 (+8), Intimidar 6 (+8), Intuir Intenção 4 (+5), Lidar c/ Animais 2 (+4), Medicina 2 (+3), Nadar 4 (+7), Notar 8 (+9), Obter Informação 4 (+6), Ofício: Ferreiro 4 (+5), Procurar 6 (+7), Sobrevivência 8 (+9);

Feitos:
Ambidestria, Ataque Acurado, Ataque Defensivo, Ataque Dominó II, Ataque Imprudente, Ataque Poderoso, Coração de Leão, Crítico Aprimorado – Machado de Guerra, Evasão, Foco em Ataque – Corpo-a-Corpo III, Fúria II, Iniciativa Aprimorada, Lutador Astuto, Rastrear, Robusto II, Saque Rápido, Senso de Direção, Sono Leve.

Equipamento:
Espada Bastarda, Adaga, Tanga de Batalha;

Complicações:
Fobia – Magia (Teste Vontade CD 15).
Social – Bárbaro entre homens civilizados.
Educação – Analfabeto.
Honra – Respeitar Alianças enquanto houver lealdade; Proteger mais fracos que solicitarem ajuda; Respeitar líderes enquanto eles demonstrarem capacidade; Julgar apenas pelas ações e honra; Respeitar a hospitalidade; Vingar insultos e ataques imediatamente.

Combate:
Ataque +4 (+7 Corpo-a-Corpo), Dano +3 (Desarmado), +4 (Adaga), +7 (Espada Bastarda);
Defesa +5 (+3 Desprevenido), Iniciativa +6;

Salvamentos:
RES 12, FORT +7, REFL +6, VONT +5 / +9 Medo;

Habilidades 24 + Salvamentos 12 + Combate 18 + Perícias 18 (72 Graduações) + Feitos 23 = 95 PP.

Observações:
- Estou ignorando os limites impostos ao personagem pelo seu Nível de Poder.
- Estou me lixando para as diferentes línguas que existem no cenário. E para a regra de pontos por equipamento também.
- Coração de Leão é um Feito do Warriors & Warlocks que concede bônus nos testes de Vontade para resistir aos efeitos de Medo e assemelhados.
- Lutador Astuto é um Feito do Warriors & Warlocks que permite a realização de Fintas usando o Ataque do personagem como índice para a rolagem.
- Robusto é um Feito do Warriors & Warlocks que concede bônus à Resistência do personagem.
- Sono Leve é um Feito do Warriors & Warlocks que elimina a CD +10 nos testes de Notar quando o personagem está dormindo.
- A Resistência do personagem está relacionada a uma regra opcional do Manual do Malfeitor, que permite a rolagem de dano pelo atacante. Basta calcular normalmente a Resistência do Personagem (nesse caso, 3 do Bônus de Constituição e 2 do feito Robusto = +5) e soma-se 7. Conan, portanto, tem Resistência 12. Esse é o alvo para cálculo de Dano. Os adversários que o atingirem jogam 1d20 (usarei 2d10) e somarão seu bônus de Dano ao resultado da jogada para calcular a gravidade do ferimento provocado.

10
Jun
09

Hunter: The Vigil – The Road to Hell…

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 08 – The Road to Hell…

Brave new world of secret fantasy
That hovers just beyond your bloody grasp
Close enough to thrill, the danger of the kill
Price for failure of your will

Bruce Dickinson – Accident of Birth – Road to Hell

2009, 20 de Março

Cena 01 – Tocaia

Jonathan Trager acabara de ouvir um homem ser morto. Provavelmente, o assassino de sua irmã e sobrinha. Parado em uma esquina nas imediações da residência de Troy Anderson, ele espera a chance de testemunhar o próximo acontecimento terrível. O que não demora a ocorrer. Mark Spector vai até a sua casa e, rapidamente, retorna conduzindo uma picape. As portas da garagem de Anderson permanecem fechadas por alguns minutos. Quando o veículo sai, leva um volume envolto em plástico escuro. Trager esconde-se entre árvores de um jardim, mas não tem sorte na perseguição. Quando consegue encontrar um táxi, o alvo já sumiu de vista. E, contrariando suas expectativas, não parece dirigir-se ao Lincoln Park.

2009, 21 de Março

Cena 02 – Nova Direção

Karl Krueger chega ao auditório do Departamento de História da Universidade de Chicago com antecedência. Apenas alguns funcionários e professores – Caleb Whitfield entre eles – já se encontram no local. Ocupada com os últimos detalhes, Elizabeth Leeds tem tempo apenas para um rápido aceno e um sorriso. A cerimônia, inesperada, servirá para a transmissão do cargo mais importante do departamento. Depois de quase uma década, Michael Cathcart sai de cena e Whitfield toma seu lugar. Com intenção de cumprimentá-lo, Krueger aproxima-se.

- Meus parabéns, professor Whitfield.
- Obrigado, professor Krueger. É bom tê-lo aqui.
- Não poderia deixar de saudá-lo.
- Fico feliz… E percebo que tem um hematoma no pescoço. Achei que seu acidente de automóvel não havia sido tão grave.
- Estou bem. A única marca foi o cinto de segurança que deixou.
- Ótimo, seria terrível que sua presença na Universidade se tornasse ainda menos freqüente.
- Certamente, eu…
- O professor Cathcart acaba de chegar. Dê-me licença, professor Krueger. Mais uma vez, é ótimo tê-lo aqui.

Durante o discurso, é possível constatar o prestígio de Cathcart. Praticamente todos os professores do Departamento de História, e diversos membros eméritos de outras áreas, comparecem. A recepção a Whitfield, entretanto, é apenas cortês. Nos aplausos, claramente ouve-se o som do desdém. Indicado pela reitoria para o ano e meio de mandato que faltava a Cathcart cumprir, a ausência de legitimação pelo voto deve ser uma dor de cabeça para o recém empossado.

Cena 03 – Entre os Tubarões

Desde sua formatura e encerramento do período como cadete, a oficial Lucy O’Hara viu o capitão Steve Georgas em diversas oportunidades. Como comandante do 18º Departamento de Polícia de Chicago, ele é responsável por tudo que acontece ali durante os três turnos. Apesar disso, Georgas nunca lhe dirigiu a palavra diretamente, até agora. Da porta de sua sala, ele acena para O’Hara. Enquanto se dirige até lá, a oficial se pergunta o que pode ter feito de errado…

Na sala, Georgas espalha o corpanzil com sobrepeso sobre uma poltrona.

- Oficial O’Hara, este é o agente Dennis Bryson, do FBI. Ele está nos ajudando nesses casos do Lincoln Park. Eu lhe disse que seu relatório logo estaria pronto, mas ele preferiu lhe fazer algumas perguntas imediatamente.

Em uma das poltronas está o agente do FBI Dennis Bryson. Seus olhos pequenos observam O’Hara com atenção.

- Oficial O’Hara, soube que salvou a vida de um homem esta noite.Dennis Bryson
- Ivan Mendez, agente Bryson. Felizmente, consegui estabilizá-lo.
- Mendez. Isso. Parece que ele se machucou bastante.
- Sim, senhor. Ferimentos no rosto, pescoço e peito. Cortes profundos.
- Como foi que você o encontrou?
- Recebi uma chamada da central do Lincoln Park. Havia algum tipo de distúrbio com os animais no Zoológico Fazenda. Encontrei Mendez caído no chão, perto de um curral. Os animais estavam muito agitados.
- Entendo… E na noite anterior, você abordou dois homens dentro do parque.
- Sim. Karl Krueger e Jonathan Trager. Quando os alcancei, estavam em choque. Pareciam muito assustados.
- Como os animais no curral…
- Ah… Exatamente, senhor.
- Muito obrigado, oficial O’Hara. Vou ler o seu relatório com muito interesse. Algum detalhe que você considerou irrelevante registrar?
- Não, senhor. Está tudo no relatório.
- Muito bem, agente Bryson. Acho que é o suficiente. A oficial O’Hara passou por muita coisa nas últimas noites. Oficial, você está dispensada do seu próximo turno. Aproveite e descanse.

Cena 04 – Negócios Escusos

Trager gasta a manhã de sábado em busca de um carro que caiba em seu orçamento e de informações a respeito da Fortuna Incorporações. A navegação revela que a empresa foi criada por John Burgess e deixada em testamento para um colaborador de longa data: Adam Smith. O prédio da Fortuna e dois outros de propriedade da empresa desabaram na madrugada de 20 de março. Adam Smith está desaparecido. Suspeita-se que possa ter sido vítima da tragédia. A hipótese de atentado terrorista, aventada inicialmente, já foi descartada pelas autoridades.

Network ZeroA respeito dos crimes em Lincoln Park, Trager não consegue ir além daquilo que os jornais já estão noticiando. Os dois homens assassinados no local eram membros dos Reis Latinos, uma gangue conhecida por atuar na região sudoeste da cidade. Pelo perfil das vítimas, suspeitasse da Máfia Russa, cujas ações baseadas na Vila Ucraniana já foram combatidas pela Polícia de Chicago. A ausência de indícios a respeito da autoria dos crimes faz que a tese da guerra de gangues predomine, mas sem unanimidade.

Em sua última tentativa de descobrir algo, Trager não dá sorte. A informação que deseja, a respeito de eventos estranhos no Lincoln Park, está vinculada a um site que exige uso de senha de segurança. Incapaz de vencer a barreira, Trager desiste. Chama sua atenção, porém, um logotipo na página, como uma assinatura: Rede Zero.

Cena 05 – Visita Inesperada

Com a noite de folga em vista, O’Hara aproveita para checar as informações que Vittorino lhe passou a respeito de Krueger e Trager. Para sua surpresa, elas batem. O detetive pode ter exagerado um tanto, mas certamente não mentiu a respeito dos dois. Os símbolos que ele anotou no corpo de Javier Webster durante a autópsia certamente devem tê-lo perturbado. Mas uma sociedade secreta assassina de professores e alunos na Universidade de Chicago? Parece um pouco… Dramático!

Mais tarde, ela visita sua mãe, Claire. O apartamento pequeno, desordenado e com forte odor de cigarros contrasta em tudo com as lembranças da infância.

- Olá, Lucy. Você não avisou que viria.
- Estou de folga. Resolvi passar para dar um “oi”.
- Você sabe que é sempre bem-vinda.
- Sim, mãe. Eu sei.
- Você quer um café.
- Não, obrigada.
- Bem, eu quero. Volto em um instante.

Afastando-se, Claire dá tempo para que Lucy olhe ao redor com mais cuidado. O cinzeiro está cheio. Abertos em volta de um computador, inúmeros livros sobre Direito e Política aguardam. Um gato sai do quarto e se enrosca em seus pés.Cigarros

- Me desculpe pela bagunça.
- Tudo bem.
- Eu sento para escrever e fumar. Como as idéias não vêm, acabo apenas fumando.
- Mãe, eu tenho que ir.
- Está bem. Eu sei como são os horários de vocês. Com o seu pai, era a mesma coisa.

Até quase o final ela conseguiu ficar sem falar no ex-marido. Paul faz falta às duas. Ele morreu em ação pela Polícia de Chicago, e a depressão transformou Claire em uma morta-viva. Apenas quando abraça a mãe, Lucy percebe que o pequeno apartamento não tem fotografias.

A caminho da rua, ela recebe uma ligação de Vittorino.

- E então, falou com algum dos dois?
- Ainda não.
- Por que?
- Queria dar uma olhada na ficha deles. Ver os relatórios a respeito dos casos que você mencionou.
- O que achou?
- Parece que é isso mesmo. Tem algo esquisito em torno deles.
- Isso foi o que eu te disse, O’Hara.
- Sim, mas eu…
- E os relatórios… Eu os escrevi.
- Meus parabéns!
- Não preciso da merda da sua aprovação. Preciso que você faça a porcaria que eu te disse para fazer.
- Sem chance, Vittorino. Desse jeito, as coisas não vão funcionar.
- Espero que elas funcionem para você, então. Na Patrulha. Porque tenho certeza de que você nunca vai sair de lá.

Cena 06 – Míope Livros Usados

A Míope Livros Usados é uma loja tradicional de Chicago. Obras de segunda mão recheiam quatro andares de prateleiras repletas. Muita coisa rara. Cerca de 80 mil volumes organizados segundo os critérios impenetráveis de Garland Clements, o proprietário. Absorvido pela leitura, o idoso responde com um aceno impaciente a pergunta de Krueger a respeito da disposição dasGarland Clements seções. Em seguida, resolve abordar seu único cliente daquela tarde.

- O que você quer?
- Estou dando uma olhada nos livros.
- É claro que está, não é mesmo?
- O que o senhor quer dizer? Estou apenas olhando.
- Sim, eu vi. Porque se estivesse roubando, eu não falaria com você desse jeito, meu filho.
- Ah… Bem, obrigado.
- Você é o tal Krueger, não? O que Bergmann está esperando.
- Como é que o senhor sabe disso?
- Porque ele me disse, ora. Bergmann está lá em cima. No quarto andar. Livros Raros!

A conversa com Bergmann é difícil. Depois do encontro no dia anterior, Krueger sente que ele é a única pessoa com quem pode dividir os acontecimentos recentes. Entretanto, como falar de restos mortais, lapsos de memória e diálogos com mortos sem candidatar-se à camisa de força? Resumidamente, e omitindo uma série de incertezas, Krueger relata suas Myopic Used Booksexperiências, estimulado pelas eventuais perguntas do interlocutor. A fleuma com que Bergmann ouve tudo aquilo é desconfortável. O que é pior – ele duvidar da sanidade de Krueger ou estar disposto a engolir tudo sem questionamento?

Na despedida, depois de ouvir de Bergmann que ele precisa conversar com algumas pessoas antes de emitir uma opinião a respeito do que ouviu, Krueger nota a estranha disposição das obras na saleta dos Livros Raros.

- Como é que você consegue encontrar o que precisa? Os livros não têm marcas na capa ou na lombada.
- É muito fácil. Basta decidir o que se deseja saber.

Cena 07 – Retorno ao Lincoln Park

Enquanto observa o jovem tamborilando no painel do carro, Trager se pergunta onde diabos estava com a cabeça para aceitar a forma como Henry Mailer o abordou… Ah, claro, bastou o ego inflado ser acariciado. Ao dizer que era um admirador dos livros de Trager, Mailer conquistou o direito de ser ouvido. E, após pedir um autógrafo, bem, não havia dúvidas de que o jornalista, e escritor, estaria mais receptivo. É como se Trager fosse o grande fã dos seus fãs.

Tudo não passou de um subterfúgio, é claro. Tudo que Mailer queria era ter a chance de mostrar aquela imagem. Borrada, escura, distorcida e quase incompreensível. Seria um animal selvagem de grande porte entre a vegetação? Os dois olhos brilhantes encaram a câmera diretamente.

- Foi mais ou menos aqui que eu estava quando vi você e seu amigo.
- Já disse que não lembro do que aconteceu naquela noite.
- Bem, então a oficial O’Hara partiu atrás de vocês naquela direção. Eu perdi tempo tirando o equipamento da mochila.

—-

- E foi aqui que vocês dois pararam. O’Hara me mandou desligar a câmera, mas eu apenas a abaixei. Foi quando começamos a ouvir o que parecia uma respiração. Eu apontei para todos os lados, mas só em casa vi o que tinha filmado.
- E agora você acha que tem um urso a solta no Lincoln Park…
- Sei lá, mas é esquisito, você não acha? Aquela pedra ali, ela deve ter quase dois metros de altura. E o bicho agachado é do tamanho dela.
- Vamos dar uma olhada por aqui.
- Se tivesse um animal, as autoridades avisariam. Mas o Zoológico não informou nada a respeito de desaparecimento de animais. Quero dizer, esse lugar passa o dia cheio de gente. Seria perigoso.

Enquanto Mailer conjectura, Trager encontra pêlos escuros preso na borda naturalmente serrilhada da pedra. Idênticos aos que estavam na dobra da camisa com que saiu do Saint Joseph Hospital. Fragmentos de cimento e concreto podem ser vistos claramente. Sem mencionar nada a Mailer, ele guarda para si os possíveis significados da descoberta.

- Essa O’Hara que estava com Clareiravocê, sabe alguma coisa dela?
- É policial. Da Patrulha. Faz parte daquele grupo criado pelo prefeito Daley depois que dois dos Reis Latinos foram mortos dentro do parque.
- Falou com ela novamente?
- Não. Acho que ela não foi com a minha cara. Estava me expulsando quando nos conhecemos.
- Ok! Bem, vou precisar de uma cópia desse vídeo.
- Pode deixar. Assim que estiver pronto, entrego para você.
- Eu mesmo posso fazer a cópia.
- Sem chance. Não vou te dar o original, Trager.
- Eu preciso disso hoje para tentar chegar a uma imagem melhor.
- Eu já fiz isso. Como acha que consegui a foto que mostrei? É um dos quadros do vídeo. Não vai ficar melhor do que isso. Pode ficar com a foto, se quiser.
- Não quero essa merda de foto. E pode ficar com o vídeo que não mostra coisa nenhuma, também.

Cena 08 – Uma Nova Tocaia

Aguardando em frente ao prédio, O’Hara tenta se aquecer. Apesar das merdas que Vittorino lhe disse, ou graças a elas, ela decidiu não deixar a curiosidade de lado. Quando Trager finalmente aparece, entra e volta rapidamente. O’Hara tem tempo apenas de anotar a placa do seu carro.

Depois que o jornalista parte, a oficial decide fazer o mesmo. Entretanto, uma pessoa à porta do prédio chama sua atenção. É o mesmo homem que estava arranjando confusão na Emergência do Saint Joseph quando ela estava sendo a babá de Trager e Krueger. Ele toca o interfone algumas vezes antes de desistir. Nos degraus, é abordado por O’Hara.

- Olá! Procurando alguém?
- Sim. Uma amiga.
- Que azar. Eu também fiquei de encontrar um amigo aqui.
- Mais sorte para nós da próxima vez, então.
- Bem, se ela deu o cano em você, e ele em mim, bem que poderíamos nos juntar para um café.
- Não sei, acho que não é boa idéia. Eu tenho que ir andando.
- Quem sabe outro dia, então?
- Olha, nem hoje nem outro dia. Por que você não simplesmente vai embora?

Desnorteada pela agressividade inesperada, O’Hara decide que já teve o suficiente de Chicago para uma noite de folga.

Cena 09 – Preparativos

Krueger e Trager encontram-se no apartamento do primeiro. Dividem opiniões sobre assuntos que os inquietam. Alguns recentes, outros nem tanto. A respeito do período apagado de duas noites atrás, pouco conseguem fazer. Trager acredita lembrar-se da fuga pelo parque, mas suspeita que pode ser uma associação incorreta, tendo em vista que fez o mesmo trajeto mais cedo, em companhia de Mailer. Entretanto, ambos concordam que a voz de uma mulher, seja lá quem ela for, está entre os fatos turvos que suas memórias não alcançam. Trager pensa na jovem que viu perto de casa, poucos minutos antes. Achou que fosse alguém que esteve no enterro de Victoria e Mayara, porém…

Decididos a encontrar algumas respostas, Trager e Krueger dirigem-se ao Lincoln Park.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires
Lucy O’Hara: Sabrina Teixeira

09
Jun
09

Hunter: The Vigil – Os Pactos

Muito em breve, os personagens de minha crônica de Hunter: The Vigil, Um Sombrio Dito Notável, vão ingressar nas organizações chamadas de Pactos. Até então, passados oito capítulos (ainda essa semana, o resumo do oitavo capítulo), eles vinham contando apenas com as próprias forças. Considerando que os mistérios da história devem tornar-se mais perigos dentro de pouco tempo, achei que seria uma boa idéia fornecer-lhes os meios para conquistar algum auxílio.

Para tanto, cada um dos jogadores recebeu a tarefa de apontar dois Pactos de sua preferência e com os quais o personagem se identificaria mais facilmente. O meu trabalho, depois disso, é decidir qual dos dois se encaixa melhor no que foi narrado até aqui.

Abaixo, a lista dos Pactos, tendo em vista o conteudo do livro básico e dos suplementos Witch Finders, Night Stalkers e Spirit Slayers.

Foram apenas essas informações que os jogadores receberam a respeito de cada Pacto.

Abadia de Ashwood: Pego sozinho na escuridão, com as costas contra a parede, perseguido por coisas que você mal pode entender, coisas que tratam seres humanos como gado, insetos… Caçadores fazem o que fazem porque sentem que devem fazê-lo, seja vingança ou curiosidade. Existem muitas razões. Mas apenas os que pertencem a Abadia de Ashwood vão admitir o real motivo: caçar é uma das experiências mais viciadoras que existe.

Comissão Barrett: Rumores a respeito de conspirações envolvendo os membros das mais altas esferas da sociedade existiram desde sempre. Homens de Preto, Maçons, Illuminati, a Igreja Católica. Você conhece as histórias. O objetivo da Comissão Barrett é verificar quão funda é a toca do coelho, eliminando as criaturas que visam influenciar a nata da sociedade em prejuízo de toda a população.

Confraria Prometéica: As criaturas que habitam as fissuras do mundo podem ser imensamente poderosas. Muitos já desejaram deter esse poder para usá-lo contra a escuridão. A Irmandade Prometéica faz mais do que desejar. Por meio de um complexo e perigoso ritual, esses ladrões do fogo trafegam pelo mais perigoso de todos os caminhos: o da ambição humana.

Defensores da Fonte: A Magia flui através da Terra como uma força invisível. Em alguns lugares, essas fontes de energia espiritual formam lagos de poder natural. Os Defensores da Fonte sabem que esse não é um recurso para ser espoliado pelos ignorantes. Na verdade, essas fontes são os órgãos expostos da Terra, cuja vida deve ser protegida.

Divisão Seis: Toda pessoa racional sabe o modo como o mundo deveria funcionar. Existem coisas que não compreendemos, e existem coisas que jamais poderiam ser tocadas. Mas existem criaturas à solta que podem distorcer a realidade e fraturá-la além do conserto. O papel da Divisão Seis é manter o mundo em ordem, combatendo aqueles que pervertem a realidade em causa própria.

Fraternidade Iluminada: Monstros espreitam a escuridão, vitimando a humanidade. Bruxas seqüestram para sacrifícios blasfemos. Bestas ferozes atacam pelo gosto de sangue. A Fraternidade Iluminada sabe que algo está errado com o mundo. Mas, em vez de procurar as respostas em tomos antigos ou teorias científicas exóticas, eles mergulham fundo na mente humana. É nas visões psicodélicas fruto da consciência planetária que emergirão as respostas.

Grupo Talbot: A maioria dos caçadores é conduzida à Vigília pela tragédia. Eles testemunharam horrores inexplicáveis e viram pessoas amadas morrerem nas mãos de monstros. Para esses caçadores, a guerra tem apenas um fim: eliminar todos os monstros da face da Terra. Para o Grupo Talbot, as coisas não são tão simples. Seus entes queridos não foram mortos por criaturas das trevas: eles são as próprias criaturas.

Irmandade do Sangue da Donzela: As participantes dessa sociedade dizem que seu espírito existe desde o início dos tempos, quando Lilith recusou-se a ser a concubina de Adão. Mais do que um lugar seguro a oferecer a mulheres, a Irmandade lhes dá a oportunidade de revidar contra todos os abusos sofridos.

Legalistas de Thule: Segredos são o que nós somos. Segredos nos constroem. Os desejos e as esperanças dentro de nós podem mudar o mundo. Tudo corre em segredo, coisas ocultas do resto do mundo. E algumas coisas são mais ocultas do que outras. Os Legalistas desejam desenterrar a verdade, pois essa é a única forma da humanidade enfrentar os seus monstros.

Longa Noite: O mundo acabará em breve. Deus apanhará os Verdadeiros Cristãos enquanto os demais sofrerão sob o jugo do Anticristo até que Jesus volte e encerre o sofrimento com Sangue e Fogo. Certo? Errado! Isso já aconteceu. E os que ficaram para trás devem lutar contra a escuridão para merecer o seu lugar nas fileiras do Senhor. É uma guerra, e será travada com a voz, a vontade, a Bíblia, os punhos e armas.

Null Mysteriis: Tudo possui uma explicação racional. Alguns assuntos apenas não mobilizaram cientistas o suficiente para esclarecê-los. O paranormal e o sobrenatural são apenas fenômenos que precisam ser mais observados para adquirir sentido. Se você concorda com isso, você é um dos Null Mysteriis.

Rede Zero: Às vezes, um vídeo aparece em algum site de compartilhamento. Ele é realmente assustador – é escuro, é pouco nítido e há som de todos os lados, mas, puta merda, você viu que o cara simplesmente virou um monstro e fugiu? São efeitos especiais. Só podem ser efeitos especiais. Você pode fazer algumas coisas muito impressionantes com um equipamento de edição de vídeo decente. Às vezes, porém, aquilo é real. Foi a Rede Zero que publicou. Eles querem que tantas pessoas quanto possível saibam a verdade.

Sindicato: Nos Estados Unidos, o movimento trabalhista começou a tomar forma na virada para o século XX. Trabalhadores de fábricas sindicalizaram-se para proteger-se. O fraco contra o forte, o pobre contra o rico, as pessoas comuns contra as poderosas forças que as exploravam. O tempo mostrou que a violência contra as massas ia muito além do que se sabia. Incluía a carne, o sangue e a alma dos trabalhadores. E o Sindicato não vai permitir que isso ocorra.

Toca do Urso: Alguns caçadores desistem da Vigília por medo, em pânico diante da idéia de bestas saindo da escuridão. Outros encaram monstros sem responsabilidade, acreditando que as pessoas que ama jamais sucumbirão diante de criaturas que se colocam acima da humanidade. Alguns orientam sua caçada pela necessidade de conhecimento, pelas verdades secretas do mundo. A Toca do Urso caça e mata monstros por nenhum outro motivo melhor do que provar que pode fazer isso.

Vigilância Noturna: Quem mantém a Vigília nas ruas que nem mesmo a Polícia tem coragem de entrar? Quem leva esperança às vizinhanças para as quais o mundo fechou os olhos? Toda a cidade grande tem algumas ruas que foram esquecidas, locais tão ruins que é melhor esquecer, ou esperar por sua autodestruição. Mas não é só o crime que aflora nesses locais. As criaturas da noite estão apenas esperando para reinar sem temer a repercussão. É nesses lugares que age a Vigilância Noturna.




A Verdade em Números

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