The Truth's For Sale

Brasil, Império – Crônica de um futuro pretérito

Posted in Castelo Falkenstein, RPG by Carlos Hentges on 17/12/2010

Corre o ano de 1870. A Guerra do Paraguai, na qual a Tríplice Aliança, encabeçada pelo Império do Brasil e secundada por Argentina e Uruguai, barrou os planos expansionistas do ditador Francisco Solano López, finalmente está encerrada.

A paz não foi assinada, mortos aguardam seus funerais, heróis ainda são pranteados.

Apesar disso, existem motivos para regozijo.

O Império do Brasil, com o inestimável auxílio da vapor-técnica britânica, consolidou sua hegemonia na América do Sul.

As Forças Armadas experimentaram pela primeira vez no campo de batalha os mais modernos frutos da ciência técnica dessa época de maravilhas.

Em marcha triunfal, primeiro para a tomada de Assunção e depois para o deleite da população, no Rio de Janeiro, o Exército Brasileiro nunca antes gozou de tamanho poderio.

A popularidade de Duque de Caxias e do Conde D’Eu rivalizam com a do próprio Imperador Dom Pedro II.

Não é de surpreender, portanto, que os ideais republicanos, cujo conflito com o Paraguai serviu para que tomassem corpo, assim como a alforria dos escravos, estejam atualmente em voga entre as camadas mais ilustradas da população.

Indiferente ao que sussurram a respeito da modernização política no Brasil, Dom Pedro II será anfitrião do mais suntuoso baile que a capital do Império já presenciou.

Em alguns dias, o recém-inaugurado Palácio da Ilha Fiscal, na entrada da Baía da Guanabara, receberá os diversos homenageados pelo Imperador em uma noite de pompa e circunstância onde estarão todos, exatamente todos os membros mais ilustres da buliçosa sociedade brasileira.

Os jornais do Rio de Janeiro, capital do Império, começam a publicar os nomes de alguns dos convidados que já confirmaram presença no Baile da Ilha Fiscal:

Dom Pedro II, o Magnânimo, Imperador do Brasil, e a Imperatriz Dona Maria Leopoldina
Gastão de Orleáns, o Conde D’Eu, e a esposa, Princesa Isabel de Bragança e Bourbon
Luis Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias e Marechal de Ferro
José Paranhos, Visconde de Rio Branco
Dom Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro
Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá
Dr. Simão Bacamarte, médico e alienista
Emília, a Boneca, e sua inventora, Tia Anastácia Lobato
Paulo Mendes, o Mandrake, famoso advogado criminalista
Richard Francis Burton, explorador e cônsul inglês no Porto de Santos

Referências:
Castelo Falkenstein
O Prisioneiro de Zenda
A Máquina Diferencial
A Volta ao Mundo em 80 Dias
O Homem que era Quinta-Feira
1889
Brasil: Uma Biografia

Castelo Falkenstein – Introdução a regras e cenário

Posted in Castelo Falkenstein, RPG by Carlos Hentges on 17/12/2010

Heróis & Vilões

(ou, como são as pessoas)

No mundo de Castelo Falkenstein existem dois tipos importantes de pessoas: Heróis e Vilões. Ambos refletem estilos desta era de outrora no sentido de que eles são verdadeiros arquétipos do Bem e do Mal, representando seus papéis no Grande Palco, num mundo de moralidade relativamente clara. Eles são os “Dramatis Personae” – os Personagens Dramáticos assim chamados pela primeira vez pelo grande poeta e dramaturgo Robert Browning, aquelas figuras que definem o rumo de poderosos Impérios e mudam o curso da História.

Nesse grande palco os heróis fazem o bem, os vilões fazem o mal, e seus caminhos nunca se cruzam, exceto em combates mortais. Num universo da Era do Vapor de verdade, as coisas são Pretas ou Brancas (e em letras maiúsculas). Nessa realidade, o Bem combate o Mal, o Certo derrota o Errado, e as Coisas são realmente feitas pela Honra, pela Rainha e pela Pátria.

Herói: Isso é o que vocês estarão representando neste mundo (embora também falarei sobre os bandidos). Perceba que quando falo Herói, quero dizer Herói; na ficção da Era do Vapor, não existe nenhum “anti-herói” desagradável, sem princípios e quase mau. Esta é sua grande chance de subir no palco da forma mais grandiosa e heróica: para combater o mal, garantir que a justiça seja feita, e empunhar seu sabre no campo da honra. Façam o melhor que puderem!

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O Narrador nas Lacunas

Posted in RPG, Teoria do RPG by Carlos Hentges on 07/12/2010

Em qualquer cenário em que joguei RPG, e com qualquer conjunto de regras, eu sempre vi o narrador como o responsável por rechear lacunas.

O jogador aparece com uma boa idéia, o narrador a pega, apara algumas passagens, e a transforma em uma história memorável.

Quando a descrição da ação de um personagem soa incompleta, cabe ao narrador pescar a essência do que foi dito e desdobrar em conseqüências plausíveis que contribuam com o desenvolvimento dos eventos da sessão.

Quando cria um NPC ou concebe uma trama, o que o narrador está fazendo é preencher as frestas que as ações dos personagens não alcançam

Mas e se fosse o contrário?

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