The Truth's For Sale

Numenera Ex Machina – De Piratas e Negociatas

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 27/01/2016

Capítulo 5 – No qual todos os olhos se voltam ao Rompante. E acordos escusos cobram seu preço.

– Vocês não vão machucá-la mais. Ehvera contou o que fizeram.

Bastaram poucas horas para Martelo cair sob os encantos da prisioneira. Alimentava-a quando Kronus e Strahl retornaram do encontro com Tvesh Szat, no qual foram exortados a serem mais ambiciosos em relação ao suposto conteúdo do Rompante. A embarcação comandada por Tarae lançara âncora na baía de Nebalich naquela tarde.

Ehvera observava em silêncio a discussão entre os três. As bandagens que recebera não davam conta dos ferimentos recebido no Cálice e nem do ataque da criatura na penumbra. Não corria riscos mas, naquelas condições, não melhoraria. De algum modo, convencera Martelo a interceder em seu favor, algo que Kronus não aceitava, atribuindo-lhe algum truque.

– Seu brutamontes cretino, essa bruxa enfeitiço-o para colocá-lo contra nós e contra Szat.

Apenas quando já estava nos braços de Martelo, que a levaria até alguém que lhe avaliasse os ferimentos, Ehvera revelou seu trunfo. Millian estaria escondido no capítulo da Ordem da Verdade em Nebalich. Fizera favores aos Pais Pretéritos no passado, e por certo os estaria cobrando. Ela não tinha condições de alcançá-lo, mas ajudaria no que fosse necessário. Pragmática, imaginava que favorecer os interesses de Tvesh Szat lhe seria vantajoso no futuro.

Kronus, contudo, nada disso escutou. Estava de tocaia, esperando a bruxa e sua marionete passarem pela porta. Quando o fizeram, saltou sobre os dois, apunhalando com uma seta de besta quem estivesse em seu alcance.

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Tarae espiando sobre a murada do Rompante.

Tarae espia por sobre a murada do Rompante.

Obi era levado em direção ao Rompante em uma canoa. Não sabia o que esperar de Tarae. Tinha para si apenas a imagem pintada por Strahl de uma capitã feroz por quem a tripulação nutriria uma admiração amedrontada. Sem deixar seu transporte, aos gritos em direção à murada do veleiro, explicou que tinha consigo o Revitalizador e o negociaria em lugar de Ehvera.

– Eu espero por Ehvera e o Revitalizador. Não apenas um deles, e nada além deles.

O remador que conduzia Obi de volta à costa fez inúmeras perguntas. Foi quando decidiu levar adiante uma estratégia que seria expandida mais tarde. Ciente de que tudo o que dissesse se espalharia rapidamente pelo porto, fez do Rompante um alvo para todo flibusteiro naquelas margens.

– Aquela embarcação tem os porões repletos de Numenera.

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Ehvera estava ensopada pelo próprio sangue. Em busca de atendimento médico, era levada por Martelo nos braços. Para trás deixaram Kronus, ferido de faca na reação ao ataque traiçoeiro. Estava estirado aos pés de Strahl, não tendo sido degolado apenas graças à intervenção deste. Quando compreendeu o que se passara ali, Obi não se furtou a chutar o companheiro, que começava a se recuperar. Os cortes, afinal de contas, não haviam sido profundos o bastante para ensinar-lhe uma lição.

Nenhum dos dois compreendia suas razões. Ehvera e Martelo deixariam a condição de possíveis aliados para se tornarem ameaças em potencial. Contudo, Kronus não demonstrava arrependimento. Ehvera era uma bruxa e Martelo um parvo, ambos indignos de confiança.

Ainda debilitado, ficou aguardando na residência dos três. Mais tarde se dirigiria até o capítulo da Ordem da Verdade para fazer contato com Moristheu. O Pai Pretérito lhes devia um favor, e ele seria cobrado para que chegassem até Millian. Strahl e Obi dirigiram-se à praia, de onde observariam o Rompante em busca de ideias, caso uma abordagem direta se fizesse necessária.

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Numenera Ex Machina – Ambições Sombrias

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 18/01/2016

Capítulo 4 – No qual uma circunstância inesperada aproxima os interesses de Strahl e Obi. E Kronus tateia uma oportunidade.

Desde o Cálice, Strahl, Obi e Kronus carregavam a caixa retirada da residência de Millian e também a mulher que se dizia sua verdadeira proprietária, desacordada. Estava ferida numa gravidade que não sabiam mensurar, menos pela luta nos corredores da construção que servia de abrigo para centenas de pessoas, do que pela violência que se seguiu, quando Kronus a estrangulou até que perdesse os sentidos. Se não foi incentivado pelos companheiros, também deles não escutou qualquer reprimenda.

Ehvera

Ehvera, em um raro registro sem cordas

Ao chegarem ao galpão transformado em residência, algumas providências foram tomadas de imediato. Strahl cuidou de amarrar a convidada forçada, enquanto Kronus juntava o equipamento necessário à análise da caixa que trouxeram consigo. Obi, ao realizar a conferência de todas as entradas, buscava qualquer sinal de invasores, notou algo estranho. A saída de ar sobre o fogareiro, uma peça inteiriça de ferro, presa a uma coluna de pedra, estava retorcida, com pedaços faltando na sua porção mais baixa, pela qual a fumaça era sugada. Nem mesmo uma criança se esgueiraria através daquela passagem estreita. Sequer saberia dizer se alguém tentara entrar ou – o que seria mais estranho – sair.

Enquanto confabulavam a respeito, os três tiveram a atenção atraída pela mulher amarrada. Buscava, freneticamente, livrar-se das cordas. Os olhos, arregalados, voltavam-se à escuridão diante dela. Uma escuridão serpentina, de olhos vermelhos e pontiagudos dentes de cristal. Aquilo que os três enfrentaram, e do qual fugiram, na fortaleza além das nuvens, estava bem ali, adensando as trevas.

Por um instante, talvez, tenham considerado a fuga. Sair dali significaria sobreviver, enquanto permanecer traria consigo a incerteza diante da ameaça por enfrentar. Contudo, entre a criatura na penumbra e Tvesh Szat lá fora, e as repercussões diante de um fracasso, atiraram-se em direção à primeira opção.

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