The Truth's For Sale

Numenera Ex Machina – Soluções Salobras

Posted in Este Corpo Mortal, Numenera, RPG by Carlos Hentges on 26/04/2016

Capítulo 8No qual, a caminho de Queslin, os personagens se deparam com alguns dos mistérios que o Sere Marica abriga.

Já ia o segundo dia desde a partida de Nebalich quando avistaram o veleiro. Estavam próximos ao centro do Sere Marica, metade do caminho até Queslin. Os mapas não apontavam ilhas nas imediações e nem o horizonte mostrava embarcações das quais aquele navegador solitário pudesse ter-se desgarrado.

Sal

Sal, em uma representação que não lhe faz a menor justiça.

Marek tinha o físico dos marinheiros, apesar da palidez destoante. Suas roupas eram feitas de tecidos e peles estranhos a Obi, Strahl e Kronus. No pequeno barco, algo frágil para aquela região do mar salgado, levava diversos gêneros alimentícios. Mas foi o conteúdo de cubas que despertou o interesse dos viajantes. Ali havia o precioso líquido de Salachia, a quase mítica cidade nas profundezas do Sere Marica, cuja propriedade de proteger o metal contra a salinidade daquelas águas era muito valorizada.

– Vocês deveriam conhecer o lugar de onde venho.

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O tubo gelatinoso ergueu-se das profundezas minutos após Marek assoprar uma espécie de flauta silenciosa. Já havia desmontado o mastro do veleiro e protegido com cordas e tecidos toda a sua carga. Obi e Strahl o acompanhariam. Kronus, ainda que atormentado pela agitação das águas, e o navegador que os trouxera até ali preferiram a permanência na superfície.

Em espiral descendente, lentamente foram sugados ao longo de um duto orgânico semitransparente. Através dele era possível ver as estranhas criaturas que o Sere Marica abrigava, mais e mais estranhas conforme se aproximavam de seu leito, em direção a um conjunto de gigantescas conchas iluminadas por uma suave emanação branco azulada.

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Numenera Ex Machina – O quinhão que lhes cabe

Posted in Este Corpo Mortal, Numenera, RPG by Carlos Hentges on 04/04/2016

Capítulo 7 – No qual consequências confluem e empurram para longe de Nebalich.

A multidão se comportava feito uma fera acuada, rugindo na expectativa de que aquilo fosse o bastante, mas sem demonstrar toda a energia excitada que a faria saltar sobre a presa. Moradores do Cálice, descontentes com o descaso da realeza e da Ordem da Verdade diante da Numenera que poderia ter destruído a residência de centenas de famílias, comerciantes, acossados pela violência de gatunos maltrapilhos, e marinheiros, frustrados pela perda de trabalho resultante da ação de piratas na costa do Sere Marica, formavam um caldo de insatisfação difusa que Strahl trabalhara para engrossar e dar propósito claro. Ao agredir sorrateiramente um marinheiro na orla, esperava apontar as tochas e pedras da multidão para o Rompante e sua tripulação.

Obi testemunhava o resultado desse esforço quando chegou ao porto, logo após selar um acordo com Millian.

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Admoestha

Admoestha, militar, burocrata e impaciente.

Lenora deixara claro que não tinha o menor apreço por ele. Talvez soubesse que Kronus interferira em sua apresentação na praça central, dias antes, quem sabe julgasse inconsequentes seus métodos quanto à Ehvera e Martelo, ou, opção que lhe parecia a mais plausível, sentia-se ameaçada por ele e, na sugestão de que Tvesh Szat poderia enxergar a verdade além de suas narrativas tortuosas, revelara uma estratégia simplória para dissuadi-lo de seus objetivos e bloquear o caminho entre ele e o patrono poderoso.

Tendo isso em mente, Kronus sabia que caberia apenas a si trazer Admoestha para a causa de Szat. O senescal do Rei Falton e da Rainha Sheranoa era um soldado que demonstrara na política a mesma tenacidade do campo de batalha. Tornara-se responsável pela maior guarnição de Nebalich e, muito a contragosto, interrompera o treinamento de soldados em preparativos para singrar os Canais de Seshar e combater margr ao norte de Pedra Vermelha e escutava o que tinha a dizer o homem que acompanhava Lenora.

Impaciente, Admoestha não compreendia a relação entre seus soldados e os marinheiros de um navio recém atracado, eventos no Cálice e uma ameaça representada pelos varjellen que viviam em uma das regiões mais afastadas da cidade. Por consideração a Lenora, se mantinha atento, minimamente, enquanto gritava ordens a seus homens.

O argumento que colocou em movimento a máquina de guerra de Nebalich, afinal, foi o anúncio trazido pelas palavras de um garoto esbaforido: o porto estava mais agitado do que de costume.

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