The Truth's For Sale

LA Noire – Quase isso

Posted in PS3 by Carlos Hentges on 28/10/2011

Após as resenhas iniciais de LA Noire, algumas com notas abaixo do esperado por todos aqueles que o chamavam de jogo do ano baseados exclusivamente em trailers de lançamento, começaram a pipocar notícias a respeito de problemas os mais diversos em seu desenvolvimento, desde divergências criativas até, como gostam de dizer no Brasil, situações análogas à escravidão. Em boa parte dos relatos, a Team Bondi era tratada como responsável pelo sucesso que LA Noire não foi, enquanto a Rockstar foi colocada no papel de salvadora de um processo que, de outra forma, poderia ter resultado muito abaixo do que seu viu.

Fofoca posta de lado, e depois de chegar ao final, ficou a sensação de que LA Noire teria se beneficiado de uma estrutura mais distante daquela pela qual a Rockstar é hoje tão conhecida quanto reverenciada.

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Changeling: The Lost – Coisas Presas aos Espinhos

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 11/10/2011

Segundo Capítulo da Alienação.

Ao som de troncos partidos, a fuga não é possível. Quando Claudio avista a saída do Banhado, já ruge a Mascote sobre ele. Um vagão de videiras, musgo e madeira retorcida cuja pata lhe cobre e esmaga. Sua surpresa, contudo, está na magnética atração que despertam as belas papoulas brancas a brotar da besta.

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Fosse cristão, o campo de vapores opiáceos e a difusa luz avermelhada fariam Claudio cogitar a chegada ao Inferno. Contudo, há um espantalho trinta metros adiante. É outro, em curioso avental hospitalar, o aprisionado à expiação. Outro mais familiar na medida em que encurta a distância entre eles. Eles, aliás, sequer constitui o termo correto, tendo em vista que, no caso em questão, teria por serventia distinguir quem, sob diversos aspectos, é o mesmo. Observa, admirado, os traços que são a cópia exata daqueles que foram seus, irremediavelmente alterados pelo cativeiro além dos espinhos. De pronto, Claudio não percebe o Claudio que é o nosso, ocupado que está a espantar livros e álbuns fotográficos que se comportam como corvos e, pudessem crocitar, o fariam como o de Poe.

– Me tire daqui. Não posso mais suportar isso.

Claudio, o nosso, sabe que sonha. Mais do que isso, sabe que sonha o sonho do outro. Essa certeza, do tipo que não garante certeza alguma, dado o efêmero da situação, não o impede de buscar solucionar o drama de sua contraparte. As cordas que o fixam à cruz de madeira, entretanto, não têm nós e muito menos pontos de início ou fim. Sem instrumentos com que cortá-las e pressionado pelo lamentoso aprisionado, foge. Corre até cessarem os gritos atrás de si e até que a fumaça lhe corte o fôlego e faça parecer prestes a explodir o peito tamanha dor.

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