The Truth's For Sale

Chefões, o prazer derradeiro

Posted in PS3 by Carlos Hentges on 30/01/2012

Desde lá no início, quando os seus pixels desviavam de outros, saltando, correndo ou atirando para sobreviver, só importava ver a grande massa pouco definida de ameaça que o chefão final, o boss, representava. E ele poderia jogar tudo sobre você, obrigando a manobras impensáveis os arcaicos controles de um mero botão. Ainda assim, você sobreviveria. Se não, o jeito era começar tudo novamente e, com um pouco de sorte, ter bem memorizada a sequência certa de movimentos. Estou falando de uma época em que salvar o jogo sequer era uma possibilidade cogitada.

E então, veio Shadow of the Colossus. Remasterizado para rodar em alta definição, com abundantes possibilidades de salvar o jogo, mas contendo a essência de tudo o que importa: o chefão. 16 deles, na verdade, cada um com suas peculiaridades e fraquezas, à espera de dedos que não fraquejem no momento da escalada e de mãos cujo suor não impeça a espada de alcançar a vulnerabilidade muitas vezes escondida.

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Changeling: The Lost – Preparativos são tudo o que importa

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 24/01/2012

Sexto Capítulo da Alienação.

Eleuthério desliga o telefone já ciente do perigo que o encara da escuridão. O Espantalho, inerte junto da árvore, desperta temores, mas não os do tipo que se manifestam agora. É outra coisa. É pior e familiar.

– Você passou toda sua vida procurando por mim, e aqui estou novamente, por você.

A figura rotunda junto da árvore é pouco mais do que outra das sombras na madrugada no Parque da Redenção. Eleuthério já o viu de muitas maneiras, mas é como o homem de cabelos cinzentos e roupas fora de moda a cobrir-lhe o corpanzil, óculos e cheiro de grama, que se lembra dele. Adianta-se, e a pouca luz é o bastante para revelar o captor.

– Nada daquilo era real.
– Você abriu mão de toda a felicidade que poderia suportar em favor de um lugar do qual não mais faz parte.
– A minha vida é aqui.
– Agora, que se tornou algo feito por mim, não mais.
– Eu não vou voltar.
– Sim, você vai. Porque a felicidade da fantasia é melhor do que a dor da realidade. E quando acontecer, estarei aqui, por você. Como da primeira vez.

Há frustração e impotência nas lágrimas que Eleuthério não se esforça por conter enquanto foge dali.

– Ele foi feito para ser você. Ele sempre desejará ser você.

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Metagamer, com muita honra

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 20/01/2012

Gancho com o qual participei do concurso Encantados, promovido pelo Metagamers. O objetivo era levar uma lenda do folclore de países falantes do português para o Mundo das Trevas. Não venci, mas fiz o bastante para receber uma gentil menção honrosa (ou, miss simpatia):

Ele surge ao longo da velha ferrovia abandonada. Usa um chapéu feito do ferro dos trilhos. Tem cor de cobre e da boca rasgada saem labaredas. O clima se inquieta na sua presença, e a tempestade ruge em protesto quando vagueia. Numa noite assim, morreu o funcionário da ferrovia. E chuva não foi o pior a se abater sobre aqueles pobres campistas desaparecidos. Para a polícia, era um interno do sanatório que fechou as portas. A velha louca da cidade, cuja única companhia é uma égua branca, diz saber o que ele é. Diz saber como espantá-lo.

– Hentges, inspirado pelo Homem do Chapéu de Ferro (e a Velha da Égua Branca)

Rage against Something

Posted in PS3 by Carlos Hentges on 18/01/2012

O horror, pixelado.

A primeira coisa que lembro quando penso em Doom é a SpiderDemon. Ela surge em toda sua glória aracnomecanoide no final do jogo original, armada de um cérebro com feições demoníacas (é claro) e uma metralhadora giratória.

A Metralhadora giratória, aliás, é um ícone difícil de resistir. É a única coisa capaz de despertar um sorriso no cyborg “interpretado” por Schwarzenegger em T2. E, provavelmente, foi responsável por metade dos votos recebidos por Jesse Ventura, eleito governador de Minnesota; em Predador, ele foi o portador da metralhadora giratória, instrumento do rearranjo da vegetação nas matas da América Central.

Pois bem, tudo isso para dizer que, quando em Rage eu finalmente consigo a minha metralhadora giratória, faltam os alvos adequados. Cuspindo cargas de plasma, a arma não encontra, em todo segmento final do jogo, algo para glorificar sua devastadora capacidade de aniquilação da vida. Inimigos genéricos em seguidas ondas é o desafio final que você vai encontrar.

E isso, em se tratando da empresa que criou Doom e é responsável por Rage, é uma péssima decisão. Nem preciso lembrar que, no clássico de 1993, a metralhadora não demora a mostrar a que veio pelas mãos do protagonista.

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Diários (Ir)Radiados – Os Segredos do Vault

Posted in GURPS, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 04/01/2012

Thorne me irritou a ponto de eu perder a cabeça. Como é possível que ele não entenda a importância do que tem nas mãos? Pior. Ele entendia, mas queria fazer lucro disso. Quantas tampas vale a vida de cada um dos Ghouls do Deserto? Por um momento, achei que teríamos que impedir, eu e Lucas, o xerife, a sua saída de Megaton. Ainda bem que ele se convenceu de que sim, poderia até ganhar algum dinheiro com os planos de, como é a palavra mesmo, higienização do Enclave. Mas poderia fazer isso enquanto salvava milhares de vidas. Eu estava pronta desde o início. Desde que coloquei os olhos no material que estava no Pip-Boy. Envenenar a água com algo que afeta apenas os Ghouls. Não consigo imaginar o desejo raivoso por trás de algo tão trabalhoso. Isso tudo aconteceu ao mesmo tempo em que um representante do Enclave apareceu em Megaton. Por um momento, achei que tinham nos rastreado, mas foi mais uma pressão. Eles estão desconfiados de algo e estão de olho nos arredores. Esse era o recado. Foi o que nos colocou em movimento imediatamente. Thorne sabia que o Enclave estava usando como base um dos vaults próximos. Nós fomos até lá sem um plano bem claro. Apenas precisávamos descobrir quão adiantado estavam os planos do Enclave para decidir qual o passo seguinte. Lucas ia ficar de olho em Sarah, a garota que Thorne trouxe justamente do vault para onde a gente ia, enquanto entrava em contato com pessoas que poderiam ajudar. Alguém da Irmandade do Aço, se a gente estivesse com sorte. Entrar no vault acabou sendo estranho. Eu meio que perdi a cabeça. De novo. Uma pessoa nos recebeu, acompanhada de um segurança. Eu ataquei ele na expectativa de que Thorne – ele conseguiu esconder uma arma durante a revista – desse jeito no guarda. Acabou dando tudo certo, com o segurança no chão e todo mundo perplexo comigo. Só então entendi que o Enclave estava usando o vault sem o consentimento dos moradores, meio que sequestrados nas suas próprias casas. Tanto assim que a principal atividade do local foi colocada na mão de um cientista de confiança do Enclave. Eu consegui extrair do computador todas as informações que eles tinham e ainda destruí os modelos que estavam trabalhando. O projeto de higienização é real, afinal de contas, e agora a gente estava atolado até o pescoço nisso. É certo que o Enclave vai apertar Megaton com mais força agora, e nós temos que chegar lá e preparar as pessoas para isso. Não sei o que vai acontecer com todos, e Sarah me preocupa bastante.

Meu nome é Erza. Bem, não é meu nome de verdade, mas é como meus pais me chamavam, então, acho que conta. Eu vou continuar escrevendo esse diário enquanto puder.

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