The Truth's For Sale

Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 30/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos

Terça-feira, 09/02/2010

Cena 01 – Iminência de Algo

Compartilham dos olhos fundos resultantes da noite sem descanso. Rivers, que acabara de chegar, está especialmente agitado. Compensa o cansaço com as suspeitas que a madrugada invocou.

Rivers – Olha, é mais ou menos como um casamento.
Kroll – Quê?
Rivers – O noivo entra. Ele tem seu modo de vestir. A noiva se faz esperar. Então, chega com o vestido branco. Toca a música. A cerimônia é levada adiante por uma autoridade reconhecida. Não percebem? É um ritual!
Cutler – Etapas necessárias para que um objetivo se cumpra.
Rivers – Exato. Nós encontramos no As Extremidades situações diferentes. Do mesmo modo que o Parque Fairmount não foi o que normalmente é quando estivemos lá. Algo tornou isso possível. Só consigo pensar que foi uma espécie de ritual.
Kroll – Quando estivemos lá pela primeira vez havia uma poesia no chão. E a linha na máquina de costura do segundo andar tinha sangue. E havia as máscaras.
Cutler – Isso abre a porta, mas não garante que vamos atrair a presa certa.
Rivers – Qual o osso que precisamos?
Kroll – Sangue e secreções. Foi o que ela disse. Merda, eles faziam orgias e sei lá mais o quê lá dentro.
Cutler – O Porykov tinha alguma rixa com o Tailor, mas antes foram associados ou coisa assim. Quem sabe ele possa apontar pessoas dispostas a fornecer o que precisamos.
Kroll – O cara é a porra de um mafioso russo. Quer mesmo envolver ele nisso?
Cutler – Ele sabe o que nós fizemos.
Kroll – Ele suspeita.
Cutler – Não. Ele sabe. E foi por isso que apertou minha mão. Porque ele sabe o que nós fizemos.
Rivers – O que vocês estão sugerindo?
Cutler – Que nós vamos ter que armar uma cena para atrair aquela coisa sem que tudo se transforme em um banho de sangue.

As alternativas que se avizinham deixam Rivers desconfortável. Não importa o que farão, terão de fazer logo. Seu contato no meio político sugeriu que, após os crimes que ocorreram nas imediações do As Extremidades, a prefeitura, motivada pelas ações do conselheiro municipal Bill Green, estuda um projeto de beneficiamento do bairro. Isso implicaria no fim do acesso fácil ao local.

Ao longo daquela tarde Kroll acompanha Rivers aos arquivos históricos da Filadélfia. A visita é infrutífera devido à incapacidade de ambos no estabelecimento de parâmetros claros para a pesquisa. Pelo que procuram, exatamente?

Cutler tem tanta sorte quanto. Porykov não o recebe. “Quem sabe outro dia, após um aviso com maior antecedência”.

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Cinema em 1 Minuto – The Wolfman

Posted in Cinema by Carlos Hentges on 24/06/2010

The Wolfman – O Lobisomem

O Lobisomem é um bom suspense que se transforma em filme-trash nas noites de lua cheia. A história é mais ou menos a seguinte: Dr. Gonzo chega ao interior para restabelecer-se após um longo período embalado pela mescalina. Seu irmão morreu, a noiva está triste e o pai, o Dr. Lecter, tem péssimos hábitos alimentares. Dr. Gonzo, possivelmente conseqüência das drogas, desenvolve alucinações das quais duvida e vasta cabeleira, a qual não consegue domar. Enquanto isso, o Sr. Smith, conhecido intolerante, chega à cidade para erradicar tudo que não se parece com ele. Como não gostei do filme, não lembro o final. Se não me engano é algo freudiano que envolve a culpa materna. Todo o resto é verdade.

La Belle Dame sans Merci / A Bela Dama sem Piedade

Posted in Literatura by Carlos Hentges on 24/06/2010

Oh!
O que pode estar perturbando você,
Cavaleiro em armas,Sozinho,
pálido e vagarosamente passando?

As sebes tem secado às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Oh!
O que pode estar perturbando você,
Cavaleiro em armas?
Sua face mostra sofrimento e dor.

A toca do esquilo está farta,
E a colheita está feita.
Eu vejo uma flor em sua fronte,
Úmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
Rapidamente desvanescendo também.

Eu encontrei uma dama nos campos,
Tão linda… uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
E selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
E braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
E suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
E nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
Uma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
mel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse…
“Verdadeiramente eu te amo.

“Ela me levou para sua caverna de fada,
E lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
Com quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
E lá eu sonhei…
Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
Nesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
Pálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram…”A Bela Dama sem Piedade
Tem você escravizado!

“Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
Abertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
Nesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
Sozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

John Keats (1795–1821)
Tradução: Izabella Drumond

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Capítulo 20 – A Bela Dama sem Piedade

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 24/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 20 – A Bela Dama sem Piedade

Domingo, 07/02/2010

Cena 01 – Sono na Árvore Frondosa

Kroll – E vocês acham que todos eles são cópias?

O frio daquela noite faz latejar a mão engessada de Kroll. Tira com dificuldade o rolo de cordas do porta-malas.

Cutler – Não sei. Não tem como saber. Mas hoje vamos dar um jeito nessa árvore.

Um galão de gasolina e uma sacola com pedaços de carne são separados por Cutler. Rivers tem os olhos na arma em sua cintura.

Rivers – E quando sabemos que é hora de usar isso?
Cutler – Quando as coisas começarem a dar errado. Geralmente é fácil de perceber.
Kroll – É quando eu começo a sangrar.

Caminham em silêncio em direção de onde esteve a árvore. Não sabem o que encontrarão dessa vez. Cutler chama atenção para o vento soprando contra a vegetação. O som é mais intenso do que seria de se esperar pela brisa noturna.

Após quase dez minutos avistam um adolescente deitado em posição fetal junto do tronco largo da árvore. Veste roupas inapropriadas para o relento. Cutler toma o galão de gasolina e a contorna, dando início aos preparativos para o incêndio. Rivers saca a câmera e registra a aproximação de Kroll. É Thomas, murmurando entre os dentes cerrados enquanto dorme: Tom…Tom…

Seus olhos se abrem de súbito. Tem nas mãos a faca de cortar carne a qual dormia abraçado. O olhar transtornado é de um animal na defensiva.

Kroll – Você deve estar com frio.

Tentando não representar ameaça, Kroll desce o fecho do pesado casaco de inverno. Thomas salta sobre ele. A faca rasga tecido sem encontrar carne. Rivers guarda a câmera no bolso e procura pela arma. Atrás da árvore, Cutler julga que os dois são capazes de cuidar do adolescente sem que ele precise intervir.

Kroll golpeia tentando afastar Thomas. Com o canto do olho, percebe a movimentação de Rivers. Apenas depois de ter a coxa perfurada reúne forças para afastar o garoto.

Kroll – Atira, porra. Atira!

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As pesquisas mais interessantes que o trouxeram até aqui – II

Posted in Outros by Carlos Hentges on 23/06/2010

h1z1

cabelo emo

sangue escorrendo

gárgula

kylie ireland

Mais uma vez, obrigado pela preferência, seu emo zumbificado sangrando sobre estrelas pornô de pedra.

Capítulo 19 – Questões de Família

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 17/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 19 – Questões de Família

Sábado, 06/02/2010

Cena 01 – Receio

Kroll – Eu não vou entrar aí.
Cutler – Não vamos até a árvore. A idéia é descobrir onde fica a casa da foto.
Kroll – Foda-se! Eu não preciso de cicatrizes novas.
Rivers – Olha, eu acho que vale dar uma olhada. Não vi o que vocês viram, mas pessoas morreram. E a garota que sumiu, Donna, pode estar no parque.
Kroll – Fique vivo hoje e siga em frente amanhã. É isso o que eu acho. Além do mais, o cheiro do Mogli deve estar forte o bastante em nós para que os outros sintam.
Cutler – Vamos dar uma olhada no As Extremidades. Assim não perdemos a noite.

Antes de partirem das imediações do Parque Fairmount, Cutler faz uma ligação para o 911. Inventa uma baderna que alguns garotos estariam causando junto de um campo de futebol americano. Não é longe de onde imagina estar Donna. Se os policiais esbarrarem com ela, estará segura.

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Capítulo 18 – Caminho de Migalhas

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 10/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 18 – Caminho de Migalhas

Sexta-feira, 05/02/2010

Cena 01 – Sala de Espera

Depois de despedir-se de Kroll e trocar algumas palavras com Rose Fairweather, só resta a Cutler esperar por notícias. Demora quase uma hora até que um médico informe da transferência de Tom para um quarto. Pretende mantê-lo sob observação após os resultados inconclusivos dos exames. Nada mais se pode fazer imediatamente. Cutler não deixa de perceber que Fairweather toma as rédeas da discussão, sutilmente fazendo valer sua condição de responsável legal pelo garoto.

Compreensível, a postura incomoda Cutler, pouco afeito a receber ordens. A agudeza do comentário é mais irritante aos ouvidos de Fairweather do que os sons dos aparelhos de monitoramento que embalam o sono sereno de Tom.

Cutler – Vou permanecer aqui esta noite. Pare ter certeza de que tudo ficará bem. É melhor que isso seja feito por alguém que não cochile…

A referência maldosa à forma como os problemas recentes tiveram início ofende Fairweather. A resposta é contida por gritos excruciantes vindos de um quarto próximo. Médicos, enfermeiras e alguns pacientes acumulam-se no corredor. Mesmo em uma ala junto da Emergência aquilo é incomum e assustador. Cutler ignora o fato até que entre os urros podem-se discernir palavras.

– Krooooooollllll…..É Krooooooollllll…

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Cinema em 1 Minuto – Anvil

Posted in Cinema by Carlos Hentges on 07/06/2010

Anvil – The History of Anvil

Anvil é um filme sobre sonhos patéticos. Porque sonhar em se tornar um astro do rock, aos cinqüenta anos, é muito patético. Tanto quanto um adulto lamuriando-se pelo brinquedo negado na infância. Mas, como mesmo a mais birrenta das crianças carrega algo de doce, é impossível não torcer por Lips Kudlow e Robb Reiner, os fracassados em questão. Seus sonhos são reavivados e destroçados em um ritmo que apenas a amizade fraternal e a esperança inocente são capazes de suportar. E são esses os temas do documentário. Anvil é uma banda que não deu certo, ou pelo menos, não como esperavam seus principais integrantes. Restam a eles os atributos a respeito dos quais, com seu jeito meio parvo, tratam com extrema propriedade. E não há nada melhor que a música poderia ter lhes dado.

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Capítulo 17 – A Esmo

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 05/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 17 – A Esmo

Quinta-feira, 04/02/2010

Cena 01 – Kroll sonha Tom

O ruído ao lado da cama desperta Kroll. É Tom. Deposita o telefone celular sobre uma mesa.

Kroll – Tom? O que você está fazendo aqui?
Tom – Me desculpe, Sr. Kroll. Mas eu tive que pegar o seu telefone. Eu precisava muito dele.
Kroll – Você está bem? Eu o procurei o dia todo.
Tom – Sim, está tudo bem. Mas eu tive que ir embora. Eu ouvi os cães se aproximando… Eu preciso que o senhor faça um favor para mim. Preciso que sonhe com o Sr. Cutler.
Kroll – Não estou entendendo o que você está dizendo, Tom. Estou sonhando?
Tom – Sim, isso é um sonho.

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