The Truth's For Sale

Numenera – Os Trabalhadores do Mar dos Segredos (Parte Dois)

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 18/06/2015

Numenera: The Wonder Weird

Capítulo 10 – Os Trabalhadores do Mar dos Segredos (Parte Dois)

Dedalus ajustava o dispositivo à cabeça com alguma dificuldade. Ele era ligeiramente maior do que o adequado a um rosto humano. Já os eletrodos, um arbusto de fios eletrificados partindo do alto do visor, pareciam uma adição posterior à peça. Seu posicionamento adequado contava com a ajuda de Czyran, o segundo mais capaz na compreensão da Numenera. Mark e Zippack apenas observavam enquanto os arranjos para o teste eram feitos, todos apertados no pequeno cômodo que servia ao nobre.

O dispositivo tinha função semelhante à do registrador sonoro trazido a bordo do Tonel pelo imediato do capitão Pierce, ainda que mais complexo. Suas lentes eram capazes de registrar, por alguns minutos, tudo aquilo para que seu usuário olhasse, com imagens e sons podendo ser consultados posteriormente. Utilizado com os eletrodos corretamente posicionados, incutia memórias vívidas dos fatos gravados, permitindo que conversas fossem reproduzidas palavra a palavra e imagens recordadas em cada detalhe. Um recurso extraordinário, mas de efeito temporário.

A discussão que se seguiu tratou da maneria como o dispositivo foi encontrado, seu propósito e verdadeiro proprietário. Tomaria a madrugada inteira, não fosse o grito de surpresa e admiração que a interrompeu.

– Rhog!

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Os cerca de oitenta pés do Tonel significavam pouco mais de vinte metros. E o rhog, nadando ao seu lado, era tão grande quanto. Toda a tripulação estava à murada, observando a criatura que agitava enormes quantidades de água sem que nenhum ruído fosse ouvido. O prodígio era possível graças às vinhas que cresciam no dorso do rhog, um material raro e valioso. Foi Amanethes, marinheira a quem Mark vinha dando aulas de esgrima, a primeira a manifestar o desejo de descer. Com a ajuda de seu instrutor, ela arranjava cordas e iniciava os preparativos. A perspectiva de ganhos com as vinhas lhe davam a coragem necessária para correr tamanho risco.

Zippack e Dedalus, contudo, tinham planos próprios.

O primeiro carregava consigo há semanas um autômato de combate de porte médio. Pouco menor do que uma mulher adulta, tinha nos lugar de mãos serras circulares afiadíssimas. Em combinação com uma manopla manipuladora de metais, esta saída da sacola de Dedalus, seria possível alcançar, remover e trazer a bordo um ramo das preciosas vinhas. E assim foi feito. Amanethes, de quem partira a ideia de descer até o dorso do rhog, foi impedida pela capitã Akelle. O animal era dócil, mas poderia reagir a um novo ferimento, mesmo que superficial. Descer significaria colocar em risco o Tonel, a viagem e toda a tripulação.

– Não haveria riscos se eu recebe por mais do que o transporte de grãos.

Silêncio no convés. Pela primeira vez, em alto e bom som, a autoridade da capitã era afrontada e os receios financeiros da tripulação revelados. Akelle repetiu sua ordem, restabelecendo a autoridade, mas foi a ação de Dedalus que encerrou a questão, ao cortar as cordas que sustentariam a marinheira.

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