The Truth's For Sale

…e a morte tudo revela.

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 23/12/2009

A ficha de Krista Crown!

Com a morte do NPC, nada mais natural que revelar seus segredos. E nada mais secreto em uma mesa de RPG do que as estatísticas dos personagens do narrador.

Pois bem, cá estão, em inglês.

A ficha foi editada com o Foxit PDF Editor a partir de uma construção de Mr. Gone.

As estatísticas originais da personagem podem ser encontradas no livro Mysterious Places, da White Wolf, publicado no Brasil pela Devir com o título Lugares Misteriosos.

Foi também desse livro que saiu o plot para a primeira história da crônica Os Espaços Vazios.

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Interlúdio – A Célula

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 23/12/2009

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Interlúdio – A Célula

…e o Espaço Vazio nunca mais os levou.

Pouco mais de dois meses se passaram desde que aconteceu aquilo que mudou tudo. Cada um leva a sua cicatriz, e ela não deixa esquecer.

A polícia, claro, fez as suas perguntas. Mas em quem eles acreditariam? Em Jamal O’Neal, um criminoso condenado antes por tráfico de drogas e agora enfrentando acusação de assassinato?

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Anotações – Saldo

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 22/12/2009

– Que merda você tá fazendo aqui embaixo?

– Te procurando. Estou com a sua grana.

– Me procurando? No porão? Vai se foder!

– Fica frio, Jamal. Tá aqui… A grana que te devia.

– Tá faltando cem paus aqui.

– O quê?

– Tu é surdo, panaca? Aqui tem trezentos. Cadê os outros cem?

– Mas trezentos foi o combinado.

– Tu tá de sacanagem, negão? Isso foi há dez dias.

– Eu não sabia…

– Tu não sabia porque tu é burro pra caralho!

– (…)

– Acha que vou deixar um filho da puta como tu chegar aqui, cheirá o meu bagulho e sair numa boa, me devendo cem paus?

– Me dá mais uns dias. Eu arranjo a grana.

– O caralho que arranja! Aqui, ó.

– Não precisa da arma, Jamal.

– Precisa sim, seu pedacinho de merda. Aposto que já tá se cagando todo.

– Eu vou arranjar a grana. Esfria, irmão.

– Tu é que vai esfriar, seu puto.

O golpe com a coronha da pistola produz um som seco. Sangue escorre em profusão. Cego e coberto pela sujeira do porão, ele agita os braços para defender-se. Que coisinha mais patética.

– Agora tu desenha, idiota?

– O quê?

– Essas folhas, no teu bolso…

– Não são minhas. Eu achei.

– Achou é? Roubou… Roubou desenho de criança… É isso aí… Como quer me roubá, seu puto!

Uma, duas, três… Quantas coronhadas são necessárias até alguém parar de se mexer? Até que contá-las perca o sentido?

– Merdinha de cabeça dura! Não vai estragar o meu ferro.

Com um tijolo que a parede poeirenta e mofada soltou, Jamal O’Neal termina de saldar a dívida.

Uma pequena história não contada, parte da crônica Os Espaços Vazios.

Dexter – 4ª Temporada

Posted in Cinema by Carlos Hentges on 21/12/2009

Nessa temporada eles fizeram o público sangrar. De ansiedade e angústia sem alívio. Os roteiristas escreveram a melhor temporada de Dexter, o slasher gente boa. Gosto muito da primeira, acho a segunda OK e a terceira é a mais fraca. Quando parecia que continuaria seu lento escorrer até o ralo, o sangue voltou a pulsar. Não vou adiantar o roteiro. Ele tem um furo tremendo na segunda metade. Algo que poderia render toda uma temporada tornou-se uma breve menção em meio à cacofonia que engolfa o epônimo. Entretanto, são doze capítulos muito bem realizados e que, não poderia ser de outra forma, ao final deixam um gosto ruim na boca.

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Anotações – Vernissage

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 18/12/2009

K – Você sabe que isso não vai acontecer.

T – Me perdoe por insistir. Você não faria diferente.

K – Apenas acha que me conhece, Thomas.

T – Eu sei tudo sobre a sua obra. E quando fala dela, falamos de você.

K – Não tem nada de bom para se saber sobre os meus quadros.

T – Seus outros admiradores, da mesma forma que eu, discordariam.

K – Você tem ciúmes deles!

T – Jamais. Da mesma forma que você não se enciúma de Phill.

K – Ele é um idiota…

T – Percebeu como facilito as coisas? O homem da minha vida é um idiota que não a ameaça.

K – Volte para o seu idiota e me deixe em paz.

T – Não!

K – Que diabos você quer?

T – Sei tudo sobre você, menos o gosto que tem.

K – Eu tenho gosto de sangue. E de tinta escura.

T – Não seja tola, Krista. Está deixando que a personagem que criou torne-se você.

Thomas se aproxima. Krista deixa-se beijar. Distraído pela pequena vitória, com todos os sentidos embotados por aquela única e tão desejada sensação, ele não percebe o movimento.

A ponta aguda do pincel perfura a carne de Thomas até encontrar um osso.

K – Aí está, Thomas. A definitiva amostra da minha arte. Sangue e dor. Como você nunca sentiu.

Uma pequena história não contada, parte da crônica Os Espaços Vazios.

Recordações & Apontamentos

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 18/12/2009

Os principais eventos da crônica Os Espaços Vazios, ambientada no Mundo das Trevas.

– Terça-Feira, 27/10/2009

* Prelúdio – Encontro no Vazio

– Charles Kallinger, John Kroll e Lucas Cutler, que até então nunca haviam se visto, encontram-se no cômodo vazio.
– Alguns fenômenos são observados no local: a aparência antiquada do cômodo; a reposição anormal do papel de parede; o sussurro de um casal de crianças; o surgimento do desenho de uma casa, realizado em um caderno escolar e assinado com a letra “K”; o aparecimento de quatro lâminas ensangüentadas.
– Todos os três notam uma estranha familiaridade tanto com o ambiente quanto com a casa retratada.
– Tão subitamente quanto surgiram no local, trinta minutos antes, os três personagens retornaram aos seus cotidianos.

* Capítulo 01 – O que se deixa para trás

– Os personagens realizam pesquisas relacionadas à estranha experiência vivenciada.
– Kallinger e Cutler encontram-se no antiquário do segundo. Na ocasião, Kallinger reconhece um cliente de Cutler: um idoso de nome Jebediah Stone que era figura constante de seus pesadelos durante a infância.

– Quarta-Feira, 28/10/2009

– Charles Kallinger, John Kroll e Lucas Cutler partem até a Pentridge Street, 5282, endereço da casa cujo desenho os três viram no cômodo vazio.
– Kallinger recolhe amostras de uma boneca encontrada no local. No subsolo da residência abandonada se deparam com um corpo não identificado. Em seu bolso estão desenhos semelhantes àqueles vistos no cômodo vazio.
– A polícia é avisada a respeito do cadáver.
– Uma pesquisa aponta que a possível autora dos desenhos é Krista Crown. Ao visitarem uma exposição de suas peças os personagens se deparam com uma representação do cômodo vazio. Imediatamente, são transportados para lá.
– Sua permanência no local dura uma hora. Nesse período, diversos fenômenos são observados: uma seqüência de números, representada em duas colunas; quatro grandes manchas de sangue surgem no chão; três palavras são escritas na parede, junto do chão: sede, fome e vazio.

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Capítulo 03 – O Ponto sem Retorno

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 16/12/2009

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 03 – O Ponto sem Retorno

Quinta-feira, 29 de Outubro

Cena 01 – Segredos

Kallinger, Kroll e Cutler encaram-se em silêncio. As agressões, físicas e verbais, não têm importância. Estão cansados e estão confusos. Kallinger pensa no que houve. Foi diferente desta vez. Estava diante do porteiro do seu prédio. Cumprimentava o homem quando aconteceu.

Antes que possam formular qualquer teoria, os três se vêem em meio a um sonho desperto no qual compartilham segredos jamais confessados.

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World of Darkness – A Fome

Posted in Ideias Estranhas, RPG by Carlos Hentges on 15/12/2009

22 dias. Essa era a idade da vítima. Enquanto os pais dormiam, a irmã fitava através das barras do berço. Havia avidez em seus olhos. Os dentes fecharam-se no braço da criança. Ela gritou. Antes que os pais fossem tirados de seu sono alcoolizado, fez-se um silêncio de garganta dilacerada.

A polícia de Saratov, na Rússia, acredita que a morte possa ter sido deliberada, por ciúmes. Os pais crêem que a filha mais velha tenha confundido a irmã com uma boneca.

Para ler mais a respeito, em inglês, acesse o Pravda.

Diários de Guerra III – Isolados

Posted in GURPS, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 09/12/2009

Eu não entendi, mas Doc explicou. Eles estão cultivando soldados. Naqueles cilindros na caçamba do caminhão estão homens que logo vão… nascer. Para lutar. Será que eles têm alma? Aposto meu capacete que não. Então, matar eles não é errado. Matar eles é o que Deus gostaria que a gente fizesse.

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O-que-veste-a-pele

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 07/12/2009

Com uma navalha ele solta a membrana que une o lábio superior ao maxilar. É sempre por ali que começa. Um corte rápido. Normalmente, eles gritam. A maioria vai às lagrimas. Alguns defecam. Intuem do que serão despojados. Incisões retiram toda a cobertura da cabeça. É como livrá-los de um capuz de carne e de sangue. A essa altura a maioria já entrou em choque. Mais algumas incisões e começa o momento do abraço. A partir da abertura nas costas os seus dedos escorregam para dentro enquanto expulsam o antigo proprietário. Não importa seu tamanho, eles sempre servem perfeitamente. Fora feito para o que faz. Diante do espelho, ajusta seu rosto. Os pés estão cobertos de viscosidade vermelha. Atrás dele jaz um cadáver descascado. Às costas, único sinal da brutal invasão, uma abertura purulenta goteja. A denúncia de sua existência é a mácula da doença. Da antítese da vida. Da desfiguração da carne. Como uma alegoria grotesca do humano, cambaleia para dentro da existência de sua vítima. O-que-veste-a-pele agora pode sentir. Saído de um pesadelo, tudo o que ele deseja é sentir tanto quanto puder.