The Truth's For Sale

A Vigília – Roteiro 2.2 – Incursão

Posted in Cinema, RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 24/02/2012

1 – Ext. – Ermos – Noite

Alice levanta-se e olha ao redor. Busca qualquer indício da presença de Davi. Os faróis do carro estão ligados; projetam um círculo de luz ao redor de Alice. Ela vasculha as imediações. A arma ainda manchada de sangue pende como um peso em sua mão. Ela caminha até a margem da luz, onde então a escuridão se torna inexpugnável. Lança olhares ao redor. Segura a arma com ambas as mãos, desajeitada. Ensaia um passo hesitante e não avança.

Correndo em direção à fonte de luz. Alice se detém por um instante, e então se aproxima do próprio carro. Tem a arma ainda respingada de sangue em uma das mãos. Com a outra, abre o porta-malas e procura por uma lanterna. Ao encontrá-la, a testa rapidamente.

Alice se dirige até o carro de Davi. Abre a porta e senta-se no banco do motorista. Olha a arma em sua mão, suja de sangue. Ela segura o volante. Permanece um instante em silêncio, encarando o prédio iluminado pelos faróis. Ela está suada e abatida. Recobrando-se, percebe que as chaves permanecem na ignição. As toma. Faz o mesmo com o celular deixado sobre o banco do passageiro.

Após desligar os faróis do veículo e trancá-lo, podemos vê-la, à distância, com a única fonte de luz do ambiente nas mãos, rumando na direção do prédio.

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A Vigília – Roteiro 2.1 – Recordações

Posted in Cinema, RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 23/02/2012

1 – Ext. – Ermos – Noite

Alice levanta-se e olha ao redor. Busca qualquer indício da presença de Davi. Os faróis do carro estão ligados; projetam um círculo de luz ao redor de Alice. Ela vasculha as imediações. A arma ainda manchada de sangue pende como um peso em sua mão. Ela caminha até a margem da luz, onde então a escuridão se torna inexpugnável. Lança olhares ao redor. Segura a arma com ambas as mãos, desajeitada. Ensaia um passo hesitante e não avança.

Em seguida, dirige-se até os dois veículos. Com a toalha branca que foi deixada sobre o capô do carro de Davi, limpa a arma. Em seguida, a envolve na toalha branca. Está transtornada. Abre a porta do carro de Davi e senta-se no banco do motorista. Olha a toalha em seu colo. Coloca as mãos sobre o volante. Permanece um instante em silêncio, com a cabeça pendendo na direção do encosto do banco. Recobrando-se, percebe que as chaves permanecem na ignição. As toma. Faz o mesmo com o celular deixado sobre o banco do passageiro.

Após desligar os faróis do veículo e trancá-lo, entra em seu próprio carro e deixa o local.

2 – Int. – Automóvel – Noite

Alice dirige. Está agitada. Verifica os retrovisores constantemente. Ela toma o celular de Davi na mão. No visor se lê “B-Wolf”.

Em meio à luz intermitente da estrada, podemos vê-la fazendo uma ligação que não se completa.

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A Vigília – Roteiro 1 – Suicídio

Posted in Cinema, RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 22/02/2012

Prelúdio:

Alice se lembrava de quando ele falou em morte pela primeira vez. Parecia apenas uma brincadeira ruim. Ela o via como alguém que precisava ser cuidado. Conversavam muito, ainda que parecesse às vezes que ele só perguntava, fazendo com que os temas mais profundos nunca o alcançassem. Alice se afastou. Mas não resistiu ao seu chamado, tempos depois. Estava incoerente. Alegava estar acossado por coisas opressivas e incontroláveis. Iria morrer.

Roteiro 1 – Suicídio

1 – Int. – Quarto de Davi – Noite

As mãos suadas de um homem se contorcem. Os dedos se entrelaçam e soltam-se espasmodicamente.

A câmera se afasta para mostrar um quarto. É simples e desorganizado. Parece não ser limpo há semanas. Há roupas espalhadas sobre uma cadeira e ao redor de uma mochila aberta, ao seu lado. Vemos o homem de costas, sentado na ponta de uma cama com lençóis emaranhados. A luz é fraca.

Davi levanta-se. Podemos ver seu aspecto desleixado – barba por fazer e cabelo sujo. Ele se dirige até um balcão. Sobre ele está uma pequena toalha branca. É a única peça dessa cor em todo o ambiente. A toalha envolve parcialmente um revólver com ar antiquado e alguns projéteis. Davi hesita alguns instantes antes de colocar todo o conteúdo em um dos bolsos.

Da mochila ele tira um DVD. Rapidamente escreve “ALICE” sobre o disco e deixa-o local onde antes estava a arma. Dirige-se à porta e sai do quarto.

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Capítulo 26 – A Última Jornada

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 06/09/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 26 – A Última Jornada

Cena 01 – Trilhas Tortuosas

 

Cutler emerge. O curativo descola-se do rosto enegrecido pela fuligem da pira no subterrâneo. A roupa úmida recende podridão. Pouco importa. Precisa de uísque. A garganta seca se incendeia e os olhos vazios não vêem mais o boteco decadente. Diante dele, apenas a imagem que seus planos projetam.

—-

Kroll observa o Reanimado. A perna ferida o obriga a apoiar-se sobre Green enquanto os olhos percorrem inúmeras vezes o relato registrado até poucos minutos. Não pode falar, comunicando-se por meio de resmungos e sons gorgolejantes.

Kroll – Como vocês pretendem dar fim a isso?
Green – Existe uma ponte além das trilhas. Ele sabe como fazer.

—-

Cutler – …e quando eles chegarem lá, sua mamãe vai ficar muito, muito desapontada.

Prisioneiro no banheiro, Thomas luta e debate-se contra as correias. Cutler sabe exatamente quando a mordaça deve contê-lo, fazendo-o sentir cada uma das palavras que são como chicotadas, e quando deve retirá-la, para o adolescente esbravejar pistas sem perceber.

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Capítulo 25 – Perspectivas

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 18/08/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 25 – Perspectivas

Cena 01 – Introdução

Com muita dificuldade arrastaram-se para fora do subterrâneo. Não havia modo de retomar o caminho inicial, bloqueado pela presença das serpentes cuja peçonha corria nas veias de ambos. Condicionados a evitar suspeitas, dirigiram-se a hospitais diferentes após emergirem da rede de esgotos junto de uma antiga loja de departamentos, a cinco blocos do ponto de entrada.

Antiofídicos e indagações, ambos embalam seus sonhos.

—-

Fora dos hospitais, Kroll e Cutler estão longe da melhor forma. O primeiro manca levemente por conta das picadas venenosas. O outro sente irritação na face queimada que as bandagens cobrem.

No apartamento de Kroll, onde poeira denuncia o abandono, finalmente podem ler com atenção o livro que foi prêmio pela ousadia da noite anterior. A primeira parte, formada pela colagem de obras diversas, é de difícil compreensão. Extraem a impressão de que vem sendo construída há anos. Nas passagens grafadas por punhos diversos, ao final do volume, estão os relatos dos sonhos de um grupo de pessoas. Identificam-se como as sombras de algo.

Cutler entra em contato com Ulysses Campbell. O velho ocultista pode ter contribuições que forneçam sentido ao calhamaço diante de si.

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Capítulo 24 – A Escuridão mais Profunda

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 06/08/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 24 – A Escuridão mais Profunda

Segunda-feira, 05/04/2010

Cena 01 – A Culpa da Família Allen

Cutler e Kroll, sob balaclavas, circundam ao longo de uma hora a residência de Evangeline e Victor Allen. Cogitam desativar os sistemas de luz e telefone da silenciosa residência às escuras. Estão cientes de que qualquer descuido atrairá a atenção de vizinhos habituados à tranqüilidade do bairro. Como diversos acontecimentos do passado cansaram de nos mostrar, e como bons discípulos de Occam que por vezes são, resolvem pela abordagem mais simples.

Assim que Victor gira a maçaneta é atingido pelo chute de Cutler contra a porta. O choque parte um espelho no hall. Kroll entra, a esta altura o aturdido anfitrião já tem o braço torcido contra as costas, e repõe as trancas.

Demora alguns minutos até que Victor, sangrando e amarrado junto a um móvel da sala de decoração minimalista, entenda que os dois homens que esbravejam não querem dinheiro ou jóias. Estão ali por causa de Evangeline.

Kroll não demora a dar início ao jogo que Thomas Hoyt conheceu muito bem. Enquanto ameaça por meio de sugestões, Cutler comporta-se como o sádico que mal é capaz de controlar seus apetites.

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Capítulo 23 – Fazendo o Jogo

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 29/07/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 23 – Fazendo o Jogo

Domingo, 28/03/2010

Cena 01 – Funeral sem Corpo

Não há corpo algum no espaço reservado à cremação. Apenas a lembrança de Jebediah arde ali. Cutler recorda o homem que lhe confiou uma casa onde um hóspede invisível devora livros. Agynes Stone também pensa no pai, mas o que vai em sua mente é assunto para logo mais. Agora cabe dizer que está aliviada. Os restos mortais de Jebediah foram encontrados sob os escombros do crematório de Clinton Weiss. A única conclusão possível foi de que Cutler, como tantos outros, havia sido enganado pelo monstruoso violador de cadáveres. Restava, como encerramento do evento terrível, um breve rito religioso para que o espírito de Stone finalmente tivesse paz.

Agynes – Fico feliz que tenha comparecido.
Cutler – Fiquei surpreso quando disse que as cinzas que recebi não eram as de seu pai.
Agynes – Sim… Bem, acho que agora ele vai descansar. Quais são os seus planos para a residência que foi de meu pai?
Cutler – No momento, nenhum. Quais são os seus?
Agynes – A casa é sua agora. Não posso fazer planos para ela. Mas tenho uma sugestão. Venda-a!
Cutler – Por quê?
Agynes – Porque a obsessão do meu pai impediu que as pessoas que viveram lá fossem felizes. Não gostaria que isso fosse adiante.
Cutler – Pensarei no assunto.

Cutler despede-se de Agynes e do homem que a acompanhava. Não pareciam ter relação afetiva. A circunstância o lembra de Katherine Riley, que meses atrás propôs adquirir a residência e tudo o que havia nela.

Negou naquela ocasião, e os sentimentos de Agynes Stone não irão dissuadi-lo.

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Capítulo 22 – Discursos que Desfilam

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 15/07/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 22 – Discursos que Desfilam

Domingo, 21/03/2010

Cena 01 – Coisas Entorpecidas

Phillips – Ele segue estável. Infelizmente, isso também significa sem progressos. Como lhe disse, quanto maior o prolongamento desse estado, mais improvável que venha a despertar.

Kroll murmura algo incompreensível a Tom enquanto ouve o Dr. Phillips.

Kroll – Aquela fruta que deixei?
Phillips – Não pude confirmar suas qualidades medicinais. A análise não foi possível, infelizmente. Ela apodreceu e depois ficou ressecada em uma velocidade assombrosa.
Kroll – É melhor esquecer. Eu não vou conseguir outra daquelas.
Phillips – Quanto a Tom, é preciso decidir o que será feito. Não posso mantê-lo indefinidamente aqui.
Kroll – Custos e tudo o mais.
Phillips – Isso é um detalhe. O mais importante é que ele não tem guardião legal. Entrei em contato com o Lar da Criança. Rose estava levando o processo de adoção por conta própria.
Kroll – Vou pensar em algo. Quem sabe eu mesmo faça isso. Me dê alguns dias.
Phillips – Tudo bem. Fico esperando que entre em contato.
Kroll – Adeus.
Phillips – Sr. Kroll, o senhor é a pessoa mais próxima dele. Fico feliz que esteja aqui.

O que posso fazer por esse garoto? John Kroll não sabe responder.

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Interlúdio – Perspectivas Soturnas

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 07/07/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Interlúdio – Perspectivas Soturnas

Foram seguidas semanas até que as feridas se fechassem…

A organização da biblioteca de Jebediah Stone foi finalizada. No processo, Lucas Cutler não deixou de perceber a crescente quantidade de volumes em branco, parcial ou totalmente…

John Kroll, após as sessões de fisioterapia que lhe devolveram os movimentos à mão esquerda, colocou no ar o sistema virtual para venda de peças do antiquário de Cutler. Bem a tempo de criar uma alternativa diante das novas exigências da Prefeitura para estabelecimentos especializados em objetos usados e históricos…

Certa tarde, ambos encontraram-se por acaso com Charles Kallinger. Não houve conversa, apenas algo semelhante ao um pedido de desculpas por parte do professor da Universidade da Pensilvânia…

De seu desaparecimento à descoberta do cadáver, passando por especulações as mais diversas até a promessa de homenagem, Rose Fairweather muito freqüentou as páginas dos jornais. Após uma pista inicial, a polícia admitiu a ausência de provas para acusar quem quer que fosse. Os proprietários do local onde se deu o crime, que preferiram manter o anonimato, doaram o imóvel para desapropriação em troca da garantia de que ali se erguesse uma instituição nos moldes do Lar da Criança da Filadélfia…

Bill Green, à frente do Conselho Municipal de Habitação, vem sendo o principal condutor do processo de recuperação do bairro onde se localizava o As Extremidades. Ele mostrou-se admiravelmente resoluto ao revelar o quanto Rose Fairweather foi importante quando de seu seqüestro, mais de vinte anos atrás, auxiliando na recuperação do trauma. Bill Green espera fazer justiça a Rose Fairweather…

John Kroll tem investido boa parte de seu tempo na edição e organização de todo o material capturado em vídeo nos últimos meses. Aos poucos, ajuda Rivers a rechear os servidores secretos da Rede Zero…

Encontraram-se apenas os dois em uma grande sala de reuniões. Na cabeceira estava um homem com ar de lobista. Explicou como o conselheiro municipal Bill Green era de seu interesse, e de que forma patrocinaria a curiosidade de Cutler. Trocando cumprimentos com Byron Graves, selou sua integração à Comissão Barrett…

Saído de um porão úmido depois de anos aprisionado, algo que não é vagueia pela cidade…

Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 30/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos

Terça-feira, 09/02/2010

Cena 01 – Iminência de Algo

Compartilham dos olhos fundos resultantes da noite sem descanso. Rivers, que acabara de chegar, está especialmente agitado. Compensa o cansaço com as suspeitas que a madrugada invocou.

Rivers – Olha, é mais ou menos como um casamento.
Kroll – Quê?
Rivers – O noivo entra. Ele tem seu modo de vestir. A noiva se faz esperar. Então, chega com o vestido branco. Toca a música. A cerimônia é levada adiante por uma autoridade reconhecida. Não percebem? É um ritual!
Cutler – Etapas necessárias para que um objetivo se cumpra.
Rivers – Exato. Nós encontramos no As Extremidades situações diferentes. Do mesmo modo que o Parque Fairmount não foi o que normalmente é quando estivemos lá. Algo tornou isso possível. Só consigo pensar que foi uma espécie de ritual.
Kroll – Quando estivemos lá pela primeira vez havia uma poesia no chão. E a linha na máquina de costura do segundo andar tinha sangue. E havia as máscaras.
Cutler – Isso abre a porta, mas não garante que vamos atrair a presa certa.
Rivers – Qual o osso que precisamos?
Kroll – Sangue e secreções. Foi o que ela disse. Merda, eles faziam orgias e sei lá mais o quê lá dentro.
Cutler – O Porykov tinha alguma rixa com o Tailor, mas antes foram associados ou coisa assim. Quem sabe ele possa apontar pessoas dispostas a fornecer o que precisamos.
Kroll – O cara é a porra de um mafioso russo. Quer mesmo envolver ele nisso?
Cutler – Ele sabe o que nós fizemos.
Kroll – Ele suspeita.
Cutler – Não. Ele sabe. E foi por isso que apertou minha mão. Porque ele sabe o que nós fizemos.
Rivers – O que vocês estão sugerindo?
Cutler – Que nós vamos ter que armar uma cena para atrair aquela coisa sem que tudo se transforme em um banho de sangue.

As alternativas que se avizinham deixam Rivers desconfortável. Não importa o que farão, terão de fazer logo. Seu contato no meio político sugeriu que, após os crimes que ocorreram nas imediações do As Extremidades, a prefeitura, motivada pelas ações do conselheiro municipal Bill Green, estuda um projeto de beneficiamento do bairro. Isso implicaria no fim do acesso fácil ao local.

Ao longo daquela tarde Kroll acompanha Rivers aos arquivos históricos da Filadélfia. A visita é infrutífera devido à incapacidade de ambos no estabelecimento de parâmetros claros para a pesquisa. Pelo que procuram, exatamente?

Cutler tem tanta sorte quanto. Porykov não o recebe. “Quem sabe outro dia, após um aviso com maior antecedência”.

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