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Numenera Ex Machina – Soluções Salobras

Posted in Este Corpo Mortal, Numenera, RPG by Carlos Hentges on 26/04/2016

Capítulo 8No qual, a caminho de Queslin, os personagens se deparam com alguns dos mistérios que o Sere Marica abriga.

Já ia o segundo dia desde a partida de Nebalich quando avistaram o veleiro. Estavam próximos ao centro do Sere Marica, metade do caminho até Queslin. Os mapas não apontavam ilhas nas imediações e nem o horizonte mostrava embarcações das quais aquele navegador solitário pudesse ter-se desgarrado.

Sal

Sal, em uma representação que não lhe faz a menor justiça.

Marek tinha o físico dos marinheiros, apesar da palidez destoante. Suas roupas eram feitas de tecidos e peles estranhos a Obi, Strahl e Kronus. No pequeno barco, algo frágil para aquela região do mar salgado, levava diversos gêneros alimentícios. Mas foi o conteúdo de cubas que despertou o interesse dos viajantes. Ali havia o precioso líquido de Salachia, a quase mítica cidade nas profundezas do Sere Marica, cuja propriedade de proteger o metal contra a salinidade daquelas águas era muito valorizada.

– Vocês deveriam conhecer o lugar de onde venho.

****

O tubo gelatinoso ergueu-se das profundezas minutos após Marek assoprar uma espécie de flauta silenciosa. Já havia desmontado o mastro do veleiro e protegido com cordas e tecidos toda a sua carga. Obi e Strahl o acompanhariam. Kronus, ainda que atormentado pela agitação das águas, e o navegador que os trouxera até ali preferiram a permanência na superfície.

Em espiral descendente, lentamente foram sugados ao longo de um duto orgânico semitransparente. Através dele era possível ver as estranhas criaturas que o Sere Marica abrigava, mais e mais estranhas conforme se aproximavam de seu leito, em direção a um conjunto de gigantescas conchas iluminadas por uma suave emanação branco azulada.

****

Um grupo de habitantes de Salachia os aguardava no imenso salão, quase que completamente ocupado pelas formas titânicas de Sal. Após trazer Marek, Obi e Strahl em seu tentáculo, a criatura os expeliu, junto com a embarcação que ocupavam, de uma entre inúmeras bocas.

O líder que os recebia chamava-se Hiberz. Receptivo, não tardou a saudar os dois recém-chegados como futuros habitantes de Salachia, mal-entendido que causou certo desapontamento ao ser desfeito. Obi e Strahl estavam ali para negociar Numenera e, quem sabe, levar à superfície um pouco da viscosidade imunizadora do metal.

Durante algumas horas, ciceroneados por Hiberz, descobriram as maravilhas de Salachia, um labirinto de corais membranosos e construções calcárias semelhantes a conchas.

Diversas particularidades da condição submarina de Salachia foram esclarecidas por Hiberz, sendo a maior delas a necessidade de uma população estável. Pouco mais de mil pessoas viviam ali graças ao oxigênio produzido por fungos presos às paredes, alimentando-se dos gases expelidos pela respiração dos seres humanos que desafiavam as profundezas. Com a queda recente da população local, contudo, havia menos alimento para os fungos, que liberavam menos oxigênio e produziam menos da secreção protetora do metal, em um ciclo que levaria à morte da cidade e de Sal, que de algum modo também dependia da presença de pessoas para sobreviver.

Após deixar em posse de Hiberz uma Numenera capaz de gerar ondas elétricas – perigosa na superfície e potencialmente devastadora quando associada a líquidos – em troca da secreção dos fungos presos às paredes, Strahl e Obi comprometeram-se a passar adiante a notícia de que em Salachia seriam bem recebidos os que desejassem vir e permanecer.

A partida ainda seria dificultada por Sal – comunicando-se com Hiberz por meio de odores, a criatura foi com muito custo convencida a permitir que os visitantes retornassem à superfície.

****

Uma ilha antes de Queslin.

Uma ilha antes de Queslin.

A ilha ficava menos de cinquenta quilômetros a noroeste de Queslin. A considerar a movimentada rota comercial na

região, sua existência não era um segredo. O mistério estava nos motivos que a fariam interessante, especialmente considerando sua constituição rochosa e estéril. Segundo o mapa tomado de Tarae, a área interna, escondida por picos escarpados, seria oca, resultado de um acidente geográfico causado por uma força externa em tempos imemoriais, mas cujas repercussões lucrativas ainda aguardariam por aqueles com olhos treinados para reconhecer a Numenera.

Durante horas, se valendo das galerias parcialmente mapeadas, da intuição de Obi e dos poderes de locomoção de Strahl, capaz de fazer com que ambos fossem carregados pelo relâmpago, eles vaguearam. Novamente, Kronus permaneceria na embarcação, desta vez com intuito de garantir que seu condutor não encerrasse prematuramente os serviços.

Quando finalmente chegaram ao centro daquele labirinto pedregoso, certa decepção os assaltou.

****

Não havia dúvida de que algo se desprendera dos céus em algum momento do passado longínquo, golpeando com força aquela ilha e modificando-a permanentemente, mas era também evidente que saqueadores foram corajosos o bastante para enfrentar o mar e as rochas para dali tirar tudo o que pudesse ter algum valor. Vasculhando os arredores durante algum tempo, e apenas depois de acessar áreas que apenas as capacidade de Strahl permitiam alcançar, Obi percebeu algo. Um traço de vida enclausurada em uma casca.

****

Não era sua embarcação que os aguardava, mas o Rompante. Não era seu navegador, mas a capitã, Tarae, quem fazia companhia a Kronus. Ela, a tripulação e pelo menos mais vinte passageiros aguardavam por Obi e Strahl, que de longe observavam o companheiro ameaçado pela lâmina do sabre.

Transportando-se instantaneamente até o convés, Strahl viu a tripulação rosnar em sua direção até ser contida pela capitã. Ela tinha termos a negociar e plena ciência de que chegara atrasada para coletar o prêmio que seu mapa apontava. Mostrando-se aberto a escutar os argumentos de Tarae, Strahl ouviu apenas o bastante para assegurar-se de que o aço não seria mais rápido do que o relâmpago.

****

Entre as escarpas da ilha, apenas Obi, Tarae e Strahl negociariam.

A capitã exigia para si o germe encontrado pelos dois, além de toda Numenera que lhe foi tomada quando da invasão do Rompante. Segundo ela, Obi e Strahl não sabiam o valor do que tinham em mãos e, mais uma vez, interferiam diretamente em assuntos que não lhes diziam respeito. Em troca disso, os dois demandavam a segurança de Kronus, o encerramento de qualquer conflito entre eles, assim como a garantia de que toda tripulação respeitaria tal acordo, bem como a passagem segura até Queslin e a intermediação do contato com Theobald.

****

Naquela noite, já a caminho de Queslin, eis o que Tarae revelou a Obi, Kronus e Strahl.

Larvae

O futuro que espera a hora de eclodir.

– Há muitos anos essa ilha foi explorada pelos poderosos de Queslin. Entre as relíquias que escavaram, a mais valiosa delas estava em ovos. Criaturas capazes de gerar outras e, a partir delas, a mais famosa iguaria de Queslin. Quando diz-se que o suor de escravos ergue a riqueza da cidade, não é de blocos de sal carregados para fora das minas a que se referem, mas aos pequenos vermes que se alimentam desse suor até se cristalizarem e se tornarem uma iguaria pela qual nobres dos Nove Reinos se dispõem a pagar fortunas. Os passageiros que levo comigo serão escravos por opção, e o germe que encontraram, possivelmente o último deles, permitirá que muito mais possa ser tirado deles e de todos os outros que vierem depois e se dispuserem a servir seu suor nos subterrâneos de Queslin.

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2 Respostas

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  1. R.G. Caetano said, on 09/05/2016 at 19:43

    Uma solução que pensei para a crise de Salachia seria reservar parte da cidade para ser uma prisão para prisioneiros de outras cidades.

    Seria uma prisão de alta segurança por ser embaixo d’água e a população carcerária resolveria os problemas de oxigenação da cidade e quem sabe Salachia poderia ganhar uma compensação financeira das outras cidades pelo abrigo dos presos.

    Será que os cidadãos de Salachia aceitariam essa proposta?

  2. Carlos Hentges said, on 10/05/2016 at 08:20

    É uma alternativa na qual os jogadores deveriam prestar atenção. E se até a Austrália deu certo com uma proposta parecida…


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