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Numenera Ex Machina – A respeito de diversas Paixões

Posted in Este Corpo Mortal, Numenera, RPG by Carlos Hentges on 22/02/2016

Capítulo 6 – No qual um lapso recente manifesta um antigo desejo.

Havia todos os motivos do Nono Mundo para acreditar que Tvesh Szat os convocara para um encontro definitivo, encerrando em termos inamistosos a parceria estabelecida poucas semanas antes. A certeza era tamanha que se dirigiram à propriedade às margens do Sere Marica com mochilas abarrotadas de pertences pessoais. Seu objetivo era tão somente sobreviver ao encontro e imediatamente rumar a Queslin, onde uma porção do passado de Strahl e do futuro de Obi aguardavam. Kronus já decidira os acompanhar, não importando o destino.

Tvesh Szat, em um momento mais amistoso do que o esperado

Tvesh Szat, em um momento mais amistoso do que o esperado

Contudo, antes era preciso explicar os eventos da última madrugada, quando se apropriaram da Numenera do Rompante para então acabarem traídos por Visixtru e seu grupo de varjellen, e aqueles ainda anteriores, quando Kronus atacou o que deveria ser seu contato e aliado, Martelo. Brindado por Kronus com um relato algo extravagante a respeito da Numenera ir parar intencionalmente nas mãos dos varjellen, e distraído por Obi ante a possibilidade de um contato em Queslin oferecer muito mais do que os porões no Rompante guardavam – Theobald seria a chave para a Cidadela do Prodígio -, Szat elaborou uma estratégia que se apropriava dos eventos recentes para a realização de um desejo antigo. Atuando em várias frentes, varreriam a raça de desumanos de Nebalich.

A Strahl caberia descobrir o paradeiro dos tripulantes do Rompante atacados por marinheiros no porto. A notícia de uma briga se espalhava desde a noite anterior, mas era preciso transformar o fato em um incidente mais sangrento.

Obi voltaria com o Martelo ao local onde Visixtru realizara a reunião com seus comparsas. Era preciso se assegurar de que a Numenera permanecia em Nebalich.

E a Kronus foi dada a tarefa de angariar a simpatia de Admoestha, soldado feito senescal do Rei Falton e da Rainha Sheranoa. Sua argumentação giraria em torno dos efeitos de negociatas entre os mal reputados piratas comandados por Tarae e os varjellen, uma raça de criminosos. Um jogo de traidores estaria em andamento, e seria sábio intervir para evitar que corpos com gargantas cortadas começassem a surgir nas ruas.

Tudo se dando a contento, os três rumariam a Queslin com o apoio de Szat, que teria para si a Numenera do Rompante e, ainda melhor, livraria a cidade dos varjellen.

****

– De jeito nenhum as coisas vão ficar por isso mesmo – Kronus estava visivelmente exaltado.

– Não importa o que aconteça, nós vamos embora. E isso fica aqui – Obi se negava a fazer do contato com Martelo uma oportunidade para descobrir o paradeiro de Ehvera e o passo seguinte do companheiro na tentativa de consumar um ódio que ninguém mais compreendia.

– Se concentre no que Szat nos mandou fazer, e apenas nisso – para Strahl, a perspectiva de realizar um último trabalho bem feito estava novamente ameaçada pelas razões erradas.

Apesar da clara discordância, Obi realizaria a vontade do companheiro. Nem que fosse apenas para que finalmente ficasse em silêncio a respeito.

****

Martelo não estava satisfeito com a ordem de trabalhar ao lado de Obi. Ao menos não era o tal Kronus, que o emboscara e a Ehvera, ou o outro, Strahl, que nada fez para impedi-lo. Enquanto rumavam até o gueto varjellen – a ideia, vaga, era observar qualquer movimentação suspeita nas imediações – o capanga de Szat desistiu de conter seus ímpetos. Ao arrastar Obi para uma viela, foi bem claro.

– Kronus, aquele cão, ainda vai fazer com você o que fez a mim e a Ehvera. Escreva o que digo, se preferir. Ele é um traidor, e você ainda vai acordar com a lâmina de seu amigo na garganta.

Obi ouviu com atenção enquanto os dedos metálicos de Martelo se afundavam cada vez mais em seu peito. Não o contradisse e nem assumiu compromissos. Precisava do aliado, e pelo menos imediatamente faria o que lhe agradasse mais. Não lhe escapou, entretanto, uma observação. Martelo estava divido entre o dever a Szat e a paixão por Ehvera. O ódio que sentia por Kronus poderia ser o elemento a empurrar tal impasse à ação.

****

No porto, Deymish falava a outros marinheiros a respeito da Senhora Salobra, cuja ordem ficava nos Pântanos Salpicados, separados de Nebalich por algumas centenas de quilômetros via Sere Marica. Homens não podiam ser devotos, mas ele fazia o melhor que era capaz para manter viva a fé da esposa, falecida recentemente.

Talvez o velho marinheiro pudesse dizer mais a respeito, mas seu tom mudou bruscamente diante das perguntas insistentes de Strahl.

– Há problemas mais graves e mais perto daqui.

Referia-se ao Cálice, onde o dispositivo sísmico deixado por Millian para proteger os pertences roubados de Ehvera permanecia ativo.

– Em nome de Tvesh Szat, nós vamos resolver esse assunto de uma vez por todas – Kronus levava adiante o propósito de falar à vaidade de seu patrono.

Millian, criminoso e amante sorrateiro

Millian, criminoso e amante sorrateiro

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Durante um par de horas, Obi, em companhia de Martelo, observou o local onde tiveram o primeiro e o último contatos com Visixtru. Tinha de reconhecer, era incapaz de diferenciar os varjellen, especialmente à distância. Contudo, não parecia estar havendo qualquer movimentação estranha no local. Não tinha motivos concretos para tanto, mas acreditava que a Numenera do Rompante continuava no lugar para onde fora trazida, na noite anterior.

– Me siga. Seja discreto.

Millian passou tão rápido e sorrateiro que quase não foi notado. Seguindo-o até um corredor estreito entre duas construções caindo aos pedaços, Obi finalmente pôde ouvir o que ele tinha a dizer.

– Eu quero devolver tudo o que foi tirado do barco.

Mais do que um simples criminoso, Millian era um criminoso apaixonado. Temia que Visixtru negociasse a

Numenera roubada e usasse os recursos para se lançar ao Sere Marica, em uma jornada sem destino ou retorno certo. Preferia devolver os dispositivos dali a três dias, em troca de 500 sucatas, a tolerar a possibilidade de não ter o amante por perto outra vez. Com o valor, quem sabe os dois pudessem deixar a cidade em direção aos Canais de Seshar.

Obi concordou com aquilo, mais impôs uma condição adicional:

O Cálice, agora mais seguro

O Cálice, agora mais seguro

Millian inundaria as ruas com um boato. O ataque dos varjellen contra o Rompante deveria ser assunto de todas as rodas de conversa de Nebalich.

****

A Numenera na parede de Millian, originalmente, fora modificada para romper grandes rochas e facilitar a atividade de mineração. Poderia facilmente esmigalhar uma pedra maciça do tamanho de uma pequena casa. No Cálice, o dispositivo fragilizaria a estrutura a ponto de colocar muitos dos moradores da construção em risco. Simplesmente desativá-lo não era o desejo de Strahl. Queria-o para si, e o cuidado e esforço para tanto lhe cobrariam algumas horas de trabalho.

Durante este tempo, Kronus se encarregava de esclarecer aos habitantes dali que era a benevolência de Tvesh Szat que estava encerrando a ameaça desencadeada por Millian, Visixtru e seu bando de varjellen. Um tanto a contragosto – ele preferia que a população do Cálice se concentrasse apenas em seus próprios problemas -, Deymish se viu arrastado pela situação. Descobriria quais eram os humores dos companheiros de marinhagem em relação aos desumanos e suas reconhecidas atividades criminosas.

Ao que parecia, os três começavam a enfileirar um pequeno exército incerto de seu real propósito.

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2 Respostas

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  1. R.G. Caetano said, on 27/02/2016 at 22:55

    Como o jogo ficou com o novo sistema de regras?

  2. Carlos Hentges said, on 28/02/2016 at 09:06

    Cara, o pessoal estava empolgado na criação de personagens, mas eu tinha dúvidas se funcionaria. E na primeira cena importante eram os três personagens e dois NPCs mais um grupo de capangas. Foi foda e algo infernal. Mas a partir disso, as coisas correram muito bem. A liberdade de criação que o sistema oferece beneficia bastante a história. A sessão foi relativamente curta, e vamos dar um tempo em março, mas as expectativas são as melhores.


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