The Truth's For Sale

Numenera – Breve Interlúdio na Superfície

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 09/03/2015

Numenera – The Wonder Weird

Capítulo 4 – Breve Interlúdio na Superfície

Mark e Cid viram o vórtice atrás deles se fechar e, com isso, cortar toda a energia da estrutura subterrânea. Ali, apenas os estalidos de caudas e garras de chirogs os guiava. As criaturas podiam ver na completa escuridão, mas ignoraram os recém-chegados. Venceram a barricada improvisada e alcançaram a esfera, cujo brilho evanescente atraiu meia dúzia deles, arranhando a superfície polida e impenetrável. Com as trevas atingindo também ela, os chirogs pareceram perder o interesse e simplesmente retornaram para o local de onde vieram.

Exaustos e feridos, com as cordas que os levaram até o subterrâneo comprometidas, Mark e Cid tombaram à espera de algo que mudasse sua sorte.

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A voz familiar de Rugglet despertou Cid. O sol entrava pela fissura no alto do domo e fazia brilhar as lascas das armaduras que ele e Mark utilizaram, desfeitas durante o sono. Um complexo conjunto de cordas trouxe o carroceiro de Itzen até ali, e ele os elevaria até a superfície sem problemas.

No que restou de Itzen, um acampamento militar começava a se formar. Cerca de trinta soldados, alguns cavalgando brehms escamosos, outros conduzindo pesados dossis de chifres circulares, organizavam mantimentos para o destacamento que se estabeleceria provisoriamente ali. Seriam liderados por um Kellown à espera de nova investida de tropas do Império de Pytharon. A maioria dos moradores que restava, contudo, estaria sob a liderança severa de Elandra, capitã da milícia, a caminho da propriedade de Lorde Wernard Streck.

Ante a possibilidade de um confronto, Mark decidiu permanecer. Cid, que parecia ser mais capaz de explicar o que ambos encontraram no subterrâneo, recebeu um convite sem possibilidade de recusa: acompanharia Elandra e se reportaria ao Lorde. Antes de partir, ouviu de Mark a mais improvável das recomendações, que fosse claro e não os assustasse.

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Já há alguns dias Zippack Ranzz maneja sua aeronave na direção do grupo de rasters. No princípio, supôs que sua falta de velocidade seria compensada pela paciência. Contudo, viraram os bons ventos que colocaram as criaturas litorâneas em seu trajeto por Ancuan. A energia que mantinha Fus-K velejando no ar chegava ao fim antes que Zippack pudesse colocar suas mãos em um par de rasters e usar porções de seus órgãos biomecânicos para reabastecê-la.

Perto de ficar sem alternativas, Zippack apontou Fus-K na direção de uma grande construção ancestral. Se parecia com um animal de concreto a observar o horizonte com seu único olho espelhado, de asas assimétricas abertas e prestes a alçar voo. Em torno dela, um assentamento improvisado se formava.

O pouso suave de Fus-K chamou atenção de alguns dos aldeões. Era uma gente com ar cansado e faminto, cuja relutância em fazer contato não era resultado de acanhamento, mas puro estupor causado pelos eventos recentes.

Ignorante a respeito de tudo, Zippack recostou-se despreocupado em um galpão onde refeições e uma bebida forte a base de grãos eram vendidos. Foi então que uma velha subiu em um caixote e as coisas ficaram interessantes.

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A marcha de Itzen até a propriedade do Lorde Wernard Streck tomou muitas horas de um dia que começou com a escalada de quase duzentos metros até a superfície. Talvez por fome e fraqueza, após chegar ao local e ser informado de que logo seria recebido em audiência, Cid tenha acabado próximo ao local onde Aylonne pregava.

Antes mesmo de fazer sua refeição, acabou reconhecido. A velha, sobre uma caixa, esbravejava contra o horror que se abateu sobre Itzen, resultado da ausência de uma suposta veneração da qual a esfera seria merecedora. Cid, com uma tigela na mão, entrou na história como o responsável pela audácia de interferir e, assim, desencadear a destruição de Itzen.

Cercado por uma turba insatisfeita, gente que perdeu suas casas, que viu parentes e amigos serem engolidos por uma cratera, que marchou para sentir fome e morar em tendas. Gente ansiosa por uma desforra, qualquer quer fosse ela.

Cid até que se saiu bem da situação, primeiro em meio à multidão e, depois, sobre algumas caixas empilhadas. Seu erro foi absolutamente compreensível. Explicou, fazendo sua voz chegar mais alto e mais longe do que a de Aylonne, que ele tinha conhecimento de um novo desastre que somente ele poderia impedir. Um desastre muito maior, pois aconteceria em Qi.

Qualquer pessoa conhecedora da dinâmica das multidões sabe como as palavras se deslocam e se perdem nela com facilidade. E, assim, Qi, capital de Draolis, se tornou aqui.

A balbúrdia decorrente das palavras de Cid foi rapidamente desfeita por um grupo de guardas, mas estava plantada a semente da desconfiança quanto ao destino de todos.

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Zippack a Cid puderam finalmente apresentar-se adequadamente numa conversa da qual Rugglet fez parte, ainda que este último não se recorde do encontro. Estavam diante de um galpão onde, Rugglet esclareceu, um raster fora aprisionado. Antes disso, o som de correntes e o piado agudo da criatura já haviam atraído a atenção de Zippack. Tendo em vista a necessidade de deslocamento rápido, Cid propôs uma parceria que durasse, pelo menos, até a chegada em Qi. Disso dependia os órgãos biomecânicos de raster, alternativa que encontrou forte oposição em Rugglet, motivo pelo qual Cid, fazendo uso de seus tecnotruques, garantiu a paz do carroceiro ao suprimir suas memórias a respeito daquela conversa.

Certamente Cid e Zippack fariam planos mais detalhados, não fosse a intervenção de Elandra.

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Cid falou primeiro, mas o jovem Wernard Streck parecia não ouvir. A cada descrição, fosse direta, tortuosa, verdadeira ou quase isso, interrompia com a mesma pergunta – havia nos subterrâneos de Itzen algo que pudesse ser usado como arma contra o Império de Pytharon? Insatisfeito com Cid, recebeu Zippack para rapidamente requisitar a aeronave Fus-K. Ordenou em seguida que fosse sacrificado o raster aprisionado para garantir-lhe alguma autonomia e despachou o aeronauta.

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Já era noite quando Cid e Zippack encontraram-se diante da propriedade ancestral de Streck, um contraste tremendo com seu jovem e tolo proprietário. Ao que parece, ele ainda teria um prisioneiro com que se distrair antes de tomar qualquer atitude. Era momento de um planejamento que andasse ao largo dos desejos do nobre.

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