The Truth's For Sale

Numenera – Uma Cidade sob a Colina

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 19/01/2015

Numenera – The Wonder Weird

Capítulo 2 – Uma Cidade sob a Colina

“A Ishlav original foi destruída há cerca de vinte anos, após um grupo de exploradores retornar à cidade levando um estranho dispositivo que diziam ter vindo das estrelas. Quando os Pais Pretéritos na cidade buscaram compreender o que era aquilo, o dispositivo emitiu um poderoso choque de energia, destruindo praticamente tudo em um raio de três quilômetros. Contudo, nenhuma pessoa, animal ou planta foi afetado diretamente. Apenas matéria inanimada sofreu os efeitos. Após o eventos, Ishlav foi reconstruída, e aquele pegos pelo choque de energia contam até hoje como suas feridas cicatrizaram, doenças foram curadas e sua saúde, de um modo geral, melhorou muito.”

Foi mais ou menos assim que Cid contou a tal história. Eu e Mark ouvimos com atenção, mas Kellown e os outros, reunidos para decidir o que fazer da esfera, não deram o mesmo valor. A velha, Ayllone, parecia saber do que Cid falava, mas a desconfiança impediu que dividissem suspeitas quanto à origem da esfera. No fim, Kellown fez prevalecer a autoridade concedida pelo Lorde Wernard Streck: a esfera seria levada à propriedade do Lorde.

Ela foi amarrada e puxada por dois dossi. A força bruta dos bovinos mal deu conta de tirá-la do buraco. Como que por vontade própria, retornou ao ponto onde pousou. Quatro dossi puxando-a não conseguiram resultado melhor.

A tentativa frustrada capitaneada por Kellown incentivou Aylonne: gritava serem desrespeitosas as tentativas de remoção da esfera. Ela estava quase contando a história de Ishlav. Tudo aquilo foi distração o bastante para que Mark e Cid se aproximassem. Tocaram a esfera, e logo ela ergueu-se no ar. Primeiro, a dois metros de altura, e depois, o dobro disso. Ficou lá, pairando, para espanto de alguns e júbilo de outros. Quando chocou-se contra o chão, todas as construções da vila balançaram. Mark saiu do caminho, mas Cid foi atingido de raspão no ombro.

****

Demorou mais de uma hora até que Cid se sentisse bem outra vez. No intervalo, Rugglet me procurou. Ele baba feito um dossi quando fala comigo, o que é meio asqueroso. Um criador de brehms teve seu rebanho atacado pela segunda vez em menos de uma semana. Suspeita que os rasters vistos sobrevoando as imediações sejam os responsáveis. Ardonis teme que Lorde Streck puna a ele e toda sua família pela perda dos animais. Explico a situação para Cid e Mark. Eles planejam ir até Ishlav, descobrir mais a respeito da história da cidade. Bobagem. Vamos perder dez dias e só. Até lá, tudo se resolveu por aqui. Kellown já despachou alguém para informar Streck do que acontece e nenhum soldado pode deixar Itzen para ajudar o fazendeiro. Melhor tentar arranjar alguns ovos de raster para vender e seguir viagem, na direção que Cid apontou originalmente, além do Império de Pytharon. No caminho até a fazenda de Ardonis, Rugglet roça sua perna na minha enquanto conduz a carroça. Olho bem para ele com meu olho mecânico e isso encerra o assunto.

****

Não foram rasters que mataram os dois brehms de Ardonis. Foi alguma outra coisa, e bem grande, pois os brehm são fortes e rápidos o bastante para servir como montaria, ainda que eu não goste da pele fria de réptil deles. Não sendo rasters, vou embora. Ardonis não tem dinheiro, e eu cobro até pela curiosidade de saber o que aconteceu.

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Rugglet fala das belezas da vida na colina, da caça ao raster, da antiga mina de sal e de tudo o mais que ela acha ser capaz de despertar meu interesse por Itzen, pelo menos por mais uma noite. Respondo que meus peitos emitem raios e que minha vagina é eletrificada, “nunca daria certo, querido”, e isso meio que encerra o assunto. Definitivamente.

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Cid e Mark retornaram no dia seguinte, no final da manhã. Pouca coisa aconteceu. Um soldado, Lipke, ficou bêbado à
noite e foi repreendido por Kellown. O capitão estava ansioso e, na manhã seguinte, esse parecia ser o estado de espírito de toda Itzen. As pessoas colocaram suas melhores roupas e estavam à espera do Lorde Wernard Streck em pessoa. Mark e Cid encontraram chirogs nas imediações da fazenda. Eles são uma espécie de lagarto inteligente, tão grande quanto uma pessoa e com uma cauda bem perigosa. Ao que parece, nunca tinham sido vistos por aqui. Suspeitam de que exista uma infestação na antiga mina de sal de Itzen, abandonada há dez anos. A comoção na vila, contudo, não deixa muito espaço para que a descoberta receba a devida atenção.

Quando sobe a poeira da estrada ao longe, a população espana suas lapelas e lustra os calçados com cuspe. Kellown é o primeiro a se agitar. Sobe no telhado mais alto da vila sobre a colina e mira o horizonte. “Entrem nas suas casas. Entrem agora nas suas casas”. Com a face transfigurada, o capitão dá ordens aos gritos. Denniewis, próxima de mim, murmura alguma coisa. “Eles estão vindo pelo lado errado da estrada”.

São cavaleiros do Império de Pytharon. Oito deles, cuja chegada é observada por guardas atônitos e uma população em pânico atrás de suas janelas. Nem Kellown nem seus homens tentam resistir. Seria um sacrifício inútil. Mark, por suas armas, é tratado como os guardas e recolhido à guarnição. Cid parece apenas interessado em saber o que vai acontecer a seguir. Lipke, o tal bêbado, revelou-se o traidor, responsável por enviar notícias do que acontecia ali para além da fronteira.

Demora uma hora até que mais dois homens cheguem. Vestem o amarelo dos Pais Pretéritos, membros da Ordem da Verdade, veneradores do passado e os maiores conhecedores de Numenera nos Nove Reinos.

Instalam em dois pontos da esfera peças faiscantes que a fazem flutuar. Mais uma vez, a tentativa de remoção a ativa. Agora, os golpes contra o solo são incessantes. As casas de Itzen tremem ao impacto e curvam-se conforme o centro da praça afunda um pouco mais a cada novo estrondo.

Há pânico na vila. Alguns correm e outros buscam abrigo. É impossível saber quantos sobreviveram. Lá no alto, Itzen não existe mais. Em seu lugar, há uma cratera profunda revelando toneladas de terra e detritos que escondem parcialmente as estruturas construídas eras atrás sob o vão oco que todos sempre julgaram ser uma colina.

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