The Truth's For Sale

Numenera – A Esfera que veio do Céu

Posted in Numenera, RPG by Carlos Hentges on 27/12/2014

Numenera – The Wonder Weird

Capítulo 1 – A Esfera que veio do Céu

Era madrugada em Itzen quando todos foram despertados pelo estrondo que assustou animais e balançou as casas modestas do vilarejo. O ribombar ainda ecoava quando Mark levantou-se, já de escudo e espada em punho, e saiu porta afora. Cid atrasou-se um instante. Adivinhou que o local do impacto atrairia a atenção de todos, e não gostaria de apresentar-se de maneira inadequada. Investiu um minuto num modesto tecnotruque, deixando impecáveis as roupas que vestia. A mulher que os acompanha seguiu o impulso de Mark, admirando-se ao seu lado com aquele extraordinário objeto inerte no meio da praça.

Haviam chegado no início da noite. Mark vinha do norte, onde sua espada e escudo estiveram a serviço de nobres e exércitos, mas disso ele pouco falava. Cid era inquieto, sem se importar se era compreendido, guardando silêncio apenas para escutar o que as máquinas tinham a lhe dizer. A jovem que os acompanhava ainda não concedera o direito de fazer saber o seu nome. Seu corpo, com aço e carne competindo por espaço e primazia, evocava os maiores mistérios, tão amplos quanto as lacunas entre suas raras palavras. Rumavam para leste. É para lá que as visões guiavam Cid e para aonde os outros dois deixavam-se arrastar; Mark buscava distanciar-se do passado, e a companheira de ambos desejava a promessa implícita de Numenera que toda jornada faz aos aventureiros dispostos aos riscos.

Parar em Itzen significaria o conforto de uma noite longe das margens da estrada. Chegaram ao vilarejo em meio aos últimos acertos para o despacho, na manhã seguinte, dos tributos ao nobre local. Foram bem recebidos pela administradora do depósito de mantimentos, Denniewis, e com alguma desconfiança pelo chefe da guarda. Kellown viu 9e0dcf611dd96ddc5361b701d36c5701com ressalvas o desejo dos visitantes de se dirigirem à fronteira do reino de Ancuan com o Império de Pytharon, região agitada por conta de um passado recente de dominação. A esta altura, ele já havia esquecido que Cid transformara, apenas por um momento, o ensopado de carne de dossi em um caldo adocicado cujo único sabor era o de canela. Quem não esquecera de nada, pelo contrário, lembrava cada detalhe daquele rosto misterioso e altivo, era Rugglet, que mais cedo revelara à recém-chegada seu desejo de capturar ovos de raster e transformar os animais voadores em montaria treinada.

Mas as desconfianças, o sabor de canela e o curioso convite envolvendo montarias aladas empalideciam diante do que estava bem a sua frente.

No centro da praça, enterrada quase meio metro no solo, havia uma esfera prateada perfeitamente polida. Com cerca de três metros de altura, pelo menos quatro homens seriam necessários para abraçá-la. Sem emendas visíveis, sua superfície reflexiva daria um espelho decente.

A população se dividia entre os assustados pela incerteza que envolvia aquela esfera que viera do céu e os curiosos diante do inusitado que dera novo ânimo ao sonolento cotidiano de Itzen. Entre os mais exaltados estava Aylonne, uma anciã que não demorou a declarar ser aquele um presente divino e merecedor de veneração. O fervor religioso contagiou alguns, mas ela acabou recolhida a sua casa antes que pudesse ter tempo para espalhar a palavra. Cid chegou a tratar rapidamente com Aylonne, mas sob falsos pretextos. Ela identificou o farsante que dizia passar-se por um dos veneradores do passado que formavam a Ordem da Verdade.

Já pela manhã, quando a rotina de Itzen buscava contornar a estranheza daquela esfera prateada em meio à praça, e após nossa misteriosa protagonista desejar em um tom de voz mais elevado do que educado que a vila toda explodisse, alguns dos moradores reuniram-se para decidir o que fazer a respeito daquilo.

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