The Truth's For Sale

RPG como causa e o pé no saco alheio

Posted in RPG, Teoria do RPG by Carlos Hentges on 10/04/2012

Alguém lembra quando Cisne Negro se tornou objeto de discussão entre o grande público? Claro, a presença de uma estrela como protagonista mais a indicação ao Oscar foi o que bastou para o tema chegar ao cotidiano das pessoas. O interesse súbito encaminhou a imprensa na direção de bailarinos e profissionais da dança. Em grande maioria, eles concordavam que aquela era uma representação pouco fidedigna do cotidiano de uma bailarina e era ainda pior no que diz respeito à execução de O Lago dos Cisnes.

Você já viu no cinema ou na televisão a representação de algo que conhece em primeira mão? Não fica sempre a sensação de que aquilo está mal explicado, mal arranjado, mal compreendido e muito esquisito? Isso é perfeitamente natural. Afinal, são adereços utilizados pelo combo diretor+roteirista para contar uma história. Ninguém a não ser alguém muito chato fica se perguntando quanto custa o tratamento que os médicos de House realizam em cada um de seus pacientes ao longo de quarenta e tantos minutos de tentativa e erro. O número só teria relevância se o tivesse para a história sendo contada.

Então, por que, por tudo o que é mais sagrado, os jogadores de RPG estão enchendo tanto o saco por conta da representação do hobby na novela Rebelde, da Record?

É evidente que os responsáveis não estão interessados na representação verossímil do que é o jogo. Pelo que vi, se contentaram em mostrar uma versão deturpada do que os piores jogadores de Vampiro: A Máscara faziam em shopping centers antes de descobrirem que gritar Ofuscação em meio a uma multidão de desavisados é ainda mais ridículo do que consigo demonstrar aqui.

Talvez, enquanto escrevo isso, o pobre diabo responsável por escrever aqueles diálogos lamentáveis esteja concebendo uma reviravolta que vai transformar o casalzinho de preto em pessoas muito legais e arrependidas pelas capas de Drácula, Morto Mas Feliz. Quem sabe, essa ideia me ocorreu durante um sonho molhado, a ninfeta tire mais do que a capa. Todas elas, aliás.

Nem assim vai fazer diferença. Porque não é nosso papel, e de ninguém, ficar enchendo a porra do saco de todo mundo com abaixo-assinado em favor da representação adequada do RPG onde quer que seja. Eu não quero que nada seja representado corretamente onde quer que seja, de prova de matemática ao exame de próstata, do cotidiano de médicos ao dia a dia do combate ao tráfico nas ruas de Baltimore.

O que eu quero são histórias de qualidade, verossímeis mesmo que não absolutamente verdadeiras, com diálogos inteligentes, levadas adiante por personagens cativantes em tramas memoráveis.

E é por não ser nada disso, por não ter nada disso, que Rebelde é merecedora da minha total desconsideração, assim como deveria ser o caso para qualquer pessoa minimamente inteligente.

E isso, meus caros, nada tem a ver com RPG.

Para quem quiser ver com os próprios olhos!

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