The Truth's For Sale

LA Noire – Quase isso

Posted in PS3 by Carlos Hentges on 28/10/2011

Após as resenhas iniciais de LA Noire, algumas com notas abaixo do esperado por todos aqueles que o chamavam de jogo do ano baseados exclusivamente em trailers de lançamento, começaram a pipocar notícias a respeito de problemas os mais diversos em seu desenvolvimento, desde divergências criativas até, como gostam de dizer no Brasil, situações análogas à escravidão. Em boa parte dos relatos, a Team Bondi era tratada como responsável pelo sucesso que LA Noire não foi, enquanto a Rockstar foi colocada no papel de salvadora de um processo que, de outra forma, poderia ter resultado muito abaixo do que seu viu.

Fofoca posta de lado, e depois de chegar ao final, ficou a sensação de que LA Noire teria se beneficiado de uma estrutura mais distante daquela pela qual a Rockstar é hoje tão conhecida quanto reverenciada.

A versão de PS3, com seu conteúdo exclusivo, conta um total de 21 casos, além dos breves crimes introdutórios. E em nenhum deles a estrutura de sandbox se mostrou essencial. Muito se falou a respeito do tamanho do mapa desenvolvido para retratar a Los Angeles do pós-guerra. Bobagem. Não há o menor motivo para percorrê-lo depois das primeiras voltas movidas à curiosidade. Os street crimes, pequenas ocorrências “aleatórias” de abordagem opcional, logo deixam de interessar qualquer um que não seja um caçador de troféus. Ainda estava na primeira divisão da polícia, Trânsito, e já mantinha o triângulo pressionado perto da viatura para pular todo o deslocamento. Os desenvolvedores foram tão gentis em sua percepção de que, cedo ou tarde, qualquer um iria se aborrecer com as infindáveis idas e vindas que, mesmo na opção de cortar a viagem, você não perde a chance de ouvir todo o diálogo interessante para o caso ou mesmo para a história em um contexto mais amplo.

A história, aliás, é outra decepção, especialmente porque sustentada por personagens pouco carismáticos na comparação com o que se viu em GTA IV e Red Dead Redemption. Cole Phelps, detetive e protagonista, é tão apagado que, quando o jogo dá oportunidade de controlar outro personagem, já em sua reta final, isso vem como um alívio.

A grande inovação de LA Noire, sem dúvida, é a captura de expressões dos atores encarregados de dar vida aos personagens. Mas que canastrões! Durante os interrogatórios, é um tal de olhar para os lados, engasgar e fazer caretas que você sempre saberá quando estão falando a verdade, quando colocá-los em dúvida ou quando afirmar que mentem. Enganos, só no momento de apontar a pista a sustentar uma acusação. E, ainda assim, eu não fui capaz de estragar caso nenhum, o que revela meu extraordinário talento detetivesco ou mostra quão brandos em termos de desafio foram os desenvolvedores.

Com um pouco mais de foco na análise de pistas do que em sua descoberta, interpretações mais contidas dos suspeitos e mais intensas do protagonista, e, quem sabe, menos mapa para transitar e mais opções para a condução da história, LA Noire poderia ter sido o jogo extraordinário que prometia.

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