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O Narrador nas Lacunas

Posted in RPG, Teoria do RPG by Carlos Hentges on 07/12/2010

Em qualquer cenário em que joguei RPG, e com qualquer conjunto de regras, eu sempre vi o narrador como o responsável por rechear lacunas.

O jogador aparece com uma boa idéia, o narrador a pega, apara algumas passagens, e a transforma em uma história memorável.

Quando a descrição da ação de um personagem soa incompleta, cabe ao narrador pescar a essência do que foi dito e desdobrar em conseqüências plausíveis que contribuam com o desenvolvimento dos eventos da sessão.

Quando cria um NPC ou concebe uma trama, o que o narrador está fazendo é preencher as frestas que as ações dos personagens não alcançam

Mas e se fosse o contrário?

Digamos que tais lacunas não existam.

Os jogadores poderiam facilmente fazer a maior parte do papel do narrador na mesa.

Se o grupo visita uma mansão pela primeira vez, caberia a um dos jogadores a descrever. Outro poderia se encarregar da interpretação do mordomo enquanto seu personagem encontra-se afastado. E um terceiro concederia um toque peculiar à personalidade do anfitrião do grupo.

Existe limite para essa abordagem?

Só aqueles que o grupo impuser a si mesmo.

Enquanto narrador se restringe ao papel de árbitro em situações específicas, o restante do grupo ficaria responsável pela história e todos os elementos que a compõe. Em momentos decisivos, ele poderia retomar as rédeas para a condução de momentos-chave.

E isso, apenas, se a trama for pré-estabelecida, já que uma proposta como essa favorece não somente a criação livre e completamente improvisada, como de certa forma também pode abolir a necessidade de uma estrutura rígida de regras. Ou qualquer regra.

Abolido o papel do narrador, apenas jogadores com seus personagens, ou múltiplos personagens transitórias, sentariam à mesa.

É difícil? Acredito que sim. Jamais experimentei, mas tenho intenção de fazê-lo.

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5 Respostas

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  1. Luiz said, on 07/12/2010 at 21:38

    Eu já tentei fazer várias vezes com vocês, não deu muito certo. Em praticamente todas eu fui cortado com a justificativa de q esse não seria meu papel.

    Admito que na maioria delas não cabia mesmo a minha intromissão, no entanto, não sai plenamente convencido de muitas outras.

    Lembro de uma que deu certo, foi na campanha de piratas, aquela ministrada pelo Gói. Meu personagem, um desconhecido de um npc, argumentava sobre como seria capaz de integrar a frota do navio, apesar de sua aparência. Para provar isso, eu sugeri: “está vendo aquele nó no mastro? pois é, está errado”. O Gói rolou os dados, e o capitão, contrariado, teve de me engolir.

  2. Carlos Hentges said, on 07/12/2010 at 22:07

    Acho que tem de ter acordo prévio. A maior parte dos jogadores concordaria que existe uma distinção muito clara entre o papel do narrador e dos demais. Cabe amenizar isso.

  3. Luiz said, on 07/12/2010 at 22:27

    Sim, de fato. Pode ser até que alguns desses eventos que eu citei tivessem funcionado se tivéssemos combinado antes.

    Estou tentando recordar um exemplo específico, mas não vem nada na cabeça. Lembro de ter sugerido várias vezes elementos do cenário.

  4. Fábio Silva said, on 08/12/2010 at 10:49

    Interessante. Acho que seria uma ótima abordagem com jogadores maduros (não necessariamente mais velhos, porém, com mais cabeça para o contar a história que para ser o mais poderoso – como é costume de muitos).

    Vou tentar lembrar de propor isso em alguma mesa minha.

    Muito bom o post.

  5. Gosio said, on 09/12/2010 at 07:00

    É, acho que o que eu ia falar gira em torno do que Fábio disse, “jogadores maduros” no RPG. É complicado pensar isso com “sangue novo”, quando os jogadores mal são capazes de interpretar o próprio personagem.


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