The Truth's For Sale

Capítulo 10 – Incursão

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 07/04/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 10 – Incursão

Quarta-feira, 27 de janeiro

Cena 01 – Pela manhã

Os esforços para quebrar a segurança por trás da caixa de e-mail que tem sido usada para enviar-lhe mensagens levam a inúmeros becos sem saída. Ansioso para saber mais ao mesmo tempo em que finge estar realizando as tarefas rotineiras do trabalho, John Kroll se depara com um sistema de proteção inesperadamente complexo. Além disso, parece haver algum tipo de conexão com servidores poderosos, do tipo utilizado para distribuição maciça de conteúdo. Por volta do meio-dia ele começa a cobrir suas pegadas enquanto pensa em uma forma de sobrepujar o sistema.

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Logo cedo Lucas Cutler vai à casa de Jebediah Stone. Sua casa agora. Busca informações a respeito do lugar e de seu antigo proprietário. Circulando por corredores e salas abarrotados de livros, surpreende-se com o sótão. Perfeitamente limpo e conservado, a peça ampla não contém coisa alguma. Um amplo e intocado espaço vazio ecoando memórias desagradáveis. No segundo andar estão documentos referentes à propriedade e uma foto do jovem Jebediah em companhia de uma mulher e uma menina. Um retrato de família, aparentemente. O último destino é a estante onde se encontram obras que nunca foram escritas. Uma delas contém textos de Edgar Allan Poe. Cutler reconhece o estilo da prosa, mas nunca ouviu falar dos contos sobre os quais pousa os olhos. Percebe que algumas páginas foram rasgadas, enquanto outras estão em branco. Parte após devolver o volume às estantes.

Cena 02 – Encontro na estrada

Enquanto aponta a direção até o crematório de Clinton Weiss, Kroll sugere que o dinheiro de Kallinger – originalmente destinado à aquisição dos pertences de Jebediah Stone – seja revertido em um carro um pouco melhor. Barulhento e com o estofamento gasto, o velho sedã de Cutler bem que merecia a aposentadoria. Porém, eles têm assuntos mais importantes a tratar.

Um deles é o Sr. Claude e suas máscaras. Sua relação indireta com eventos recentes ainda não se esclareceu. Quem sabe os documentos acumulados à espera de análise mostrem um caminho…

Kroll relata as preocupações em relação ao inusitado sistema de segurança por trás das mensagens que recebeu e Cutler menciona a necessidade de organização dos livros que pertenceram a Jebediah Stone. Com o tempo tornando-se um artigo de luxo, é natural que a atenção se disperse entre os diversos tópicos que têm sido fonte de inquietação.

E nesse breve descuido um caminhão atravessa diante dos dois. Cutler pisa no freio por instinto. Desgovernado sobre a lama, o carro dá uma guinada para a direita e pára na vala da estrada. Assustados, deixam o veículo.

Cutler verifica os estragos, leves, enquanto Kroll se dirige ao condutor do caminhão. Desculpa-se como se responsável pelo acidente. Após o automóvel ser devolvido à estrada, ele e o companheiro justificam a falta de costume ao trajeto devido ao Sr. Weiss não ser um cliente habitual. A empresa de gás natural que representam é apenas uma das quatro que atuam na região.

Após as despedidas Cutler indica a lama escura presa à grade amassada do radiador. Tem odor de queimado. Cinzas? Uma amostra é recolhida.

Cena 03 – Cremação sem fogo

Clinton Weiss dirige-se com passos rápidos após Cutler estacionar, mal disfarçando a ansiedade diante do breve atraso. Kroll vê uma senhora e duas meninas de vestidos idênticos deixando a varanda sem cumprimentá-los. Trata-se de Gladys Weiss, mãe de Clinton, e suas sobrinhas.

A caminho do crematório Weiss confirma que toca sozinho o negócio iniciado por seu pai. Algo admirável, considera Cutler , tendo em vista a aparência impecável de toda a extensa propriedade. Cerimônias de cremação, prossegue ele, não são sua especialidade, apesar do modesto salão reservado aos raros clientes desejosos de uma despedida prolongada. Normalmente é o Estado de Nova Jersey quem mantém aquecido o forno da fazenda afastada.

Nesta noite, porém, as labaredas não irão engolfar caixão algum. A troca do combustível há poucas horas demanda testes antes da utilização plena. Weiss compromete-se a entregar as cinzas dentro de três dias, conforme rege a lei.

Cutler fica mais descontente com a situação, mas é Kroll quem larga o comentário malicioso.

Kroll – Mas isso não vai tornar ainda pior o cheiro naquele galpão? Aquele, perto do qual Alice se perdeu ontem.

O depósito, explica Weiss a contragosto, tem corpos conservados aguardando oportunidade de cremação, um processo lento e individual. Trata-se, segundo ele, de um resultado pouco conhecido dos altos índices de violência de Camdem, uma das cidades mais perigosas dos Estados Unidos, parte do condado atendido pelo crematório.

A impertinência de Kroll, porém, encerra a conversa. Já decididos a retornar, partem sob a observação de Weiss.

Cena 04 – Meio do caminho

Um quilômetro além da entrada da propriedade de Clinton Weiss, algo estranho acontece. É como se diversos objetos se espatifassem diante do pára-choque do automóvel. Mas não há som de batida. Um pedaço retorcido de arame fica preso ao capô.

Linha, vinhas, arame, pedaços de madeira e vegetação, além de um fêmur. Mais além, uma espécie de crânio esculpido em madeira. Isso tudo as lanternas revelam em uma trilha de quinze metros entre o ponto do acidente e aquele em que o carro finalmente parou.

Kroll recorda a peça entalhada vista na propriedade de Weiss na noite passada.

Kroll – Tem pedaços de gente aqui.
Cutler – Como é que não vimos esse troço bater no carro?
Kroll – Como é que não fez barulho? E como é que chegou aqui?
Cutler – Foi algo que caiu de uma das árvores.
Kroll – Tem pedaços de corpo! Esse cara não está queimando as pessoas.

Cutler esconde o carro junto a alguns arbustos enquanto Kroll vasculha a escuridão. Todos os sons daquela região pantanosa são estranhos, mas é a sensação de estar sendo observado que o perturba mais. Os estalos que ouve na mata lembram a algazarra de crianças curiosas, indo e voltando sob a proteção da noite.

Os ruídos, porém, cessam após a vegetação escassear nas proximidades da fazenda. Lá, em frente ao portão aberto, parcialmente envolto por trevas, está uma figura estática que lembra um homem muito alto. De lanternas desligadas, não conseguem ver detalhes além da imobilidade artificial.

Cutler suspeita de que a figura em frente à porteira possa ser uma espécie de guardião contra as coisas que andam pela mata. Kroll divaga a respeito das almas dos mortos que não tiveram um fim justo.

Adentram a propriedade em silêncio. Andam junto à vegetação rasteira, onde as coisas da mata parecem não alcançar. Na porteira, a figura inerte não pode mais ser vista.

Cena 05 – Retorno

Kroll observa junto do automóvel de Weiss o avanço de Cutler. Há luzes no crematório, mas é até a casa que ele se dirige. Agachado junto dos vidros foscos do porão, ouve o exaustor que encobre parte do diálogo de Gladys com as meninas em um dos cômodos da residência.

Gladys – Agora, minhas bonequinhas, nós vamos trocar de roupa para dormir.

As marcas no gramado pisoteado revelam um local de circulação constante, diferente do retiro de poucas visitas no qual Weiss afirmou viver. Por meio de sinais dirigidos a Kroll, rumam ao celeiro.

Com o odor de cânfora e naftalina recendendo do prédio, observam o local onde Kroll encontrou Alice – uma dúzia de buracos cavados de forma aparentemente aleatória, com a terra empilhada em montes ao seu redor. Mais compridos do que largos, com cerca de um metro de profundidade, lembram trincheiras improvisadas ou covas extensas.

Sentem-se observados de muitas direções. Mas diferente de uma criança perdida, o que circula por aquele local inaudito é um cão. Grande o bastante para que Cutler e Kroll tomem a pá e a picareta ainda sujas de terra encontradas junto à parede do celeiro. Avançam para silenciar o animal antes que ele atraia o dono.

A ausência de pêlos é o primeiro indício de que há algo de errado com o cão. Quando são avistados, não é latido que chega aos seus ouvidos, mas o som de assovios acompanhado pelo chacoalhar de um objeto metálico contido por madeira. Construído com gravetos, ossos e pedaços de vegetação, a criatura salta até um monte de terra quando Cutler busca atingi-la com a pá.

Dentes de metal e vidro fecham-se abaixo do joelho. A dor aguda permanece mesmo após Kroll atingir com a picareta as costas daquilo. O som de chocalho se acentua. Com a pá, Cutler visa as costelas. O golpe arremessa a coisa ao fundo de uma das covas úmidas. O som molhado de inúmeros objetos espalhados é a certeza de que aquilo não irá soerguer-se.

Mas não há tempo para alívio. Vinte metros adiante outro cão, acompanhado por um homem com quepe e cassetete, correm desajeitados em sua direção. Não existe chance de fuga pela escuridão da mata. O carro está distante demais. Kroll toma à frente na disparada até a residência. Choca-se contra porta. Cutler, logo atrás dele, faz o mesmo. A porta é arrancada das dobradiças com um estrondo. Estão dentro da casa de Clinton e Gladys Weiss.

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