The Truth's For Sale

Capítulo 05 – Relações Perversas

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 10/02/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 05 – Relações Perversas

Quinta-feira, 21 de janeiro

Cena 01 – Breves Verdades

Duas noites. Dois testemunhos. Dois cadáveres. Kroll não iria conseguir levar aquilo adiante por mais tempo. Melhor falar com a polícia de uma vez e, pelo menos quanto a Edward Fitzgerald, livrar-se de qualquer suspeita e possível dor de cabeça com a lei. Após uma ligação para a emergência ele retorna ao motel onde o colega de trabalho atirou na própria cabeça. Kallinger e Cutler aguardam no carro, à distância. Os três concordam quanto à necessidade de sigilo a respeito da relação que mantêm.

Em nenhum momento tratado como suspeito, Kroll conversa com os policiais presentes e com o detetive responsável, Blaine Bullock. Sabe que o encarregado pelo motel o viu em companhia de Kallinger e Cutler, mas confia que a distância e a baixa luminosidade tenham impedido qualquer chance de reconhecimento. A câmera em frente ao lobby o filmou sozinho, disso Kroll está certo. Os detalhes, porém, ele apenas irá considerar na segunda-feira, quando deverá prestar esclarecimentos. Uma formalidade, possivelmente, considerando a óbvia cena de suicídio que o detetive Bullock encontrou.

Sexta-feira, 22 de janeiro

Cena 02 – Preparativos

Cientes da atenção indevida que estão atraindo, Kroll, Kallinger e Cutler adotam medidas preventivas: adquirem telefones celulares para comunicação exclusiva entre si e passam a prestar atenção à possibilidade de estarem sendo vigiados. Passos em falso, além de perigosos, podem privá-los de auxílio vital, como Kroll descobrira naquela manhã.

Um de seus contatos habituais o procurou para encerrar relações. Os pedidos por endereços e telefones tornaram-se comprometedores quando duas pessoas a respeito de quem ele solicitou informações apareceram mortas: Krista Crown e Edward Fitzgerald. Ao menos temporariamente, Kroll está por conta própria.

Após planejarem a melhor forma de abordar o Sr. Claude, dirigem-se os três até a Por Trás da Máscara.

Cena 03 – Inúmeras Máscaras

A aparente serenidade do Sr. Claude, com os olhos cegos sempre fechados e as mãos de dedos singularmente alongados às costas, mal oculta sua ansiedade pelo encerramento das negociações e início dos trabalhos. Tanto que, assim que John Kroll – mais uma vez identificando-se pelo sobrenome Nolan – reitera suas intenções, o proprietário da Por Trás da Máscara ausenta-se imediatamente a fim preparar o estúdio para a elaboração do molde.

A esta altura Cutler também se encontra na loja, igualmente identificando-se sob um nome falso. O Sr. Ox, algo distraído pelas máscaras, ouve com muita atenção a conversa entre o jovem Tom e Kroll. Segundo o garoto, a peça apresentada como referência no dia anterior teria sido comprada por uma moça muito bonita que esteve na loja há algumas semanas.

Demonstrando interesse pelo tópico, Cutler questiona Tom. A dúvida o obriga a deixar o saguão da loja para buscar o auxílio do Sr. Claude. Isso dá tempo para que Kroll fotografe alguns recibos e notas fiscais que se encontram sobre o balcão.

O Sr. Claude, com o estúdio já preparado para receber Kroll, demonstra pouco interesse por Cutler, a ponto de contrariar sua usual polidez na tentativa de apressar o andamento de tudo e fazer com que o cliente finalmente possa fornecer o molde que resultará em sua máscara.

Cena 04 – De Comum Acordo

Do lado de fora, Kallinger aguarda. Os três concordaram com a possibilidade de que a Por Trás da Máscara estivesse sob vigilância. Colocar as mãos nos participantes de uma tocaia facilitaria o caminho até seu mandante. A única pessoa que desperta a atenção de Kallinger, contudo, é uma jovem. Terminando um cigarro, ela o olha fixamente. Parece esforçar-se para reconhecê-lo. Assim que o faz, livra-se da bituca e entra apressadamente na loja em que trabalha.

Kallinger lembra do local onde começou de fato o conflito que acabaria com Thomas Evans estirado em uma ruela dos arredores. A garota é a “namoradinha” que Kroll arranjou nos cinco minutos em que esteve lá.

Fingindo interesse por algumas peças, Kallinger logo percebe que a garota está nervosa. Investe seu tempo em uma conversa com uma colega na esperança de que ele deixe o local. Percebendo que outros funcionários o reconhecem devido ao incidente do dia anterior, resolver abordar Melinda Barton de uma vez.

Kallinger – Espero que o inconveniente de ontem não lhe tenha criado problemas.
Barton – Não, na verdade estava preocupada. Não queria que as coisas parecessem estranhas. Gostaria que seu amigo ligasse.
Kallinger – Ele vai convidá-la para jantar. E eu pagarei a conta, como um pedido de desculpas.

A gentileza inesperada a deixa satisfeita.

Kallinger compra uma camisa. A transação leva tempo o suficiente para que entre no assunto de seu real interesse.

Kallinger – Aquele homem que causou o inconveniente… Foi tudo muito estranho. Apenas passei aqui para ver se estava tudo bem.
Barton – Sim, é verdade. A polícia esteve aqui. Soube que ele acabou sendo surrado em uma rua perto daqui. Aposto que ele incomodou alguém.
Kallinger – Assim como fez conosco.
Barton – Ele deve ter encontrado pessoas menos educadas e teve o que mereceu.

Kallinger se despede de Melinda Barton certo de que a principal testemunha dos eventos na loja aguarda apenas uma ligação de Kroll para garantir o depoimento favorável de que eles eventualmente necessitarão.

Cena 05 – Criando um Aliado

Cutler – Olá, Tom. Vocês recebem muitos clientes aqui?
Tom – Não muitos, mas acho que o suficiente. O Sr. Claude nunca atrasou meu pagamento.
Cutler – E como são as pessoas que vem comprar as máscaras?
Tom – Geralmente são pessoas bonitas e com carros grandes.
Cutler – Há quanto tempo você trabalha aqui, Tom?
Tom – A vida toda. Não lembro de ter trabalhado em outro lugar.
Cutler – A vida toda?
Tom – É, uns três anos já, eu acho.

Cutler percebe que o garoto não está sendo de todo sincero.

Cutler – E a sua família?
Tom – A minha família é o Sr. Claude.
Cutler – E você não gostaria de ter um emprego melhor? Na sua idade eu ganhava mais vendendo livros.
Tom – Sério? Puxa, e eu ainda preciso cuidar do Sr. Claude, o que dá um trabalhão às vezes.
Cutler – Posso deixar um cartão com você?
Tom – Sim, eu gostaria muito. Obrigado. E pode deixar que eu não vou falar nada sobre essa conversa.
Cutler – E você não vende máscaras sem ele saber? Sabe, de vez em quando.
Tom – Não! Eu nem posso tocar nelas. O Sr. Claude não deixa.
Cutler – Ah, o que é isso. Máscaras são apenas máscaras, Tom.

Tom fala em voz baixa, como se a confissão que faz demandasse um alto grau de confiança.

Tom – Uma vez só eu peguei uma das máscaras. O Sr. Claude ficou tão bravo por isso… Elas são esquisitas. Eu não gosto de nenhuma delas.

Cutler segue a conversa com o garoto, agora em tom mais leve. Faz o possível para ganhar a camaradagem de Tom enquanto reflete a respeito dos possíveis benefícios dessa relação.

Cena 06 – Onde Faces são Feitas

Potes com líquidos aquecidos, tinturas variadas, penas coloridas e pós brilhantes espalhados junto de máscaras parcialmente concluídas e antigos moldes abarrotando prateleiras que expõe toda a beleza rústica de um trabalho puramente artesanal.

Deitado em uma cadeira semelhante a dos dentistas, Kroll observa os arredores antes que o Sr. Claude derrame sobre sua face a mistura que resultará no molde. O processo todo não demora mais do que uns poucos minutos.

Retirando resquícios do material argiloso e quente da face, Kroll observa a destreza com que o artífice movimenta-se no espaço em que é soberano. Mas é arte de outra natureza que captura o seu olhar: um conjunto de folhas retratando cenários oníricos.

Kroll – O que são essas paisagens?
Claude – Paisagens?
Kroll – Sim. Desenhos em folhas sobre a mesa.
Claude – Ah, Tom não deveria ter deixado isso aí. Não são nada. Retratos de uma lembrança, apenas.
Kroll – Quer dizer que o senhor não foi sempre cego?
Claude – Isso não tem importância, Sr. Nolan. Creio que terminamos aqui. Queira me acompanhar, por favor.

Detalhes de entrega e valores são acertados rapidamente. Nem Kroll nem Cutler podem deixar de notar quão desinteressando o artesão se torna assim que o molde esfria.

Cena 07 – Algumas Indagações

Durante aquela tarde e ao longo da manhã seguinte Kroll e Cutler levantam todas as informações possíveis a respeito do Sr. Claude. Phineas é o seu primeiro nome. Esperam que isso possa ser de alguma valia para compreensão de quais são os interesses do artífice e de que forma ele estaria implicado nos estranhos eventos recentes.

Kallinger, por sua vez, dedica seu tempo a tentar aproximar o Centro de Epidemiologia Clínica e Bioestatística da Universidade da Pensilvânia e o Departamento de Polícia da Filadélfia. Ele tem cada vez mais importância no primeiro, e espera conquistar igual relevância no segundo, especialmente dentro da área forense, onde tem conhecidos. Entretanto, descobre que sua reputação não é o suficiente para despertar o interesse do responsável pelo Centro. Ainda lhe falta a desenvoltura para penetrar nas brechas da burocracia que sustenta uma entidade gigantesca e centenária como a Universidade da Pensilvânia.

Sábado, 23 de janeiro

Cena 08 – Diana Gottlieb

– Quando se elimina o impossível resta a verdade, ainda que improvável. E essa irritante palavrinha define nada mais do que algo à espera de observação mais atenta.

Com essa observação Diana Gottlieb dá o estímulo final à curiosidade de Charles Kallinger, já aguçada por um e-mail que a psiquiatra enviara na noite anterior. Nele, apontava uma série de casos que guardam estranha semelhança com aquele experimentado por seu paciente e os dois amigos: histórias de pessoas presas em quartos vazios.

Kallinger está muito interessado, mas não garante que Kroll ou Cutler tenham disposição para a realização da série de exames que ela propõe. O professor pondera a respeito de quem teria fornecido a Gottlieb as informações apresentadas…

Mais tarde ele apresentaria a proposta a Cutler e Kroll como uma alternativa científica ao ocultismo na busca por compreensão do espantoso evento que protagonizaram.

Cena 09 – Mais Pesquisas

As notas fiscais fotografadas no Por Trás da Máscara resultam em um nome: Alyson Cote. Pesquisa posterior revela uma bela mulher, possivelmente acompanhante de luxo, cuja aparência remete à descrição feita por Tom de uma das clientes do Sr. Claude.

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O vídeo e o texto publicados por Kroll produzem algumas respostas. Duas delas, do mesmo autor, chamam atenção:

– Festinha do caralho, hein? Aposto que é isso que esse pessoal da alta roda fica fazendo nos subterrâneos dos seus clubinhos caros!

– Está todo mundo venerando esse cara. Parece o “Deus Pagão do Couro”.

Kroll entra em contato através de um e-mail seguro com o autor dos comentários: “Já vi pessoas utilizando o mesmo traje. Hoje elas não estão muito bem. Sabe de alguma coisa a respeito?”.

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Hector Soto era um pequeno negociador responsável pela entrega a Kroll do traje negro que agora é o centro de suas preocupações. Apesar de ter passagem pela polícia, não parecia ser alguém perigoso.

Com Dwight Dickson o caso é diferente. Uma série de registros criminais, inclusive uma tentativa de estupro, está relacionada a ele. Suas últimas semanas antes do atropelamento rechearam algumas páginas policiais.

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Cutler – Claude vendeu uma máscara para alguém que agora está tentando ferrar a gente. Ele é o elo.
Kallinger – E essa mulher, Alyson. É uma das que está na orgia?
Kroll – Pode apostar que essa puta está envolvida.
Kallinger – Da mesma forma que o brutamontes que espancamos.
Kroll – O telefone dele tinha um número. Está registrado em nome de um clube noturno famoso: Priceless.

Cena 10 – Toque Íntimo

Naquela noite, John Kroll vai ao encontro de Melinda Barton. Espera ter uma noite comum e saudável, onde ninguém morrerá, não haverá traumas nem nada esquisito. Apenas algo normal entre pessoas normais.

Melinda sugere uma ida ao cinema. Ao contrário das grandes redes, escolhe um antigo casarão reformado. Algo mais artístico e intelectual do que Kroll poderia esperar dela. O filme, A Secretária, faz com que menos de um quinto da pequena sala de projeção seja ocupado.

A trama expõe a relação sadomasoquista entre uma jovem que recentemente deixou um hospital psiquiátrico e seu patrão. No meio da sessão a até então recatada senhorita Barton começa a apalpar a ereção que sequer o próprio Kroll percebera. Habilidosa, o estimula a ponto de seus gemidos apenas serem sufocados pelos do casal de protagonistas.

Ao longo do restante do filme, e mesmo depois da sessão, Melinda se comporta como se o momento íntimo não tivesse ocorrido. Kroll, porém, quer mais. E com um pouco de bebida e as palavras certas, consegue fazer com que a moça o leve até sua casa. Lá, infeliz surpresa, descobre que o momento de singela devassidão no cinema era o prelúdio para uma trepada não mais do que convencional.

Cena 11 – O Priceless

A noite do Priceless é uma das mais disputadas e exclusivas da Filadélfia. E nas ruas, circulando centenas de cavalos de potência sobre rodas de liga leve, ou nas calçadas, desfilando sobre saltos impossíveis, estão todas as sugestões de que precisa uma imaginação ávida por imagens de sexo, poder e diversão.

Cutler e Kallinger são estranhos a esse mundo. Não tanto quanto o jovem mirrado que distribui panfletos da Casta Ordem – um grupo religioso conservador – com opiniões a respeito de algumas atividades que o Priceless é famoso por abrigar, mas ainda assim, estranhos.

Inicialmente, tentam entrar no clube sem passar pela fila, iniciativa rechaçada por um segurança enorme capaz de descaso idem. Durante a hora seguinte buscam identificar Alyson Cote em meio ao enorme contingente de pessoas que por ali circula, do que acabam por desistir.

A fortuna, em vestido curto o bastante para derreter a neve daquela madrugada gélida, pisca para eles após duas jovens serem abordadas. Também elas desejam entrar. Uma delas, inclusive, conhece Alyson.

– Ela veio acompanhada… Mais cedo!

Jennifer e Lisa sorriem como se revelassem um segredo sacana.

Em companhia de belas mulheres, Kallinger e Cutler entram no Priceless.

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13 Respostas

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  1. Kallinger said, on 12/02/2010 at 13:47

    – É Maroni, entramos. Vê se segura uma garrafa por perto sempre, to achando que vamos sair no bochaço com um desses leões de chácara quando tentarmos falar com a putinha loira.

  2. L. Maroni said, on 12/02/2010 at 13:49

    Vamo baixa uma garrafa de whisky então…costuma ser mais resistente.

  3. Kallinger said, on 12/02/2010 at 13:52

    – Parece bom. Quem sabe se a gente der um trago nessas duas aqui a gente já tem mais um motivo pra sair daqui. Vamos chegar perto da Alyson daqui a pouco, com as duas amigas dela por perto. Eu enrolo quem estiver por perto e tu fala com ela. Alguma ideia de conversa ou vai chegar no tijolaço mesmo?

  4. Carlos Hentges said, on 12/02/2010 at 13:54

    Quero ver quem vai ser o primeiro a tentar provar que não apenas o Kroll é bom com as mulheres…

  5. L. Maroni said, on 12/02/2010 at 13:55

    Se chegar de sola vamos sair antes de descobrir algo que preste. Pelo que sabemos ela chegou acompanhada. Temos que ver quem é o palhaço antes. Isso podemos perguntar pras nossas camangas.

  6. Kallinger said, on 12/02/2010 at 13:58

    Essas aqui devem facilitar tudo com dinheiro na jogada. Só falta acertar quanto. Bom, vamos beber e ficar no bico do palhaço que ta pagando a Alyson. Whisky garotas?

  7. Carlos Hentges said, on 12/02/2010 at 13:59

    AHahahah… É verdade. Para dar bola para vocês, só sendo de péssima índole e pouco bom-senso.

  8. L. Maroni said, on 12/02/2010 at 14:00

    tá cagando teu proprio blog. usa teus poderes e apaga

  9. Carlos Hentges said, on 12/02/2010 at 14:01

    Que nada! Deixa aí. Assim fica parecendo que eu tenho algum leitor. Jogador também conta!

  10. Carlos Hentges said, on 12/02/2010 at 14:02

    É o preço que se paga por ter o MSN cortado no trabalho!

  11. L. Maroni said, on 12/02/2010 at 14:08

    O cara paga caro pra entrar nesses locais e ainda tem que aguentar esses manguaceiros chatos hein Kallinger. Vamos tentar deixar essas duas ligeiras um pouco mais altas então.

  12. Kallinger said, on 12/02/2010 at 14:11

    Vai metendo whisky nelas… Vamos ver quanto aguentam até começarem a falar mais da “festinha”…

  13. L. Maroni said, on 12/02/2010 at 14:25

    To que nem melancia verde hoje. Louco pra faze mal pra alguém.


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