The Truth's For Sale

Diários de Guerra II – Ubermen

Posted in GURPS, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 27/11/2009

Digam o que quiserem, mas Eisenhower é um idiota. A prova é que escrevo isso depois de ter saído dos Estados Unidos, desembarcado na França, passado pela Inglaterra e saltado na Dinamarca. Se eu não tivesse visto tanta gente morrer ao longo do processo, ignoraria a guerra para dizer que sou um turista a passeio. Com o talão de cheques assinado em branco para bandagem, munição e carnificina.

O treino de pára-quedismo foi extremamente duro. Nos ensinaram em duas semanas o que alguns soldados levam dois anos para aprender. Táticas de guerrilha e movimentação além das linhas inimigas entraram no pacote. O sargento inglês responsável, Montgomery Jones, tinha o pior senso de humor do mundo, mas sabia o que estava fazendo. Quanto a nós, depois de sobrevivermos ao desembarque, querem saber se agüentaremos uma queda de um quilômetro pendurados em um vestido enorme. Devem achar que depois da Normandia nada pode nos matar.

Eu sou médico. Estudei para isso a minha vida toda. Mesmo estando há pouco tempo aqui já vi sangue o suficiente para afogar uns cinco cirurgiões de uma cidade como Nova Iorque. Porém, não existe modo de estar preparado para o que eu vi há pouco…

John Martin, o Bomber, assim como todos os outros, é um tacanho truculento. Isso não o impediu, porém, de tentar estabelecer-se como líder do grupo assim que nos livramos dos pára-quedas. “Muito bem, vá em frente, capitão”, eu disse para ele. Por mais que eu odeie estar aqui, eu sei que vou sobreviver. Não tenho a mesma certeza a respeito de alguns do nosso grupo. Bomber e Matrix, o Padre, um parvo que esconde no silêncio seu óbvio déficit mental, voltarão enrolados em uma bandeira.

Eles estão cultivando pessoas. Ou melhor, soldados. Eles não querem que as coisas que estão crescendo dentro de cilindros metálicos pensem. Basta que empunhem uma arma e matem. Era isso que transportava o caminhão que abordamos na Dinamarca, e era isso que o bunker sendo evacuado guardava em sua sala mais profunda. Não sei quantas granadas nós jogamos naquilo. Meia dúzia, talvez. Não foi o bastante. Continuava avançando em nossa direção. Um arremedo de ser humano. Apenas o desabamento de toda a estrutura foi o suficiente. Agora, nós dirigimos por estradinhas da Dinamarca um caminhão com outros daqueles. Na minha frente está um relógio. Ele marca que algo irá acontecer em algumas horas. Eu espero o pior para todos nós…

Anotações de Jack Thompson, do 82º Batalhão de Fuzileiros dos Estados Unidos da América, baseado na Dinamarca.

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