The Truth's For Sale

Diários de Guerra I – Juntando Pedaços

Posted in GURPS, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 09/11/2009

Apenas oito de nós sobreviveram ao desembarque. Ninguém fala, mas todos estão felizes por isso. Por serem a metade do pelotão que ultrapassou a praia. Para quem cresceu acreditando em Deus, é difícil aceitar que essa é uma conta justa…

Ninguém aqui me chama pelo nome. John Matrix ficou em Boston. Na Normandia, eu sou O Pastor. Ou O Padre. Os católicos não percebem a diferença. Não acho que tenha muita importância também. Acho que me chamam assim por causa da Bíblia. Eu cito ela de vez em quando. Ajuda a tornar as coisas mais fáceis. Como quando passamos por um campo em que a terra foi toda remexida pelos bombardeios. Me lembrou aquela passagem em que Deus destrói uma cidade inteira, cheia de infiéis.

Hoje eu atirei em um alemão pela primeira vez. Eu atirei em outros no desembarque, mas desse eu vi os olhos antes de puxar o gatilho. Eu ia escrever soldado, ou nazista. Mas escrever alemão me parece mais digno. Se possível, é melhor não dizer algo ruim sobre alguém que agora está morto. Eu sou um soldado agora, mas não acho que isso seja bom o tempo todo.

Retiro o que escrevi acima. Ontem eu vi um oficial da SS se deitando com uma menininha. Ela não tinha dez anos. Eu ainda socorri ele depois que o Mad Dog acertou o braço dele. Para interrogar. Foi estúpido. Pela primeira vez eu realmente vi o inimigo. Entendi o que diziam sobre os nazistas durante o treinamento. Eu não vi quem tirou o cinto que estava impedindo o sangramento do oficial da SS, mas esse soldado fez a coisa certa. Acho que nenhum homem jamais vai querer se casar com aquela menina. Tenho pena dela.

Mad Dog é com quem eu converso mais. Eu sou o batedor. Então, costumo andar na frente. O Mad Dog é um tipo que gosta de ação. Nunca hesita e parece sempre pronto para acionar o gatilho. É o tipo de cara certo para se ter por perto nessa situação.

O pessoal do batalhão gosta de fazer piadas. Cada um relaxa do seu jeito. Eu nunca gostei muito de piadas, então, não rio delas. Fox, nosso Sniper, apareceu com o rosto todo cortado e chamuscado. Um fuzil alemão explodiu na cara dele. Um Mauser, eu acho. Quando ele explicou o que aconteceu, todos riram. Ele podia ter ficado cego, ou ser um a menos.

Anotações de John Matrix, do 82º Batalhão de Fuzileiros dos Estados Unidos da América, baseado na Normandia.

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