The Truth's For Sale

O Interrogatório de Peter Stubb

Posted in Ideias Estranhas, RPG by Carlos Hentges on 28/10/2009

Interrogatório de Peter Stubb, conduzido em 25/03/2009. Presentes com o suspeito o tenente Herbert Kauffmann, o detetive Erik King e o agente especial do FBI Dennis Bryson, na qualidade de ouvinte. Interrogatório iniciado às 4h28min.

KING: Tudo bem, Pete?

STUBB: Peter. É Peter. Sempre Peter.

KING: Desculpe, Pete.

KAUFFMANN: King …

KING: O quê?

KAUFFMANN: Nada.

KING: Certo. Vamos adiante com isso. Peter, me disseram que você deu uma declaração ontem, na qual confessou os assassinatos de Emma Bradbury, Bethan Cowles, Hannah Cole e Cheryl Lewis.

STUBB: Isso mesmo.

KAUFFMANN: Por que confessar, Peter?

STUBB: Porque eu fiz isso. Porque eu preciso de ajuda. Preciso de ajuda. Eu não sabia o que eu estava fazendo.

KING: Você não sabia?

STUBB: Eu era um lobo.

KING: Você era um lobo?

STUBB: Isso mesmo.

KING: Você sabe que há uma multa por desperdiçar o tempo da polícia? É uma ofensa criminal.

STUBB: Não. Eu fiz isso. Eu sou um lobisomem.

KING: Ah, não fode.

KAUFFMANN: Detetive King!

KING: O quê? O quê?

KAUFFMANN: Peter, você tem que explicar isso. É um pouco difícil de acreditar.

STUBB: Me transformo em um lobo durante a noite. Um realmente grande. Do tamanho de um touro e quase tão forte. E eu tenho garras como facas de bife e pés enormes. E eu tenho enormes olhos que iluminam tudo. Como faróis.

KING: Como faróis?

STUBB: Você só vai repetir tudo o que eu disser?

KING: Cuidado, raio-de-sol…

KAUFFMANN: Vá em frente, Peter.

STUBB: Eu sei o que estou fazendo. Eu simplesmente não posso controlar. Então, quando vejo uma mulher – quando sou um lobo, ou seja, eu não faço isso quando eu sou um homem – eu preciso devorá-la. Eu acordo com a boca cheia de sangue, há quilômetros de casa. Sem qualquer roupa.

KING: Faça-me um favor…

KAUFFMANN: Como exatamente você aprendeu a mudar para um… lobisomem, Peter?

KING: Eu sei essa. Ele foi mordido por um lobisomem. É como uma doença, entendeu?

STUBB: Eu fui até uma fronteira.

KING: Uma fronteira?

STUBB: Aqueles que são como eu acabam se transformando em lobisomem nesses lugares.

KING: Como assim aqueles? Quer dizer que têm mais?

STUBB: Sim. Vários. Estão em todo o lugar. Apenas um lobisomem pode ensinar outro como cruzar uma dessas fronteiras.

KING: E o que isso tem a ver com o Lincoln Park?

STUBB: É lá, na praia, que eu consigo atravessar para o outro lado.

KING: Quer dizer, então, que você atravessa essa tal fronteira no Lincoln Park e vira um lobisomem. Então, você sai por aí e mata mulheres…

STUBB: Sim.

KING: E você não consegue simplesmente parar de ir lá, deixar de ser um lobisomem e ter uma vida normal, como todo mundo que não uiva para a lua?

KAUFFMANN: King!

KING: OK! Vamos lá, então… Qual delas morreu primeiro?

STUBB: A ruiva foi encontrada antes. Os jornais deram a notícia primeiro. Mas foi a loira. A loira alta. Eu matei ela antes. Então a morena, então a outra loira, a pequena.

KAUFFMANN: O que…?

KING: Certo. Tudo bem. E como foi que você matou a primeira?

STUBB: Eu usei meus dentes e garras. Eu segurei ela no chão e ela lutou. Rasguei e mordi e arranhei até que ela parou de se mover, e então eu comi o coração dela.

KING: E então você bebeu seu sangue.

STUBB: E então eu bebi o sangue dela, sim.

KING: Bem, Peter, isso é meio que engraçado, porque o corpo Bethan Cowles não apresentou ausência de órgãos internos, e não teve o sangue drenado. E confiem em mim, eu estava lá, e eu sei como é que um corpo sem sangue parece. Não é bonito.

STUBB: Mas eu estou lhe dizendo…

KING: Não, eu estou lhe dizendo, Sr. Stubb. Você não a matou.

STUBB: Eu fiz! Eu fiz! Eu matei todas elas!

KING: Tudo bem, então. Vamos falar de Hannah Cole.

STUBB: Qual delas?

KING: A ruiva.

STUBB: O que tem ela?

KING: Onde você deixou o corpo?

STUBB: Ao lado da estrada, debaixo de um arbusto.

KING: Ela estava dentro de um armário. Tudo bem, então. E Emma Bradbury, a outra loira? Onde você levou-a depois que atacou-a fora da boate?

STUBB: A um estacionamento.

KING: Não. No metrô, perto dos escritórios do Chicago Tribune. Que tal Cheryl Lewis? O que você fez com seu celular?

STUBB: Eu joguei no lago.

KING: Não. Você o esmagou sob seus pés. Você não matou essas mulheres, Peter.

STUBB: Eu fiz. Eu me lembro, claro como o dia.

KAUFFMANN: O seu exame de drogas deu positivo, Peter. Alucinógenos… Encontramos grande quantidade em sua casa.

STUBB: Eu estou dizendo…

KING: Cale a boca. Você não matou aquelas mulheres. Você não é um lobisomem. Está apenas querendo atenção. Eu não vou acusar você por assassinatos que não cometeu.

KAUFFMANN: Peter Stubb, estou prendendo você por posse com intenção de fornecer. Você não precisa dizer nada, mas qualquer coisa que você disser poderá ser usada como evidência. Você entendeu?

KING: Para fins de registro, recomenda-se que Peter Stubb passe por uma avaliação psicológica. Parece que o pessoal do Bishopgate vai ter trabalho com esse aqui.

Traduzido e adaptado a partir de trecho do livro Spirit Slayers, suplemento de Hunter: The Vigil, parte do World of Darkness, todos editados pela White Wolf.

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