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Crônicas Hiborianas – Nona Edição – Algo Perverso está a caminho

Posted in GURPS, Mutantes&Malfeitores, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 16/10/2009

Crônicas Hiborianas – GURPS e M&M. Dois Sistemas, Dois Jogadores, Dois Mestres.

Nona Edição: Algo Perverso está a caminho

Capítulo 1: Exigências.

Conan volta para Numália em companhia de Amalric, sendo recebidos como heróis por seus pares. O próprio comandante geral das tropas, Heráclito, se faz presente na festa de retorno dos sobreviventes e feridos. Bebem em homenagem as cicatrizes conquistadas e aos corpos esquartejados das crias saídas das entranhas da terra.

Após alguns dias, quando está completamente recuperado dos ferimentos, e já desempenhando suas tarefas corriqueiras no grupo, Conan lê durante a noite. Seu mais novo interesse cresce diariamente, e só o aço e as mulheres conseguem atrair mais a atenção do Cimério. Entretanto, no meio da noite, alguém adentra sua tenda, localizada no acampamento dos Aventureiros, dentro da cidade. Sua aparência pútrida escondida por um manto é revelada quando o ser estende a mão e larga um pergaminho sobre a mesa. Conan, de espada em mãos, indaga:

– Quem és tu, cão pustulento?!
– Meu Mestre exige que lhe seja entregue aquele que causou dor e
O Purulentosofrimento aos seus discípulos…

Conan está atônito. “Por Crom, arranquei o coração do feiticeiro e ele ainda envia suas bestas?”. A confusão não atormenta tanto os sentidos do bárbaro, que vê aquele homem pútrido saindo da sua tenda e desaparecendo na escuridão.

Amalric está tratando de problemas burocráticos quando Conan entra em sua tenda. A situação é explicada, e o pergaminho, já lido por Conan, é passado para seu comandante. Ele não entende de quem se trata, mas sabe que se refere a ele ou a Conan. Gritos são ouvidos no acampamento. Ordens são dadas. Espadas são embainhadas.

– Conan, junte alguns homens e parta em diferentes rumos. Procure algo nas cercanias da cidade. Isto não pode ser verdade, se não já teríamos visto.
– Tem que ser um blefe, Amalric.
– Este é seu ponto de vista. Parece haver outro.
– Aquele que tinha outro ponto de vista jaz sem coração. O meu triunfou.
– Assim espero.

O Cimério não questiona, assim como os homens que são escolhidos. Quatro grupos de cinco com cinco dos Aventureiros da Nemédia cada um rumam para norte, leste, oeste e sul. Aquele que parece ser o destino mais perigoso é o rumo de Conan, como não poderia deixar de ser. Uma planície é cortada pelos cinco corcéis. No final dela, uma pequena inclinação, com cerca de 30 metros, esconde rugidos. Não há bestas na área, e mesmo se fosse, seu instinto as preveniria de atacar cinco homens.

O bárbaro se aproxima e com seus olhos de coruja durante a noite observa uma cena grotesca: vários seres como aquele estão em uma espécie de leito de amaldiçoados. Pessoas que morreram e não tiveram a honra de serem queimadas, esquecidos neste mundo, segundo a crença Ciméria. Ele ordena que os outros quatro voltem e chamem ajuda. Escondendo o cavalo, ele parte para mais perto. Entre as árvores, consegue observar que são todos como o leproso que veio horas antes até sua tenda. Barulhos de galhos quebrando alertam a chegada de alguém, e o topo de uma árvore é seu melhor esconderijo.

Para sua consternação, o Devorador de Almas surge do meio das árvores, seguido de mais daqueles discípulos malditos. Vários corpos se levantam da terra e saem de seus túmulos. Ele parte dali com duas centenas de homens, rumando para o sul, onde há mais daqueles campos de amaldiçoados – agora mais amaldiçoados ainda.

Capítulo 2: Hoje pintamos o céu de vermelho, libertando os amaldiçoados para lutar!*

Amalric encontra Conan retornando para a cidade, agora ciente de que realmente há uma ameaça. O que ele viu é relatado e deve ser passado para Heráclito.

O Capitão da guarda não fica nenhum pouco contente de ser importunado durante a tranqüila noite de sono, mas por já ter sido um soldado, entende a situação. Conan conta novamente o ocorrido. O Capitão lê o pergaminho e ordena que o Cimério vá falar com Alcímedes, o ancião da biblioteca do Palácio.

Alcímedes DumbledoreLá chegando, um homem que aparenta ser mais velho que o castelo, está acordado no meio da madrugada, debruçado sobre pergaminhos e um grande livro. Conan não imaginava que houvesse locais de tanto conhecimento arquivado, mas os rumores de que os sábios da Nemédia são os que concentram maior conhecimento em todo o mundo parece ser verdade. O soldado que acompanha Conan se despede e não entra, deixando-os a sós.

– Entre homem. O que deseja de um velho no meio da noite?
– Heráclito me mandou. Temos um problema fora da cidade. Os mortos se levantam e ameaçam atacar.

Ele não parece muito surpreso. Conan se pergunta se ele, com 19 anos, já viu todas as desgraças e degenerações que ainda não acredita, o que este velho já não presenciou? Procurando um livro antigo ele fala dos métodos efetivos para tentar matar o que já está morto. Sem a cabeça eles caem de vez. Conan irá testar o método. Continuando, o nortista alerta para a presença de um líder, descrevendo o imponente ser que veste aquela armadura. Agora a atenção de Alcímedes parece maior. De um enorme livro ele retira um pergaminho e uma faca, que para os olhos do bárbaro mais serve para amanteigar um pão de um nobre do que para uma batalha.

– Lendo isto, bárbaro, terás alguns instantes que ele não poderá lhe afetar tanto. Nesse momento crave a adaga em seus olhos, no vão de seu elmo.

Conan sente o peso da arma e avalia seu preço. Se ela não servir para o que o velho diz e ele conseguir fugir, parece ser uma fonte de sustento temporário. Agradecendo o tempo ele parte.

No pátio, Heráclito grita ordens para fortificar os muros da cidade. Na manhã seguinte haverá uma assembléia para decidir o que será feito. Conan reage:

– Conversar? É isso que querem fazer? Enquanto há um exército fora dos seus portões?
– As regras aqui diferem um pouco das da Ciméria, Conan.
– Suas regras serão sua destruição!

Capítulo 3: Negociações.

No início da manhã os nobres são reunidos para passar os acontecimentos recentes ao Barão e ouvir sua decisão final. Um dos presentes toma a palavra e sugere proteger a cidade, entregando aquele que é solicitado, Conan! Este, em um acesso de raiva, interrompe a conversa e grita:

– E o que acha que acontecerá com essa cidade depois de ter me entregue? Que eles apenas partirão? Vocês serão adicionados ao exército dele para seguir adiante. Precisamos lutar!

As palavras secas do bárbaro causam cochichos na sala, talvez de desespero por alguém finalmente ter dito a verdade, e de forma tão crua. O Barão chama alguns homens, e após ouvir Heráclito defender Conan e repreender veementemente o conselho dado por aquele nobre metido, solicita que Conan se aproxime.

– Suas proezas no leste, juntamente com Amalric, chegaram aos meus ouvidos, bárbaro. Soube também que conversaste com Alcímedes durante a noite. Podes me julgar incapaz de governar pela minha jovem idade, mas eu confio nele. Seja lá o que ele lhe disse, eu acatarei.
– Então lutaremos, Senhor. E espero ter sucesso para que se torne alguém digno de governar esta cidade.

A reunião é interrompida por um soldado que entra e diz que há um deles no portão, aguardando uma resposta. Conan irá começar as negociações.

Saindo por um portão lateral, ele ruma até o pustulento que está entre as casas já evacuadas dos camponeses.

– Então, bárbaro, decidiu se entregar ao meu Mestre?

DecapitaçãoComo seu pai lhe ensinara muito tempo atrás, Conan confia só em uma coisa: no aço! É com ele que as negociações são encerradas. A cabeça do morto-vivo voa, e o corpo cai, desta vez sem vida de uma vez por todas. O método de Alcímedes funciona. Ele avista no horizonte um grande homem sobre um corcel negro. Ele dá uma ordem e cornetas ressoam. Um exército se aproxima. Retornando para a proteção das muradas sob grande ovação, Conan orienta os homens para acertar no pescoço.

Capítulo 4: Homem contra Demônio. Aço contra Feitiçaria!

O portão não dura muito tempo. Correntes são trazidas por alguns daqueles seres, que se mostram completamente indiferentes as tantas flechadas recebidas, e presas aos portões. Do meio da massa de aproximadamente 5.000 que se aproxima, bestas que parecem ter recebido um casco dos deuses sobre suas peles e um enorme chifre em seus focinhos, puxam. O portão cede.

Heráclito ordena uma formação em elipse dentro dos portões, e as Manjarconstantes ondas de mortos que entram são rechaçadas. Uma ofensiva com esqueletos dotados de uma espada grande tal qual as dos Aventureiros da Nemédia causa mais problema. A cavalaria entra em combate, saindo da proteção dos muros, mas atropelando aqueles inimigos frágeis aos cascos dos grandes cavalos.

O Devorador se aproxima, derruba um dos cavaleiros e transforma uma aura daquele ser em uma espécie de verme, que é engolida. Aos olhos de Conan, isto serve de estímulo aos homens que lutam, já que aquele cavaleiro assume uma composição cadavérica e parece ter trocado de lado.

Entretanto, o enorme ser de armadura negra parte rumo aos portões. As inúmeras flechas rebatem em sua armadura como pedras jogadas contra um Deus, e Conan ordena que o cavalo seja atingido. Pouco depois de passar pelos portões, o corcel cede. O Cavaleiro Negro desaba no chão e os homens Derrocadase afastam. Só Conan fica. Já era hora de separar os homens das crianças.

Terminando de ler o pergaminho assim que seu inimigo caiu do cavalo, Conan se prepara. Um violento golpe é desferido pelo Devorador, arremessando Conan contra uma casa de barro e destruindo a porta com o choque. Mas isso não é o bastante. O bárbaro levanta-se ensandecido e uma seqüência de golpes é trocada, até que o gigantesco inimigo oferece a chance perfeita e é atingido entre os olhos.

Uma fenda se abre no chão, e por mais que Conan tente segurá-lo, não consegue. Na escuridão das entranhas da terra o Devorador desaparece, e por enquanto, a cidade está salva.

* Trecho da música Pure Evil, do álbum Night of the Stormrider, da banda Iced Earth: “We paint the sky with blood tonight, Setting free the damned to fight”

Crônicas Hiborianas:
Sistema: GURPS
Narração e Texto: Carlos Alexandre “Gói” Fedrigo
Conan: Carlos Hentges

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Uma resposta

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  1. alexandre said, on 17/10/2009 at 10:07

    Muito bom. Continue o trabalho.


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