The Truth's For Sale

Hunter: The Vigil – Obliteração

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 28/09/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 12 – Obliteração

so near
so close
something bad is seen
but I
seem to be
the only one that can see
there is a darkness coming

Katatonia – Tonight’s Decision – A Darkness Coming

2009, 26 de Março

Cena 01 – Na Cadeia

Em sua cela, Jonathan Trager se pergunta por quanto tempo ficará ali. De um lado, um sonolento e ruidoso prisioneiro exala forte odor de álcool. Do outro, um homem pequeno e de aspecto doentio encara os seus sapatos.

– Andou pelo parque?
– Como?
– O Lincoln Park. Esteve lá, não é? Os seus sapatos. Estão sujos de terra.
– Sim, me pegaram lá.
– Eu também.
– Há quanto tempo está aqui?
– Três dias.
– Três dias? Por vaguear pelo parque?
– Não. É porque eu confessei.
– Confessou?
– Sim. As mortes. As quatro. Eu matei elas todas.

Afastando-se das grades, Trager se pergunta quanto mais vai demorar até que o advogado, qualquer advogado, apareça.

Cena 02 – Visita Insólita

Karl Krueger é despertado pela lembrança da dor. Sua carne parece ser novamente lacerada. Ao abrir os olhos, percebe que uma mulher reclinada sobre ele lentamente remove as bandagens que cobrem o ferimento junto ao pescoço. Ainda sob efeito de medicamentos, mal tem forças para afastar a estranha. As luzes apagadas permitem apenas vislumbrar o contorno do corpo esguio sob as roupas próprias para o frio de março. O botão de emergência, bem como todos os outros aparelhos, não funciona. Com um marcante sotaque francês, ela dirige-se a Krueger.

– Não se excite demais. É óbvio que seu corpo frágil ainda não recuperou-se.Madeleine

Investindo contra Krueger, ela o domina, segurando seus pulsos com uma força inesperada. Lentamente, ela reclina-se na direção do pescoço ferido. Krueger sente o contato áspero com a língua que suga suas lesões.

– Me desculpe por isso, meu bem. Deixe-me compensá-lo pelo constrangimento, ela diz, enquanto limpa os lábios com as costas da mão.

Impotente, Krueger vê a nova aproximação da estranha. Ela pousa as mãos sobre seu peito. Palavras suaves são pronunciadas, como numa oração. É a mesma linguagem que ele ouviu quando Jerry Detwiller e Judith Nadler usaram o Origens do Rei Amarelo na Universidade de Chicago.

– Pronto. Isso vai ajudá-lo. A propósito, deixei uma chave sobre a cômoda. Ela abre uma porta que você gostaria de atravessar. Ah! Ia esquecendo. Peça ao seu amigo, Jonathan, desculpas pela bagunça que fiz em seu apartamento. Até logo!

Tão silenciosamente quanto entrou, a mulher deixa o quarto. Assim que atravessa a porta, as luzes e os aparelhos voltam a funcionar.

Cena 03 – Breves Encontros

Ao chegar no Hospital do Noroeste, Lucy O’Hara recebe a informação, não sem um laivo de ironia, de que às quatro horas da manhã visitas não são permitidas.

– São permitidas para quem tem um distintivo!

No elevador, a oficial depara-se com uma mulher de feições estranhamente familiares. Com quem ela se parece? Seria com aquele canadense petulante, Luc? Preocupada com a situação de Krueger, ela rapidamente afasta o pensamento.

– O que você está fazendo aqui? Não lhe disse para tentar ajudar Trager?

Em silêncio, O’Hara deixa o quarto e entra novamente. Parece que a insônia está acabando com o humor de Krueger.

– Pronto, agora podemos começar novamente. Como você está?
– Estou bem, apenas não consigo dormir. Falou com Trager?

O’Hara percebe que o curativo de Krueger esta parcialmente descolado.

– Ainda não. Ele foi preso.
– Se ele abrir a boca, todos nós estamos perdidos.
– Eu vou falar com ele. Descobrir o que aconteceu. Quanto a você, descanse.
– O que mais eu posso fazer?

Depois de uma breve conversa com o oficial responsável pela carceragem do 18º DP, O’Hara consegue acesso à cela onde Trager foi detido. A conversa entre os dois, como de costume, não é fácil. Mesmo atrás das grades, o jornalista mostra-se incapaz de colaborar. O’Hara deixa o local certa de que a melhor coisa a fazer é tentar encontrar a arma que Trager atirou entre arbustos durante sua fuga do Lincoln Park.

Na saída, depara-se com Henry Mailer. A fonte que ele iria encontrar no Lincoln Park está presa ali há três dias. Peter Stubb é seu nome. O’Hara pouca atenção dá ao jovem repórter.

Cena 04 – Além das Grades

– Boa noite, Sr. Trager. Meu nome é Lloyd Backinsale. Represento a Associação dos Moradores do Lincoln Park. Vim por recomendação de sua esposa.
– Ex-esposa. Veio me tirar daqui?
– Sim. A única acusação contra o senhor é resistência á prisão. Mas a polícia não vai se preocupar demais com esse pequeno desvio de conduta. Porém, você será interrogado a respeito dos disparos dessa noite.

Trager fica com o cartão do advogado e promete entrar em contato assim que for intimado.

Cena 05 – Mais Cadáveres

No Lincoln Park a movimentação é intensa. Tiros atraíram a polícia, que atraiu a imprensa. A perspectiva de mais um episódio de violência mexe com os ânimos de todos. Os objetivos de O’Hara aqui são diferentes. Ela precisa encontrar o revólver de Trager. Por pior que seja a situação agora, ela se tornará incontornável se digitais forem encontradas na arma. A tarefa, porém, é penosa. Evitando usar uma lanterna para não denunciar sua posição, sem a luz do amanhecer que ainda não despontou, e incerta quanto ao local onde Trager deixou o objeto, não existe possibilidade de sucesso.

Enquanto decide o que fará a seguir, a oficial observa o trabalho das equipes de busca. Os tiros e o desaparecimento do oficial Emmet Gould mobilizam a porção do departamento responsável pelo Lincoln Park. O’Hara lembra onde ele está. Ajudou a carregá-lo. Cobriu-o da melhor forma possível. Escondeu-o. Quando percebe, encontra-se no local onde o deixou. Ele ainda está ali, imóvel. A garganta, dilacerada. Sangue seco espalha-se até a altura do peito. Não, não é possível. Não foi assim que as coisas aconteceram. Com um grito aos companheiros, ela alerta para a descoberta do cadáver de Emmet Gould.

Subitamente, tudo parece movimentar-se mais rápido. Policiais, um médico, os gritos da imprensa, transeuntes à distância. Todos manifestam seu interesse por aquilo que O’Hara, Trager e Krueger gostariam de manter em segredo. É o tenente Herbert Kauffmann quem interrompe seus pensamentos.

– O’Hara, na sabia que era parte da equipe de busca.
– Eu soube do que houve e resolvi ajudar, senhor.
– Foi muita sorte, não é mesmo? Quero dizer, o restante do pessoal levaria algum tempo para chegar até aqui.
– É verdade, senhor. Como não fazia parte da equipe oficial, resolvi buscar em pontos distintos.
– Boa iniciativa, oficial. Boa iniciativa. Agora, vá para casa.

Cena 06 – Alta

Após destratar uma enfermeira e avisar o Departamento de História da Universidade de Chicago que fora atacado por um cão, e por conta disso não participaria dos compromissos daquele dia, Krueger finalmente recebe a visita de um médico.

– Parece que vamos ter que falar com o residente que o atendeu, Sr. Krueger.
– Como assim?
– No seu prontuário consta um ferimento grave. Cortes profundos. Mas o que estou vendo aqui são alguns arranhões feios, no máximo. Pelo menos é uma boa notícia. Vou liberá-lo ao final da manhã.

A notícia inesperada só não é recebida efusivamente porque Krueger recorda do insólito encontro da madrugada… Mas e o restante da noite? Ele é incapaz de lembrar de qualquer coisa envolvendo a ida até o Lincoln Park e suas repercussões, mesmo aquelas que marcaram sua carne.

Cena 07 – A Necropsia de O’Hara

O telefonema de Dennis Bryson desviou a rota de O’Hara. No lugar do travesseiro quente, os corredores gélidos do Necrotério Municipal. Diante de si a oficial tem o cadáver desfigurado do homem que baleou.

– Sei que não é a sua especialidade, O’Hara, mas eu precisava da ajuda de alguém de confiança. A polícia não gosta de federais tratando de seus assuntos, mas eu não resisti a esse aqui.

A resposta de O’Hara é um jorro de vômito verde que faz arder sua garganta. Ela não lembra a última vez que comeu, o que apenas torna o efeito pior. O semblante de Bryson não se altera diante da demonstração de inexperiência.

NecropsyAo longo da hora seguinte, Bryson faz diversas observações. A cada uma delas o agente parece mais próximo de uma revelação derradeira. O’Hara tenta esconder com esforço cada pequena reação que as palavras lhe causam.

– Existe sangue sob as unhas da mão direita; é interessante que o comparemos aos vestígios encontrados no casaco do oficial Emmet Gould; cinco projéteis estão alojados no corpo, sendo que dois deles – no ombro e tórax – parecem ter sido movidos, sua posição atual não condiz com a esperada pelo ponto de entrada e calibre das armas utilizadas; o tipo de projétil é comum, como o utilizado pela Polícia de Chicago; dois dos disparos na cabeça sugerem curta distância, típico de execuções.

Ao final do processo, O’Hara recebe as anotações e objetos referentes à necropsia. As ordens são para que os leve até o 18º DP, onde serão anexados às demais evidências colhidas até o momento. A oficial, porém, se recusa. Acredita que Bryson possa querer criar algum tipo de indisposição entre ela e seus companheiros ao trazê-la para o seu lado. Sem insistir, o agente toma para si a tarefa.

Cena 08 – Desencontro

Krueger, O’Hara, e Trager encontram-se no Gunga Dinner. É visível que a pressão dos últimos dias os esmaga lentamente.

T: Como foi sua estada no hospital? Descansou?
K: Foi… estranha. Mas estou bem, obrigado. E a sua cela? Aconchegante?
T: Eu não teria suportado sem as visitas da madrugada.
O: Não encontrei a sua arma, Trager. Estava escuro e cheio de policiais lá.
T: Eu sabia que você não ia conseguir. A propósito, percebeu que você falou como se não fosse mais um deles?
O: Vai se foder, Trager!
K: Fiquem calmos. Isso é a única coisa que não vai ajudar nenhum de nós.
O: Eu estive no Necrotério Municipal mais cedo. Ajudei a abrir o corpo daquele homem que nos atacou.
K: Fomos atacados?
T: De que merda você está falando? O cara pulou do meio do mato e quase matou você. Ele só parou depois de cinco tiros.
O: Isso mesmo. Não lembra de nada?
K: Não. Lembro de irmos ao Lincoln Park. E, depois, de chegar ao hospital. Um branco no meio. Como daquela vez, na residência de John Burgess.
T: Quando você nos encontrou.
O: Sim, mas eu lembro perfeitamente do que ocorreu nessa noite. E você?
T: Claro como o dia. Apesar de que nosso amigo Krueger está melhor do que deveria. Não me entenda mal, é claro.
K: Sim, estou bem. Não lembro da ocasião do ferimento, mas tenho só algumas cicatrizes. Nada sério.
O: Você estava morrendo quando chegou ao hospital.
K: Bem, não estou mais. Que importa? Mais uma coisa estranha na lista.
T: O que você quis dizer quando falou que sua noite no hospital foi estranha?
K: Uma mulher apareceu no meu quarto. Tinha sotaque francês. Parecia que sabia o que tinha acontecido conosco no Lincoln Park. Antes de sair, ela falou algo na mesma linguagem que Detwiller e Nadler usaram na Universidade. E ela mandou pedir desculpas pelo que fez no seu apartamento.
T: Vadia desgraçada! Mijou todo apartamento. O nome dela é Madeleine. Foi o que disse a minha vizinha que falou com ela.
O: Quando eu cheguei ao hospital, vi uma mulher deixando o elevador. Pareceu familiar. Me lembrou Luc, o que eu vi em frente ao seu apartamento dias atrás, Trager. Antes da invasão.
T: Mas que merda é essa? Estão nos cercando. O que ela queria?
K: Não sei. Foi esquisito. E eu estava sob efeito dos remédios. Ela deixou essa chave. Merda, ela lambeu a minha ferida.
T: Ela fez o quê?
K: Você precisa mesmo que eu repita isso?
T: Bem, parece que ela conhecia o tal que nós matamos… É, matamos sim. Não me olhe assim. Só porque você não lembra não quer dizer que seja menos verdade.
K: Dá para falar mais baixo.
T: Eu estou sussurrando, cara. O que ressoa alto é a culpa.
K: Chega disso, Trager!
O: O que nos atacou no parque foi o mesmo que, quando vocês estavam internados no Saint Joseph, mordeu a mão de Trager.
T: Parece que temos um grupo de fetichistas por sangue em nosso encalço.
O: Faça piada enquanto pode. A necropsia não foi bem. Pelo menos não para nós. Eles têm amostras de sangue, projéteis e tudo o mais.
K: Alguma coisa que você possa fazer a respeito? Esse material fica guardado no seu departamento, não?
O: As coisas estão na Sala de Provas. Impossível entrar. Eu…
T: O que foi?
O: Eu tive o pacote com as informações nas mãos…
T: O quê?
O: Depois da necropsia… Eu deveria levar isso para o departamento, mas me recusei. Ficou com aquele agente do FBI, Bryson.
T: Puta que pariu, O’Hara. Puta que pariu!
K: Chega! Acalme-se.
T: Você ouviu o que ela disse? Ela poderia ter salvado o nosso rabo. Estava tudo nas mãos dela!
O: O que você sugere? Que eu fraudasse evidências?
T: Evidência contra nós. Evidências contra você! Não pensou nisso?
O: Eu vou embora. Ninguém vai ficar apontando o dedo para a minha cara desse jeito.
K: O’Hara… Lucy, espere!

Mais tarde, naquele mesmo local, Krueger e Trager encontram-se com Rudolf Bergmann. Querem garantias de que terão acesso ao Origens do Rei Amarelo após entregá-lo. Ele concorda com a exigência, mas lembra aos dois de que a relação que estão construindo está baseada na confiança mútua, e é a vez de Krueger dar uma prova dela.

2009, 27 de Março

Cena 09 – Estranha Chicago

– O trabalho que deixou aqui dois dias atrás, sr. Trager, é incompleto, apressado e superficial. Mas, graças à essência, não se trata de um completo desperdício de papel.

O veredito de Phillip Glasgow é tão duro quanto preciso. Trager concorda com ele, ainda que não o admita, preferindo justificá-lo.Estranha Chicago

– Aqui, na Estranha Chicago, nós damos às pessoas uma prova do bizarro e do estranho. Mas com base na realidade. Não inventamos. Os nossos roteiros exploram eventos relacionados a figuras históricas reconhecidas, ou fatos recentes que impregnaram-se na memória coletiva. O seu texto sobre o suicídio na Universidade de Chicago é interessante, mas você teria que mergulhar mais fundo no retrospecto de mortes no campus para torná-lo verdadeiramente um de nossos produtos.

Glasgow em nenhum momento menciona a tensão que se criou entre Trager e seu ex-editor. Apenas sinaliza com um contrato interessante em troca de um primeiro trabalho realmente promissor. Finalmente, uma boa notícia…

Cena 10 – Pequenas Decepções

Em companhia de Lloyd Backinsale, Trager é interrogado pelo detetive Erik King, velho conhecido, e pelo tenente Herbert Kauffmann, responsável pelas operações no Lincoln Park. Trager repete as declarações iniciais a respeito dos motivos de sua presença no local. Agora, porém, não está lidando com bibliotecários e porteiros. Os investigadores o cercam, pressionam, apontam lacunas e conseguem extrair dele parte da verdade.

A principal delas: duas pessoas estavam em sua companhia; Karl Krueger, professor da Universidade de Chicago, e Lucy O’Hara, oficial desse departamento.

—-

Já passa do meio-dia quando O’Hara recebe a ligação para comparecer ao 18º DP. Finalmente, pensa ela. Na sala do capitão Steve Georgas, comandante do departamento, recebe a informação de que está sob investigação da Corregedoria por conta dos eventos recentes no Lincoln Park. Sua arma é tomada para análise. Além disso, ela estará suspensa de suas atividades pelo tempo que durar o processo interno. Ao deixar a sala, percebe nos olhos de seus companheiros que a notícia já se espalhou. Agora, ela é contagiosa, e não poderá contar com ninguém.

—-

É quase meio-dia quando, após uma aula, o professor Krueger confere seu telefone. Uma mensagem sucinta foi registrada:

– Em uma relação baseada na confiança mútua, certamente isto foi um retrocesso. Bergmann.

Krueger se amaldiçoa. Combinara na noite anterior um encontro com Bergmann no banco onde está guardado o Origens do Rei Amarelo. Iria entregar-lhe o livro.

Cena 11 – Associação de Moradores do Lincoln Park

Da janela do amplo escritório de Lloyd Backinsale é possível avistar a porção sul do Lincoln Park, palco dos eventos que os trouxeram até aqui. Sob luzes tão tênues é fácil entender como aquele cobertor verde esconde tantas coisas terríveis. Sentados em poltronas de couro, O’Hara, Trager e Krueger aguardam em silêncio.

Backinsale os recebe com um aperto de mão confiante. Ao longo das duas horas seguintes os três relatam em detalhes os eventos ocorridos na madrugada de 26 de março. Detalhes mais comprometedores são omitidos, mas as lacunas também falam, e as perguntas de Backinsale são como chaves feitas para abrir qualquer porta.

Ansiando por uma opção, por qualquer auxílio, nenhum dos três se importa com a postura impassível do advogado diante do relato que envolve crimes diversos, inclusive com a participação de uma policial.

Ao deixarem o escritório, com a promessa de que serão assistidos durante todo o processo que deve se iniciar em breve, O’Hara, Krueger e Trager recebem um aperto de mão tão firme quanto aquele que os recebeu.

2009, 28 de Março

Cena 12 – Chaves…

O porta-chaves deixado por Madeleine leva até o endereço de um chaveiro Chaveiroem Gage Park, sudoeste de Chicago. De maioria latina, o bairro é bastante empobrecido. Cobertas por pichações, as paredes revelam as marcas dos Reis Latinos, gangue que opera na região, uma das mais violentas da cidade. Entre os rabiscos, um em especial chama atenção de Trager: é idêntico àquele visto no Lincoln Park, e é o mesmo que continua decorando a parede de sua cozinha.

Incentivado por alguns dólares, o chaveiro recorda da pessoa para quem fez aquela cópia. Ele não lembra o nome, mas o homem corresponde à descrição do autor do ataque no Lincoln Park. Ele e um casal, diz o chaveiro, vivem há alguns meses em um armazém até então abandonado, poucos quarteirões adiante. O tal que encomendou as cópias pediu uma dúzia da última vez. Parece que as perdia constantemente…

No endereço indicado os três deparam-se com um velho armazém, aparentemente há décadas sem uso. A porta principal, destinada ao trânsito de caminhões, está fechada por um pesado cadeado. Ao lado, uma porta leva ao interior do edifício. O que parece ser um sobrado pode ser divisado no andar superior. Ao lado do prédio, separado da rua por uma cerca enferrujada, um pátio interno tomado por vegetação rasteira reforça a sensação de abandono.

O’Hara e Krueger revezam-se durante as vinte e quatro horas seguintes na observação do armazém e seus arredores. Durante o processo percebem que dois cães grandes eventualmente circulam pelo pátio interno. Além disso, Luc e Madeleine são vistos em momentos diversos, ora juntos, ora separados. Em seu turno, O’Hara percebe que a vigilância das imediações tem sido rotina de um conhecido: Ramiro Garcia, cunhado do homem que ela salvou, Ivan Mendez. Toda informação relevante é anotada e repassada a Trager, que permanece em seu apartamento compilando dados. Com base neles, é decidido quando ocorrerá a ação.

2009, 29 de Março

Cena 12 – …e aquilo que elas abrem.

É cerca de 11 da noite quando Luc deixa o armazém. Dirige-se ao mesmo local de sempre: um prédio condenado que serve de ponto de encontro aos Reis Latinos. Ele não é o alvo. Demora cerca de trinta minutos até que Madeleine saia. Dirige-se no sentido oposto, para uma região menos movimentada do Gage Park, onde ruas estreitas e terrenos baldios formam o cenário. Trager dirige atrás dela, com cautela. À distância, é seguido por Krueger e O’Hara, em outro carro.

Observando Madeleine, Trager distrai-se por um instante. Um garoto usando a jaqueta com as cores dos Reis Latinos atravessa a rua repentinamente. A freada brusca alerta a presa. Madeleine reconhece o veículo e corre rente aos prédios. Trager acelera e a ultrapassa. Com um estrondo, o carro sobe a calçada e bloqueia o caminho. Krueger acelera e estaciona no meio fio. Acossada, Madeleine não hesita um segundo. Não parece surpreendida. Ela corre no sentido oposto, na direção do armazém. O’Hara a persegue a pé. Sem fôlego para acompanhá-las, Krueger é pego por Trager, que a esta altura já dera meia-volta com o carro.

Quando O’Hara chega à porta do armazém, Madeleine já entrou. A porta escancarada revela um amplo espaço mergulhado nas trevas. O interruptor não funciona. Em segundos, Trager e Krueger chegam ao local. Com uma laterna, Krueger vasculha o prédio. Muito pouco além de móveis esparsos e muita poeira podem ser divisados. Mais adiante, um conjunto de roupas femininas está espalhado pelo chão.

É O’Hara quem ouve primeiro. Arfando na direção deles, um cão enorme avança pela calçada. Ao contrário do que imaginavam, os animais não ficam confinados ao pátio interno. Com um salto, o animal tenta fechar suas presas no pescoço da oficial. Virando o corpo, ela consegue espaço o suficiente para sacar a tonfa e usá-la para desferir um golpe seco contra a coluna do cão. Apesar do ganido leve, o animal redobra seus esforços. Com voracidade, avança sobre as pernas de O’Hara. Sacando a pistola que tomou de Emmet Gould no Lincoln Park, Krueger atinge o cão no flanco. Ainda que não o derrube, é o suficiente para deixar o animal ao alcance do taco de Trager. O balanço certeiro atinge o crânio e produz o mesmo som de uma fruta podre sendo esmagada.

Certos de que os disparos irão atrair a polícia ou, pior, os Reis Latinos, Krueger e Trager avançam para dentro da escuridão enquanto O’Hara permanece à porta, vigiando.

Nenhum deles jamais foi visto novamente…

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires
Lucy O’Hara: Sabrina Teixeira

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