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Crônicas Hiborianas – Sétima Edição – No inferno das mulheres

Posted in GURPS, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 08/09/2009

Crônicas Hiborianas – GURPS e M&M. Dois Sistemas, Dois Jogadores, Dois Mestres.

Sétima Edição: No inferno das mulheres

Ato I: Deixando os problemas no leste.

Conan parte para a Nemédia em busca de mais calma. Enquanto ruma pela estrada dos Reis pensa no breve tempo junto ao exército. Ainda que como escravo obrigado, a vida de caserna lhe parece um bom objetivo. Em Numália, a segunda maior cidade da Nemédia, nada de surpresas. Novamente, não é a maravilha em imponência que tanto ouviu falar do reino da Aquilônia, mas é uma cidade grande, com cerca de 10 mil habitantes. Também não é a desgraça de Shadizar, o que o tranqüiliza.

Gastando as poucas moedas que ainda tem no mercado local, enche a boca com um gole longo de vinho. Tem tempo para notar dois espertalhões de olho na sua espada, à vista fora do manto. A sede por dinheiro que aquelas pedras encravadas no cabo trazem cegam os dois maltrapilhos para o fato de Conan ser mais largo de peito a costas do que um ombro a outro. Quando um tenta pegá-la recebe um direto no estômago e é talhado ao meio por um violento golpe do bárbaro. O outro paralisa.

Tudo isso é observado por Cleito, o Negro, braço direito do Capitão da Cleito o Negroguarda, Heráclito. Ele é um escravo liberto da Stygia que agora serve aos desejos do Capitão, quando há alguma lei envolvida ou alguém que esteja incomodando. Ele é a graxa que retira a areia das engrenagens. Os ombros largos, os braços poderosos e a habilidade com espada lhe deram um posto não oficial que só está abaixo do próprio Capitão, e todos na cidade conhecem e respeitam isso.

– Bárbaro, acalma-se.
– Acalme estes cães que vieram me dar as boas-vindas.
– Tire seu amigo daqui! – Cleito grita para o que ainda pode sair com vida. Bárbaro, me chamo Cleito. Tenho uma oferta para lhe fazer.

Cleito procura homens capazes de lhe ajudar em uma tarefa dada por seu amo: um grupo de amazonas, três dias de cavalgada ao norte da cidade, está fazendo vítimas há meses. O problema não parece estar incomodando o Barão da cidade, mas os vários homens do Capitão que já morreram estão o incomodando. Conan parece estar disposto a ao menos ver estas mulheres. A idéia de matar a líder, sugerida por Cleito, o incomoda, mas não é algo com que se preocupe agora. Os dois combinam de encontrar-se no dia seguinte, e Cleito arruma um quarto para o Cimério descansar durante esta noite.

Ato II: Vítimas nos arredores.

Cleito fez seu relatório a Heráclito. Diz ter achado um homem estrangeiro que pode ser muito útil, talvez até mesmo páreo para ele. O seu Capitão concorda com um grupo reduzido, dizendo que mais homens podem atrapalhá-lo. Alguma parca descrição é dada sobre a líder: uma ruiva que atende pelo nome de Giovanna.

sonja6Após os três dias cavalgando e conversando com algumas pessoas que encontram no caminho, avistam ao longe aquela que pode ser seu alvo. Ela está em um poderoso cavalo, no alto de uma pequena colina. Rapidamente eles se desviam para dentro de uma pequena mata, logo após uma casa abandonada. Ali, Conan fica cuidando dos cavalos enquanto Cleito adentra na mata.

Uma oriental de pernas torneadas e roupas mínimas no corpo espreita um veado. Seu arco tem uma postura firme. Seu cabelo preto liso está preso com dois paus. Ela está focada no seu alvo, assim como Cleito. Ela assobia para chamar atenção do veado, e quando o animal levanta a cabeça por instinto, um tiro certeiro é desferido entre os dois olhos. O furor pelo prêmio turva seus sentidos e permite que o Negro, como uma sombra, se aproxime e a agarre por trás, imobilizando a frágil garota.

De volta ao acampamento improvisado ele e Conan interrogam a garota brevemente, que nada diz. Carregando a jovem para a casa abandonada que cruzaram no caminho, Cleito pretende usar seus próprios métodos. O imenso sulista espanca a mulher amarrada por um momento, em busca de respostas, mas não obtém nada. Um coxo de água suja parece lhe dar novas forças. Ele afoga a mulher repetidas vezes, fazendo pergunta entre as sessões de tortura. A mulher acaba por ceder, sem forças. Confirma que a líder é uma ruiva chamada Giovanna, e que ela costuma lutar com duas espadas de forma extremamente hábil. O coxo é o destino final dela, até parar de se debater.

Enquanto isso Conan ouve uma companheira da oriental que está a sua procura. Da mesma forma que o Negro, ele se aproxima por trás da jovem garota loira e a agarra firmemente, dizendo que as tantas contorções são em vão. Realmente, ela nunca sairá daqueles braços poderosos. Eles se cruzam no caminho, e por um instinto das ruas Cleito consegue convencer o Cimério que deve ficar com a garota, sem que ele o acompanhe até a casa. Os homens do norte não estão acostumados a matar mulheres, ainda mais amarradas. Cleito obtém mais algumas informações sobre o vilarejo onde elas moram, e o destino da loira é o mesmo.

Ato III: Um vilarejo quente, úmido e selvagem.palisade

O vilarejo das amazonas é alcançado durante a noite. Os guerreiros observam de cima de um pequeno monte aquela vila rodeada por uma paliçada alta. Sua entrada é convidativa, parece as pernas abertas de uma mulher convidando ao coito. Conan fica no meio das árvores e espera que Cleito contorne o acampamento. A corneta que foi retirada de uma das batedoras irá dar o alarme e criar uma distração. Após aguardar o tempo que acha necessário, e que ele teria certeza de já ter feito o combinado, assopra aquele chifre e sai correndo.

Para sua surpresa, quando chega à parte de trás do acampamento, Cleito está recém passando a cerca. Cada vez mais os sulistas irritam Conan. Pulando direto de cima das cercas para o segundo andar da única casa de dois andares, eles rompem a janela e tem uma surpresa: é um quarto de crianças, com várias camas. O barulho, entretanto, despertou a atenção de algumas mulheres no andar de baixo.

Aguardando no canto da escada, Cleito trespassa uma das amazonas quando esta vinha correndo escada acima. Ainda que Conan tenha tentado impedir seu golpe, considerando aquilo uma covardia tremenda, as farpas são mantidas para depois. Mas como uma promessa. Chegando ao andar de baixo eles notam que todo alvoroço causado pelo soar daquela corneta chamou muita atenção. As garotas se lançam nos cavalos e correm para fora do acampamento. Ao lado da fogueira central, no meio do acampamento, iluminando a porta de todas as casas, uma visão deixa Conan paralisado.

Ato IV: Paixões ainda não esquecidas.

Dando ordens a todas as garotas está Giovanna. Ela possui trajes de batalhas, mas que mostram a beleza de seu corpo. Ela está de costas, com as duas espadas embainhadas. Quando se vira, Conan não vê uma guerreira, mas vê Arianne, seu amor de adolescência. Ele tem plena consciência que não pode ser ela, até porque viu seu corpo sem vida após o cerco de Vennarium. Mesmo assim ele solta um grito chamando pelo nome da antiga amada.

Giovanna se volta para ele e caminha calmamente na sua direção, olhando fixamente para seus olhos azuis. Conan embainha a espada. Cleito está possesso, completamente fora de si, mas acompanha a cena da segurança da casa.

– Quem és tu, bárbaro?Arianne
– Conan, da Ciméria. Tua semelhança com alguém que eu conheci é além do usual.
– Sim, Arianne era minha prima. Soube pelo meu tio que alguém tinha envenenado seu caráter, roubado sua inocência. Parece que foste tu.
– Eu amei aquela mulher! – Cleito não parece acreditar no que ouve.
– Está sozinho, Conan? Desarmem-se e serão poupados.

Ainda sem tirar os olhos dela ele é levado para um calabouço que se abre no chão. Cleito tenta oferecer alguma resistência, mas elas estão em muitas. Ele acaba no mesmo destino que Conan. Desarmados e com os orgulhos feridos, trocam farpas e pensam em como sair dali. Após algumas horas Cleito parece ser o primeiro a descobrir, mas não terá tanta sorte assim.

Um grupo de garotas o leva para o lado oposto aquele utilizado para circular o vilarejo quando eles entraram. Lá há uma espécie de fosso. Sua arma e armadura são devolvidas e ele é empurrado para dentro.

Algumas delas aparecem com um tigre e o levam até o banquete. Em volta, elas vibram segurando algumas correntes que estão ligadas a uma coleira no animal.

Mas a alegria dura pouco. Cleito é astuto, tanto quanto o tigre. Ambos se acertam uma vez, mas o golpe do negro fere mais o tigre, que recua procurando proteção. Cleito não tem correntes para segurá-lo, e avança. Dois tigres entram, somente um sai.

Ato V: Cada um enfrenta a fera que lhe cabe.

Conan está sozinho no calabouço após Cleito ter sido levado. Dez minutos depois, Giovanna vem e abre a porta, sem falar nada. Com um espartilho e uma saia semitransparente ela apenas caminha até uma casa, com o Cimério a seguindo. Dentro, velas, incensos e duas taças de vinho anunciam um clima muito corriqueiro a Conan:

– Se veio desposar alguém, não contamine as meninas. Possua a mim.

Há horas que o guerreiro sabe ser bruto, sabe matar, e sabe falar. Essa não é nenhuma delas. Ele abraça a mulher carinhosamente, e por mais que saiba que aquela não é a mulher que ele amou, ele aproveita a oportunidade como se fosse.

Após alguns instantes, o alvoroço anuncia que a batalha de Cleito terminou.kylie-ireland Aqui também uma luta termina e ambos amantes ficam extenuados. Dois corpos nus saem da cama, um deles pinga.

– Conan, volte para sua cela!
– Não.
– Eu imploro!
– Não é digna de comandar estas mulheres! Sua vontade é mais fraca do que prega para elas.

As garotas entram na casa que estava com a porta aberta e não acreditam no que vêem. Sua líder foi infiel, as traiu. Uma discussão se inicia, com muitas ao redor repudiando a ação de Giovanna. Conan, tranquilamente pega seus pertences que ali estavam e sai da casa, sem nenhuma mulher tentando impedi-lo. Cleito, com o braço machucado pelas garras do tigre caminha sozinho no centro do acampamento, observando algumas mulheres correndo e chorando, pegando seus cavalos e abandonando o vilarejo.

– Você também se divertiu com um tigre, Negro? Pois bem, cada um enfrentou a fera que lhe coube.

O rumo é a cidade de Numália para receber a recompensa.

Crônicas Hiborianas:
Sistema: GURPS
Narração e Texto: Carlos Alexandre “Gói” Fedrigo
Conan: Carlos Hentges

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Uma resposta

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  1. Carlos Hentges said, on 08/09/2009 at 15:18

    Conta-se a história de um sacerdote tão pouco casto quão pouco tímido. O tal sacerdote morria de tesão por uma jovem noviça. Toda vez que a via tinha ereção mais rígida que a fé de São Paulo. Certa noite, resolveu investir contra a beata. Tomou-a pelo braço e disse-lhe: “o diabo possui o meu corpo, mulher. Apenas tu podes salvar-me”. Em pânico, vendo aquele homem santo implorar, a jovem donzela não fez outra coisa senão seguir suas instruções. “Aqui, veja, o diabo infla minha carne com o pecado. Tomou esse pedaço sujo de meu corpo e não me abandona, deixando-o na vermelhidão que lhe é própria”. Em pânico diante daquele falo tão pouco cristão, a beata chorava. “Não te lamente mulher. Sei o que fazer. A única forma de livrar-me do diabo é devolvendo-o ao inferno. Abra tuas pernas, porque é entre as coxas das mulheres que o diabo fez sua residência”. Desde então, com a anuência fervorosa da cristãzinha, o sacerdote sempre pôde enfiar o diabo de volta no inferno quando este lhe assaltava as partes despudoradas.

    O título dessa história nada tem a ver com esse pequeno fragmento de sabedoria…


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