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Experiências com D&D 4th – O Primeiro Combate

Posted in O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 01/09/2009

Seguindo com minhas observações em primeira mão a respeito do novo sistema da WoTC, falemos sobre a primeira sessão, que ocorreu no sábado último.

Não vou me aprofundar na trama. Basicamente, os personagens, o meu Draconato Guerreiro e os outros dois, um Halfling Ladino e um Humano Mago, deslocavam-se por motivos diferentes de uma cidade para outra. Na estrada acabamos sendo unidos pela necessidade de proteção mútua durante um ataque de goblins. Essa união perduraria no destino, quando nossa atenção voltou-se a um intrigante caso de seqüestro.

A sessão foi um prato cheio para o Vinícius, o mestre, criar tipos falantes e exóticos. Imagino que isso se torne recorrente. Tomara!

O combate seguiu minhas expectativas em relação à quantidade de adversários. Eram três goblins com azagaias fustigando meu guerreiro, e outro sobre um javali. A segunda leva incluía um feiticeiro e mais quatro goblins. Um combate bastante movimentado para alguém mais acostumado à fragilidade dos personagens de primeiro nível nas regras da segunda edição.

O nosso mago, inicialmente satisfeito com a possibilidade de executar magias em quantidade ilimitada (e logo apelidado de fogueteiro), logo percebeu que seu poder era de pouca valia contra inimigos com 20 pontos de vida. Apesar disso, ele poderia ferir vários ao mesmo tempo, o que mostrou-se vantajoso. De fato, foi ele quem salvou a nossa pela, com uma magia Sono.

Eu me concentrei em Trespassar, que permite que eu cause meu dano normal no adversário (2d6+4) e em mais um, em posição adjacente. Esse é um Poder sem Limite. Quer dizer, é meu ataque padrão. Aquela coisa de atacar simplesmente não existe mais. Muito provavelmente o seu personagem sempre estará usando algum tipo de manobra de combate. Com o monte de regras novas e opções, acabei me perdendo. Mesmo com cartas indicando os parâmetros e efeitos de cada manobra, esqueci de um poder que faz com que meu adversário sofra penalidade de -2 em todos os ataques que dirigir contra um dos meus aliados. Enfim, é uma forma de tornar mais úteis os meus Pulsos de Cura.

Falando nisso, meu personagem tem 31 Pontos de Vida. Usei 4 Pulsos de Cura durante o combate, de 10 possíveis durante um dia. Quer dizer, minha Cota de Malha evitou o pior, mas não fez a diferença que eu esperava. Comecei o jogo com Armadura 17 e achando que isso era grande coisa…

O ladrão do grupo não foi tão útil nesse combate. Sua besta emperrou no primeiro ataque (Falha Crítica), e ele perdeu algumas rodadas tentando ajustá-la. Ao final, esmagamos os adversários, com exceção do Feiticeiro que os liderava. Nosso primeiro inimigo recorrente?

O combate durou uma hora, em tempo real. Muitas rolagens. Muitas mesmo. Não posso imaginar o que vai acontecer em níveis mais elevados… Espero que meu personagem sobreviva para experimentar isso. As miniaturas, como previra, mataram um pouco da imaginação. O recurso visual óbvio associado à necessidade de movimento tático deixa pouco espaço para imaginar o combate além do que as peças sobre a mesa revelam. Quem sabe acostumando-me a elas eu possa superar esse bloqueio. Veremos…

Muitas mortes e 450xp depois (quase a metade do necessário para avançar de nível), posso dizer que não fiquei de todo insatisfeito. Adorei a possibilidade que as regras oferecem de causar muito dano logo de saída (com o Poder Diário Golpe Arrasador o Dano é de 6d6+4). Porém, a duração do combate tornou-o maçante em determinado momento. Contra Mínions o que eu quero é uma machadada e um cadáver. Que o combate mais difícil seja o Chefe de Fase.

Mais a respeito após a próxima sessão.

Texto anterior – Construção de Personagem

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6 Respostas

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  1. ivanprado said, on 01/09/2009 at 16:26

    Ainda não tive a oportunidade de jogar D&D 4, mas esse fator de não conseguir imaginar o combate (como uma cena de filme) e jogar ele com miniaturas (como um MMORPG mesmo) é que me faz pensar duas vezes em perder um fim de semana de jogo… =/
    1 hora pra lutar contra um punhado de goblins? Vc acha que ficou massante?

  2. Medonho said, on 02/09/2009 at 00:00

    Desculpe mas tive que levantar umas observações no comentário acima para não gerar interpretações estranhas.

    “Mas esse fator de não conseguir imaginar o combate (como uma cena de filme) e jogar ele com miniaturas (como um MMORPG mesmo) é que me faz pensar duas vezes em perder um fim de semana de jogo… =/”

    Diferente do autor do tópico eu CONSIGO imaginar o combate, e olha que eu não sou melhor que ninguém aqui. Pelo o que eu estive observando do jogo, a 4E faz justamente o contrário, ele ESTIMULA mais ainda a imaginação, por exemplo, quando um poder diz que eu posso conduzir um aliado 2 quadrados, eu CONSIGO imagina meu guerreiro lá no meio do combate dando um tapinha apressado no companheiro e empurrando-o para frente para então se voltar para trás para apunhalar um goblin que estava se aproximando, e isso tudo com a cara enxarcada de suor.

    Lembre-se, as miniaturas nada mais nada menos são do que MARCADORES para a hora do combate, só isso, se vc acha difícil imaginar com uma miniatura então pegue aquela borracha e finja ser um anão fedorento.

    “1 hora pra lutar contra um punhado de goblins? Vc acha que ficou massante?”

    Lembre-se que o pessoal aí é iniciante, estão testando a 4E ainda. Vc se lembra quando ele diz que demorou 1 hora pro combate mas esqueceu qua ele disse: “Com o monte de regras novas e opções, acabei me perdendo.”

  3. Carlos Hentges said, on 02/09/2009 at 09:34

    Salve,

    Na real, eu sou da opinião que qualquer tipo de marcador é um empecilho. Miniatura, borracha, botões, feijões… Quando alguém tem que fazer movimentos estratégicos, se preocupando em estar um quadrado à frente ou à esquerda, a imaginação morre. Ou alguém aí dá gritos de guerra antes de flanquear um adversário com a cavalaria em uma partida de xadrez?

    De qualquer modo, são impressões pessoais. Não pretendo dizer como o jogo deve ser ou não. Apenas como me sinto em relação a ele e suas possibilidades e, mais uma vez, na minha opinião, limitações. Além das minhas próprias limitações e possibilidades, claro.

    E, por fim, sim! Ficar uma hora lutando com goblins é maçante. Um saco. Um inferno. Prefiro um combate mais rápido e mortal, sem dúvida. Veremos como o sistema pode atender às minhas necessidades como jogador.

    Próxima sessão em duas semanas.

  4. Medonho said, on 02/09/2009 at 12:06

    Carlos, se vc é do tipo de jogador que acha que qualquer tipo de marcador é um empecilho. Miniatura, borracha, botões, feijões… Então poponha isso a seu Mestre, seguindo esses passos:

    1- Não use campo de batalhas, nem miniaturas, deixe do modo mais simples e puro, use apenas sua imaginação para imaginar o combate.

    2- Ao invés de montar o campo de batalha na mesa e posicionar as miniaturas, peça pro Mestre desenhar em uma folha de papel a área do combate na qual APENAS ELE possa olhar, assim, quando os persoagens forem se movimentando durante a batalha, ELE vai deslocando vcs nesse mapa na qual apenas ELE esta vendo e vai descrevendo a vcs o que está acontecendo.

    PRONTO, voltamos ao bom e velho RPG apenas na imaginação, na qual todos conhecemos, sem mecher em NADA do sistema.

    Quanto a duração dos combates, bom, nas minhas sessões eu consigo narrar 4 combates e ainda ter momentos de interpretação. Porém já ouvi muita gente falando que o tempo dos combates no D&D 4E é o mesmo tempo que levavam nos combates da 3.5

  5. césar/kimble said, on 02/09/2009 at 13:01

    Eu sempre preferi usar um número menor de combates, com oponentes um pouco mais fortes. Isso tem funcionado bem até agora. Combates pouco importantes eu uso minions ou oponentes com poucos pvs, isso agiliza a situação.
    Quanto a imaginação x tabuleiro, tenta começar a explicar o que você está fazendo em jogo. Na atual campanha (parada) de Forgotten, eu estava jogando com um warlock. A maioria das minhas ações era ‘usar o Eldricht Blast’ e ‘jogar maldição nesse cara’. Só que eu incluía descrições. Em alguns momentos meu EB eram raios de energia, outras horas bolas de fogo, outras eu criava alguma criatura de energia pra atacar. E quando empolgava, eu até recitava a maldição que estava usando nos alvos.
    Se você só mover as peças e jogar o dado, é o mesmo que jogar o combate nas edições antigas dizendo ‘eu ataco… tirei um 15, acertei? (…) 10 de dano. Próximo.’. Tenta explicar o que você está fazendo, incluir alguma narração nas tuas ações.
    E lembra que a descrição dos poderes nos livros é opcional, tu pode descrever como quiser desde que não ganhe algum benefício mecânico com isso.

  6. Carlos Hentges said, on 02/09/2009 at 13:42

    Salve,

    Agradeço a todos pelos comentários. Quisera meus posts sobre o Hunter: The Vigil fossem tão populares. Ou, quem sabe, o diário das Crônicas Hiborianas de Conan…

    Vou passar as sugestões ao Mestre.

    Gracias,


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