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Experiências com o D&D 4th – Construção de Personagem

Posted in O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 30/07/2009

Há duas semanas fiz o meu primeiro personagem de D&D 4th: um Guerreiro Draconato. Somos três jogadores, um deles com pouca experiência. Por conta disso, foram necessárias três horas para completar as fichas.

Quase no final do processo, na escolha de poderes diários, por encontro e livres, eu já estava de saco cheio. Escolhi pelos nomes mais legais e que invocam mais destruição. Se possível, no 6º Nível já pretendo dispor de poderes como “Queimar Vila” e “Arruaça Sanguinária”.

Confesso que me irritaram um pouco as regras voltadas ao uso de miniaturas e situações absurdas que elas produzem. Por exemplo, um dos poderes do personagem permite que ele “marque” um adversário. Esse adversário sofre uma penalidade sempre que atacar um personagem que não seja o meu. OK. Isso dá uma possibilidade interessante do ponto de vista tático, mas como explicar em termos de “realidade” e não de regras?

Outra coisa. Um poder permite que eu golpeie um adversário e cause dano também a outro, imediatamente atrás do meu alvo original. E se eu estiver com uma adaga, como isso acontece?

Enfim, a criação do personagem não venceu minha primeira impressão ruim da edição, especialmente com relação às regras voltadas às miniaturas (que atacam a Imaginação sem chance de Teste de Resistência).

Mais do que relatar a campanha, o que também pretendo fazer, vou contar aqui minha experiência com esse novo sistema de regras.

Abaixo, o rascunho da história de meu personagem:

Com a força e a nobreza que caracterizam os draconatos, Krynn poderia ser o líder de sua tribo. Pelo menos, era nisso que acreditavam os anciões até o incidente que significou o seu exílio. A situação nunca ficou bem explicada, mas uma mulher humana morreu nas mãos de Krynn, provocando uma batalha entre sua tribo e a tribo humana que vivia nas cercanias.

O conflito acabou sem vencedores após lutas que exauriram ambos os lados. Krynn foi afastado da tribo. A condenação ao exílio o obrigava, ainda, a conviver com raças inferiores para aprender o valor de ser um draconato e a importância de preservar os poucos membros dessa outrora orgulhosa raça.

Mesmo considerando a sentença desproporcional ao crime cometido, Krynn acatou a decisão dos anciões. Atualmente, ele vaga por cidades e florestas, aguardando o momento de voltar, se é que esse dia chegará. Ainda que a mácula do seu passado seja do conhecimento de outros de sua raça, ele não abre mão de buscar notícias sobre sua antiga morada sempre que possível.

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7 Respostas

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  1. Medonho said, on 30/07/2009 at 18:44

    “Isso dá uma possibilidade interessante do ponto de vista tático, mas como explicar em termos de “realidade” e não de regras?”

    Simples meu amigo, lembre-se que o RPG é um jogo de imaginação, e imaginação é o que não falta para os jogadores de RPG. Se o seu alvo está marcado por você e ele atacar outro personagem imagine que seu guerreiro fica atrapalhando o alvo de alguma forma, quaem sabe tacando seu escudo nele para provocar a penalidade ou desloca seu corpo em direção ao ataque, tenta desviar o golpe dele com sua espada, grita um HEY bem no ouvido dele… enfim, os poderes da 4a edição permitem que você ponha sua imaginação a mil e inventar outras formas de efeitos visuais feitos pelo seu personagem isso caso vc não queira seguir aquela caixinha de “fluff” de cada poder.

    “Outra coisa. Um poder permite que eu golpeie um adversário e cause dano também a outro, imediatamente atrás do meu alvo original. E se eu estiver com uma adaga, como isso acontece?”

    Mesma resposta da anterior, ja pensou que seu personagem pudesse simplesmete cortar os adversários ao redor movimentando seu braço em um arco??? Bastante simples pra mim.

  2. Medonho said, on 30/07/2009 at 18:45

    Aguardo ansiosamente o relato de sua campanha :)

  3. cesar/kimble said, on 30/07/2009 at 19:13

    E complementando a resposta do Medonho, lembra também que a parte descritiva dos poderes é livre. Mesmo que eles tenham uma descrição básica, algo que é afirmado no Player´s 1 e reafirmado no Player´s 2 é que você pode descrever como quiser.

    Então no caso da adaga, tu poderia apunhalar o alvo e arremessar ele contra o outro, causando dano aos dois.

    ‘Mas o poder não diz que eu posso mover o primeiro alvo!’

    Aí tem a diferença entre a mecânica e a descrição. Tu pode dizer na descrição que empurrou um alvo contra o outro, mecanicamente você só causou dano aos dois.

    Essa maior liberdade na imaginação das cenas é algo mais natural pro pessoal que já jogava sistemas com pensamento similar (Exalted, Scion, etc.), mas acaba escapando de quem está acostumado com sistemas que tentam representar tudo mecanicamente e não permitem ações fora do sistema. Uma falha da 4e é que eles demoraram para deixar essa atitude mais clara.

  4. cesar/kimble said, on 30/07/2009 at 19:14

    Ah, e baixa o demo do Character Builder no site da Wizards. Você vai fazer a ficha na metade do tempo e ainda vai ser divertido.

  5. Carlos Hentges said, on 31/07/2009 at 09:20

    Salve,

    Valeu pelos comentários. Entretanto, não concordo que o meu texto revele a minha falta de imaginação. Pelo contrário, o livro tanto confia nela que deixou ao meu encargo responder as lacunas das regras e dos textos, que parecem voltados não para um combate que se passa na imaginação dos jogadores, mas sobre uma mesa, com miniaturas e mapas quadriculados.

    Na minha humilde opinião, toda vez que um jogador pega uma miniatura, avança quatro casa e diz “eu ataco”, ele está deixando de se concentrar na imagem de seu guerreiro em carga furiosa, investindo contra o inimigo.

    Claro, o problema pode ser comigo, capaz de fazer apenas uma coisa por vez.

    Aguardo pelo primeiro combate para colocar à prova minhas impressões iniciais.

    E para os jogadores de D&D 4th, um aviso amigo: não fiquem como os entusiastas do software livre.

    Até,

  6. cesar/kimble said, on 31/07/2009 at 10:12

    Não é falta de imaginação, é falta de costume. 3e é um sistema que prega que tudo deve ter representação em regras e que você só pode fazer o que pode simular de alguma forma mecanicamente (mesmo que a mecânica seja criada na hora, pelo Mestre). Isso não é incomum, vários jogos tem pensamento similar.

    A 4e (e mais um monte de jogo no mercado) preferem seguir um modelo de pensamento onde a mecânica só importa para garantir um equilíbrio mecânico e uma representação dos pontos principais (ataques, danos, condições positivas e negativas). O resto (como as coisas são visualizadas ou ocorrem no ambiente imaginário) é aberto. Isso é mais claro em jogos que abrem mais espaço para essa criação durante a história (como Exalted e Scion, que eu citei).

    E quanto ao software, sério, experimenta. Não custa nada pra você e vai te ajudar a criar o personagem de uma maneira bem mais fácil. O CBuilder está sendo considerado uma das melhores inovações da nova edição e existem boas razões para isso. Não é questão de ser ‘entusiasta’, programas para criação de fichas de personagem já são algo antigo lá fora e já usei vários deles. O CBuilder consegue ser melhor que a maioria porque realmente facilita o processo, em vez de ser somente uma planilha eletrônica que não faz cálculos, o que acontece com vários programas.

    E além disso, assim você pode ser um dos poucos entre os blogs brasileiros a falarem do CBuilder entendendo do que está falando. Sobra blogueiro que fala do Insider ou das ferramentas sem nem ter experimentado qualquer um dos dois.

  7. Carlos Hentges said, on 31/07/2009 at 10:26

    Cesar/Kimble,

    Na condição de fã da White Wolf, do Hunter: The Vigil em especial, entendo perfeitamente o que você está dizendo. As Táticas funcionam exatamente da forma como você descreve ao citar o Scion, que não conheço, como exemplo.

    O que me incomoda, como tentei explicitar melhor no comentário anterior, é minha aparente incapacidade de concatenar regras que exigem movimentação e opções táticas com a evocação imaginativa de uma cena de combate.

    Novamente, é provável que o problema seja comigo e a forma como eu acho que as coisas devam ser em uma mesa de RPG. O D&D 4th, me pareceu até aqui, parece necessitar de uma habilidade que eu não tenho e não desejo desenvolver. Quem sabe, eu venha a descobrir que não é o jogo para mim. Quem sabe, eu me apaixone. Continue acompanhando os posts…

    Quanto à referência ao software livre, foi uma piada mal feita. Alguns dos seus entusiastas tendem a defender ferranhamente suas opções em todos os fóruns, listas e blogs possíveis.

    Seria muito chato se o D&D 4th produzisse o mesmo tipo de criatura.

    Assim que puder, testarei o Character Builder.

    Gracias,


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