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Crônicas Hiborianas – Terceira Edição: Maldito Feiticeiro!

Posted in GURPS, Mutantes&Malfeitores, O Jogador, RPG by Carlos Hentges on 08/07/2009

Crônicas Hiborianas – GURPS e M&M. Dois Sistemas, Dois Jogadores, Dois Mestres.

Terceira Edição: Maldito Feiticeiro!

Ato I: Novos rumos

Decidido a abandonar Shadizar e Zamora para procurar mais tranqüilidade em outro local, Conan gasta os parcos pertences em uma Caravana, certo de que misturando-se a uma multidão será menos notado. A trupe de mercadores segue pela Estrada dos Reis e, logo que adentra o território de Coríntia, rumo ao oeste, pára um dia em um pequeno povoado. A semelhança com seu antigo vilarejo na Ciméria traz boas recordações, inclusive quando ajuda o ferreiro local a reparar as armas dos guardas em troca de alguns jarros de vinho e uma arma. Conan agora possui um temido machado de batalha. Troca sua espada por uma cota de malha, prevendo os problemas que virão.

No dia seguinte, partem rumo a Athros. Passam pelos Desfiladeiros Assombrados, que “uivam” permanentemente devido a seu formato estreito, fazendo com que o vento que sopre assuste os incautos. O desfiladeiro situa-se nas Montanhas Karpash, que Divide Zamora de Coríntia. Desviando da Estrada dos Reis logo que cruzam o desfiladeiro, rumo ao norte, chegam a Athros.

Ato II: Confie nos sentidos

Conan hospeda-se em uma taverna qualquer, e algumas horas após chegar na cidade, regida pelo Rei Zhenkri, o Leão da Coríntia, é procurado por um homem em vestes finas. Os pouco mais de 12 mil habitantes parecem não ter sido suficientes para escondê-lo. Ao menos não há tanta degradação quanto em Shadizar.

O jovem se identifica como Dalius, servo de um influente senhor do oriente que está na cidade buscando conhecimento. Oferece trabalho e vinho fino, melhor que o da taverna. O que chama atenção de Conan é o fato de suas descrições terem sido ligadas ao ocorrido em Arenjun, na Torre do Elefante.

Acompanhando o jovem letrado pelas ruas, chega até uma casa vistosa, com colunas ostentando um poderoso teto. Após aguardar em uma ante-sala, é chamado a entrar. Seus pêlos eriçam. Todo aquele material é assustador: livros, poções, pós, temperos. Eis que entra o amo de Dalius, Asketh, o Kitanês. Ele vem viajando há anos do oriente em direção a terras desconhecidas, juntando histórias e artefatos. Um rápido olhar em volta e tudo não passa de quinquilharias para o Cimério. A face de uma Gárgula entalhado na pedra chama atenção, lembrando-o da sua última batalha.

AskethA proposta de Asketh é que Conan descubra quem é o envolvido na trama para tirar o Zhenkri de seu trono. Ele não pode se envolver e, portanto, precisa ajuda de alguém de fora da cidade, que seja alheio a tudo. Um pedido alto de Conan é rechaçado, mas 100 peças mais um vidro com uma poção estranha, que segundo o intelectual vale 1.000 peças, são dados como adiantamento. Segundo ele, é para o Cimério usar aquilo só em uma situação de extremo risco. “Veneno”, pensa Conan.

Ato III: Atrás de problemasSilvia, A Santa

As moedas ganhas são convertidas em suor da prostituta mais bela e cara da cidade. Silvia, A Santa acaba dando informações, ainda que contrariada. Conan volta para a taverna satisfeito: com vinho, dinheiro e após ter descansado nos braços de uma bela mulher.

No outro dia ele decide ir até a taverna freqüentada pelos soldados para procurar algum que não goste do Rei. Logo que abre a porta, a conversa cessa. O vento bate em seus cabelos e o sol nas suas costas faz com que os homens vejam apenas sua silhueta poderosa. O machado está em mãos. Lentamente, ele entra e pede algo para comer. Com cerca de 30 homens olhando para ele, diz:

– Há algum entre os tantos que se identifica como Capitão?
– Não está no lugar errado, bárbaro? – fala uma voz ao fundo, afastando alguns homens da frente e aproximando-se da mesa de Conan.
– Estou onde Crom quer. E um Cimério não deve satisfação a ninguém – identificando aquele que se dirigiu a ele com vestes distintas, Conan prossegue com seu ataque:
– És tu que fala pelas costas do Rei? Parece, se escondendo atrás de tantos homens que mais parecem mulheres.
– Não me escondo de ninguém e nem falo de forma traiçoeira sobre meu Rei, seu porco imundo. Temos educação, coisa desconhecida para nortistas como tu.
– Cão! Quanto a seus guardas, temos guerreiros como tais na Ciméria. Chamamos de mulheres!
– Para fora! Agora!

Chamado para um combate corpo-a-corpo com o Capitão Dinak, Conan se desfaz do machado e da cota de malha. Sucessivos golpes atingem seu oponente, bem como ele recebe alguns, sem gravidade. Enfim, o Capitão sucumbe ao segundo golpe aplicado na linha das costelas, caindo de joelhos. Conan chuta sua mão de apoio, fazendo-o bater o rosto contra o chão. Com um sutil sinal para um de seus homens que formaram um círculo ao redor, Dinak pede a espada. Essa tem sua trajetória interposta pela mão do bárbaro que, sem pestanejar, decapita o covarde Capitão na frente de seus homens.

Quando a situação parece que vai sair de controle, Baldas aparece, outro Capitão. Ele despreza o recém derrotado, dizendo que possuía aquele posto mais por influência política do que por capacidade. Novamente, Conan repreende os guardas que planejam contra o Rei, e não obtém resposta negativa de Baldas, apenas um conselho para que se retire dali logo.

Ato IV: Rumo as Montanhas Karpash

Um novo emissário de Asketh traz informações sobre uma ronda de guardas que acontecerá na noite próxima. Não há razão para uma patrulha ir lá, o que chama atenção de Conan. Provendo mantimentos e um cavalo alugado, ele parte antes do sol se pôr.

Montanhas KarpashEscondendo o cavalo em uma mata próxima, espera até que alguém se aproxime. Alguns minutos após a noite engolir a montanha, 6 cavaleiros são ouvidos. A voz de Baldas é reconhecida. Quando adentram na montanha, cerca de 30 metros abaixo, Conan segue os homens por caminhos tortuosos na parede da montanha. Seus passos leves e a escuridão além do alcance das tochas o ocultam completamente. Após algumas horas de caminhada lenta, eles chegam até um salão grande, com altas colunas suportando o peso da montanha. Uma busca revela algo assustador: sobre um altar há uma armadura enegrecida pelo tempo. Talvez algo dos tempos antigos, dos Atlantes, pensa Conan, relembrando as histórias de seu avô.

Baldas ordena que 3 dos homens retornem à cidade para dar notícias. Ele e outro vão até os cavalos buscar algo para acampar ali dentro. O que fica sozinho é a nova vítima do Cimério. Aproximando-se sorrateiramente, domina o oponente. O esguio oponente livra-se do abraço mortal, mas não consegue evitar uma facada certeira no pescoço.

Colocando o cadáver sentado, escorado em uma pedra, Conan aguarda Baldaspronto para mais uma emboscada. Baldas e o outro soldado se aproximam, e este último não tem a mínima chance de se defender de um poderoso golpe de machado, que o parte ao meio. Apavorado com a cena, Baldas recua, tentando manter a mão firme. Com um golpe de sorte, consegue fugir de Conan, mas é logo alcançado. O punho forte do bárbaro sufoca o traidor, enquanto exige respostas.

Baldas nada sabe: foi contratado por Asketh para achar aquela maldita armadura, não sabe de nada sobre a conspiração contra o Rei, e muito menos sobre o que Conan faz ali! O pavor em seus olhos diz que ele fala a verdade. É hora para uma nova emboscada.

Ato V: Maldito traiçoeiro

A trama cresce. Os fios se trançam. Conan não sabe por que está sendo usado por Asketh. Talvez este queira mais influência perto do Rei. Talvez queira aquela armadura para tirar o Rei de seu posto. Uma breve olhada na armadura não revela nada, e Conan decide rumar para a cidade. Próximo a ela, entretanto, um grupo de cerca de 12 homens, liderados por Asketh, ruma para as montanhas. Conan os segue de longe.

Chegando à montanha, ele já sabe o caminho. Muitas vozes e tochas o guiam por sua rota acima dos guardas. Chegando ao altar, Asketh dá uma breve olhada na armadura, enquanto manda seus homens abrirem baús, prepararem um altar, enfim, reunir as tralhas daquele que já é um homem morto, só ainda não sabe disso.

Devorador de AlmasEnquanto prepara o bote, Conan percebe de relance o brilho esverdeado resplandecente do capacete que um dos guardas pega na mão. Compelido por algo mais forte que a pobre alma, o soldado o veste. Um estrondo é ouvido, e uma espécie de onda de choque percorre o salão, fustigando os pilares. Aquela armadura, agora viva, levanta-se até meio metro acima da cabeça de Conan. Asketh joga-se aos pés do ente, jurando servidão, mas antes que possa fazer algo, o Devorador de Almas arranca sua cabeça para saborear-lhe a espinha dorsal. Os homens correm apavorados. Mas Conan não é um homem qualquer, e ele investe rogando pragas por não ter ele mesmo matado o traidor Khitanês.

Um poderoso golpe que arrancaria a perna de qualquer homem é desferido por Conan, na altura do joelho. Mas o Devorador não é mais um ser humano há muito tempo. O golpe não o derruba. Conan é arremessado longe com um soco. O cabo de espada que jazia no altar é tomado pela mão do ser de feições negras e olhos vermelhos, que defende-se com a outra mão de mais um golpe poderoso de Conan. A força que aleijaria um homem somente faz o Devorador recuar. Com um estrondo violento, as colunas começam a ceder, e as correntes da porta de uma espécie de mausoléu situado atrás do altar se rompem. Mãos putrefatas surgem daquela porção enegrecida da caverna.

Fraco por ter recém despertado, e sentindo os dois violentos golpes desferidos pelo Cimério, o Devorador se entrega à escuridão do mausoléu. Um último ânimo de fúria cabe a Conan: ele arremessa o poderoso machado, mas os corpos sem vida protegem o amo. Um último grito do Devorador faz os pilares tremerem mais ainda, e o teto começa a ruir.

Conan é o último a sair da caverna. A montanha está mais baixa agora. Crom se sentará mais próximo do chão quando ali repousar.

Crônicas Hiborianas:
Sistema: GURPS
Narração e Texto: Carlos Alexandre “Gói” Fedrigo
Conan: Carlos Hentges

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