The Truth's For Sale

Hunter: The Vigil – The Road to Hell…

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 10/06/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 08 – The Road to Hell…

Brave new world of secret fantasy
That hovers just beyond your bloody grasp
Close enough to thrill, the danger of the kill
Price for failure of your will

Bruce Dickinson – Accident of Birth – Road to Hell

2009, 20 de Março

Cena 01 – Tocaia

Jonathan Trager acabara de ouvir um homem ser morto. O provável assassino de sua irmã e sobrinha. Parado em uma esquina nas imediações da residência de Troy Anderson, espera a chance de testemunhar o próximo acontecimento terrível. Mark Spector sai e retorna conduzindo uma picape. As portas da garagem de Anderson são fechadas e assim permanecem por alguns minutos. Quando o veículo parte, leva um volume envolto em plástico escuro. Trager esconde-se entre árvores de um jardim, mas não tem sorte na perseguição. Quando consegue encontrar um táxi, o alvo já sumiu de vista. E, contrariando suas expectativas, não parece dirigir-se ao Lincoln Park.

2009, 21 de Março

Cena 02 – Nova Direção

Karl Krueger chega ao auditório do Departamento de História da Universidade de Chicago com antecedência. Apenas alguns funcionários e professores – Caleb Whitfield entre eles – já se encontram no local. Ocupada com os últimos detalhes, Elizabeth Leeds tem tempo apenas para um rápido aceno e um sorriso. A cerimônia, inesperada, servirá para a transmissão do cargo mais importante do departamento. Depois de quase uma década, Michael Cathcart sai de cena e Whitfield toma seu lugar. Com intenção de cumprimentá-lo, Krueger aproxima-se.

– Meus parabéns, professor Whitfield.
– Obrigado, professor Krueger. É bom tê-lo aqui.
– Não poderia deixar de saudá-lo.
– Fico feliz… E percebo que tem um hematoma no pescoço. Achei que seu acidente de automóvel não havia sido tão grave.
– Estou bem. A única marca foi o cinto de segurança que deixou.
– Ótimo, seria terrível que sua presença na Universidade se tornasse ainda menos freqüente.
– Certamente, eu…
– O professor Cathcart acaba de chegar. Dê-me licença, professor Krueger. Mais uma vez, é ótimo tê-lo aqui.

Durante o discurso, é possível constatar o prestígio de Cathcart. Praticamente todos os professores do Departamento de História, e diversos membros eméritos de outras áreas, comparecem. A recepção a Whitfield, entretanto, é apenas cortês. Nos aplausos, claramente ouve-se o som do desdém. Indicado pela reitoria para o ano e meio de mandato que faltava a Cathcart cumprir, a ausência de legitimação pelo voto será a primeira dor de cabeça do recém empossado.

Cena 03 – Entre os Tubarões

Desde sua formatura e encerramento do período como cadete, a oficial Lucy O’Hara viu o capitão Steve Georgas em diversas oportunidades. Como comandante do 18º Departamento de Polícia de Chicago, ele é responsável por tudo que acontece ali durante os três turnos. Apesar disso, Georgas nunca lhe dirigiu a palavra diretamente, até agora. Da porta de sua sala, ele acena para O’Hara. Enquanto se dirige até lá, a oficial se pergunta o que pode ter feito de errado…

Na sala, Georgas espalha o corpanzil com sobrepeso sobre uma poltrona.

– Oficial O’Hara, este é o agente Dennis Bryson, do FBI. Ele está nos ajudando nesses casos do Lincoln Park. Eu lhe disse que seu relatório logo estaria pronto, mas ele preferiu lhe fazer algumas perguntas imediatamente.

Em uma das poltronas está o agente do FBI Dennis Bryson. Seus olhos pequenos observam O’Hara com atenção.

– Oficial O’Hara, soube que salvou a vida de um homem esta noite.
– Ivan Mendez, agente Bryson. Felizmente, consegui estabilizá-lo.
– Mendez. Isso. Parece que ele se machucou bastante.
– Sim, senhor. Ferimentos no rosto, pescoço e peito. Cortes profundos.
– Como foi que você o encontrou?
– Recebi uma chamada da central do Lincoln Park. Havia algum tipo de distúrbio com os animais no Zoológico Fazenda. Encontrei Mendez caído no chão, perto de um curral. Os animais estavam muito agitados.
– Entendo… E na noite anterior, você abordou dois homens dentro do parque.
– Sim. Karl Krueger e Jonathan Trager. Quando os alcancei, estavam em choque. Pareciam muito assustados.
– Como os animais no curral…
– Ah… Exatamente, senhor.
– Muito obrigado, oficial O’Hara. Vou ler o seu relatório com muito interesse. Algum detalhe que você considerou irrelevante registrar?
– Não, senhor. Está tudo no relatório.
– Muito bem, agente Bryson. Acho que é o suficiente. A oficial O’Hara passou por muita coisa nas últimas noites. Oficial, você está dispensada do seu próximo turno. Aproveite e descanse.

Cena 04 – Negócios Escusos

Trager gasta a manhã de sábado em busca de um carro que caiba em seu orçamento e de informações a respeito da Fortuna Incorporações. A navegação revelou que a empresa foi criada por John Burgess e deixada em testamento para um colaborador de longa data: Adam Smith. O prédio da Fortuna e dois outros de propriedade da empresa desabaram na madrugada de 20 de março. Adam Smith está desaparecido. Suspeita-se que possa ter sido vítima da tragédia. A hipótese de atentado terrorista, aventada inicialmente, já foi descartada pelas autoridades.

Network ZeroA respeito dos crimes em Lincoln Park, Trager não consegue ir além daquilo que os jornais já estão noticiando. Os dois homens assassinados no local eram membros dos Reis Latinos, uma gangue conhecida por atuar na região sudoeste da cidade. Pelo perfil das vítimas, suspeitasse da Máfia Russa, cujas ações baseadas na Vila Ucraniana já foram combatidas pela Polícia de Chicago. A ausência de indícios a respeito da autoria dos crimes faz que a tese da guerra de gangues predomine, mas sem unanimidade.

Em sua última tentativa de descobrir algo, Trager não dá sorte. A informação que deseja, a respeito de eventos estranhos no Lincoln Park, está vinculada a um site que exige uso de senha de segurança. Incapaz de vencer a barreira, Trager desiste. Chama sua atenção, porém, o logotipo na página: Rede Zero.

Cena 05 – Visita Inesperada

Com a noite de folga em vista, O’Hara aproveita para checar as informações que Vittorino lhe passou a respeito de Krueger e Trager. Para sua surpresa, elas batem. O detetive pode ter exagerado um tanto, mas certamente não mentiu a respeito dos dois. Os símbolos que anotou no corpo de Javier Webster durante a autópsia certamente devem tê-lo perturbado. Mas uma sociedade secreta assassina de professores e alunos na Universidade de Chicago? Parece um pouco… Dramático!

Mais tarde, ela visita sua mãe, Claire. O apartamento pequeno, desordenado e com forte odor de cigarros contrasta em tudo com as lembranças da infância.

– Olá, Lucy. Você não avisou que viria.
– Estou de folga. Resolvi passar para dar um “oi”.
– Você sabe que é sempre bem-vinda.
– Sim, mãe. Eu sei.
– Você quer um café.
– Não, obrigada.
– Bem, eu quero. Volto em um instante.

Afastando-se, Claire dá tempo para que Lucy olhe ao redor com mais cuidado. O cinzeiro está cheio. Abertos em volta de um computador, inúmeros livros sobre Direito e Política aguardam. Um gato sai do quarto e se enrosca em seus pés.

– Me desculpe pela bagunça.
– Tudo bem.
– Eu sento para escrever e fumar. Como as idéias não vêm, acabo apenas fumando.
– Mãe, eu tenho que ir.
– Está bem. Eu sei como são os horários de vocês. Com o seu pai, era a mesma coisa.

Até quase o final ela conseguiu ficar sem falar no ex-marido. Paul faz falta às duas. Ele morreu em ação pela Polícia de Chicago, e a depressão transformou Claire em uma morta-viva. Apenas quando abraça a mãe Lucy percebe que o pequeno apartamento não tem fotografias.

A caminho da rua, ela recebe uma ligação de Vittorino.

– E então, falou com algum dos dois?
– Ainda não.
– Por que?
– Queria dar uma olhada na ficha deles. Ver os relatórios a respeito dos casos que você mencionou.
– O que achou?
– Parece que é isso mesmo. Tem algo esquisito em torno deles.
– Isso foi o que eu te disse, O’Hara.
– Sim, mas eu…
– E os relatórios… Eu os escrevi.
– Meus parabéns!
– Não preciso da merda da sua aprovação. Preciso que você faça a porcaria que eu te disse para fazer.
– Sem chance, Vittorino. Desse jeito, as coisas não vão funcionar.
– Espero que elas funcionem para você, então. Na Patrulha. Porque tenho certeza de que você nunca vai sair de lá.

Cena 06 – Míope Livros Usados

A Míope Livros Usados é uma loja tradicional de Chicago. Obras de segunda mão recheiam quatro andares de prateleiras repletas. Muita coisa rara. Cerca de 80 mil volumes organizados segundo os critérios impenetráveis de Garland Clements, o proprietário. Absorvido pela leitura, o idoso tenta livrar-se com um aceno impaciente das perguntas de Krueger.

– O que você quer?Garland Clements
– Estou dando uma olhada nos livros.
– É claro que está, não é mesmo?
– O que o senhor quer dizer? Estou apenas olhando.
– Sim, eu vi. Porque se estivesse roubando, eu não falaria com você desse jeito, meu filho.
– Ah… Bem, obrigado.
– Você é o tal Krueger, não? O que Bergmann está esperando.
– Como é que o senhor sabe disso?
– Porque ele me disse, ora. Bergmann está lá em cima. No quarto andar. Livros Raros!

A conversa com Bergmann é difícil. Depois do encontro no dia anterior, Krueger sente que ele é a única pessoa com quem pode dividir os acontecimentos recentes. Entretanto, como falar de restos mortais, lapsos de memória e diálogos com mortos sem candidatar-se à camisa de força? Resumidamente, e omitindo uma série de incertezas, Krueger relata suas experiências, estimulado pelas eventuais perguntas do interlocutor. A fleuma com que Bergmann ouve tudo aquilo é desconfortável. O que é pior – ele duvidar da sanidade de Krueger ou estar disposto a engolir tudo sem questionamento?

Na despedida, depois de ouvir de Bergmann que ele precisa conversar com algumas pessoas antes de emitir uma opinião a respeito do que ouviu, Krueger nota a estranha disposição das obras na saleta dos Livros Raros.

– Como é que você consegue encontrar o que precisa? Os livros não têm marcas na capa ou na lombada.
– É muito fácil. Basta decidir o que desejo saber.

Cena 07 – Retorno ao Lincoln Park

Enquanto observa o jovem tamborilando no painel do carro, Trager se pergunta onde diabos estava com a cabeça para aceitar a forma como Henry Mailer o abordou… Ah, claro, bastou o ego inflado ser acariciado. Ao dizer que era um admirador dos livros de Trager, Mailer conquistou o direito de ser ouvido. E, após pedir um autógrafo, bem, não havia dúvidas de que o jornalista, e escritor, sentia-se mais receptivo. É como se Trager fosse o grande fã dos seus fãs.

Tudo não passou de um subterfúgio, é claro. Tudo que Mailer queria era ter a chance de mostrar aquela imagem. Borrada, escura, distorcida e quase incompreensível. Seria um animal selvagem de grande porte entre a vegetação? Os dois olhos brilhantes encaram a câmera diretamente.

– Foi mais ou menos aqui que eu estava quando vi você e seu amigo.
– Já disse que não lembro do que aconteceu naquela noite.
– Bem, então a oficial O’Hara partiu atrás de vocês naquela direção. Eu perdi tempo tirando o equipamento da mochila.

(…)

– E foi aqui que vocês dois pararam. O’Hara me mandou desligar a câmera, mas eu apenas a abaixei. Foi quando começamos a ouvir o que parecia uma respiração. Eu apontei para todos os lados, mas só em casa vi o que tinha filmado.
– E agora você acha que tem um urso a solta no Lincoln Park…
– Sei lá, mas é esquisito, você não acha? Aquela pedra ali, ela deve ter quase dois metros de altura. E o bicho agachado é do tamanho dela.
– Vamos dar uma olhada por aqui.
– Se tivesse um animal, as autoridades avisariam. Mas o Zoológico não informou nada a respeito de desaparecimento de animais. Quero dizer, esse lugar passa o dia cheio de gente. Seria perigoso.

Enquanto Mailer conjectura, Trager encontra pêlos escuros preso na borda naturalmente serrilhada da pedra. Idênticos aos que estavam na dobra da camisa com que saiu do Saint Joseph Hospital. Fragmentos de cimento e concreto também podem ser vistos claramente. Sem mencionar nada a Mailer, ele guarda para si os possíveis significados da descoberta.

– Essa O’Hara que estava com Clareiravocê, sabe alguma coisa dela?
– É policial. Da Patrulha. Faz parte daquele grupo criado pelo prefeito Daley depois que dois dos Reis Latinos foram mortos dentro do parque.
– Falou com ela novamente?
– Não. Acho que ela não foi com a minha cara. Estava me expulsando quando nos conhecemos.
– Ok! Bem, vou precisar de uma cópia desse vídeo.
– Pode deixar. Assim que estiver pronto, entrego para você.
– Eu mesmo posso fazer a cópia.
– Sem chance. Não vou te dar o original, Trager.
– Eu preciso disso hoje para tentar chegar a uma imagem melhor.
– Eu já fiz isso. Como acha que consegui a foto que mostrei? É um dos quadros do vídeo. Não vai ficar melhor do que isso. Pode ficar com a foto, se quiser.
– Não quero essa merda de foto. E pode ficar com o vídeo que não mostra coisa nenhuma, também.

Cena 08 – Uma Nova Tocaia

Aguardando em frente ao prédio, O’Hara tenta se aquecer. Apesar das merdas que Vittorino lhe disse, ou graças a elas, ela decidiu não deixar a curiosidade de lado. O’Hara tem tempo apenas de anotar a placa do carro durante a rápida passagem de Trager.

Depois que o jornalista parte, a oficial decide fazer o mesmo. Entretanto, uma pessoa à porta do prédio chama sua atenção. É o mesmo homem que estava arranjando confusão na Emergência do Saint Joseph quando ela estava sendo a babá de Trager e Krueger. Ele toca o interfone algumas vezes antes de desistir. Nos degraus, é abordado por O’Hara.

– Olá! Procurando alguém?
– Sim. Uma amiga.
– Que azar. Eu também fiquei de encontrar um amigo aqui.
– Mais sorte para nós da próxima vez, então.
– Bem, se ela deu o cano em você, e ele em mim, bem que poderíamos nos juntar para um café.
– Não sei, acho que não é boa idéia. Eu tenho que ir andando.
– Quem sabe outro dia, então?
– Olha, nem hoje nem outro dia. Por que você não simplesmente vai embora?

Desnorteada pela agressividade inesperada, O’Hara decide que já teve o suficiente de Chicago para uma noite de folga.

Cena 09 – Preparativos

Krueger e Trager encontram-se no apartamento do primeiro. Dividem opiniões sobre assuntos que os inquietam. Alguns recentes, outros nem tanto. A respeito do período apagado de duas noites atrás, pouco conseguem fazer. Trager acredita lembrar-se da fuga pelo parque, mas suspeita que pode ser uma associação incorreta, tendo em vista que fez o mesmo trajeto mais cedo, em companhia de Mailer. Entretanto, ambos concordam que a voz de uma mulher, seja lá quem ela for, está entre os fatos turvos que suas memórias não alcançam. Trager pensa na jovem que viu perto de casa, poucos minutos antes. Achou que fosse alguém que esteve no enterro de Victoria e Mayara, porém…

Decididos a encontrar algumas respostas, Trager e Krueger dirigem-se ao Lincoln Park.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires
Lucy O’Hara: Sabrina Teixeira

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