The Truth's For Sale

Hunter: The Vigil – Os Sussurros dos Mortos – Parte III (Final)

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 08/04/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 06 – Os Sussurros dos Mortos – Parte III

I destroyed you to protect you
From all the things I never want to be.
I ruined you so I could ruin me.
No guilt, no sympathy for me.

Flesh Field – Strain – Amoeba

2009, 15 de Março

Cena 01 – Despedida

No gramado, diante da casa de Victoria, opções são consideradas. Krueger acredita que a irmã de Trager e sua sobrinha, Mayara, possam ficar em uma cabana na cidade onde reside sua família, em Greenville, no Maine. O local embrenhado no bosque é mais comumente utilizado para incursões de caça. A resposta de Victoria, porém, não é receptiva.

“O que você sugere? Que eu deixe minha casa e leve Mayara, que precisa de cuidados especiais, para o meio de um bosque no Maine? E para que eu faça isso você sequer é capaz de me dar um motivo? Você arranjou problemas a respeito dos quais não quer falar e os trouxe para a minha casa, e espera que isso seja tudo que eu preciso ouvir antes de deixar o meu lar?”

Ciente de que é a fonte dos problemas de Victoria e do perigo que ela corre, Trager decide deixar a casa da irmã. Enquanto arruma suas coisas, alguém bate à porta. Trata-se de Troy Anderson e outros dois vizinhos, conhecidos apenas de vista.

“Olá, não nos falamos muitas vezes desde que você se mudou. Eu e meus amigos fazemos parte da vigilância do bairro. Enfim, vizinhos que cuidam de vizinhos. Soubemos que você teve problemas mais cedo. Está tudo bem? Victoria e seu ex-marido, Malone, às vezes tinham problemas. Achamos que ele poderia ter voltado. Se precisar de algo, apenas entre em contato. Victoria tem os nossos telefones”.

Trager rejeita a oferta da “quadrilha do bairro”, pega sua mochila e despede-se da irmã. Sem idéias ou dinheiro, decide desabafar com Penny, a garçonete do Gunga Dinner. Compadecida, ela lhe oferece um quarto que antes pertenceu a um ajudante da cozinha, nos fundos do bar. O espaço é modesto e o barulho começa cedo, mas é ofertado com um sorriso sincero. Sem opções, e sentindo-se mais próximo de Penny nesse momento, Trager aceita.

2009, 16 de Março

Cena 02 – Até que ponto…

Naquela manhã, Trager e Krueger encontram-se no Gunga Dinner. O jornalista informa que deixou a casa de Victoria, o que desagrada a seu amigo. No caminho, Krueger pensava a respeito do que fazer a seguir. Mais do que isso, do que ele seria capaz de fazer. Ele, que sempre conviveu com a presença de armas, pela primeira vez a tinha apontado para outra pessoa. O que mais estaria porvir? Eles tinham que tomar uma decisão a respeito do testamento de Ellsworth e a necessidade de recuperar suas cinzas do Parque das Acácias. Trager não parecia estar raciocinando direito. Ao mencionar os eventos recentes, o jornalista sugere que deveriam simplesmente fazer o que o falecido Ellsworth havia pedido e esperar pelo resultado. Mais ou menos como fizeram Jerry Detwiller e Judith Nadler, pensa Krueger, que agiram no escuro para encontrar a morte e a insanidade.

Mais tarde, os contatos de Trager surgem com novidades. As informações que tinha a respeito de Rudolf Bergmann estavam corretas. Além disso, um fato chamou atenção nas pesquisas. Desde que passou a residir nos EUA, há quinze anos, Bergmann viaja até Munique quatro vezes ao ano. Sempre em datas muito próximas e para estadas breves. Uma das datas, Krueger viria a descobrir, está relacionada ao encerramento oficial das atividades da Sociedade de Thule (Thule-Gesellschaft).

2009, 17 de Março

Cena 03 – Preparativos

Em encontro com seu editor, David Hoffman, Trager consegue um adiantamento por uma reportagem e a promessa de enviar os primeiros manuscritos a respeito dos estranhos eventos recentes na Universidade de Chicago. É o suficiente para que ele arranje um pequeno apartamento e comece a reorganizar sua vida, novamente.

Krueger, por sua vez, comporta-se como alguém que espera problemas. No porta-malas de seu carro guarda um galão com gasolina e fita adesiva. Além disso, compra munição para sua arma. No intervalo das aulas, recebe uma ligação de Rudolf Bergmann.

2009, 18 de Março

Cena 04 – Restos Mortais

O encontro ocorre no quinto andar de um edifício-garagem próximo ao Loop, o centro financeiro de Chicago. Bergmann já o aguarda quando Krueger estaciona o seu carro.

“Simon Ellsworth foi um amigo. Apesar de nossa amizade e confiança, ele car-parksempre manteve segredos guardados apenas para si. As suas idéias sobre arquitetura e seu poder foi um deles. Em uma das poucas vezes em que falamos abertamente a respeito do assunto, Simon revelou-me que planejava alguns detalhes especialmente importantes para o seu sepultamento. Nunca disse-me quais eram. Entretanto, fez questão que suas cinzas ficassem sob minha guarda até que as pessoas responsáveis pelo passo seguinte se apresentassem. Bem, posso estar diante do maior embaraço de minha vida, mas creio que seja o senhor essa pessoa. Por isso, lhe trouxe algo no porta-malas de meu carro”.

Ali, embalado em um saco de lixo preto, está a urna que contém as cinzas de Simon Ellsworth. Ainda que inúmeras perguntas lhe ocorram, Krueger acha por bem não fazê-las de imediato. Deixando que sua curiosidade extravase a educação e polidez de costume, Bergmann pede que, se possível, Krueger lhe revele mais tarde o resultado daquela fúnebre tarefa a quatro mãos.

Cena 05 – O Enterro de Simon Ellsworth

De posse das cinzas de Simon Ellsworth, já acondicionadas na urna encontrada no Centro Cultural de Chicago, Krueger e Trager partem até Noble Square, um dos endereços apontados no testamento como adequado para o sepultamento de seus restos mortais.

Chegando no local com uma cafeteira em mãos, Trager rapidamente engata uma conversa a respeito da fragilidade dos eletrodomésticos de hoje em dia. Enquanto distrai Edward, Krueger tem a chance de evadir-se até os fundos da pequena oficina de reparos. Ali, onde esteve dias antes, pode acessar facilmente o porão sob uma escada de concreto. Com uma pequena pá em mãos, o professor dá início à exaustiva tarefa.

Trager, por sua vez, começa a ficar ansioso com a demora do amigo. As palavras começam a faltar, o assunto morre e a desconfiança de Edward logo é despertada por uma porta deixada entreaberta por Krueger. Dirigindo-se ao pátio, Edward não encontra nada de estranho enquanto é observado por Krueger através das janelas foscas do porão. Assim que encerra seu trabalho, porém, o professor encontra um novo problema. Como deixar o local sem atravessar a entrada da loja e deparar-se com o proprietário? Saltando um muro com a ajuda de Trager, que a essa altura já excedera de todas as formas a sua capacidade de confundir o interlocutor, Krueger chega à rua e ambos, finalmente, conseguem partir após cumprir os desígnios de Simon Ellsworth.

2009, 19 de Março

Cena 06 – Chamas

Por volta das três horas da madrugada, Trager recebe a ligação.

“Alô, Trager? Jonathan Trager? Aqui é Troy Anderson. Está lembrado? Falamos essa semana… Estou ligando porque… Sinto muito. Houve um acidente. A casa de Victoria, a sua irmã. Ela foi incendiada. É melhor que você venha para cá o quanto antes”.

arsonConforme o táxi se aproxima, Trager vislumbra a coluna de fumaça negra no horizonte. Luzes coloridas iluminam bombeiros tentando conter as chamas e curiosos que se aglomeram nas calçadas. Passando por todos eles, Trager é refreado por um policial após ultrapassar a faixa de contenção. Ele esmurra o oficial e, antes de ser agarrado por mais dois homens, vê os sacos pretos jazendo no gramado de sua irmã.

Fora de controle, liga para Krueger.

“É culpa sua. Elas estão mortas e a culpa é sua. Nós não fizemos nada. Nós deixamos que elas fossem mortas”.

Antes que Krueger possa retornar a ligação e compreender as palavras gritadas por seu amigo, Trager despedaça o celular no chão da ambulância.

Cena 07 – O Dia Seguinte

Quando encontra-se com Trager, no Hospital da Universidade de Chicago, Krueger já ruminou tanto quanto pode a estupidez de seu amigo. Ele continua inconformado com a decisão de abandonar a casa de Victoria e deixá-la desprotegida. Mais do que afastá-la de seus problemas, a atitude transformou-a em um alvo fácil. Apesar disso, Krueger ouve pacientemente os balbucios desconexos e incoerentes do amigo, ainda sob efeito de sedativos, antes de dirigir-se até a Universidade.

Mais tarde, antes de preparar-se para deixar o hospital após uma avaliação final, Trager transmite ao seu editor e amigo, David Hoffman, a tarefa de cuidar dos encargos burocráticos que envolvem o enterro de Victoria e Mayara.

Cena 08 – Transtornos

Em um intervalo durante períodos de aula na Universidade de Chicago, Krueger recebe ligação de Trager. De volta ao seu apartamento recém-alugado, o jornalista parece severamente transtornado. Sem nenhum cuidado, fala abertamente em vingança, invasão e assassinato. Mesmo sabendo que não há forma daquela conversa tornar-se ainda mais comprometedora, Krueger insiste para que tratem do assunto pessoalmente.

Antes que possa deixar a sala dos professores, Krueger é abordado por Caleb workersWhitfield. Com um jornal nas mãos, o docente mostra uma curiosa foto publicada na edição do Chicago Tribune daquela manhã. Trata-se de uma matéria a respeito da exposição em comemoração ao aniversário de fundação da Linha Azul do metrô de Chicago, em 1895. Uma das imagens mostra alguns trabalhadores que envolveram-se na obra. E um deles tem uma semelhança assombrosa com Krueger. Whitfield admira-se quando o colega fala que sua família não é natural da cidade, mas do Maine.

Em seguida, a anedota revela-se apenas a introdução suave para um assunto mais espinhoso.

“Eu soube que o senhor tem tido algumas dificuldades com a manutenção de sua agenda, professor Krueger. Alterações de horários e atrasos, especialmente. O senhor, tenho que reconhecer, tem as condições de tornar-se um expoente em sua área. Entretanto, no momento, o local em que sua atenção e aptidões devem estar é a sala de aula”.

Cena 09 – Destino Insólito

Krueger e Trager encontram-se na estação Western da Linha Azul do metrô de Chicago. É final de tarde, e o movimento intenso de pessoas voltando para suas casas após um dia de trabalho torna o deslocamento uma tarefa penosa. Apesar disso, Krueger faz questão de observar com atenção o mural com fotos antigas, parte da comemoração de aniversário da Linha Azul. Para sua surpresa, nenhuma é a que viu na edição matutina do Chicago Tribune.

stationDiante da incompreensão de Trager em relação ao motivo de encontro em local tão desconfortável, Krueger menciona as exposições e a coincidência da imagem. Além disso, essa estação e as seguintes atravessam a área em que Simon Ellsworth atuou mais fortemente na reformulação arquitetônica da cidade. Krueger espera que algo aconteça, ainda que não saiba ao certo o que venha a ser.

Não demora até que as suas suspeitas se confirmem. Pela janela, observam estranhas e etéreas luzes emanando de diversos prédios. Conforme avançam além da estação Califórnia, vêem linhas iluminadas que se estendem por toda a cidade, tendo como pontos de conjunção os edifícios brilhantes. Ao aproximar-se de Logan Square, o mergulho para o subterrâneo de Chicago é substituído por uma rota de trilhos elevados que expõe um horizonte de prédios antigos, lembrando a paisagem da cidade décadas atrás. Finalmente, percebem que estão sozinhos no vagão. Ao chegar à estação Belmont, o metrô pára.

Krueger e Trager descem na plataforma vazia. Não demora até que um logan-square1homem na casa dos oitenta anos apareça para cumprimentar-lhes. Ele veste um elegante terno claro que salienta seu ar amistoso. A postura contribui para que a situação estranha nada tenha de ameaçadora.

“Olá, eu sou Simon Ellsworth. Eu estou morto. Mas isso não importa agora. Peço desculpas peço excesso de dramaticidade da situação, mas ainda estou adaptando-me a essa nova condição. Vocês chegaram até aqui porque depositaram os meus restos mortais em local adequado, conforme meu último desejo. Eu os agradeço por isso. Assim escolhi por acreditar que, cedo ou tarde, John poderia tentar me matar. Infelizmente, hoje ele está muito diferente do que quando o conheci, quando fomos amigos. Agora, não é o suficiente que ele possua a cidade. Ele quer os seus habitantes também. Seus corpos e suas vidas. Sinto que John não saiba mais diferenciar pessoas de coisas. Foi por isso que ele moldou aquelas terríveis criaturas a partir das entranhas dos locais sob seu controle. No momento, sua essência se encontra sob a terrível casa de pedra perto do Lincoln Park. Desenterrem-no, e seu poder cessará de existir”.

Trager reage com extrema desconfiança em relação àquilo tudo. Ele e Krueger podem apenas estar abrindo caminho para outra abominação invisível. O professor, apesar de reconhecer a estranheza daquilo tudo, confia nas palavras de Ellsworth.

2009, 20 de Março

Cena 10 – Incursão ao Subterrâneo

É madruga quando Krueger e Trager estacionam em uma rua paralela ao Lincoln Park. De uma posição discreta, encobertos pela sombra das árvores, observam a casa de dois andares indicada por Ellsworth. Como da primeira vez que estiveram ali, o local parece deserto.

Depois de enxotar um mendigo que pedia moedas, Trager se dirige até a porta. Prefere que qualquer atitude seja tomada na noite seguinte. Por hora, o jornalista acredita que confirmar a presença ou não de alguém na casa é o bastante. Para tanto, pretende colar um pequeno adesivo na porta da residência. Quando se aproxima, porém, sente o odor ferroso de sangue.

Ao relatar o fato para Krueger, o professor decide que a noite para tomar uma atitude é aquela. A contragosto, Trager concorda. Aproveitando-se do pouco movimento da rua durante a madrugada, Trager força a porta. O fedor de sangue e morte preenche o ambiente.

As lanternas revelam uma sala de estar com piso quadriculado e móveis vermelhos. Pesadas cortinas bloqueiam as janelas. A esparsa mobília parece desconfortável e pouco utilizada, como a página distorcida de uma velha revista de the-roomdecoração. No arco que encaminha até a cozinha, uma grande mancha de sangue começa a explicar o odor pesado no ar.

Trata-se de um homem. Seu rosto e peito estão cobertos de sangue coagulado. Os ferimentos parecem ter sido feitos por lâminas, deixando-o irreconhecível. Assustado, Trager vasculha as gavetas em busca de algo para defender-se, mas não há utensílios domésticos ali. Enquanto isso, Krueger ilumina o quarto contíguo e descobre mais um cadáver, parcialmente enrolado em lençóis ensangüentados. Ainda na cozinha, Trager abre a porta que leva a uma escadaria. Aparentemente sem uso há muito tempo, a estrutura metálica é deixada de lado assim que um alçapão que encaminha até o subsolo é descoberto.

Com a arma apontando para onde o facho da lanterna ilumina, Krueger desce primeiro. Encontra uma sala praticamente vazia. Em seu centro está um cubo parcialmente enterrado no chão de terra. No cimo, a caixa de concreto leva um entalhe que apresenta a deusa romana Fortuna, a mulher vendada que, com o polegar, ergue a faixa que lhe cobre os olhos para não abrir mão do controle do próprio destino. Na parede, no lado oposto às escadas, o concreto parece ter cedido parcialmente após um tipo de infiltração, criando reentrâncias e volumes que levam o cérebro humano a associar àquelas imagens a estranha possibilidade da parede ter seres humanos presos em seu interior.

Uma rápida avaliação deixa claro que nenhuma das ferramentas que Krueger e Trager levam consigo poderá vencer o bloco de concreto no chão. E, mesmo em conjunto, eles não são fortes o bastante para erguê-lo. Trager, porém, decide que um pedaço da velha escada de metal no andar superior pode servir como alavanca. Inseguro diante do barulho que o martelo pode fazer, ele está a ponto de desistir da idéia quando ouve um disparo vindo do porão.

Descendo as escadas, percebe que Krueger está dominado por uma criatura que lembra um ser humano. O cheiro de cal, concreto e eletricidade domina o ambiente. Aproveitando o impulso, Trager arremete contra o segundo ser expelido pela parede, obrigando-o recuar.

Com Krueger subjugado pela força de tendões de arame e ossos de basalto, Trager se aproxima e golpeia a criatura com um martelo. Imediatamente, as atenções dos dois adversários se voltam ao jornalista, cercando-o. É tempo o suficiente para que Krueger recupere o fôlego e volte empunhar sua arma. O projétil destrói parte do pescoço de uma das criaturas e a faz tombar. Aproveitando-se da confusão, ambos correm na direção das escadas. Krueger dispara contra o último alvo e o derruba. Entretanto, outros dois daqueles seres artificiais abrem caminho através das paredes.

Antes que possam continuar sua fuga, uma série de estrondos causados por passos pesados ressoa do primeiro piso. Subitamente, em seu caminho até o alto das escadas, estão coisas que fazem algo explodir na porção mais primitiva de seus cérebros, nublando a consciência e arrancando o sentido do mundo.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires

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