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Hunter: The Vigil – Os Sussurros dos Mortos – Parte II

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 01/04/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 05 – Os Sussurros dos Mortos – Parte II

O homem matou o leão com a flecha, com a espada, com a pólvora. Mas o Horla fará do homem o que fizemos do cavalo e do boi: objeto, escravo e alimento, só porque é sua vontade. Ai de nós!

O Horla – Guy de Maupassant

2009, 11 de Março

Cena 01 – Considerações

Após dois dias tratando de assuntos pessoais, Karl Krueger e Jonathan Trager encontram-se em uma tarde de quarta-feira para discutir seu futuro imediato. Cedo ou tarde, imaginam, serão confrontados pelas conseqüências das decisões tomadas recentemente. Invasão e roubo são acusações sérias. Que outras mais estariam porvir?

Krueger sente-se inseguro. Teme as repercussões da própria ignorância após a involuntária inserção nesse cenário sombrio. Seu desejo imediato é saber. Trager, por sua vez, tem preocupações mais concretas. Quer evitar que seus familiares sejam engolfados por quaisquer que venham a ser os desdobramentos das suas atividades recentes. Como descobriremos em breve, uma preocupação justa, mas, por si só, vazia.

Cena 02 – Cinzas nas Acácias

Construído em 1928, o Cemitério e Crematório Parque das Acácias foi erguido com base em dois preceitos: simetria e Maçonaria. Ainda que não seja um local exclusivo, o ambiente é decorado pela simbologia que caracteriza a ordem e abriga alguns dos mais ilustres membros da região dos Grandes Lagos. Entre eles, Simon Ellsworth, que assinou junto de outros arquitetos algumas das melhorias realizadas na década de 1960.

As cinzas de Ellsworth encontram-se em uma ala reservada, no Mausoléu parque-das-acaciasAcácia. Ainda que não tenham uma idéia clara a respeito de como acessar a urna, Trager e Krueger encontram-se com Rudolf Bergmann, administrador do Parque das Acácias. Apresentam-se como estudiosos interessados no trabalho de Simon Ellsworth.

“Simon era um homem notável. Mesmo eu, que o conheci em sua fase ‘amarga’, tenho de reconhecer isso. Fase ‘amarga’? Ah, sim. Bem, diz respeito ao período posterior aos anos 1950, quando sua antiga amizade com John Burgess ruiu a ponto de transformar-se em rivalidade e, posteriormente, aversão absoluta. Como devem, saber, Simon e eu pertencemos a uma das potências maçônicas de Chicago. Assim nos conhecemos. Ainda que ele tenha sido um membro mais distante, deu contribuições inestimáveis, como o auxílio na renovação deste cemitério. De certa forma, gosto de pensar que seu trabalho singular faz com que ele permaneça entre nós para sempre”.

Polido na tentativa de escamotear seu interesse, Bergmann dispõe-se a auxiliar nas pesquisas a respeito de Simon Ellsworth.

Cena 03 – Atividades Subterrâneas

Naquela noite, Kruger, Trager, sua irmã, Victoria e a sobrinha, Mayara, jantam juntos. Krueger não tem maiores dificuldades para perceber que, além do rosto sorridente, a jovem Mayara carrega algum tipo de tristeza. Seria óbvio atribuir isso à sua deficiência física, que lhe confina à cadeira de rodas. Mas por que ela se esforçaria tanto para ocultar quase à perfeição um problema tão óbvio? Victoria, por sua vez, é uma mulher abatida. Aos trinta e cinco anos, parece ser uma década mais velha. A doença da filha e o constrangimento ao mencionar o ex-marido parecem trazer toda o esclarecimento de que Krueger necessita.

Mais tarde, ele e Trager dirigem-se ao porão onde o jornalista tem vivido nos últimos três meses. O ambiente é tão desorganizado quanto o era em seu apartamento, mas os ares de depósito contribuem para a impressão insalubre.

thule-logoAo computador, Trager edita o vídeo feito com o celular no Mausoléu Acácia, área subterrânea do Parque das Acácias. O resultado é a imagem pouca nítida do fundo da câmara onde se encontra depositada a urna com os restos mortais de Simon Ellsworth. Nela, distingue-se claramente o símbolo da Sociedade de Thule, um grupo secreto e ocultista que teve relação com o Partido Trabalhista Alemão e que, anos mais tarde, seria a semente para o Partido Nazista. Ao contrário dos símbolos maçônicos gravados na mesma parede, aparentando décadas, esse parece ter sido produzido recentemente.

A Sociedade de Thule (Thule-Gesellschaft) foi fundada em 17 de Agosto de 1918 por Rudolf von Sebottendorff em Munique. O nome é derivado da ilha mítica Thule, supostamente localizada no extremo norte da Europa Setentrional. O seu nome original era “Studiengruppe für germanisches Altertum” (Grupo de estudo para antiguidade germânica), mas não demorou até que ele começasse a disseminar propaganda anti-republicana e anti-semítica.

De posse dessas informações, Trager e Kruger vasculham o passado de Rudolf Bergmann, mas pouco encontram. Nascido na Alemanha, vive nos Estados Unidos há quinze anos, atuando na importação e exportação de mercadorias. Sua ligação com a Maçonaria é antiga e bem documentada, além de nada comprometedora.

Trager insiste na pista. Seus contatos não são capazes de indicar ninguém fora da Universidade de Chicago que possa fornecer material mais completo sobre a Sociedade de Thule, mas de alguns hackers ele arranca a promessa de uma varredura na vida de Rudolf Bergmann.

Cena 04 – Noite Inquietante

Ao despedir-se de Krueger, Trager observa a presença de um sedã de aparência familiar cerca de trinta metros distante da casa de sua irmã. Depois que o professor parte, ele desce ao porão e retorna com um revólver na cintura. Antes que possa identificar o motorista, o veículo se afasta. Trager suspeita que seu ex-cunhado, Ronnie Malone, possa estar rondando a área. Após verificar todas as janelas, o jornalista resolve dormir na sala, com os pés apontados para a porta, “como faziam os romanos”, evitando ser decapitado por invasores.

2009, 12-13 de Março

Cena 05 – Interlúdio

Karl Krueger pesquisa a respeito de Simon Ellsworth e John Burgess. Eles conheceram-se no início dos anos 1940, quando aprendizes em um renomado estúdio de arquitetura de Chicago – Holabird & Root. Ellsworth seguia os passos da velha guarda da Escola de Chicago, enquanto Burgess tinha um estilo mais moderno e arrojado. Nunca concordaram em nada quanto ao trabalho, mas reconheciam o valor um do outro e acreditavam que juntos poderiam desenvolver um estilo novo e definitivo.

A sua amizade, entretanto, encerrou-se anos mais tarde, em 1951, de forma abrupta. Ao longo das décadas seguintes eles duelaram pela aquisição e transformação de propriedades em toda a cidade, como que em uma batalha para impor a sua própria visão arquitetônica sobre o outro.

Em 1999, Burgess morreu vítima de complicações causadas por uma pneumonia. Ellsworth desenvolveu um câncer e deixou a cidade em busca de tratamento. À beira da morte, Ellsworth retornou a Chicago, onde acabou sendo morto em um incêndio não esclarecido pelas autoridades.

—-

A pergunta de Mayara, durante o passeio por Logan Square, pega Trager de surpresa. Ele seria capaz de acreditar nas curas milagrosas que estariam ocorrendo em algumas das inúmeras igrejas do bairro? Há alguns meses, certamente não. Mas os fatos recentes têm feito com que o jornalista conceda o benefício da dúvida a tópicos a respeito dos quais ele já teve certezas pétreas. Em sua cadeira de rodas, a adolescente parece tão frágil quanto suas esperanças. Mas não é o seu tio quem irá arrancar-lhe o ânimo, mesmo o mais infundado.

2009, 14 de Março

Cena 06 – Dia de Visitas

Com os endereços apontados pelo testamento de Simon Ellsworth, Trager echicago-school2 Krueger fazem rápidas visitas aos locais onde o falecido arquiteto desejou que seus restos mortais fossem depositados. Todas as propriedades, em graus diversos, tiveram a aparência alterada por sua visão arquitetônica. Traços comuns podem ser distinguidos no bangalô da Vila Ucraniana, na casa de Wicker Park ou na residência transformada em oficina de Noble Square.

Durante a manhã, Trager recebe uma ligação de sua irmã. Victoria afirma que um homem chamado Adam esteve em sua casa. Disse ser um amigo, e que voltaria no dia seguinte. Adam era o nome do suposto envolvido na morte de Simon Ellsworth. Apreensivo e paranóico, Trager recomenda que sua irmã e sobrinha façam uma visita à sua mãe, Emma, na casa de repouso Topo da Colina até o final do dia, quando ele estará de volta.

Cena 07 – O Duplo

Frustrada a expectativa de encontrar algum tipo de simbologia arcana nas propriedades que um dia pertenceram a Simon Ellsworth, Krueger e Trager dirigem-se até os dois últimos endereços nos quais John Burgess trabalhou. A casa de pedra em Lincoln Park está fechada. Mas o pequeno prédio de três andares em Bucktown se revela uma grata surpresa. Trata-se do antigo endereço de Richard Stark, encontrado inicialmente entre as anotações de Jerry Detwiller.

Uma placa com telefone anuncia vaga em um dos apartamentos. Trager entra em contato dizendo-se interessado, mas engole seco quando a pessoa ao interfone apresenta-se, com forte sotaque britânico, como Adam. Subitamente, ambos se vêem diante do suspeito pelo assassinato de Simon Ellsworth.

Adam, bem penteado e vestindo um traje esporte, exibe um sorriso perfeito. Solicito, apresenta o antigo apartamento de Richard Stark, ainda que não nomeie o antigo morador. O único item do imóvel é um telefone com identificador de chamadas.

Logo após explicar que a lavanderia no subsolo encontra-se interditada após um acidente com o encanamento, Adam se retira para falar com outro morador. Ao despedirem-se, Trager e Krueger assombram-se com a semelhança física entre os dois.

Intrigados, decidem seguir o vizinho de Adam. Ele caminha por dois blocos até retornar ao prédio. Ao chegar, Krueger observa um fenômeno estranho. Os três moradores cujos apartamentos dão para a rua vestem-se de forma semelhante, e poderiam ser parentes entre si, dada a semelhança física. O mais estranho é o que fazem. Os três, em andares distintos, ficam em silêncio e estáticos diante de televisores desligados.

2009, 15 de Março

Cena 08 – Confronto

O domingo passa lentamente na residência de Victoria e Jonathan Trager. Na expectativa de confrontar Adam, que afirmou retornar ao longo do dia, ele a Karl Krueger aguardam enquanto formulam hipóteses. A proposição mais coerente aponta para o fato de Adam e seus “primos” serem parentes de John Burgess levando adiante uma espécie de vingança contra Simon Ellsworth. Como se tivessem herdado a antiga rixa entre os arquitetos. Isso explicaria sua semelhança física e o fato de estarem a procura de Richard Stark e, agora, de Trager também. Mas a que atribuir seu comportamento bizarro?

Victoria, que acompanha com ansiedade a movimentação, não encontra coragem para perguntar que circunstância imprime tamanha aflição no rosto de Jonathan. No início da noite, quando toca a campainha, ela e Mayara estão em seus quartos, aguardando.

Posicionado atrás de uma estante, Krueger mal pode ouvir a conversa que se dá diante da porta. O Adam Smith que se apresenta a Trager não é o mesmo que encontraram em Bucktown no dia anterior, ainda que se pareça muito com ele. De forma cortês e indiferente, o homem pergunta sobre Richard Stark e a relação entre ele e o jornalista. Diante novas evasivas, Adam ameaça a família de Trager, ao que recebe como resposta uma série de empurrões.

Nesse momento a discussão já se dá na rua, e Krueger avança enquanto se certifica de que o revólver encontra-se no bolso do paletó. Trager cospe ameaças quando Adam entra no carro. Outro homem, que o esperava junto à porta do carro, também entra. Entre sombras, Trager percebe que ele parece usar uma espécie de máscara que lhe encobre o rosto e torna as feições indistintas.

Furioso e frustrado, Krueger se posta diante do sedã, decidido a dificultar sua partida. Assim que o carro acelera, ele saca o revólver e golpeia o retrovisor, arrancando-o. Enquanto o veículo se afasta, ambos pensam como podem proteger Victoria e Mayara.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires

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