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Hunter: The Vigil – Os Sussurros dos Mortos – Parte I

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 13/03/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 04 – Os Sussurros dos Mortos – Parte I

Only those who have suffered long
Can find the light within the shadows
A first hand trial of mislead hope
For this is the day of our wake

Novembers Doom – The Pale Haunt Departure

2009, 07 de Março

Cena 01 – As anotações de Jerry Detwiller

Durante três meses, Karl Krueger e Jonathan Trager tentaram decifrar o conteúdo do Origens do Rei Amarelo. Nenhum avanço produtivo foi alcançado diante do latim hermético de Agrippa. Chamaram atenção, porém, as anotações de Jerry Detwiller encontradas no livro. Faziam menção a encontros com um homem chamado Simon Ellsworth. Aparentemente, Ellsworth compreendia algumas das dúvidas de Detwiller a respeito de temas arcanos – ele se dizia capaz de ouvir a sabedoria dos anjos.

Entre as anotações, estavam os recortes de um jornal dando conta da morte de Simon Ellsworth em um incêndio em sua residência e o subseqüente funeral no Cemitério e Mausoléu Parque das Acácias. Junto do recorte havia o telefone e endereço de alguém chamado Richard Stark. Ao que parece, Detwiller teria um encontro marcado com Stark na semana seguinte à morte de Ellsworth, que acabou não ocorrendo devido aos estranhos eventos de que foi vítima na Universidade de Chicago.

Segundo pesquisas realizadas conjuntamente, Krueger e Trager descobrem que Simon Ellsworth foi um arquiteto de Chicago cuja reputação cresceu a partir da década de 1950, permanecendo forte ao longo dos 30 anos seguintes. Sua carreira começara no já extinto Holabird & Root, renomado estúdio onde ele conheceu seu principal parceiro, John Burgess. Seguindo os passos da velha guarda da Escola de Chicago, Ellsworth realizou inúmeras obras, sendo a mais conhecida delas a Biblioteca Municipal de Chicago, atualmente Centro Cultural da cidade. Vítima de leucemia, ele deixou a metrópole no início dos anos 2000 para tratar-se em Rochester. Ao que tudo indica, Ellsworth voltara a Chicago há não mais do que seis meses. John Burgess, que ao final dos anos de 1950 passara de amigo a rival, faleceu vítima de complicações causadas por uma pneumonia, em 1999.

Ao que tudo indica, Richard Stark era o enfermeiro de Simon Ellsworth desde seu retorno a Chicago.

Cena 02 – O Reticente Sr. Holcomb

Krueger e Trager vivem uma incerteza. É com isso em mente que se dirigem até a cada de Daniel Holcomb, que sistematicamente os tem evitado desde aquela fatídica tarde, em 19 de dezembro. Entretanto, a proximidade da verdade, seja ela qual for, não é garantia de conforto ou paz.

Krueger, por exemplo, recorda que não pôde ver muito do que Trager lhe relatou, estando atrás de mesas e cadeiras na escuridão do Laboratório 316. Isso o tem encaminhado para uma tentativa de racionalização dos fatos. Teria sido vítima de uma espécie de histeria produzida pelas considerações de Holcomb?

Trager, por sua vez, mesmo próximo da cerimônia conduzida por Detwiller e Nadler, não sabe ao certo o que viu. Ou se recusa a admiti-lo. Acreditar simplesmente não seria uma traição a alguns dos preceitos que adotou, no início da carreira como jornalista? Ainda que esteja disposto a baixar a guarda de seu ceticismo, Trager considera se recriar a cerimônia não seria a única forma de atingir a verdade.

Daniel Holcomb, fica imediatamente claro, tem sua própria maneira de resolver esses dilemas.

“Judith está morta. Detwiller, internado, tal qual um vegetal. Isso não lhes diz o suficiente? O que querem de mim? Que eu me desculpe por tudo? Podem assegurar-se de que eu sinto muito. E me arrependo. E lamento. E agradeço, por não ter tido o mesmo destino horrível. Não sei o que fizeram, apenas o que disseram os jornais. Mas se tem juízo, vocês destruiriam aquele livro maldito que permitiu que toda essa perversidade se abatesse sobre nós. Eu, Cathcart, até Detwiller, todos fomos vítimas de um tipo de sedução. Eu os alertei. Detwiller achou que podia lidar com isso, e teve um fim terrível. Eu pedi ajuda e vocês me deram ouvidos. Então, me escutem novamente. Eu amo meu neto, quero vê-lo crescer. Se vocês tem amor por alguém, ou por vocês mesmos, deixarão tudo isso para trás, como eu mesmo fiz. Pelo bem de todos”.

Cena 03 – Hospital Psiquiátrico Bishopgate

Os muros correm à direita da estrada. Com mais de três metros de altura, encobrem toda a visão, mas permitem antever uma imensa propriedade, em um local afastado e distante, nos subúrbios de Chicago. Os portões de ferro do Hospital Psiquiátrico Bishopgate abrem caminho para um longo trajeto cercado de flores vermelhas, as primeiras a despontar depois do rigoroso inverno. Dividido em alas, e com diversos prédios menores nas cercanias, o Bishopgate chama atenção pela sua arquitetura. A fachada de pedra trabalhada remete ao século XIX, enquanto o concreto insípido lembra algo feito nos últimos 50 anos. A impressão mais forte, porém, é causada pelos vitrais de seis santos que decoram o prédio principal do complexo de saúde.

Aguardando na recepção, a esterilidade típica dos ambientes hospitalares parece se somar a um sentimento difuso de ameaça. Como se apenas uma fina membrana contivesse os impulsos bestiais dos homens e mulheres confinados naquele lugar.

nolla-cooperA impressão se desvanece após a chegada da Dra. Nolla Cooper. O jaleco e os modos formais não escondem a elegância natural da psiquiatra. Responsável por Detwiller desde que foi admitido no Bishopgate, ela se mostra satisfeita pela presença de amigos do paciente. Segundo a Dra. Cooper, o restabelecimento de laços com o mundo real é fundamental para Detwiller, cujos sintomas remetem àqueles próprios do autismo.

As intenções de Trager e Krueger, porém, não são tão altruístas. Pretendem descobrir se o professor é capaz de lembrar de algo do que houve no Laboratório 316 e, se possível, dar uma pista a respeito do que pretendia com tudo aquilo. Enquanto Trager distrai a Dra. Cooper com perguntas, Krueger se aproxima do enfermo que, sentado em uma cadeira de rodas, observa uma fonte no pátio interno do hospital.

– Professor Detwiller?
– …
– O senhor não se lembra de mim. Sou Karl Krueger, da Universidade.
fountain-angel1
– …
– O senhor se recorda de alguma coisa, antes de vir para cá?

(Detwiller vira-se na direção de Krueger)
– É lindo, não é?
– Do que o senhor está falando, professor?
– Do anjo, na fonte.
– É uma bela estátua.
– Agora, eu tenho o meu próprio anjo.
– Como assim?
– Ele está em todos lugares onde eu estou.
– Ele está aqui, agora?
– Sim… Ele diz que está olhando você. E que gosta do que vê…

Cena 04 – Contato com Richard Stark

Trager e Krueger deixam o Bishopgate certos de que não podem cometer erros com Detwiller. Trager, que possivelmente foi visto durante a execução do ritual, não se aproximou. E nenhuma menção ao Origens do Rei Amarelo foi feita. Mesmo assim, ambos concordam que uma nova visita deve ser feita, em breve.

Sem pistas, decidem entram em contato com Richard Stark, cujo telefone estava entre as anotações de Detwiller. Após alguns instantes, a chamada é desviada. Ninguém atende. Três minutos depois, Trager recebe uma ligação. Claramente nervoso e um pouco paranóico, Stark concorda em encontrar Trager para falar a respeito da “mãe” do jornalista, que precisaria de cuidados especiais.

2009, 08 de Março

Cena 05 – A Primeira Cobrança

Mentiras, dano à propriedade alheia, invasão e roubo. A busca pela verdade pode cobrar preços muito altos, mas alguém precisa estar disposto a pagá-los. Krueger e Trager, pela primeira vez, questionam a moralidade que orienta as suas ações, e chegam à única resposta possível: a Vigília tem de seguir em frente.

Seu objetivo é entrar no depósito do Departamento de História, onde Krueger encontrou registros dos encontros do Núcleo de Pesquisa Acadêmica. Ele e Trager imaginam que os documentos possam revelar a natureza das atividades do grupo e ajudar a esclarecer quais eram os objetivos de Jerry Detwiller.

A empreitada envolve recuperar a chave da sala, que se encontra no gabinete de Michael Cathcart, distrair a secretária do departamento, Elizabeth Leeds, e evitar os poucos alunos e funcionários que circulam naquela manhã de domingo.

cathcart-noteDepois de imprevistos e alguma engenhosidade, o objetivo é alcançado. Entretanto, nada de mais relevante encontra-se no empoeirado depósito. A sala de Michael Cathcart, porém, guarda alguns papéis reveladores. Aparentemente, o professor estava revendo trechos das atas do Núcleo de Pesquisa Acadêmica. Uma anotação bastante recente, à caneta, expõe os desgostos de Cathcart com os rumos tomados pelos acontecimentos e lamenta a própria falta de ação, mesmo diante dos alertas de Daniel Holcomb ao comportamento temerário de Detwiller.

Seria aquele o rascunho de mais um bilhete suicida?

Cena 06 – O Testamento de Simon Ellsworth

O encontro com Stark acontece no pequeno restaurante junto do prédio onde Trager morou até recentemente. Ali, ele conhece as pessoas e a vizinhança, e sente-se mais à vontade para lidar com qualquer situação inesperada que possa surgir. O nervosismo do enfermeiro ao telefone ainda não deixou seus pensamentos. Krueger aguarda no balcão, em uma posição na qual possa observar a conversa sem despertar suspeitas.

O nervosismo de Stark fica evidente logo na sua chegada. Vestindo roupas gungadinerque parecem ter sido recém tiradas de uma mochila e com a barba por fazer, ele fica especialmente aflito quando Krueger e Trager mencionam que estão ali para saber sobre a morte de Simon Ellsworth e sua relação com Jerry Detwiller.

“É, eu trabalhei para Ellsworth. Foi nos últimos meses. Ele me contratou assim que voltou a Chicago. Ele parecia conhecer bem a cidade. Ficava falando a respeito dela, dos prédios. Disse algumas vezes que fez uns prédios importantes. De vez em quando, ele dizia que Chicago tinha um certo humor. Que a cidade podia ser controlada. Um monte de besteiras desse tipo. É sempre assim. Eles ficam velhos e sozinhos, e daí fazem qualquer coisa por alguma atenção. Quem caiu na conversa de Ellsworth foi esse tal de Detwiller. Não sei como se conheceram, mas ele apareceu lá algumas vezes. Eu não ficava junto durante as conversas. Imagino que o velho ficava enchendo os ouvidos do cara sobre Chicago e seus anjos… Bem, e então houve o incêndio, e eu estou nessa merda desde então”.

Parece, entretanto, que existe algo faltando na conversa de Stark. Trager e Krueger acenam ao interlocutor com a possibilidade de algum dinheiro rápido em troca de mais informações.

“O nome do cara era Adam. Ele falava de um modo incomum, meio como esse seu sotaque inglês, Trager. Me prometeu um dinheiro. Tudo que eu tinha de fazer era deixar a porta aberta uma noite. Sei lá. Achei que ia assaltar o velho. Levar uns quadros. Mas colocaram fogo na casa com ele dentro. Foi assassinato. Eu estou desesperado. Sou o único que sabe disso, e o cara pode voltar. Eu vou usar esse dinheiro para sumir por um tempo”.

Antes de deixar o quarto de pensão para onde levou Trager e Krueger, Stark lhes entrega a chave de um cofre. Segundo ele, aquilo lhe foi confiado por Ellsworth. Segundo Stark, não havia dinheiro, apenas uma carta, escrita à mão e assinada por Simon Ellsworth:

“Eu, Simon Ellsworth, de posse de todas as minhas faculdades mentais, expresso meu desejo de, após a minha morte, ter o meu corpo cremado. Desejo, também, que meus restos mortais sejam depositados na urna que se encontra no Centro Cultural de Chicago. Ela deverá, então, ser enterrada nas fundações de um dos prédios que se encontram nos endereços que seguem”.

Cena 07 – A Urna

No Centro Cultural de Chicago, antiga biblioteca municipal, Trager e Kruegerchicago-cultural-center encontram a urna mencionada por Ellsworth. Em forma de prisma, com o tamanho de uma bola de futebol, o objeto encontrava-se escondido, aparentemente há muito tempo, no vão de um duto de ar-condicionado.

A arte na superfície remete à Ceres, divindade romana da fertilidade que ensinou a agricultura aos homens e Vulcano, divindade do fogo, deformado e notório por sua engenhosidade. Entre suas obras estão os ciclopes, gigantes de um olho só.

Além disso, uma das faces do prisma apresenta imagem de Chicago dentro de um conceito de arquitetura Art Nouveau. Nela podem ser reconhecidos prédios que remetem à cidade nos anos 50.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires

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