The Truth's For Sale

Hunter: The Vigil – A Grande Conjuração

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 10/02/2009

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 03 – A Grande Conjuração

His orders in your mouth
A decree for domination
Beneath the tides of wisdom
Spins the undertow of hate

Injected seeds of vengeance
Usurper’s eyes on the powerless
Clean path to his kingdom
Beckoning in the mist

The Grand Conjuration

Opeth – Ghost Reveries – The Grand Conjuration

18/12/2008

Cena 01 – Introdução

Karl Krueger se demora alguns minutos ao fim do funeral de Javier Webster. Entre os últimos a sair estão Jerry Detwiller e um estranho que, durante a conversa, apresentou-se por meio do distintivo policial. O diálogo travado irritou profundamente o chefe do Departamento de Psicologia – o seu desconforto ao deixar a Capela Rockfeller era palpável.

Krueger repassa o evento rapidamente enquanto se dirige até o Departamento de História. Sem conseguir atribuir-lhe significado, resolve dedicar-se aos afazeres profissionais. Poucas horas depois, antes que o frio daquele início de noite se torne demasiado rigoroso, decide partir. Nos corredores, se depara com Michael Cathcart e um idoso. Um cumprimento formal é trocado, mas o desprazer de Cathcart diante daquele inesperado encontro não passa despercebido.

—-

Em seu apartamento, Jonathan Trager recebe uma ligação. David Hoffman o sonda a respeito da possibilidade de uma matéria, ou mesmo um livro, brotar do acontecimento na Universidade de Chicago. Como forma de inspiração, o editor tomou a liberdade de enviar-lhe os resultados de uma pesquisa que levou adiante.

Aparentemente, o campus tem uma coleção de histórias estranhas. Elas vão desde fontes de desejos até estátuas falantes. Separado o lixo, sobram algumas informações interessantes. Antes de Javier Webster, outro aluno cometeu suicídio. Seu nome era William Conner, aluno de História. Ele atirou-se da Torre do Relógio há quatro anos. Na queda, quase atingiu um professor chamado Daniel Holcomb. A morte aconteceu poucos meses depois do período de recesso da universidade, quando algumas pessoas no campus relataram fenômenos elétricos de natureza pouco clara. Ao que tudo indica, Conner sofria dos mesmos problemas de insônia que Webster relatou pouco antes de suicidar-se.

Com aquilo em mãos, Trager decide retornar à Universidade de Chicago.

19/12/2008

Cena 02 – Um Recado

Logo pela manhã, ao voltar de sua corrida matinal, Krueger encontra um envelope sob sua porta. Ele contém duas páginas. A primeira é uma amostra dos estranhos símbolos desenhados por Javier Webster. Amarelada, a folha apresenta manchas escuras, como que de sangue há muito coagulado.

A segunda página leva um pedido de desculpas e um convite. Com uma caligrafia trêmula, Daniel Holcomb lamenta sua falta de coragem por não fazer o que considera necessário. Aparentemente, ele teme que a morte de Webster esteja relacionada a eventos outros, os quais gostaria de discutir pessoalmente mais tarde, neste mesmo dia.

Cena 03 – Família

Os planos de Trager incluem um visita demorada à Universidade de Chicago e a imersão nas pistas apontadas por David Hoffman. Entretanto, a empreitada depende de um veículo, e disso depende o contato com a sua ex-esposa, Heather. Eles tiveram uma separação complicada, especialmente porque o pivô para o fim do relacionamento foi o ex-editor de Trager no Chicago Tribune, Bruce Dold, responsável pela página de editoriais do periódico.

Apesar de não ter mais as chaves da bela casa que comprou, Trager ainda lembra debaixo de qual pedra Heather costumava escondê-las. Após entrar, passa algum tempo observando o ambiente. Alguns móveis foram trocados de lugar, uma parede ganhou outra cor, nova mobília. Acreditando estar sozinho, Trager acaba pego de surpreso por sua filha.

Mandy tem treze anos e mal é possível vê-la sob a maquiagem pesada e a franja de cabelo escorrido sobre o rosto. É sexta-feira, e Trager supunha que ela estaria na escola. Estupefato, acaba disparando uma série de colocações incoerentes que, se não servem para iniciar o restabelecimento de uma relação que há muito perdeu o rumo, ao menos faz com que a garota volte ao seu quarto e ele possa retomar seu objetivo.

As chaves, porém, não estão lá. Heather saiu com o carro. A frustração de Trager apenas não é maior porque, vasculhando algumas gavetas, encontra documentos apontando o atraso na hipoteca da casa. Parece que a vida não anda tão perfeita, afinal de contas.

Sem despedir-se da filha, ele deixa a casa.

Cena 04 – Coisas nas Paredes

Trager e Krueger encontram-se nas dependências do campus da Universidade de Chicago sob um vago sentimento de paranóia. Comparam anotações e relatam os eventos por que passaram recentemente. Aos olhos de ambos, não resta dúvida de que algo estanho está ocorrendo ali. Decididos a saber mais, concordam em visitar Daniel Holcomb, o professor a quem Krueger substituiu.

O diálogo é interrompido por um enorme rato que pára sobre o pé de ratosKrueger. Assim que percebe do que se trata, ele o afasta com um chute, alertando, em seguida, o sonolento atendente da pequena lanchonete. Enquanto este dá caça ao roedor, Krueger examina se foi mordido. Trager, por sua vez, se dirige até uma fissura na parede. Ali, na escuridão, ele ouve o que parece ser o ruído de milhares de outros animais.

Achando por bem deixar aquela gigantesca toca, dirigem-se ao pátio. Enquanto Krueger entra em contato com Daniel Holcomb por telefone, Trager se deixa distrair pelo olhar de admiração que um homem de aparência distinta lança na direção de um veículo do estacionamento adjacente. A restauração do veículo é perfeita.

ford-corsair– Eu sempre quis ter um destes. E agora, aqui está um, no estacionamento em frente ao prédio em que trabalho.

– Trata-se de um Ford Corsair, certo? Não existem muitos por aí.

– É verdade. Os últimos foram produzidos nos início dos anos 70.

– É um belo carro, sem dúvida.

– Sim, foi o carro dos meus sonhos durante muito tempo. Agora, posso vê-lo da minha janela.

Depois de despedir-se do admirador de carros raros, Trager vai ao encontro de Krueger.

Cena 05 – Diálogos

– Que merda. Editaram minha coluna. E cortaram a melhor idéia do texto junto.

– Por que você não considera a carreira universitária, Trager? Já que odeia tanto o que faz agora.

– Minha carreira são os livros. A coluna na revista para adolescentes é temporária… há alguns anos.

– Você deveria pensar nisso. E em comprar um carro.

– E você deveria pensar no seu pai doente. Como vai ele?

– …

Cena 06 – Encontro com Daniel Holcomb

Daniel Holcomb vive nos arredores de Chicago, em um subúrbio confortável a menos de trinta minutos da universidade. Quem recebe Krueger e Trager, porém, é o pequeno Phillip, que se distraia criando bonecos de neve.

– Quem são vocês?

– Eu sou Karl, e este é Jonathan. Somos amigos de Daniel.

– Vocês são do trabalho do vovô?

– Sim. Somos amigos do trabalho.

– O vovô não recebe muitos amigos, na verdade.

O breve diálogo é interrompido por Daniel Holcomb, que finalmente os recebe. As apresentações, porém, quase são comprometidas pelo comportamento de Trager. Ele não pode evitar a surpresa. Aquele idoso é o homem que em seu pesadelo o atacava com um taco de baseball. Holcomb, apesar disso, não parece reconhecer Trager, e reage com a mesma surpresa de Krueger ao estado de agitação que toma o jornalista.

Superado o percalço inicial, dá-se início a uma conversa bastante difícil. Mas as revelações de Holcomb são surpreendentes.

“Começou há dez anos. Foi depois que Cathcart teve uma espécie de Epifania. Ele disse ter sentido uma espécie de presença logo após um acidente no campus da Universidade. Foi há dez anos. Eu fui o primeiro com quem ele falou a respeito. Achei que ele tinha sofrido um tipo de concussão. Pelo menos até perceber o quão sério aquilo era para ele. Aos poucos, outros se integraram a nós. Cathcart tinha algumas teorias, e achava que um grupo multidisciplinar poderia apoiá-las. Mas então chegou Detwiller. Ele era audacioso. E encontrou um livro que pela primeira vez nos abriu verdadeiras possibilidades. Chamava-se Origens do Rei Amarelo. Nós queríamos estudar mais o tomo, mas Detwiller conseguiu convencer a todos que a melhor forma era seguir as instruções que falavam de uma caligrafia singular e mantras. No fundo, ele era um cético disposto a abalar a reputação e as crenças de Cathcart. Ele sempre nos considerou um bando de velhos crédulos. Fizemos o ritual no prédio de Ciências Biológicas. Cathcart, Detwiller, eu, Judith Nadler e Antony Osgood – que Deus o tenha. Morreu há um ano de causas naturais. Espero ter tanta sorte… O rito deu certo. Pela primeira vez, não restou sombra de dúvida a respeito da sensação de perversidade que Cathcart disse ter sentido seis anos antes. Naquela tarde, as fornalhas da Universidade se acenderam, coisas estranhas aconteceram com a eletricidade, o sino da Catedral badalou, e nenhum de nós foi mais o mesmo. Meses depois, um estudante cometeu suicídio. Ele quase caiu sobre mim. Da sua mão morta eu tirei o bilhete que lhe enviei. Ele tinha alguns dos símbolos que escrevemos naquele quadro. E agora outro garoto morreu. E a polícia acha que foi um suicídio comum. Eu sei que não é assim. Cathcart me disse que a polícia encontrou algo parecido no local onde ele morreu. Aquelas inscrições que nunca entendemos. E nem assim, nem com isso, eu o convenci a enfrentar Detwiller. Eu sei que ele vai levar adiante aquilo outra vez. Eu não sei o que ele aprendeu nos últimos anos, mas temo por algo que sequer posso imaginar o que seja. Eu não tenho mais força para me colocar entre ele e seja lá qual for o seu objetivo, mas sei que é nefasto, e que alguém, vocês, precisam fazer alguma coisa”.

A recepção às palavras de Holcomb são distintas. Krueger reconhece o seu estado emocional abalado, e se pergunta quanto pode haver de verdade naquelas palavras, tendo em vista os estranhos acontecimentos desta semana. Trager, por outro lado, imagina que se trata de uma fantasia que justifica o afastamento de Holcomb da Universidade de Chicago. Com toda a conversa gravada às escondidas, já elabora as reviravoltas que transformarão aquilo tudo em seu próximo best-seller.

Cena 07 – Restaurações

A partir do relato de Daniel Holcomb, Trager e Krueger concluem que o livro Origens do Rei Amarelo deve ser uma peça essencial para que Detwiller consiga levar adiante seu intento. O passo seguinte, portanto, é conseguir colocar as mãos na obra antes do professor.

A primeira parada é na Biblioteca Joseph Regenstein. Desta vez, Krueger não está disposto a se deixar barrar pelo mero aviso de indisponibilidade de acesso à obra por motivo de restauração. Aproveitando-se do pouco movimento no local após o fim do semestre, ele avança até a seção de reparos enquanto Trager distrai um atendente com anedotas sobre seus livros e a vida de escritor.

Na sala, encontra James Boswell. O restaurador parece indiferente à sua presença, e aponta as pilhas de livros esperando restauração e a de volumes cujo trabalho já foi realizado. Krueger não encontra sinal do que procura em nenhuma delas. Entretanto, uma rubrica incompreensível assinala a retirada do Origens do Rei Amarelo naquela manhã. Aparentemente, o trabalho estava concluído há semanas.

Deixando a Biblioteca Regenstein, os dois utilizam alguns truques para confirmar a ausência tanto de Judith Nadler quanto Jerry Detwiller naquela tarde. Ao que tudo indica, o ritual já está em andamento…

Cena 08 – A Conjuração

Karl Krueger e Jonathan Trager chegam ao prédio de Ciências Biológicas quando começa a anoitecer. O vento sopra gelado, anunciando a possibilidade de mais neve naquela noite. Apesar de aberto, o prédio encontra-se vazio. Nenhum segurança ou zelador está à vista. Abrigando salas de aula e laboratórios sem uso nesse período, o local está em completo silêncio. Luzes, apenas no terceiro andar, onde há quatro anos um grupo de pessoas abriu portas para o desconhecido.

Ao chegar no terceiro piso ambos percebem imediatamente sinais de descuido sem par nos andares inferiores. Bancos rasgados e plantas sem vida pontuam o caminho onde velhas lâmpadas amarelas falham constantemente. Conforme se aproximam da sala 316, os sinais de desleixo e decadência se acentuam.

Junto à porta, podem ouvir o murmúrio monótono entoado por uma voz solitária. Trager se dirige à sala contígua buscando uma forma de entrar pela janela, mas desiste devido ao risco provocado pela neve no parapeito. Krueger, enquanto isso, observa cautelosamente. Através do vidro, consegue discernir uma mulher registrando em um quadro os mesmos símbolos que viram em outras ocasiões. Em seguida, ela dá a tarefa por concluída, e junta-se ao mantra sustentado por seu companheiro, Jerry Detwiller.

Abookbrindo a porta com cuidado, ambos se valem da escuridão do laboratório para entrar. Iluminado por uma única lâmpada, a sala exala um forte cheiro de substâncias químicas. E sua temperatura é anormalmente alta. Ao som do mantra cada vez mais penetrante, que parece indicar a aproximação de um momento decisivo do ritual, Trager e Krueger decidem agir. O primeiro se esgueira até poucos metros do local onde Detwiller e Nadler se encontram, e aguarda até que as luzes sejam apagadas por seu companheiro.

Poucos antes da escuridão completa envolver a sala, porém, Trager tem uma espécie de alucinação. Parado, junto ao casal que murmura palavras incompreensíveis, parece haver uma figura. Sua imagem é difusa, como que distorcida pelo calor incomum emanado pelas paredes. Sem conseguir identificar ao certo do que se trata aquilo, Trager subitamente é engolido pelas trevas.

Agindo por instinto, ele agarra o livro e corre em meio às mesas. Nenhum obstáculo o detém. Assim que junta-se a Krueger, à porta, gritos preenchem o ambiente. Sem olhar para trás, correm pelas escadas ao som de ruídos bestiais de desespero e horror.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires

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