The Truth's For Sale

Hunter: The Vigil – Vós que aqui entrais…

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 16/12/2008

Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável

Capítulo 01 – Vós que aqui entrais…

I’m coming to an end,
I’ve realized what I could have been.
I can’t sleep so I take a breath and hide behind my bravest mask,
I admit I’ve lost control
Lost control…

Anathema – Alternative 4 – Lost Control

15/12/2008

Cena 01 – Boas-Vindas

Karl August Marshall Krueger aguarda na ante-sala do diretor do Departamento de História da Universidade de Chicago. O encontro deve ser uma mera formalidade antes de sua contratação como professor adjunto. Quem sabe este venha a ser o início de uma promissora carreira em um dos mais respeitados estabelecimentos de ensino do mundo. Seria um feito e tanto para alguém que sequer completou trinta anos de idade.

Após os cumprimentos de praxe, o professor Michael Cathcart toma a palavra e demonstra conhecer bem a linha de pesquisa e publicações de Krueger. Como diretor do Departamento de História, lhe dá boas-vindas e lamenta a urgência que cercou a contratação. A aposentadoria súbita de um docente culminou em um processo de substituição um tanto atabalhoado. De qualquer modo, é a deixa para que o professor Caleb Whitfield seja apresentado. Ele assumiu as responsabilidades após o afastamento, e até o final do semestre Krueger atuará como ouvinte em suas aulas, quando então deverá estar preparado para assumir suas próprias turmas.

As explanações relacionadas às novas responsabilidades de Krueger são Detwillerinterrompidas por uma entrada não anunciada. Como viria a saber mais tarde, trata-se de Jerry Detwiller. Pelo tom de sua voz e modos, o diretor do Departamento de Psicologia parece ter pouca consideração por seus colegas. Visivelmente ofendido, Cathcart encerra prematuramente o encontro para tratar com o recém-chegado. Já nos corredores, Whitfield menciona que Cathcart e Detwiller são rivais, e não tem um ao outro na mais alta conta.

Cena 02 – Orgulho

O telefone desperta Jonathan Trager. São nove da manhã. A simpática voz é de Bianca Carter, secretária de Stella Bolton, do Departamento de Letras da Universidade de Chicago. Ela transmite um convite para uma palestra que se realizará logo mais, no início da tarde, no Auditório Samuel Fisher. Trata-se de um evento a respeito das inter-relações entre Jornalismo e Literatura na prosa norte-americana contemporânea. A Srta. Carter lamenta o convite repentino, mas o palestrante originalmente escalado não poderá comparecer. Trager se pergunta como sobreviverá o seu orgulho até o final do dia. E aceita.

PennyEm seguida, se dirige até a cafeteria que fica no térreo do prédio onde vive. A vizinhança não boa, mas o café é decente e as coisas ficaram difíceis desde que sua esposa e seu editor resolveram abandoná-lo – para ficarem juntos. E existe Penny. A atendente poderia muito bem ouvir algumas sacanagens, mas tudo que Trager expressa é o constante desejo de ver sua xícara cheia. Melhor assim do que arriscar ser recusado pela funcionária de uma espelunca.

Cena 03 – Veias Abertas

Nem mesmo o nome riscado com caneta marca-texto ao lado da entrada do auditório abala a capacidade de Trager para ser o centro das atenções. Sua experiência em jornais, como repórter e colunista, e os livros de ficção que escreveu lhe dão base o suficiente para levar com tranqüilidade as perguntas dos ávidos calouros. E é com prazer que ele vê seus companheiros de debate sendo lentamente colocados de lado.

Antes de deixar o Auditório Samuel Fisher, Trager se dirige ao banheiro. À porta, ouve algo como um grito mal sufocado. Um servente, lívido, com a mão na boca entreaberta, aponta um dos compartimentos reservados. Sentado, com ambas as mangas arregaçadas, um jovem apresenta cortes profundos no braço direito. Aos seus pés jaz uma lâmina, parcialmente mergulhada no sangue coagulado.

Depois de ordenar que o atônito servente busque ajuda, Trager verifica os Suicidesinais vitais do estudante. O nervosismo o impede de sentir a pulsação, mas a quantidade de sangue que escorreu dos ferimentos no braço não deixa dúvida quanto ao falecimento. Então, ele percebe que a mão enrijecida esconde um bilhete.

Cena 04 – Reencontro

Jonathan Trager e Karl Krueger viram-se pela última vez durante seus tempos como estudantes. As circunstâncias para o reencontro não são as melhores. O primeiro encontrou um cadáver no banheiro da universidade onde o segundo iniciava suas atividades como professor. Apesar da situação, concordam em compartilhar de algumas xícaras de café fora do campus.

Krueger narra o prosseguimento que deu à vida acadêmica após formar-se em Princeton, tendo passagem para Universidade de Heidelberg, uma das mais antigas do mundo. Infelizmente, seu retorno aos Estados Unidos acabou precipitado pelo adoecimento do pai, que sofre de câncer no estômago. O tom de desabafo faz com que Trager baixe a guarda e compartilhe algumas de suas frustrações. Escreveu um livro cujo sucesso jamais conseguiu igualar. Sua mulher o trocou pelo antigo editor. E encontra-se na borda mais distante do que pode ser considerado jornalismo, produzindo uma coluna em uma revista para adolescentes inseguras (não o são todas?).

Mesmo sem que deixe transparecer, Krueger capta a frustração de seu amigo. O discurso cafajeste e inocente da juventude deu lugar à constante auto-ironia de quem mal suporta olhar-se diretamente no espelho. Trager, por sua vez, avalia se ainda existe a possibilidade de arranjar melhor sua vida. Quem sabe…

Como não poderia deixar de ser, a conversa ruma na direção do ocorrido Simbolosnaquela tarde. Trager relata seu encontro com o detetive Jason Kemp e menciona o bilhete encontrado na mão de Javier Webster, o estudante que se suicidou. Ele fora entregue ao policial, mas Trager tomou o cuidado de fotografar os estranhos desenhos, que encerravam uma tortuosa narrativa a respeito de sonhos estranhos e insônia recorrente.

Ambos concordam que os aspectos estranhos do caso merecem uma abordagem mais profunda, ainda que informal.

16/12/2008

Cena 05 – Pesquisa

Motivado pela curiosidade intelectual, Krueger resolve embrenhar-se na Biblioteca Central da Universidade de Chicago para tentar descobrir mais sobre os estranhos símbolos desenhados no bilhete fotografado por Trager. Apesar do grande número de volumes consultados ao longo de toda a manhã, nada sequer semelhante é encontrado. Enquanto observa o saguão quase vazio devido ao recesso após o suicídio, pensa em qual será o passo seguinte.

CathcartTrager, por sua vez, martela algo inteligente o bastante para não ofender seu orgulho, mas digerível o suficiente para não afugentar suas leitoras. Assim que se dá por satisfeito, o telefone toca. Trata-se de Michael Cathcart, diretor do Departamento de História da Universidade de Chicago. Ele lamenta o que aconteceu, e gostaria de encontrar-se com Trager. A professora Stella Bolton ficou muito impressionada com a desenvoltura do jornalista durante a palestra no dia anterior, e o recém-contratado Karl Krueger fez recomendações igualmente positivas. Quem sabe ele teria interesse na academia?

Pessoalmente, demora menos de cinco minutos até que Trager perceba quais são as reais intenções por trás do convite de Cathcart. O professor deseja preservar o nome da instituição, garantindo que as informações a respeito da morte de Javier Webster não serão divulgadas. Para tanto, se corredoresprotege sob a fachada de interesse em Trager e, como bônus, demonstra apreço pelas considerações de Karl Krueger.

Mas por que o homem se comporta de forma tão estranha assim que deixa sua sala, circulando pelos corredores como se estivesse sendo observado?

Cena 06 – Abordagem Preliminar

Krueger e Trager encontram-se nas alamedas cobertas de neve da Universidade de Chicago. O inverno rigoroso e o céu nublado mantêm a temperatura em 2 graus negativos. Depois de mencionar o encontro com Cathcart, ambos decidem usar de seus próprios meios para levantar mais informações a respeito de Javier Webster.

Krueger vai até a biblioteca do Departamento de Letras e consegue acesso Bibliotecaaos livros que o aluno consultou nas últimas semanas. Nenhum deles remete diretamente aos símbolos grafados no bilhete suicida, mas indicam uma obra cuja consulta pode ser esclarecedora – Origens do Rei Amarelo. A obra está entre os volumes de consulta restrita, disponível apenas após autorização dos administradores.

Trager prefere recordar os tempos de repórter e levantar informações junto aos alunos e funcionários da Universidade de Chicago. Descobre que Javier Webster era um tipo solitário que fizera poucos amigos nos três semestres em que cursou Literatura. Aparentemente, vinha sofrendo de uma insônia que nem os medicamentos conseguiram debelar. E quando conseguia dormir, tinha sonhos violentos e bizarros.

Decididos a finalizar seu pequeno inquérito particular, os dois dirigem-se até o dormitório de Javier Webster na expectativa de conversar com seu colega de quarto. Antes disso, porém, Trager resolve empreender uma singela falsificação. Com base na foto do bilhete suicida, ele produz um texto que poderia ser atribuído ao aluno falecido. Para completar a obra, grafa aleatoriamente alguns dos símbolos no papel. Observando a cena, Krueger é tomado por uma sensação de profundo desconforto, como se observasse um bebê prestes a coçar as gengivas com uma lâmina de barbear.

Cena 07 – Pequenas Mentiras

A porta se abre quase imediatamente após a primeira batida. Um jovem magro e pálido, recém-saído da adolescência, atende com uma pergunta.

– Detetive Kemp?

A resposta de Trager sai sem qualquer reflexão, para surpresa de Krueger, que por pouco não desmascara mais essa pequena desonestidade de seu amigo.

– Sim, eu mesmo. Este é o professor Krueger, que me acompanha nas dependências do campus.

Ao entrar no pequeno dormitório que Irvin Black dividia com Javier Webster, observam a presença de algumas caixas com pertences empacotados de modo apressado. Os pais do aluno falecido estiveram no local pela manhã e começaram a guardar os pertences do filho.

A conversa com Black rende algumas informações novas. A primeira delas é que a medicação que Webster vinha tomado sob prescrição nada tinha de extraordinária. A outra trata do comportamento do aluno. Aparentemente, ele não deixou o campus nenhuma vez ao longo do semestre. Afirmava que tinha medo do que poderia acontecer se o fizesse. Como Black julgava que isso era apenas uma esquisitice de Webster, nunca deu importância ao fato.

Confrontado com o falso bilhete suicida, Black fica um pouco abalado, ainda que não demonstre nenhuma reação estranha. Nada sabe a respeito dos símbolos ou coisa que o valha. Decididos a deixar o dormitório antes da chegada do verdadeiro detetive Kemp, Krueger e Trager partem em seguida.

Resumo de crônica que tem como referência os livros World of Darkness e Hunter: The Vigil, editados pela White Wolf.
Narrador: Carlos Hentges
Jonathan Trager: Vinícius Lopes
Karl Krueger: Lucas Ramires

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: