The Truth's For Sale

Cartas Selvagens VI – Transfigurados em 4 de Julho

Posted in Mutantes&Malfeitores, RPG by Carlos Hentges on 09/09/2008

No Capítulo Anterior:

– Anderson e Walker reencontram Conley sob o jugo de Arthur Pendell, que é morto.

– Uma das sombras, aparentemente livre do controle de Pendell, retira de Conley a capacidade de transmitir o vírus mortal.

– Os personagens retornam para a Base Aérea Maxwell-Gunter, mas deixam o local após uma conversa com o coronel Paul McGillicuddy.

– Em Tuskegee, os personagens tentam montar o quebra-cabeça de seu passado, quando um evento terrível tem início.

04/07/2008 – 6º Dia

Devastação

Pistas vazias. Becos sem saída. Caminhos incertos. Quando todas as hipóteses parecem esgotadas, a única decisão coerente é rumar para o olho do furacão. Por isso, Nathan, Delta e November se dirigem a Nova Iorque. Sua esperança é encontrar pistas do paradeiro de Kenneth Lambard.

A distância de 1.500 quilômetros é vencida graças ao esforço de impulsão e repulsão magnética despendido por Delta. Sem pausas para descanso, a viagem dura cerca de oito horas. Já anoitece quando eles se aproximam do Central Park.

Depois de sobrevoar toda região metropolitana de Nova Iorque – observando o caos gerado por milhares de pessoas tentando deixar a ilha de Manhattan ao mesmo tempo em que a polícia, as Forças Armadas e a Defesa Civil tentam controlar a multidão e prestar socorro às milhares de vítimas – a visão produzida peloCentral Park consegue ser ainda mais torturante.

Uma parte considerável de seus 3,4 Km2 está coberto de vermelho. Sangue e restos humanos à espera de alguém que os recolha. Parte é absorvido pela terra, parte mancha o concreto. É possível que o cheiro ferroso do plasma humano jamais abandone esse lugar.

Pousando perto de uma quadra esportiva, Delta, November e Nathan caminham na direção de onde faixas de isolamento foram presas. Um esforço desnecessário, considerando o silêncio do local. Quem se atreveria a aventurar-se no marco zero daquele holocausto?

Hospital Central Metropolitano

O motorista que conduz a ambulância demora a acreditar naqueles três homens. Aparentemente, eles vagueavam pelo Central Park. Aparentemente, não tinha plena consciência do que ocorrera ali. Aparentemente, estavam completamente sãos. A torrente de estranheza não impediu os paramédicos de, já dentro do veículo, realizar os exames de rotina para confirmar aquilo que os olhos já denunciavam. O estado de saúde do trio é perfeito. Ainda assim, a parada no Hospital Central Metropolitano é quase uma obrigação.

O ambiente do Metropolitano é caótico. Sendo o hospital mais próximo do Central Park, recebeu todo o fluxo inicial de feridos. Entretanto, é imediatamente óbvio que nenhuma das vítimas do vírus está ali. Em uma conversa rápida com a diretora da unidade descobrem uma orientação da Secretaria Municipal de Saúde já circulava pelos corredores: vítimas que apresentam deformações devem ser transferidas para o NewYork Presbyterian; o assunto de deformidades deve ser evitado – a população já está assustada o bastante.

Luz

Delta, Nathan e November pousam suavemente no terraço do NewYork Presbyterian. Precisam descer apenas um andar para criar uma confusão grande o bastante para alertar o coronel da Força Aérea no comando, Christopher Harris.

A primeira reação do homem diante do relato que envolve Tuskegee, Montgomery, Nova Iorque, experiências, cobaias, hospitais e capitães que ninguém conhece é de descrença. A postura se altera após Nathan lhe tomar a arma do coldre e atirar na própria cabeça. A demonstração é o bastante para convencê-lo a, pelo menos, buscar confirmar parte daquilo que ouviu. Consigo, leva os três HDs retirados do subsolo do Hospital do Alabama para Veteranos – Tuskegee.

Antes que o coronel saia, Delta faz um alerta premonitório:

– Nós sabemos como são os que estão nos andares debaixo. Tome cuidado. Eles podem perder o controle.

Combustão

A sirene do alarme de incêndio desperta os três. Recolhidos em um quarto no último andar do NewYork Presbyterian, Nathan, Delta e November são imediatamente tomadas pelos piores pressentimentos. Pela janela, Delta percebe que chamas consomem parte do terceiro andar. Seja qual for o motivo do incêndio, o fogo se espalha rapidamente.

Nathan e November descem pelas escadas de emergência, este último já usando o uniforme ilusório de um policial. Delta, por sua vez, voa da janela até um hidrante. Ele retorce o metal da estrutura e consegue apontar o jato de água na direção da janela em chamas. Com uma mangueira, Nathan completa a tarefa. Já no térreo, November percebe a confusão causada pelo alarme. Uma evacuação improvisada é levada adiante, e a imprensa é brindada com as imagens de seres humanos deformados de todas as formas imagináveis.

Com a pele intacta, mas fumegante devido ao calor extremo, Nathan espera a chegada de Delta e November. Não demora até que o Cel. Harris também esteja no terceiro andar. Seja lá o que aconteceu, começou em uma cama que agora está derretida. A partir dela, o fogo se espalhou em todas as direções. Pelo menos uma dezena de pessoas que estava naquela ala do hospital não resistiram aos ferimentos.

Antes de deixar o local, Harris recomenda que Delta controle suas demonstrações. Nova Iorque já sofreu demais com o súbito aparecimento de uma criatura voadora. A desconfiança de que ela possa estar no hospital, em meio a um bando de pessoas deformadas, não seria nada agradável.

Abutres

Do alto do nono andar, Nathan observa indignado à agitação da imprensa. Qualquer tentativa de esconder a existência de seres humanos deformados pelo vírus, ainda que certamente fadada ao fracasso, se encerrou da pior forma possível. Se antes era a dor dos milhares de mortos que explodia na TV, agora é o horror dos sobreviventes que ganha todas as atenções.

Delta e sua capacidade magnética têm a resposta. Lentamente, um por um, o equipamento das redes de TV é destruído. Em instantes, todos os canais pedem desculpas pela inesperada falha técnica. Ao vivo, pelo menos, ninguém mais poderá tripudiar.

A maior parte dos canais se contenta em repercutir os fatos e reprisar trechos do discurso do Presidente Bush, feito durante sua estada em Monticello, Virgínia, onde iria conduzir a cerimônia de comemoração do Dia da Independência e Naturalização.

Não existem palavras para descrever o que aconteceu em Nova Iorque hoje. Mas o povo americano pode ter a certeza de que tudo ao alcance desse governo está sendo feito para minimizar as conseqüências da tragédia. As pessoas devem se manter calmas. Até onde sabemos, as pessoas afetadas sofrem efeitos imediatamente. Portanto, os hospitais devem ficar livres para os feridos. Devemos evitar o caos. O povo deve permanecer em suas casas enquanto as autoridades tomam as atitudes necessárias. Que Deus abençoe a América.

05/07/2008 – 7º Dia

Honra

Sozinho, o coronel Christopher Harris bate à porta no início da manhã. Sua expressão é de quem não dormiu um minuto sequer. Tem nas mãos algumas folhas e um pen drive. O tom do comandante da Base Aérea McGuire é grave.

Eu pertenço à Força Aérea Norte-Americana, e às Forças Armadas Norte-Americanas, por tempo o suficiente para saber que um soldado tem de fazer coisas das quais não se orgulha. Que não deseja. Que não gostaria de lembrar anos depois. Entretanto, um homem também tem o dever de impedir aquilo que considera errado. Lavar as mãos não é o que eu faço… Boa parte do que eu vi aqui está além da minha capacidade de compreensão. Entretanto, eu vi o bastante para saber que vocês merecem as respostas que desejam. E que, se elas existem, estão em White Sands. Aquela é a maior base militar em solo americano. Muitas pessoas trabalham lá. Pessoas que nada tem a ver com o que vocês me relataram terem passado. Pensem no direito dessas pessoas quando forem exigir os seus.

Os HDs

As informações que são entregues por Harris dizem respeito aos dados que puderam ser recuperados de um dos HDs. Os outros dois estão inutilizados. Os dados extraídos são parciais, mas permitem algumas conclusões:

– Existem relatos esparsos das experiências realizadas no subsolo do Hospital do Alabama para Veteranos – Tuskegee. A medicação aplicada também é mencionada. É certo que eles foram induzidos artificialmente ao coma. E todo o seu corpo vasculhado inúmeras vezes, e de forma repetida, ao longo dos últimos seis meses.

– Havia um interesse especial em Delta, pois a sua mutação parecia repetir-se forma continuada, ainda que intervalos irregulares.

– Arthur Pendell, identificado sempre como Foxtrot, é objeto de relato breve quanto a uma tentativa de fuga.

– Aparentemente, essas informações eram compiladas e unidas a outros relatos semelhantes. Existem referências um Vírus Carta Selvagem, e outras denominações, como Ás, Coringa, Dois de Paus e Dama de Espadas. Os termos Crupiê e Pequeno Príncipe aparecem algumas vezes, mas fora de um contexto que permita sua compreensão.

Negociando

Apesar de sua insatisfação com a exposição das vítimas, Nathan acredita que a imprensa pode ser usada para que eles cheguem até Kenneth Lambard. Com isso em mente, os três se dirigem até a unidade móvel da Fox News.

Ali dentro, além de um operador de vídeo e um assistente, está Michael Taylor, que coordena o trabalho da equipe no NewYork Presbyterian.

Em um primeiro momento, a oferta é pela venda das informações que podem explicar os acontecimentos recentes na cidade e em Montgomery. Taylor discorda. Não paga por informação. Entretanto, diante da possibilidade de perder uma grande matéria, muda de idéia. O que está ouvindo é parte fantástico, parte absurdo. Aquilo não pode ir ao ar sem um mínimo de checagem. Taylor fica com os papéis impressos pelo coronel Harris. Seu bônus é uma ameaça direta de Nathan caso haja qualquer vazamento de informação.

Após deixar o caminhão, os três começam a pensar no próximo passo…

Resumo da Campanha Cartas Selvagens, que utiliza o sistema de regras do livro Mutantes & Malfeitores, da Green Ronin/Jambô.
Narrador: Carlos Hentges
Nathan Jones / David Anderson: Gói
November / Jason Walker: Luiz
Delta / Steve Conley: Brunetto

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