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Cartas Selvagens IV – O Princípio da Ambigüidade

Posted in Mutantes&Malfeitores, RPG by Carlos Hentges on 19/08/2008

O que aconteceu antes:

– Os eventos desse capítulo se passam ao mesmo tempo daqueles descritos no capítulo III – O Quarto Homem.

01/07/2008 – 3º Dia

Respostas

Isolado em uma área de detenção da Base Aérea Maxwell-Gunter, Nathan Jones se conforma em esperar. Entretanto, sua paciência é curta. Não demora até que use os punhos contra as grades para chamar a atenção de um guarda postado no corredor adjacente. Para transformar em ação a incerteza do soldado, Nathan faz ceder duas barras da cela. Apenas o suficiente para mostrar que o confinamento só é possível graças à sua aceitação.

Não demora até que um oficial se apresente. Seu nome é Kenneth Lambard, capitão da Força Aérea Norte-Americana. Após se apresentar, se refere a Nathan como primeiro-tenente David Anderson. Esse é o seu verdadeiro nome. Seu pai, o major Thomas Anderson, faleceu em 1995 durante testes de um avião experimental. Sua mãe, Judith, foi vítima de câncer quando ele tinha cinco anos. Ele é membro da Força Aérea desde 1997. Em 2003, foi vítima de um acidente em circunstâncias não completamente explicadas, e esteve em coma até três dias atrás. Suas capacidades extra-humanas são resultado direto dessa experiência.

A imensa carga de informações não abalam Nathan, ou Anderson. Mas ele precisa de tempo para digerir tudo e descobrir se pode confiar no oficial de aparência serena diante dele. Todas as demais perguntas poderão esperar. Escoltado até um alojamento, Anderson é tratado como um hóspede da base. Do tipo que deve ser mantido isolado e sob observação, mas ainda assim, um hóspede.

02/07/2008 – 4º Dia

Fuga

Assim que desperta, November percebe algo novo. Mesmo sob a venda, uma espécie de novo sentido lhe dá clareza perceber Delta, no quarto ao lado. Sua mente parece funcionar em estado de absoluto repouso. Vasculhando os arredores com essa nova capacidade, November constata o seu isolamento.

A situação muda subitamente, quando cinco presenças se fazem sentir no quarto ao lado. Elas cercam a cama de Delta e parecem observá-lo em seu repouso induzido pela medicação. Alienígenas, distantes, frias, aquelas figuras não podem ser contatadas por November. Apesar disso, uma delas se dirige até o quarto ao lado. Atravessando parede e móveis, pára ao lado da cama. Em pânico, o cativo luta contra as amarras. Sentindo que aquilo se inclina em sua direção, November ouve uma voz absolutamente sem emoção.

– O 4 de Julho será a data de uma nova Independência.

Em seguida, as cinco presenças e Delta somem. Estupefato, November decide que precisa deixar aquele local imediatamente. A primeira oportunidade surge assim que o desaparecimento é constatado. Acompanhando a movimentação do quarto ao lado graças à sua nova capacidade, ele toma controle da mente de uma enfermeira e, através de uma combinação de ilusão e astúcia, domina a ela e a um soldado. De arma em punho, prepara-se para deixar a ala quando, do quarto adjacente, surge Kenneth Lambard. Mesmo não conhecendo suas feições, ele lembra bem da conversa que tiveram no Hospital do Alabama para Veteranos, em Tuskegee.

Pretérito

A conversa apenas começa, efetivamente, depois de November entregar a arma para Anderson, que a destrói. Estão os dois, Kenneth Lambard e o Dr. Kevin Stokes na sala de onde Delta desapareceu. A primeira informação que recebe é seu verdadeiro nome: Jason Walker.

Em novembro de 2003 um objeto voador não-identificado caiu nos arredores da Base de Mísseis de White Sands, Novo México, explica Lambard. O primeiro-tenente David Anderson comandou a equipe que realizou o contato inicial, e foi o único sobrevivente. Jason Walker era um dos operativos da base, responsável pelo isolamento da área, quando ocorreu a sua contaminação.

Segundo o Dr. Kevin Stokes, eles foram vítimas de uma espécie de vírus que age diretamente sobre o DNA dos infectados, reescrevendo-o. Em 90% dos casos, o resultado é uma morte horrível. Nove em dez sobreviventes são vítimas de uma degeneração física. De todos os infectados, 1% recebe dons cuja magnitude é variável. Do patético ao quase-divino.

Infelizmente, essas considerações são fruto da observação dos que se contaminaram acidentalmente desde 2003. Nenhum avanço efetivo na compreensão do vírus alienígena foi obtido até agora. É como tentar rastrear uma doença que se manifesta de uma forma diferente em cada infectado, afirma o Dr. Stokes.

O chamado “Quarto Homem”, explica Lambard, se chama Arthur Pendell, e era um dos cientistas responsáveis pelas pesquisas. Ele foi uma vítima acidental. Ao tentar fugir, um dos responsáveis por observá-lo foi alvo de suas capacidades, e acabou enlouquecendo. Foi nessa ocasião que se descobriu que o uso de tais poderes estaria relacionado à visão. Por isso, Walker permaneceu vendado o tempo todo.

Walker descobre ainda que seus pais, Mary e Scott, vivem no vilarejo de Tularosa, Novo México. Como no caso de todos os infectados, ele foi declarado morto, uma situação que não poderia ser evitada diante da necessidade de pesquisa das suas condições extraordinárias.

Antes de deixar Anderson e Walker a sós, Lambard informa que apenas poderá falar mais com a autorização de superiores. No momento, sua atenção precisa se concentrar na busca por Delta, ou Steve Conley, pois ele está disseminando uma mutação do vírus original.

Sozinho com Anderson, Walker faz uma última tentativa de convencê-lo de que, não importa o que tenha sido dito naquela sala, trata-se de um amontoado de mentiras. Ele lembra da conversa que teve em Tuskegee, quando foi tratado como uma cobaia que seria novamente induzida ao coma. Para ele, o posto de primeiro-tenente que Anderson recebeu nada mais é do que uma tentativa de mantê-lo sob controle.

O soldado não discorda, mas argumenta que, se existe alguma informação, correta ou não, ela está naquele lugar. A sujeição inicial pode ser a única maneira deles entenderem melhor o que está se passando. Um argumento que o patriotismo de Walker ajuda a engolir.

Interlúdio

Anderson decide que a melhor coisa a fazer para passar o tempo é ajudar. Ele une seus esforços aos de diversos soldados empenhados em receber as centenas de vítimas vindas de Montgomery.

Em uma ala do Hospital do Alabama para Veteranos – Montgomery, situado dentro da Base Aérea Maxwell-Gunter, sob os cuidados de médicos com luvas e máscaras e vigiados pelas Forças Armadas, estão todos aqueles que sobreviveram ao contato com Conley. Existem alguns sem deformidades, mas o grande contingente é de pessoas que sofreram mutações. A maioria delas, além da descrição. Pior do que a visão dos corpos degenerados, apenas os gritos de dor constante. Muitos são mantidos sedados ou presos às camas, incapazes de controlar os dons que receberam. Ainda que o tratamento pareça desumano, nenhum médico discordaria de que, na presente situação, é a única medida possível.

Enquanto isso, Walker caminha sem propósito pela base. A agitação provocada pela presença de membros de diversos órgãos oficiais atuando durante a emergência faz com que passe despercebido. Lendo a última edição do Montgomery Advertiser, se depara com as notícias do lado de fora da base.

Os eventos que tiveram curso em Montgomery alertaram todo o mundo. Notícias alarmantes falam de casos na capital do Alabama e arredores. Não existe confirmação se os dois confrontos envolvendo as Forças Armadas, em Tuskegee e na Base Aérea Maxwell-Gunter, têm relação direta com o caso. Montgomery está sob Estado de Emergência, com a cúpula de comando formada por uma junta mista de militares e autoridades civis.

Em rede nacional, o presidente Bush pediu calma à população. Segundo ele, todo o governo está mobilizado para descobrir a causa do que foi classificado como um “súbito e terrível ataque ao coração da América”. Apesar da escolha de palavras, o presidente Bush não entrou em detalhes a respeito da autoria do suposto ataque. Grupos radicais teriam assumido a responsabilidade. Não há informações a respeito da substância utilizada contra a população.

O povo americano, menos de 7 anos depois do 11 de Setembro, se vê diante de uma nova provação, desta vez, muito próxima do 4 de Julho, Dia da Independência.

Subitamente, Walker lembra de algo importante.

Esforço em vão

Ao relatar novamente o desaparecimento de Conley, Walker adiciona a mensagem que recebeu.

– O 4 de Julho será a data de uma nova Independência.

Lambard acredita que possa ser o início de algum tipo de chantagem. Apesar das suspeitas, não existe confirmação quanto ao envolvimento de Arthur Pendell no caso.

Decidido a fazer algo a respeito, Anderson requisita um veículo. É possível que a capacidade de detecção de Walker lhes permita localizar alguma daquelas entidades, e chegar até Conley. Lambard admite que ambos deixem Maxwell-Gunter sob a condição de retornarem, e se conterem.

A saída da base é complicada. O anúncio de que o local seria o centro de tratamento dos infectados provocou tumulto nos portões, com muito custo contido pelos militares. Apesar disso, não demora até que o Hummer esteja circulando pelas ruas onde apenas unidades de emergência trafegam.

Após cerca de uma hora sem avanço, Anderson dá uma guinada na direção da galeria onde a infestação teve início. Toda a área está isolada, porém, no alto de um prédio, Walker percebe uma das entidades.

Imediatamente, Anderson deixa o veículo e carrega Walker consigo, saltando até o terraço do bloco residencial. Os dez andares de altura não representam mais dificuldades do que um degrau.

Lá no alto, se deparam com uma criatura de pele completamente enegrecida, sem os dedos nas mãos ou qualquer expressividade no rosto de traços ausentes.

O que se segue é uma frustrada tentativa de dar combate à criatura. Os golpes de Anderson a atravessam sem produzir efeito, e sua força é superada por uma capacidade de manipular a matéria à distancia. Walker sente os piores efeitos ao ser tocado, quando as forças lhe são sugadas. Antes de serem salvos pela aparente desinteresse de seu adversário, ambos descobririam uma última capacidade, ao observar a criatura se deslocando sem percorrer a distância entre um ponto e outro.

Anderson estava convencido de que algo precisava ser feito. Por um breve momento, enquanto esteve próximo da criatura, viu em seu rosto sem expressão a mesma cena de morte e ignorância que se abatera sobre Montgomery. Mas o cenário era Nova Iorque.

Cartada Final

As pás do helicóptero pareciam a única fonte de som no final de tarde de Montgomery. Sob ordens do primeiro-tenente David Anderson, chanceladas pelo capitão Kenneth Lambard, três aeronaves buscavam triangular a posição das entidades. O objetivo, ainda, era alcançar Steve Conley a partir da detecção possível graças aos dons de Jason Walker.

Mesmo sob ruído intenso, Walker não abria mão de manifestar a sua inconformidade. Anderson estava decidido a utilizar granadas para combater as criaturas, procedimento cujo único resultado previsível em uma área urbana seria o de mais mortes. Para isso, o soldado tinha uma resposta curta:

– Dano Colateral.

Mais tarde, quando sente a presença das cinco entidades, Walker percebe que elas estão junto a uma dezena de pessoas, em um pequeno prédio adiante. A menos que esteja enganado, existe uma forte agitação no local. Antes que possa ser detido, Anderson salta do helicóptero, que já iniciava manobra de pouso. A queda de vinte metros de altura não pode feri-lo, para desespero de Walker, incapaz de avisá-lo que existem pessoas no local.

Diante do Bitter End, mesmo sem conseguir ver o que se passa no interior, Anderson arremessa um par de granadas. A explosão estilhaça vidros e desfigura o bar. Toda a fachada rui. Após a poeira baixar, Anderson constata que as cinco entidades continuam ali, intactas. Uma delas parece encará-lo com a face sem olhos. Então, todas desaparecem.

Os corpos despedaçados no interior do bar não comovem o soldado, que lamenta a ineficácia da segunda tentativa. A declaração de Walker, de que as vítimas do vírus ali dentro já estavam mortas quando ele chegou, em nada afetam seu semblante.

Epílogo

O relato a Lambard dos acontecimentos é recebido em silêncio. Ainda que muitas passagens pudessem suscitar perguntas, ele parece com o pensamento em algum ponto muito distante. Fornecida a última explicação, o capitão informa que eles partirão imediatamente para Nova Iorque, já que se trata da única pista que possuem. Ele, por sua vez, entrará em contato direto com superiores, e estará junto de Walker e Anderson assim que possível.

Conduzidos pelo mesmos pilotos que os acompanharam na missão anterior, eles deixam Montgomery.

Resumo da Campanha Cartas Selvagens, que utiliza o sistema de regras do livro Mutantes & Malfeitores, da Green Ronin/Jambô.
Narrador: Carlos Hentges
Nathan Jones / David Anderson: Gói
November / Jason Walker: Luiz

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