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Cartas Selvagens III – O Quarto Homem

Posted in Mutantes&Malfeitores, RPG by Carlos Hentges on 11/08/2008

No capítulo anterior:

– Na estrada a caminho de Montgomery, estranhos eventos se sucedem. Delta manifesta a capacidade de exercer controle sobre objetos metálicos. E pessoas explodem.

– Enquanto Nathan e Delta atravessam um rancho a caminho de Montgomery e mais mortes se sucedem, November retorna até Tuskegee e trava contato com o tenente Robinson, responsável pelas operações no Hospital do Alabama para Veteranos.

– November se vê prisioneiro dos militares após não conseguir explicar seu envolvimento na morte de soldados nos arredores de Tuskegee. Por fim, ainda tem a chance de conhecer do capitão Lambard, um oficial arrogante que parece saber muito a respeito dos personagens.

– Delta e Nathan chegam a Montgomery levando caos e morte. O rastro de sangue se alastra até a Base Aérea Maxwell-Gunter onde, após um grande confronto, Delta acaba gravemente ferido e Nathan se entrega.

02/07/2008 – 4º Dia

Pesadelo

É a dor que desperta Delta. O braço direito e o tórax estão imobilizados por gesso. As costelas gritam. Parece estar no andar superior de um prédio arruinado. Pela janela, entra a luz de uma ambulância e o som de helicópteros. É noite, e não há pessoas nas ruas.

Delta tem a vaga lembrança de um sonho onde parecia voar, ou cair. Seja lá de que forma, deve ter relação com o modo como chegou até aqui. Mal conseguindo raciocinar devido à dor, decide buscar analgésicos. Ao dirigir-se até a saída, se depara com uma criatura saindo das sombras. Sem olhos, boca ou o que for, de uma escuridão além do possível para a Natureza, aquilo estica seu braço sem dedos na sua direção.

Delta recua. A dor não lhe permite concentrar-se o suficiente para valer-se de seus poderes. Indefeso, se agacha para pegar um pedaço de metal. Recua um pouco mais. Quando está junto da janela, cercado, ele derruba uma estante. O móvel, ao invés de atrasar aquilo, atravessa seu corpo sem substância. E ele avança. Seu rosto sem expressão fica a centímetros de Delta. Por um instante, ele vê o seu próprio rosto refletido na escuridão. Em seguida, imagens dos terríveis acontecimentos dos últimos dias inundam seu cérebro. O despertar, a morte de soldados, a tragédia nas ruas de Montgomery…

Assim que se restabelece, Delta percebe que está sozinho novamente.

Ruas Silenciosas

Não demora até que Delta confirme a suspeita de que ainda se encontra em Montgomery. Mas a cidade parece abandonada. Não fossem as luzes em alguns prédios, suspeitaria de uma evacuação em andamento.

Apesar de todo o comércio estar fechado, não demora até que encontre uma farmácia. Uma pedra arrebenta o vidro, e ao som do alarme, enche os bolsos de Vicodin. Sem polícia, sem segurança privada, as únicas testemunhas são alguns vizinhos que se apressam em desligar as luzes assim que ele deixa o local.

Andando mais um pouco, Delta descobre que a idéia de depredação e roubo não foi exclusiva ou original. Inúmeras lojas foram saqueadas. Para se livrar das vestes do hospital, faz os mesmo.

Sem conseguir decidir-se a respeito do próximo passo, ruma em direção ao local onde despertou. O som de sirenes se aproximando, entretanto, fazem com que se esconda. Um jipe militar e uma ambulância passam por ele e param em um prédio a uma centena de metros. Depois de insistir ao interfone, os militares arrombam a porta e invadem o local. Retornam pouco depois, trazendo preso a uma maca um homem com pele fosforescente. Sob os protestos desesperados de uma mulher e uma criança, ambos veículos partem.

O Quarto Homem

Vasculhando com mais cuidado o local onde despertou, Delta encontra algumas provisões. Aparentemente, alguém esteve ali ao longo dos últimos dias. Alimentando-se da melhor forma possível naquelas condições, ele mal percebe a chegada de um homem em trajes formais. Apresenta-se como Arthur Pendell, seu vizinho no subsolo de Tuskegee e responsável pelo seu resgate da Base Aérea Maxwell-Gunter.

Delta identifica imediatamente aquele a quem chamava de “O Quarto Homem”. Ele sabe pouco mais do que Delta a respeito dos últimos acontecimentos. Ainda que tenha recordado seu nome, também sofre de amnésia. Entretanto, tem uma certeza. Seja lá o que foi que aconteceu com eles, não pode continuar em segredo. O mundo precisa ser alertado a respeito do que realmente está se passando em Montgomery. A despeito da indefinição quanto à forma como isso se realizará, Delta parece satisfeito com o fato de finalmente ter um propósito. Cansado, e com a dor retornando, decide permanecer no local.

Partida

A luz entrando pelas janelas desperta Delta. Há muito passou do meio-dia, e Pendell não está ali. Ora mais perto, ora mais longe, o som de helicópteros é constante. Descendo até a rua por uma escada de incêndio, Delta circula sem destino. A visão de carros militares ou ambulâncias faz com que ele se esconda. A abordagem que testemunhou na noite anterior o alertou para os riscos do contato com militares.

Incapaz de saber se ainda está produzindo aquilo que mata pessoas, ele caminha pelas ruas desertas. Uma edição do Montgomery Advertiser alerta para o Estado de Emergência declarado na cidade, indicando que as pessoas devem permanecer em casa, assinalando com um “X” nas portas e janelas onde existe algum infectado.

A sorte parece mudar quando Delta avista um homem com as mãos parecendo tentáculos entrando por uma porta. Aproximando-se da entrada do Bitter End, bate à porta duas vezes até ser atendido. Ao entrar, sob os olhos desconfiados de uma dezena de pessoas, Delta pode ver a extensão do vírus nos sobreviventes. Todo tipo de degeneração do corpo parece concentrado naquele local.

Mostre que é um de nós, diz o homem que abriu a porta. Seu olhar se dirige para o tronco engessado de Delta. Intimidado pelos os ossos que parecem querer perfurar a pele em diversos pontos, espalhando uma coloração de sangue coagulado, Delta não compreende o pedido. Acredita que os poderes, e não a aberração, definem aquele grupo.

Mesmo abatido pelos ferimentos, consegue movimentar alguns objetos metálicos à distância. O espanto causado pelo feito é logo afastado pela nova exigência:

– Prove que é como nós. Mostre o que esconde sob esse gesso.

Encurralado, sentindo o calor emitido por um homem cuja pele parece ter sido queimada até quase expor os ossos, Delta afirma que não sofreu nenhuma mutação. Uma mulher, que teve a ponta dos dedos substituída por olhos, se pergunta como aquilo é possível. Outro, enquanto lambe os dentes pontiagudos e esfrega as mãos escamosas, sugere que Delta deve ser um dos militares que estão caçando pessoas nas ruas.

Antes que possa se defender da acusação, percebe a tensão dentro do grupo. Alguns desejam se entregar, outros pretendem fugir, enquanto a idéia de apenas esperar também tem defensores. Delta diz que tem um amigo, e que talvez ele possa lhes ajudar, como fez com ele. Depois de convencê-los de que não os entregará, deixa o Bitter End.

Numa esquina distante, Arthur Pendell observa. Assim que Delta se aproxima, ele bate palmas, irônico:

– Parece que fez um pequeno grupo de amigos no Circo dos Horrores.

Delta não compreende. Não seriam elas as pessoas beneficiadas por aquilo que Pendell pretende? Trazer a verdade à tona?

– Não. Eles são a escória. Aquilo que até o acaso rejeitou. O oposto de nós. E nesse momento, já não precisamos nos preocupar com eles.

Cinco sombras, como aquela que Delta havia visto antes, surgem ao seu redor.

– Está na hora de partir. Em Nova Iorque você fará o que fez em Montgomery. E então, não haverá mais espaço para segredos.

Finalmente compreendendo o plano do Quarto Homem, Delta não tem formas de resistir. Uma explosão é sua última lembrança.

Resumo da Campanha Cartas Selvagens, que utiliza o sistema de regras do livro Mutantes & Malfeitores, da Green Ronin/Jambô.
Narrador: Carlos Hentges
Delta: Brunetto

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