The Truth's For Sale

London em Londres III – O Império dos Fatos e o Jardim da Imaginação

Posted in Jornalismo, Literatura by Carlos Hentges on 12/06/2008

O Dicionário Eletrônico Michaelis de Língua Portuguesa define notícia como: “conhecimento, informação, novidade. Escrito de pouca extensão sobre um assunto qualquer”. A descrição é adequada para boa parte daquilo que se publica cotidianamente em jornais e revistas. Para avançar um pouco mais, apresenta-se o conceito de reportagem: “ato de adquirir informações para os periódicos. O serviço prestado pelos repórteres nos periódicos em que colaboram. As notícias que eles preparam para os periódicos”.

Comparadas ambas as definições dicionarizadas, fica-se com a sensação de que a primeira refere-se ao resultado da segunda. Combinando acepções, poderíamos ter que o serviço prestado pelos repórteres nos periódicos em que colaboram é um escrito de pouca extensão sobre um assunto qualquer.

Isso não deixa espaço, porém, para os trabalhos mais longos de reportagem, comumente publicados em revistas, e menos corriqueiramente em jornais. Uma definição mais ampla é concedida por Edvaldo Pereira Lima.

O instrumento básico para o relato jornalístico é a notícia, forma de comunicação que condensa a reprodução dos fatos sociais. Mas como há temas que requerem abordagem mais ampla, o jornalismo desenvolveu, ao longo do tempo, uma forma de mensagem mais rica, cujo teor procura redimensionar a realidade sob um horizonte de perspectiva onde não raro existem várias dimensões dessa mesma realidade. Essa forma é a reportagem, que nos casos mais felizes oferece, em torno do núcleo frio que marca a face árida de um acontecimento, todo um contexto embelezado pela dimensão humana, pela tradução viva do ambiente onde ocorrem os fatos, pela explicação de suas causas, pela indicação dos rumos que poderá tomar. (LIMA, 1993a, p. 10).

Tendo compreendido o que é uma notícia e o que é uma reportagem, passemos à análise a que esse trabalho se propõe, qual seja, a relação entre o trabalho de reportagem e a literatura, passando, necessariamente, pelo livro-reportagem, onde essa hibridização encontra terreno fértil.

3.1 Reportagem no Brasil: um breve histórico

O livro-reportagem é conhecido no Brasil como gênero híbrido entre o jornalismo e a literatura desde 1897. Neste ano, como correspondente do jornal Estado de São Paulo, Euclides da Cunha retratara o cenário da Guerra de Canudos em suas reportagens enviadas ao periódico. Uma coletânea que deu origem ao livro Os Sertões, publicado em 1902.

Não importa muito, do ponto de vista da observação de um processo no tempo histórico, que Os Sertões não sejam um livro-reportagem no sentido estrito do termo. Importa que tenha exibido algumas importantes possibilidades do tratamento jornalístico. Importa que, por analogia de raciocínio, tenha estado para o futuro desenvolvimento do livro-reportagem no Brasil assim como, digamos, Por quem os sinos dobram , tenha estado como estímulo para o jornalismo literário americano dos anos 40 ou 50. (LIMA,1995b, p. 163)

3.1.1 A Cidade Maravilhosa de João do Rio

Alguns anos após o lançamento de Os Sertões, surgiu no Rio de Janeiro um formato urbano do que seria chamado mais tarde de reportagem. Foi através das palavras do jornalista João Paulo Alberto Coelho Barreto, mais conhecido pelo seu pseudônimo João do Rio, que as transformações urbanas da capital entre 1900 e 1920 ganharam vida. João do Rio foi pioneiro em explorar uma nova forma de coletar de informações. Ele não somente costumava entrevistar as fontes, como também se dedicava a uma observação minuciosa da realidade. Duas novas técnicas que seriam amplamente utilizadas no jornalismo interpretativo no país a partir da década de 60.

A ampliação das informações imediatas (notícias) já se encontra nos três rumos hoje consagrados: o rumo da humanização (“Um mendigo original”), que individualiza um fato social por meio de um perfil representativo; o rumo da ampliação do fato imediato no seu contexto (a maior parte de suas reportagens sobre problemas sociais da época; embora a necessidade de opinar de vez em quando ou até freqüentemente, as matérias permanecem como reportagens mais do que como artigos opinativos, com juízo de valor); e o rumo da reconstituição histórica. Nesta última categoria de jornalismo interpretativo, o autor só toca de leve – são passagens curtas das reportagens, onde a erudição de bolso oferece alguns subsídios para completar a informação presente no seu lastro histórico. O fato significativo como método de trabalho é que João do Rio não se satisfaz com a notícia imediata, o telegrama esqueleticamente informativo. Lança-se na reportagem que pretende mais, vale-se da enquete para ampliar as possibilidades informativas. (MEDINA, 1993, p. 62).

3.1.2 O Cruzeiro

Após a Segunda Guerra Mundial, e com o fim do Estado Novo, a imprensa passou por um processo de desenvolvimento tecnológico acelerado. O que garantiu não só uma expansão dos recursos gráficos, mas também da própria reportagem.

Na década de 50 surge a primeira revista semanal brasileira – O Cruzeiro. Periódico merecedor de destaque por consolidar o gênero jornalístico da reportagem no Brasil, a revista O Cruzeiro não é merecedora de elogios quando são questionados alguns dos princípios éticos que orientavam membros proeminentes da redação.

Segundo Accioly Neto, diretor de redação da revista por mais de 40 anos, a primeira dupla de repórteres que se formou no Brasil não parecia ter muita preocupação com a veracidade do que era retratado.

…esses dois personagens extraordinários, (Jean) Manzon e (Davi) Nasser, formaram, como já disse, em O Cruzeiro uma dupla de grande fama, cuja filosofia podia ser resumida na seguinte frase: a verdade fica mais verdadeira quando exposta com uma razoável dose de fantasia. (NETO, 1998, p. 109).

Apesar da linha editorial que se preocupava mais com as figuras em destaque na época, do que com a realidade da população, a revista O Cruzeiro representou um marco na história da reportagem brasileira. Abriu um espaço até então inédito para a grande reportagem, além de ter atingido a tiragem de 850.000 exemplares nos anos 50, quando a população do Brasil na passava de 50 milhões. Sem falar de nomes como Ziraldo e Millôr Fernandes, que também tiveram passagem pela revista. Enfim, uma publicação que viu seus anos dourados e sucumbiu definitivamente na década de 70.

3.1.3 Realidade

Lançada em novembro de 1965 como a primeira revista brasileira de informação geral, Realidade foi publicada pelo Grupo Abril. O veículo surgido em um ambiente de rápidas mudanças políticas e de amadurecimento da atividade jornalística no país é classificado por Edvaldo Pereira Lima como a mais significativa experiência estilística vivida pelo jornalismo brasileiro.

O Brasil acabara de sair há pouco dos ’50 anos em 5 de Juscelino’, tínhamos a nova Capital Federal em Brasília, a indústria automobilística já se implantara, o surto desenvolvimentista caminhava para o Centro-Oeste, a juventude optava por novas expressões artísticas na Bossa Nova, no Cinema Novo, na música popular brasileira, no tropicalismo e, menos sofisticadamente, na Jovem Guarda de Roberto Carlos. Fora, o mundo agitava-se com a continuidade da Guerra Fria, a corrida espacial, a rebelião hippie, as novas propostas de liberação sexual. E a nova audiência em constituição no Brasil queria compreender o país em mudança, os novos tempos, o planeta. (LIMA, 1995b, p. 168).

Realidade ocupa a lacuna deixada pela decadência de O Cruzeiro e pela falta de um texto contundente de sua maior concorrente, a Manchete de Adolpho Bloch. Mas a Realidade não tomou este espaço reproduzindo o modo de reportar das outras revistas até então existentes. Ao contrário, ela inovou e imprimindo características que até hoje inspiram repórteres no Brasil.

A universalidade temática é uma delas. Ao invés de se limitar aos personagens em destaque na mídia, como fazia freqüentemente O Cruzeiro, Realidade atribuía maior importância aos anônimos esquecidos no meio da multidão. Proporcionava a seus repórteres liberdade para a escolha da pauta, sempre demonstrando preocupação em não reportar somente o factual. Com isso, Realidade procurava fornecer um panorama contextualizado da contemporaneidade.

Outro aspecto é o avanço que a revista Realidade conquista no que se refere à documentação. Mesmo não tenha atingido o nível de experimentalismo alcançado pelo New Journalism , a revista Realidade representou o ápice da liberdade estética na história do jornalismo brasileiro. Até mesmo a falta de unidade de estilo contribuía para que cada profissional pudesse explorar sua expressão pessoal mais adequada a cada circunstância como constata Edvaldo Pereira Lima.

…por isso o texto literário valia. O texto onde cada profissional testava a sua força de expressão. Onde cada um manipulava como lhe aprouvesse os elementos da artesania literária emprestados à escritura do real contemporâneo. (LIMA, 1995b, p.173)

Apesar de ter estreado tantos elementos que influenciam até hoje os rumos da reportagem no Brasil, a revista não chegou a ocupar o espaço jornalístico específico em que o livro-reportagem pode atuar. O primeiro seria a dificuldade de realizar uma abordagem aprofundada de um único tema. A não ser nas edições especiais que traziam todas as matérias sobre o mesmo assunto, porém com enfoques diferentes. E a segunda seria derivada do formato reportagem-conto – adotado pela revista -, pois ele nem sempre é capaz de preencher todas as necessidades que o leitor tem para entender um assunto. Em outras palavras, por particularizar demais, quase sempre relegava o contexto geral essencial ao jornalismo interpretativo. Mesmo que tenha havido falhas, não se pode deixar de reconhecer a contribuição do veículo para a evolução da reportagem no Brasil, como bem coloca Edvaldo Pereira Lima.

Evidentemente não se trata de negar o papel importante de uma publicação desta natureza. Tem a sua função: ocupa um patamar superior aos periódicos convencionais. E por seu caráter tanto mais extensivo no plano do aprofundamento de abordagem quanto mais refinado no plano da proposta estética, contribui para que a audiência se acostume a produções jornalísticas nessa linha, fazendo com que uma parcela se interesse em consumir livros-reportagem que ofereçam uma modalidade de informação mais densa. Ao mesmo tempo, modelos como Realidade produzem o efeito benéfico de aperfeiçoar o domínio instrumental dos jornalistas que queiram explorar o vôo de altitude elevada do livro-reportagem. (LIMA, 1995b, p. 176).

3.2 O Livro-reportagem

Ao longo de suas duas obras tomadas como referência nesse trabalho, Edvaldo Pereira Lima aponta o livro-reportagem como um refúgio para o jornalista que busca escapar da imposição de padrões que assola a imprensa contemporânea. Segundo ele, são inúmeras as concessões que se deve fazer pelo repórter de um periódico até que uma história faça o caminho do bloco de anotações até a página impressa.

O livro-reportagem, por outro lado, carrega a marca do autor, estando à parte das limitações impostas pelas empresas jornalísticas e, portanto, livre para buscar experimentações capazes de estimular o leitor.

A resposta passa pelos dois princípios elementares: o livro-reportagem não estando, como não está, preso à rotina industrial dos veículos periódicos, tem o potencial, teoricamente, para se livrar da captação premida pelo tempo; estando liberto da objetividade reducionista e puramente tecnicista que habitualmente impera na imprensa regular, pode, em tese, experimentar novas formas de captação, expandir o leque de fontes de consulta, criar novas maneiras de interação entre o repórter e seus entrevistados, munir-se de instrumentos inovadores na observação do real em suas múltiplas complexidades, já que, de princípio, não há necessidade de se submeter a um “gosto médio”. (LIMA, 1995a, p. 84).

Jack London tinha experiência jornalística como correspondente de guerra. Quando decidiu iniciar a pesquisa que culminaria em O Povo do Abismo, estava a caminho da África do Sul. A parada em Londres tinha por objetivo entrevistar generais ingleses a respeito das batalhas que se desencadearam durante a Guerra dos Bôeres. (STONE, 1952, p. 162).

O contrato com a companhia Macmillan acabou desfeito, encaminhando o autor na direção do acalentado plano de observar a miséria de Londres em primeira pessoa. Sobre esse plano, tinha objetivos claros e metodologia simples, explicitas no prefácio de O Povo do Abismo.

As experiências relatadas nesse livro assaltaram-me durante o verão de 1902. Foi quando desci ao submundo de Londres com uma disposição mental melhor comparável a de um explorador. Queria ser convencido pela evidência de meus olhos, e não pelos ensinamentos de quem não havia visto, ou pelas palavras dos que tinham visto e ido até lá anteriormente.Também levei comigo alguns critérios simples para avaliar a vida no submundo: o que resultava em mais vida, saúde física e espiritual, era bom; o que significava menos vida, o que feria, apequenava e deformava a vida, era ruim. (LONDON, 2004, p. 65).

Ao tornar objeto de reportagem a população miserável de Londres, Jack London cumpre o que Edvaldo Pereira Lima considera uma das mais importantes funções do livro-reportagem, qual seja, penetrar em campos desprezados ou superficialmente tratados pelos veículos jornalísticos periódicos (LIMA, 1995a, p. 7).

Jack London tinha plena consciência de que escrevia sobre algo que não era do conhecimento do cidadão de Londres. Quebrar a invisibilidade dos miseráveis e a apatia do seu leitor o encaminhou na direção de seguidos momentos de “diálogo”. Momentos esses que, em mais de uma oportunidade, carregam um ácido tom de crítica a postura da “gente bondosa de Londres”.

E há 35 mil deles, homens e mulheres, em Londres nessa noite. Por favor, não pense nisso quando for para a cama; se você for tão bondoso quanto deveria, talvez não consiga dormir como o faz toda noite. Para homens de 60, 70, 80 anos, mal-nutridos, sem carne e sem sangue, saudar o amanhecer sem ter tido a chance de se revigorar, passar o dia cambaleando numa busca insana por restos, com a noite inexorável novamente se aproximando, e fazer isso cinco dias e noites…Ah, gente bondosa e bem-nutrida, como é que um dia poderão entender? (LONDON, 2004, p. 128).

A combinação do tema e da abordagem realizada por Jack London faz com que O Povo do Abismo se enquadre em duas das categorias propostas por Edvaldo Pereira Lima para definição dos tipos de livro-reportagem.

Livro-reportagem-retrato: Exerce papel parecido, em princípio, ao do livro-perfil. Mas, ao contrário deste, não focaliza uma figura humana, mas sim uma região geográfica, um setor da sociedade, um segmento da atividade econômica, procurando traçar o retrato do objeto em questão. Visa elucidar, principalmente, seus mecanismos de funcionamento, seus problemas, sua complexidade. É marcado, na maioria das vezes, pelo interesse em prestar um serviço educativo, explicativo. Por isso, trabalha a metalinguagem, na troca em miúdos de um campo específico do saber para um grande público não especializado. (LIMA, p. 45, 1995b).

E:

Livro-reportagem-denúncia: Com propósito investigativo, esse tipo de livro apela para o clamor contra as injustiças, contra os desmandos dos governos, os abusos das entidades privadas ou as incorreções de segmentos da sociedade, focalizando casos marcados pelo escândalo. (LIMA, p. 49, 1995b).

3.3 Além das Fronteiras

Como já foi observado anteriormente, Os Sertões delineou os primeiros traços do caminho que o livro-reportagem viria a percorrer anos mais tarde. Mas não foi apenas no Brasil que o livro-reportagem começava a dar seus primeiros passos. No hemisfério norte escritores como Charles Dickens, Mark Twain e George Orwell usavam artifícios do realismo social em suas peças literárias que contribuíram enormemente para aproximar o jornalismo da literatura e, conseqüentemente, a reportagem do livro. Um marco dessa trajetória foi o lançamento em 1919 de Dez dias que abalaram o mundo, um relato minucioso do jornalista americano John Reed sobre a Revolução Russa.

Infelizmente, o contexto social da primeira metade do século XX não era muito animador para o desenvolvimento do livro-reportagem. Nessa época, o jornalismo ainda era visto como atividade marginal, enquanto que a literatura de ficção era tida como nobre. Tal disparidade fazia com que escritores como Ernest Hemingway fizessem uso da primeira apenas como forma de aperfeiçoar suas habilidades narrativas, para então, se dedicar inteiramente a segunda como coloca Edvaldo Pereira Lima.

Se de um lado Hemingway contribuiu em alguma medida para a renovação estilística da reportagem, de outro parece-nos evidente que a sua atividade jornalística jamais foi um fim em si mesmo, e sim, sempre um meio para alavancar sua produção primordial, que era a literatura de ficção. Mesmo que, hipoteticamente, desejasse se dedicar integralmente ao jornalismo, é possível que não encontraria, nesse campo condições para se perpetuar tanto quanto conseguia na literatura. Contextualmente, no bojo dessa preferência residia o fato de o jornalismo permanecer como espaço marginal da atividade moderna da escrita. O reconhecimento artístico continuava reservado à prosa e à poesia de ficção, talvez ao ensaio. Em ebulição, porém, o jornalismo teria ainda de re-elaborar e projetar, para níveis superiores, sua contínua interação simbólica com a arte literária. (LIMA, 1995b, p. 146).

O valor atribuído ao livro-reportagem começou a ser alterado a partir do fim da Segunda Guerra, quando surgem reportagens como Hiroshima de John Hersey, publicada originalmente em 1946 ocupando uma edição inteira da revista The New Yorker, e mais tarde sendo editada como livro-reportagem.

3.4 O “New Journalism”

Percebendo a existência do espaço vazio deixado pelos escritores de ficção da época, os jornalistas americanos dos anos 60 começam a penetrar na realidade social para contar o que estava acontecendo no país. Começam pelos features (matérias frias) nos jornais diários, passando então para as edições dominicais dos mesmos, crescendo até atingir as revistas independentes como The New Yorker e Esquire para finalmente desdobrarem seus talentos sobre o veículo mais adequado para renovação estilística proposta por estes representantes do New Journalism, qual seja, o livro-reportagem.

E assim em 1966, o jornalista e escritor Truman Capote publica a primeira grande obra do New Journalism em formato de livro-reportagem: A Sangue Frio. O livro, resultado de uma investigação de vários meses do autor sobre a chacina de uma família, já nasceu como um clássico. Da mesma geração de Capote, pode-se destacar ainda jornalistas como Tom Wolfe, autor de O teste do ácido do refresco elétrico, Norman Mailer e Gay Talese, entre outros autores que também contribuíram de forma significativa para o reconhecimento do livro-reportagem.

3.4.1 A reportagem feita nas ruas

Reportagem é sujar sapatos, afirma Humberto Werneck no posfácio de Fama & Anonimato, de Gay Talese. Representante do estilo de reportagem que veio a receber o nome de New Journalism, Novo Jornalismo, ou Jornalismo Literário, o norte-americano se notabilizou por uma série de características: abominava o uso de gravadores, fazia anotações apenas quando considerava essencial, e passava todo o tempo que julgava necessário em companhia de quem pretendia entrevistar, conversando, inclusive, com seus familiares, amigos, subalternos e associados. Esse período poderia ser de dias ou até mesmo semanas, dependendo da quantidade de dados que Talese considerasse necessários para conclusão de seu trabalho.

Tom Wolfe foi um dos mais experimentais repórteres que atuou a serviço do New Journalism. Ele escreveu o seguinte a respeito das primeiras reações que o estilo causou na imprensa e na literatura, especialmente devido aos seus métodos de apuração e desenvolvimento das histórias.

O tipo de reportagem que faziam parecia muito mais ambicioso também para eles. Era mais intenso, mais detalhado e sem dúvida mais exigente em termos de tempo do que qualquer coisa que repórteres de jornais ou revistas, inclusive repórteres investigativos, estavam acostumados a fazer. Eles tinham desenvolvido o hábito de passar dias, às vezes semanas, com as pessoas sobre as quais escreviam. Tinham de reunir todo o material que o jornalista convencional procura – e ir além. Parecia absolutamente importante estar ali quando ocorressem cenas dramáticas, para captar os diálogos, os gestos, as expressões faciais, os detalhes do ambiente. A idéia de dar a descrição objetiva completa, mais alguma coisa que os leitores sempre tiveram de procurar em romances e contos: especificamente, a vida subjetiva ou emocional dos personagens. Por isso foi tão irônico quando os velhos guardiões tanto do jornalismo quanto da literatura começaram a atacar esse Novo Jornalista como “impressionista”. As coisas mais importantes que se tentava em termos de técnica dependiam de uma profundidade de informação que nunca havia sido exigida do trabalho jornalístico. (WOLFE, 2005, p. 37).

Essa não exigência a que Wolfe se refere é justamente pelo que clama Lima, ao afirmar que a imprensa executa de forma indigente o trabalho de apuração necessário para que se constitua uma reportagem digna do nome. Mais do que validar a piada com forte conotação crítica de que a imprensa reporta até enchente por telefone, a postura afirma as características de reportagem que Jack London apreendeu.

Contudo, além disso, a imprensa executa insuficientemente outra etapa importante de construção do trabalho de reportagem: a captação. Isto é, o sair a campo, entrevistar pessoas, observar cenas e cenários, entrar em ambientes, consultar fontes registradas de informações; relacionar-se com o mundo, enfim, para descrevê-lo. (LIMA, 1995a, p. 24).

Não deixa de ser irônico, portanto, quando nesse contexto – a análise da obra em que Jack London viveu entre mendigos para escrever uma reportagem – que Wolfe compara o trabalho do bom repórter com a indigência.

A gentil tradição da não-ficção é resumida pela expressão “o ensaio polido”. Bater pernas, “cavar”, fazer reportagem, especialmente do tipo Vestiário é… bem, coisa que não está à altura da dignidade. Isso coloca o escritor numa posição tão esquisita. Ele não só tem de penetrar no ambiente das pessoas sobre quem escreve, mas também de se escravizar de seus horários. O trabalho de reportagem pode ser tedioso, confuso, fisicamente sujo, cansativo, até perigoso. Mas o pior de tudo, do ponto de vista gentil, é a contínua postura de humilhação. O ponto de partida do repórter é invadir a privacidade de alguém, fazer perguntas que não tem o direito de esperar que sejam respondidas – e, assim que se rebaixou a esse ponto, transformar-se em um suplicante de canequinha na mão, esperando que venha a informação ou que aconteça alguma coisa, esperando ser tolerado o bastante para que consiga o que precisa, adaptando sua personalidade à situação, insinuando-se, servindo, fazendo o que for preciso, suportando insultos, abusos, até choques ocasionais na eterna busca da “história” – comportamento que chega bem perto do servilismo ou mesmo da mendicância. (WOLFE, 2005, p. 72).

Truman Capote foi extremamente sagaz ao descrever seu modo de ver as relações que se estabelecem entre o fazer jornalístico e literário. Partidário da causa que defendia a possibilidade de ser o jornalismo uma manifestação artística tão elaborada quanto o ensaio, o conto ou a novela, o autor norte-americano afirmou sobre uma série de seus textos, enquadrados na classificação New Journalism.

Tudo que consta aqui é factual, o que não significa que seja a verdade, embora dela se aproxime o quanto pude conseguir. O jornalismo nunca pode ser totalmente puro – e nem a câmera, pois afinal a arte não é água destilada: impressões pessoais, preconceitos e a seletividade subjetiva comprometem a pureza da verdade cristalina. (CAPOTE, 2006, p. 10).

A colocação encaminha diretamente para a série de perguntas formuladas por Cristiane Costa e que lhe serviram de ponto de partida para Pena de Aluguel. Buscando saber se o ofício de jornalista era prejudicial ou não à criação literária, realizou extensa pesquisa com jornalistas-escritores brasileiros. Mais importante do que o resultado da empreitada são algumas perguntas que seu desenvolvimento encoraja:

Quem tem melhores condições para contar a história: quem a vê a partir de um ângulo privilegiado ou quem a vive na própria pele marcada pela tortura, marginalidade, engajamento, patrulhismo ou cooptação? O que acontece quando os mesmo personagens ocupam as duas posições? (COSTA, 2005, p. 15).

London acreditava que a imersão no cenário era essencial para captura correta dos humores que apenas um nativo do local visitado poderia corretamente apreender. Para que esse processo fosse efetivo, se fez passar por um dos habitantes do East End. Sua primeira impressão durante o trabalho de reportagem foi causada pela imediata depreciação pessoal produzida pela queda de qualidade das roupas que utilizava. “A jaqueta rasgada e de cotovelos puídos era o emblema e o anúncio da minha classe, que era a classe deles”. (LONDON, 2004, p. 77). A mudança obrigou o escritor a permanecer mais atento nas ruas, já que os condutores de carruagem se esforçavam pouco ou nada para poupar a população de baixa ou nenhuma renda de um atropelamento potencialmente fatal.

Mas tudo isso tinha suas compensações. Pela primeira vez fiquei cara a cara com as classes baixas inglesas e as conheci de perto. Quando vagabundos e trabalhadores, nas esquinas e botequins, conversam comigo, conversavam como um homem conversa com outro, e conversavam como homens comuns deveriam conversar, sem a menor intenção de obter alguma coisa em função do que falassem ou do modo como falassem. (LONDON, 2004, p. 78).

O pano de fundo que inspira e impulsiona tanto o jornalismo, quanto a crônica e o romance é a crua e nua realidade, com todas as cores e dores que lhe são peculiares. Essa inspiração tem sentido: nada, nem a mais desvairada ficção, é mais fascinante, mais rica e mais pródiga de sentidos, sentimentos, significados, revelações e paixões do que a vida real.

Isso, unido aos preceitos do romance realista, que apresenta uma narrativa preocupada com a análise psicológica, fazendo crítica à sociedade a partir do comportamento de determinados personagens e possui forte caráter documental, sendo retrato de uma época, é a própria descrição de O Povo do Abismo.

Lima (1995a, p. 23 e 37), condena o processo de captação insuficiente da reportagem nos periódicos contemporâneos. Segundo ele, entrevistar pessoas, observar cenários e relacionar-se com o mundo é nada menos do que fundamental para o trabalho do jornalista. Menezes segue o mesmo tom, mas advoga em favor do processo secreto de captação, no qual o repórter não se identifica como tal.

Há quem ache que o cronista deve sair às ruas e se identificar como se fosse jornalista-cronista às pessoas que encontra e que podem ser temas de suas crônicas e ouvi-las e entrevistá-las formalmente. Discordo. O cronista tem que ter cara de paisagem, agir anonimamente, incógnito. Só assim conseguirá chegar perto do mundo real, e vê-lo, santíssima pretensão, exatamente como ele é. Ou parece ser. Acho que, muitas vezes, a percepção da presença de jornalistas em determinados locais pode mudar os rumos de determinada história. (MENEZES, 2002, p. 167).

Em uma única passagem de O Povo do Abismo Jack London revela o resultado obtido após, diante de dois moradores do East End, identificar-se como um estudioso em busca de informações a respeito do local e das pessoas que nele habitam.

Claro que tive que explicar que era apenas um pesquisador, um estudante, procurando descobrir como se vivia na outra metade do mundo. Eles imediatamente se fecharam como ostras. Eu não era da espécie deles – minha fala mudara, o timbre da minha voz era diferente; em resumo, eu era superior. Eles tinham um espírito de classe extraordinário. (LONDON, 2004, p. 134).

Ao longo de todo O Povo do Abismo Jack London não poupa descrições repletas de adjetivos e subjetividade. A aproximação com os moradores do East End se reflete de forma acentuada em todo o texto. Como veremos no capítulo seguinte, trata-se de uma marca do autor visando encaminhar o leitor para fora da Espiral do Silêncio que se forma quando o tema são as classes menos favorecidas de qualquer sociedade.

Autor de Hiroshima, um dos livros-reportagem mais famosos, John Hersey foi na direção contrária de London em relação ao método de abordagem, como afirma o posfácio Jornalismo com H, de Matinas Suzuki.

Humanizando o que havia ocorrido por meio do relato de seis sobreviventes – duas mulheres e quatro homens, sendo um deles um estrangeiro no Japão -, ele aproximou a abstração ameaçadora de uma bomba atômica à experiência cotidiana dos leitores. O horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, ele deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história. O tom da reportagem é um prolongamento da dor silenciosa que os sobreviventes de Hiroshima notaram nos conterrâneos feridos. Quarenta anos depois, Hersey escreveu a Paul Boyer que “o estilo direto foi deliberado, eu ainda penso que estava certo ao adotá-lo. Um maneirismo de alta literatura ou a demonstração de paixão poderiam ter me conduzido à história como mediador; eu queria evitar essa mediação, assim a experiência do leitor poderia ser o mais direta possível”. (SUZUKI, 2002, p 168).

Sobre essa fronteira cinza entre o fazer jornalismo e fazer literatura no fazer jornalístico, Rildo Cosson afirmou:

Nos limites do império dos fatos com o jardim da imaginação, o romance-reportagem constrói o seu lugar como gênero híbrido. Reunindo nessa condição de gênero a força política do jornalismo com a força poética da literatura, o romance-reportagem demanda que se aceite a fronteira não como limite, barreira, separação, mas sim como um território de trânsito, espaço de contato, lugar de suspensão e negociação de identidades. Do mesmo modo, requer que a contaminação das fronteiras do jornalismo com a literatura por ele proposta seja considerada como um modo legítimo de atribuir sentido e organizar a experiência em narrativas que interpretam e traduzem o que somos e o mundo em que vivemos. (COSSON, 2002, p. 70).

3.5 A busca por dados

Como já foi dito anteriormente, Jack London não poupou os moradores do East End de Londres das descrições mais brutais. Aproveitando-se da ignorância da população abastada da capital inglesa a respeito de seus irmãos menos afortunados, o autor de O Povo do Abismo leva seus leitores a um novo cenário através de termos que emulam o preconceito de classe.

No fundo do Abismo estão os fracos, os estúpidos e os imbecis. Quando se reproduzem, a vida que nasce deles é tão precária que forçosamente perece. Estão sujeitos às engrenagens do mundo, do qual não desejam nem estão aptos a participar. Além dos mais, o mundo não precisa deles. Há muitos homens muitos mais aptos, que escalam a ladeira íngreme e lutam furiosamente para não escorregar. (LONDON, 2004, p. 98).

Mas Jack London, tal qual um repórter, não poderia se dar ao luxo de permanecer restrito apenas ao registro daquilo que seus olhos testemunhavam. Mesmo desfrutando então de alguma reputação devido a obras como O Filho do Lobo e O Chamado Selvagem, London ainda não tinha consolidado a fama que faria dele o escritor mais lido de seu tempo. E mesmo isso não seria o bastante.

O autor precisava do amparo de dados para que suas afirmações não perdessem o valor e fossem qualificadas como denúncias vazias propagadas por “um anarquista, um incendiário” (STONE, 1952, p. 199).

Para tanto, suas pesquisas abarcaram jornais, artigos, documentos oficiais.

Ao longo de O Povo do Abismo London espalha os frutos desse trabalho. Um deles diz respeito a um jornal londrino. Sob a manchete Autonegligência, o texto dá conta do falecimento de uma senhora chamada Elizabeth Crews. Segundo a notícia, “a ambulância e o cocheiro tiveram que ser desinfetados após a remoção”, pois “a morte se deveu a uma infecção sangüínea causada por escaras, ocasionadas por autonegligência e pelo ambiente sujo”. (LONDON, 2004, p. 99).

Que uma velha senhora de 77 anos de idade tenha morrido de AUTONEGLIGÊNCIA é a maneira mais otimista possível de encarar o fato. A culpa por ter morrido foi da velha morta e, uma vez identificada a responsabilidade, a sociedade segue satisfeita, para resolver outras questões. (LONDON, 2004, p. 100).

Em outra passagem, London se debruça sobre a forma como eram ministradas sentenças, tendo como base relatórios da Polícia Metropolitana de Londres. A partir do que reportou, ele afirma que “numa sociedade francamente materialista e baseada na propriedade, não na alma, é inevitável que a propriedade seja exaltada em detrimento da alma, e que os crimes contra a propriedade sejam considerados mais sérios que crimes contra a pessoa”. (LONDON, 2004, p. 211).

Distrito Policial de Kirkcaldy. Perante o corregedor Dishart. Simon Walker, declarado culpado por agredir um homem atingindo-o e derrubando-o no chão. Foi uma agressão intencional, e o magistrado descreveu o acusado como um grande perigo para a comunidade. Multa de 30 xelins . (LONDON, 2004, p. 212).

E:

Distrito Policial de Eckington. Perante o major L. B. Bowden e os senhores R. Eyre, H. A. Fowler e o Doutor Court. Joseph Watts, acusado de roubar nove samambaias de um jardim. Um mês de prisão. (LONDON, 2004, p. 214).

Segundo Jack London, em uma passagem em que não identifica a fonte de seus dados:

…na periferia de Londres há 1.292.737 pessoas que recebem 21 xelins ou menos por semana para manter toda a família, (e) é preciso lembrar que tratamos aqui de uma família de cinco vivendo com 21 xelins semanais. Há famílias maiores, há inúmeras famílias que vivem com menos do que isso, e há muitos trabalhadores irregulares. (LONDON, 2004, p. 229).

São pessoas apenas à espera do momento da morte, sem condições para nada além dessa sobrevivência de expectativa mórbida.

Os números são impressionantes: 1,8 milhão de pessoas em Londres na linha de pobreza ou abaixo dela , e outro 1 milhão vive separado da miséria apenas por um salário semanal. Em toda a Inglaterra e no País de Gales, 18% de toda a população depende de caridade pública e, em Londres, de acordo com estatísticas do Conselho do Condado de Londres, o número chega a 21%. Entre isso e ser um miserável com uma mão na frente e outra atrás vai uma grande diferença, mas mesmo assim Londres ajuda 123 mil pobres, mais do que a população inteira de muitas cidades. Uma pessoa em cada quatro, em Londres, morre em instituições de caridade, enquanto 939 em cada 1.000, no Reino Unido, morrem na pobreza. Oito milhões simplesmente lutam para não morrer de fome, e 20 milhões ainda não vivem em situação confortável, na acepção mais simples da palavra. (LONDON, 2004, p. 261).

No capitulo em que trata do confinamento de populações indesejadas em guetos, Jack London faz uma reflexão a respeito de suas descrições e o distanciamento crítico necessário para sua realização. Por um instante demonstra temor diante de possíveis “generalizações sobre a miséria disseminada entre os moradores do gueto”. (LONDON, 2004, p. 243). Para amparar suas impressões, recorre a testemunhos anteriores, como o de Frederick Harrison, um filósofo social com pendores para o positivismo e obras publicadas ao longo das últimas décadas do século XIX.

Para mim, pelo menos, a sociedade moderna representa um avanço praticamente insignificante em relação à escravidão e à servidão, caso a situação da indústria continue desse modo, em que 90% dos verdadeiros produtores de riqueza não tem uma casa que possam chamar de suas; não tem um pedaço de terra, ou ao menos um cômodo que lhes pertença; não tem bens de nenhuma natureza. (…) Se essa é a organização definitiva da sociedade moderna, então a civilização é também uma maldição que se abate sobre a grande maioria da humanidade. (LONDON, 2004, p. 243).

Em outra passagem, quando descreve a migração de desempregados de Londres na direção da cidade de Kent para a colheita do lúpulo que alimentará a produção cervejeira, London empilha termos para descrever os protagonistas da marcha: “podridão”, “exército de almas penadas”, “curvados”, “castigados”, “repulsiva prole do subterrâneo”, “vigarice encarquilhada” e “pegajosa execração”. (LONDON, 2004, p. 195). Após, ele se pergunta.

Há exagero nesse retrato? Depende. Para quem vê e pensa a vida em termos de números e estatísticas, certamente há exagero. Mas para quem vê e pensa a vida em termos de humanidade e desumanidade, ele não é excessivo. Tais hordas de miséria deplorável e bestial não justificam a existência do dono de cervejaria milionário que mora num palácio do West End. (LONDON, 2004, p. 195).

Jack London não esperava que O Povo do Abismo, pela sua temática, tivesse grande repercussão. Além da editora Macmillan, que o publicou originalmente, alguns jornais socialistas norte-americanos demonstraram interesse em reproduzir a obra mediante a cessão gratuita dos direitos para tanto. London tinha como propósito uma empreitada mais pessoal do que comercial. Desvendar aquele mundo era parte de seu interesse sobre o socialismo e o homem, além de ser parte do processo de coleta de dados para O Tacão de Ferro, obra que já planejava. Mas, apesar da despretensão, do tema espinhoso e da possibilidade de que a sociedade britânica visse com maus olhos a intromissão de um ianque na suas entranhas, O Povo do Abismo foi um grande sucesso.

O Povo do Abismo, lançado nesse mês, estava obtendo louvores fora do comum. A crítica acentuava que era um livro sem igual como documento sociológico, destinado a confundir e dar o que pensar a uma civilização pretensiosa e displicente. Dizia ainda que, se não tivesse escrito nada mais do que essa obra, mesmo assim Jack London merecia a fama literária. A própria imprensa inglesa, da qual se poderia esperar que o tratasse como um intruso desclassificado, não lhe negou justiça. Embora o acusasse de exagero e de haver cortado brutalmente o assunto, reconhecia que ninguém conseguira chegar tão perto quanto ele do coração dos bairros miseráveis de Londres. (STONE, 1952, p. 185).

Por acreditar mais na humanidade do que em números, e pela capacidade de chegar aos miseráveis de uma forma que a imprensa da época parecia não ser capaz, Jack London escreveu O Povo do Abismo. Seu trabalho teve, entre suas intenções, o desejo de romper a Espiral do Silêncio erguida em torno da população marginalizada de Londres. A maneira como essa empreitada foi levada adiante será analisada no próximo capítulo.

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