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World of Darkness – Abissal – Capítulo 03 – As Qualidades da Ruína

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 13/05/2008

No qual a morte se apresenta como uma entidade de múltiplas facetas, todas aptas a imprimir marcas profundas.

PRELÚDIO:

Passam-se alguns dias desde o encontro com Archibald Holmes. Seja qual for a explicação para os eventos testemunhados na última semana, que culminaram no ritual realizado na antiga propriedade de Crawford Tillinghast, é certo que se criou um laço entre os personagens. As conseqüências dessa relação, porém, ainda são incertas. Motivados pela dívida de gratidão contraída junto a Archibald Holmes, todos concordam em manter contato.

Nos últimos dias, a vida seguiu seu rumo natural. Catherine Call foi sepultada em uma cerimônia discreta, onde alguns familiares distantes, amigos e funcionários do Hospital Arkham compareceram – entre eles o Dr. Emmet Freckmann. Seu nome não foi mencionado nas investigações a respeito do ataque sofrido por Lucas Mackey. Aparentemente, a polícia está satisfeita com a confissão assinada por Jack Williams, que continua internado em estado catatônico no Hospital Psiquiátrico Bishopgate, em Arkham.

Heidrich Müller deu poucas notícias. Mencionou apenas que estava trabalhando com uma pesquisadora da Universidade de Harvard, ao sul de Arkham, chamada Rachel Wood. Ele não fez mais contato desde então.

Ripper Moore voltou a Detroit. Tinha assuntos pessoais a resolver. Sua chegada, porém, ocorreu em momento de águas turbulentas. Descobriu que a jovem Alicia Skyes morreu em um acidente de carro poucos dias depois de ser trazida pelo pai, Donald, que o contratara para encontrá-la. Segundo as notícias a respeito do assunto, a garota jogou o carro contra um caminhão.

Lucas Mackey resolveu se distrair ganhando algum dinheiro. O jogo não é uma das especialidades do estado de Massachusetts, mas existem algumas reservas indígenas com concessão para cassinos. Lá, e entre os lençóis de Marion, é onde ele passou a maior parte de seus dias. A prostituta, porém, está preocupada. A polícia de Arkham sabe que Jack Williams era freqüentador do Suffragette, e está fazendo perguntas. Ela teme que, em breve, o ocorrido na noite em que Williams foi interrogado venha à tona. Além disso, o bisturi que ficou em suas mãos na noite do ritual conduzido por Archibald Holmes continua entre os seus pertences.

Jason Englund não conseguiu encontrar Archibald Holmes e lhe fazer as perguntas que os eventos recentes suscitaram. Suas visões, porém, tem se tornado mais freqüentes. E estão relacionadas àquele bisturi que ficou em posse de Mackey ao final do ritual conduzido por Holmes. Além disso, suas capacidades precognitivas o têm feito visitar, em seguidas visões, uma estrada ao sul de Arkham. Esses eventos, porém, devem esperar. Uma clara mensagem de Jediah foi recebida, e ele deve averiguá-la.

CENA 01 – Archibald Holmes cobra um favor

Passada uma semana desde seu último e peculiar encontro, Ripper Moore e Lucas Mackey têm pouco a dizer um ao outro. A natureza bizarra dos eventos que os uniu parece impedir qualquer possibilidade de uma conversa casual. Resta apenas observar o ambiente ricamente decorado.

A espera não se estende demais. Amparado por Cedric, Archibald Holmes recebe seus convidados. É perceptível uma melhora em seu estado de saúde. Logo após os cumprimentos iniciais, ele lamenta a ausência de Jason Englund, a quem ele fora incapaz de localizar. Ripper e Mackey, sutilmente, dão mostras de que a falta não será lamentada.

Antes de entrar em detalhes, Holmes lhes apresenta um recorte do Boston Globe, publicado cinco dias antes:

Boston Globe – 19/03/2008
Esqueleto encontrado em mansão de Boston

A demolição de uma mansão, localizada na Rua Noyes, 633, foi suspensa quando, na tarde de ontem, um esqueleto foi descoberto atrás de uma parede de tijolos, no porão.
A polícia removeu os restos mortais sob a supervisão do legista, Dr. Ephraim Sprague. Ele acredita que o esqueleto pertença a uma mulher idosa, mas nenhuma identificação foi realizada. Roupas e algumas jóias também foram encontradas.
Fragmentos adicionais de ossos também teriam sido encontrados, mas a polícia não confirma a descoberta. Um porta-voz da Incorporadora Beckworth, proprietária da mansão, informou que a demolição, iniciada há dois dias, está suspensa até as conclusões da investigação.
O proprietário anterior, Jason Checkley, faleceu na última semana, no Centro Médico de Boston, vítima de parada cardíaca. Viúvo, não deixa herdeiros.
Segundo informações da Incorporadora Beckworth, a mansão foi adquirida há dois anos por uma soma não revelada. A única exigência de Jason Checkley foi passar seus últimos anos na propriedade da família.
A polícia esteve em contato com Willard Crossman, amigo e testamenteiro de Checkley, mas o resultado do encontro não foi divulgado. Hospitalizado no Centro Médico de Boston após ter sofrido um derrame, Crossman não recebeu permissão dos médicos para entrevista.

Jason Checkley foi um amigo de quem esteve afastado nos últimos anos, explica Holmes. Entretanto, ele foi responsável pelo financiamento do Instituto de Pesquisa Paranormal de Boston, um sonho que Checkley foi capaz de levar adiante por apenas dois anos. Apesar do insucesso, ao longo de toda a vida ambos compartilharam interesses de pesquisa. A súbita morte do amigo, e o estranho fato sucedido em sua residência, aguçou a curiosidade de Holmes. Incapacitado pela idade, não pode ele mesmo descobrir mais a respeito do assunto.

Mackey e Ripper se mostram contidos diante do pedido. O primeiro, secretamente, antecipa novos e terríveis desdobramentos ao curso da aparente singela tarefa. O segundo externa o alívio por poder saldar a dívida que contraíra ao empenhar sua palavra.

De posse de um cartão eletrônico que lhes custeará as despesas, partem na direção de Boston, 40 quilômetros ao sul de Arkham. A viagem é quase toda costeira, por um perímetro urbano. Após atravessar Swampscott, uma pequena comunidade rural a caminho de Lynn, Ripper e Mackey finalmente chegam à região central da capital do Estado de Massachusetts.

CENA 02 – Ambientação

A primeira providência de Ripper e Mackey, depois de arranjarem quartos de hotel, é consultar os jornais. Considerando que o recorte apresentado por Holmes datava do dia 19, é bastante provável que novos eventos poderiam representar pistas para sua investigação. Em uma edição do Boston Globe daquele dia, Mackey se depara com uma pequena nota na página policial. A investigação a respeito do cadáver encontrado, sob o comando do detetive Michael Harrigan, divulgou a foto de um colar, uma das jóias que estavam junto ao esqueleto no porão da Mansão Checkley.

Mackey reconhece a peça imediatamente. Trata-se de parte de um conjunto, completado por dois braceletes, utilizados em cerimônias de adoração de tribos africanas ao deus Ahtu, na região central do continente. É compreensível que a polícia não as tenha apresentado juntas. Unidas, formam a imagem de seres humanos e criaturas bestiais cometendo atrocidades em uma paisagem selvagem.

Em seguida, os dois partem até o endereço fornecido pelo Boston Globe. Da mansão, restam apenas as fundações. Pedaços da antiga alvenaria, recolhidos parcialmente, cobrem boa parte do porão onde os restos mortais foram encontrados. Devastada, a paisagem é guardada por um oficial de polícia e algumas faixas, recomendando que os curiosos contenham o ímpeto motivado pelas notícias recentes.

Cientes de que, sob a supervisão policial, não conseguirão visitar o local com o tempo e tranqüilidade necessários, Mackey e Ripper decidem voltar na noite seguinte.

CENA 03 – Visita ao Hospital

Na manhã seguinte, Ripper e Mackey se dirigem ao Centro Médico de Boston. Alegando representar Archibald Holmes, de Arkham, não têm dificuldade para serem recebidos por Willard Crossman. A conversa entre eles se dá em meio à fumaça de charutos. Aos oitenta anos e recente vítima de um pequeno derrame cerebral, Crossman parece recuperado. Entretanto, a doença e a idade avançada parecem tê-lo convencido de que alguns pequenos prazeres não podem ser relegados em favor de uma vida mais saudável.

Muito próximo de Jason Checkley até sua morte recente, eles tiveram inúmeras conversas a respeito do sobrenatural e do oculto. Firmemente cético, Crossman sempre descartou as possibilidades defendidas pelo amigo. Ele sempre suspeitou que parte dessas crenças fosse resultado da influência de uma charlatã de nome Mildred Estheridge, sua sócia no Centro de Pesquisa Paranormal. Particularmente, Crossman sempre achou que ela apenas estava interessada em seu dinheiro. Eles se distanciaram depois que o Centro fechou e o dinheiro acabou.

Willard Crossman lembra de seu amigo ter mencionado algumas vezes o nome de Archibald Holmes. Holmes queria encontrar-se para tratar de assuntos particulares que envolviam o financiamento do Centro de Pesquisa Paranormal de Boston. Por algum motivo, Checkley parecia sentir um misto de admiração e aversão pelo amigo de Arkham. O interesse de Holmes pelos fatos recentes, ainda que o surpreenda, parece não interessá-lo.

A respeito do espólio de Jason Checkley, pouco pode fazer para acrescentar. Os móveis foram adquiridos por uma empresa especializada, Billinger’s, e a biblioteca, arrematada por Albert Winslow, proprietário de uma loja de livros usados que leva seu nome.

Preocupado com a reputação do falecido amigo, garante que Jason Checkley jamais seria capaz de assassinar uma pessoa, quanto mais esconder seu cadáver em um porão. Willard Crossman nada sabe do assunto.

CENA 04 – A biblioteca de Jason Checkley

Albert Winslow adquiriu os livros da biblioteca do falecido Jason Checkley em sua totalidade. Mais de três mil volumes, ainda a espera de catalogação e análise cuidadosa antes de serem disponibilizados para venda. É essa a única informação que – por trás dos óculos apoiados pela ponta do nariz – ele tem a fornecer. Com a promessa de que pensarão na possibilidade de vasculharem as caixas, tarefa que tomará dias, Ripper e Mackey partem.

CENA 05 – Segredos dentro de segredos

Naquela madrugada eles têm a oportunidade de confirmar sua previsão a respeito da segurança nos arredores da Mansão Checkley: nenhum policial à vista. Munidos de uma lanterna, Mackey e Ripper adentram o porão parcialmente coberto por destroços. Em uma das paredes, faixas policiais tentam preservar a integridade do local onde o esqueleto foi encontrado. Trata-se de uma pequena câmara, descoberta por acaso, após um desabamento acidental. No chão lamacento, Ripper encontra um pedaço de unha, e mais adiante, pegadas de duas crianças. Dentro do cubículo, ele deduz onde os restos mortais estavam depositados, e faz nova descoberta. Junto à base de uma das paredes, um túnel escavado recentemente leva a um ponto mais subterrâneo da construção. Após abrir caminho com as mãos, o detetive é abalado pelo odor nauseabundo da passagem. Ele tem certeza de que os peritos teriam visto aquele buraco mal disfarçado quando recolheram o corpo, o que significa que alguém esteve no local entre a polícia e eles.

Mackey, que até o momento apenas observava, decide ir até o carro pegar um pedaço de corda para que Ripper possa descer. Subitamente, lhe assalta a sensação de estar sendo observado. Temendo que a invasão possa estar sendo observada por algum vizinho desocupado, Mackey dá uma volta pelos arredores. Não descobre nada, e a sensação desaparece. Mas o nervosismo permanece. O ruído que faz ao descer até o porão é o bastante para que Ripper o receba de arma em punho.

Após amarrar a corda a uma pilastra, o detetive desce. A inclinação da passagem não permite que ele veja o fundo, e o contato com a terra lamacenta e o cheiro pavoroso contribuem para sua inquietação. Após cerca de três metros, ele atinge o fundo. O buraco foi escavado no teto, a partir de uma série empilhada de pedras que ruíram das paredes, provavelmente resultado do mesmo processo de demolição que revelou a câmara superior. Enquanto Mackey desce, o detetive analisa uma pesada porta de metal, repleta de marcas. Unhas de criança, como aquela junto aos entulhos, são encontradas.

Sem nenhuma fonte de luz além da pequena lanterna, Ripper utiliza o flash da câmera fotográfica para revelar o ambiente. O conjunto de imagens é terrível. No chão, próximo ao desenho de um caixão encimado por uma cruz, está um esqueleto. Segundo Mackey, a imagem pintada com tinta branca remete ao símbolo do loa Barão, a entidade do vodu que governa a morte e os mortos. Ele é o primeiro contato de uma pessoa após a morte. Entre os seus poderes está o de proteger as crianças. Nesses casos, Barão recebe uma oferenda, que fica de posse da criança a ser protegida, e é o símbolo dessa relação. Quanto ao esqueleto, Ripper estima pertencer a um homem, com entre 12 em 15 anos. É impossível dizer a quanto tempo está ali sem uma análise laboratorial.

Vasculhando o ambiente por uma última vez, encontram um pedaço de algodão azul, tecido que foi parte de uma peça de roupa, e um relógio de bolso com uma inscrição gravada: ao nosso querido filho.

CENA 06 – Pesquisa

Naquela noite, Mackey e Ripper levam adiante a pesquisa a respeito da família Checkley. Descobrem a datas de suas mortes e local de sepultamento:

– Nov 19, 1976 – Rose Checkley morre vítima de câncer pancreático.
– Abr 1-6, 1978 – Rosemary (15), Adam (13) e Jessica (9) Checkley morrem vítimas de Hantavirose.
– Mar 12, 2008 – O óbito de Jason Checkley, vítima de um ataque cardíaco.
– Todos os óbitos indicam que os corpos foram enterrados no Cemitério Católico de Boston.

Além disso, encontram notícias a respeito do Instituto de Pesquisa Paranormal de Boston, mencionado por Archibald Holmes.

Boston Globe – 28/08/1982
Escola de Paranormalidade inaugurada em Boston

O diretor Jason Checkley anunciou hoje o início das atividades do Instituto de Pesquisa Paranormal de Boston, especializado na pesquisa de “fenômenos espirituais e extraordinários”. Localizado no segundo andar da Rua Brown, 623, o local contém um biblioteca com 2 mil volumes, espaço de estudos e um pequeno auditório. Salas para convidados, ainda sendo estruturadas, oferecerão espaço extra para os interessados.

Boston Globe – 23/11/1985
Instituto de Pesquisa Paranormal fecha as portas

O Instituto de Pesquisa Paranormal de Boston, desde sua fundação dirigido por Jason Checkley, acaba de fechar suas portas. A co-diretora da instituição, Mildred Estheridge, atacou o crescente ateísmo dos tempos modernos para justificar o encerramento de atividades. Ela afirmou ainda que em breve se realizará o leilão da mobília do instituto, visando o pagamento de débitos. O fundador, Jason Checkley, manterá a maior parte da biblioteca da fundação.

Na manhã seguinte, ambos se dirigem ao Ateneu de Boston. Fundado em 1807, trata-se uma das maiores bibliotecas independentes dos Estados Unidos, com cerca de 500.000 mil volumes, distribuídos por cinco andares, além de uma galeria de arte e espaço para exposições.

Lá eles encontram um livro chamado A Religião e os Ritos do Vodu, publicado em 1987 por A. M. Asher. O volume trata de religião, zumbis, rituais e possessão, além de explicar alguns conceitos básicos a respeito da religião:

No vodu haitiano acredita-se, de acordo com tradição africana difundida, que há um Deus que é o criador de tudo, chamado de “Bondje” (do francês “bon Dieu” ou “bom deus”). Embora os praticantes do vodu professem a crença num distante Deus supremo, as divindades efetivas são um grande número de espíritos denominados loa, que podem ser aparentados a santos católicos, ancestrais endeusados ou deuses africanos. Muitos adeptos urbanos acreditam que os loas podem ser benévolos, os loas Rada, os quais se ligam aos indivíduos ou famílias como anjos da guarda, guias e protetores, ou mesmo malévolos, os loas Petro. Essas divindades comunicam-se com os fiéis por meio de sonhos ou deles tomam posse durante cerimônias rituais.

Em um capítulo intitulado “Os Praticantes”, há uma foto de um colar muito parecido com aquele divulgado pelo Boston Globe. Mais adiante, em uma foto datada de 1968, há a imagem de 3 pessoas aprisionadas. Os dois homens e a mulher são identificados como assassinos presos em Nova Orleans. A mulher é identificada como Marsella. O livro afirma que ela fugiu antes do julgamento, e que seus dois companheiros foram encontrados mortos em suas celas por causas indeterminadas.

Na foto em que aparece sendo presa, Marsella está usando o colar e os braceletes encontrados pela polícia no porão da Mansão Checkley.

CENA 07 – Mais um pouco do passado

Mildred Estheridge vive sozinha em um pequeno apartamento de classe média. Sua única companhia é um gato, que observa atentamente aos visitantes enquanto ela esquenta uma chaleira d’água para um chá. Boa parte da decoração remete ao seu forte espiritualismo. Ela foi amiga de Jason Checkley, e dessa amizade e das crenças compartilhadas surgiu o Centro de Pesquisa Paranormal de Boston.

Aos setenta anos, ainda fala com prazer a respeito do passado. Segundo ela, Checkley ficou arrasado pela perda da esposa e dos filhos. Apesar das seguidas tentativas e da crença de ambos, nunca foram capazes de contatar os seus espíritos. Ele sempre esteve mais interessado em magia primitiva, especialmente no que dizia respeito ao renascimento dos mortos. Uma manifestação de sua tristeza, certamente, afirma Estheridge.

Em apenas uma oportunidade ela encontrou Archibald Holmes, logo que o Instituto de Pesquisa Paranormal iniciou suas atividades. Um homem muito reservado, com uma compreensão profunda do ocultismo. Foi apresentado por Checkley como um amigo com um passado em comum. Ambos perderam a esposa e filhos em circunstâncias trágicas.

Ela refuta terminantemente qualquer acusação de que tenha se aproveitado da fortuna de Checkley. Estheridge colocou muito mais dinheiro do que ele no Instituto. Naquela época, as economias do amigo já estavam minguando. Ele não sabe nada a respeito da mansão, e esteve no local apenas duas vezes depois da morte de Rose – “um lugar emporcalhado e desordenado”.

Apesar da conversa amistosa, Ripper se descontrola diante da aparente ausência de fatos mais substanciais a respeito dos cadáveres. Espera uma pista concreta, ou alguém que refute completamente os estranhos eventos que parecem cercá-lo recentemente. Socando uma mesa, o detetive deixa a Senhora Estheridge à beira de um colapso. Ela se retira por um instante para trazer o chá, e quando retorna, afirma que ninguém, além dela, foi capaz de compreender a dor de Jason Checkley ao perder toda a família. Tanto que ele lhe deu uma prova de confiança nessa amizade.

Atendendo a um pedido de Checkley, ela guarda há muitos anos a chave de uma caixa depositada no Bank of America. Estheridge também possui uma procuração assinada por Checkley dando poderes para que o seu portador resgate o conteúdo após a sua morte. Desde o falecimento, ela tem pensado todos os dias naquela chave. Diante das revelações de Mackey e Ripper, ela compreende que não deseja saber mais do que já sabe a respeito do amigo. Estheridge entrega os itens aos seus visitantes, e pede para nunca mais vê-los.

CENA 08 – Retorno à mansão

Naquela madrugada, Mackey e Ripper decidem voltar à Mansão Checkley. Munidos de lanternas mais potentes e pés-de-cabra, pretendem vasculhar com cuidado o local, além de arrombar a porta de metal encontrada no subterrâneo.

A busca, porém, se mostra infrutífera ao não produzir novas informações. A porta do subterrâneo apenas leva a um lance de escadas parcialmente soterrado pelos escombros da demolição. A entrada original da câmara, portanto, estaria coberta pelos entulhos do porão.

Algo decepcionados, Ripper e Mackey deixam o local. Após cruzar as faixas da polícia, o detetive vê, no alto do monte de entulhos, uma criança. Atordoado pelas possibilidades macabras das revelações recentes, ele aponta a lanterna e a arma na direção da menina, que corre. Obrigado a escalar o monte de entulho, ele a perde de vista. Na rua, grita o nome de Jessica, a filha mais nova de Jason Checkley, morta há 30 anos.

CENA 09 – O Cemitério Católico de Boston

Da mansão destruída até o Cemitério Católico, em Dorchester, subúrbio de Boston, são cerca de trinta minutos. Ainda que não saibam exatamente o motivo da visita, Mackey e Ripper sentem que algo pode ser descoberto lá.

Cercado por muros, o local é de incursão simples. Mackey salta um portão com extrema facilidade, mas Ripper não demonstra a mesma desenvoltura. O bater das grades atrai um segurança. O policial aposentado, algo preguiçoso, não se esforça demais, e a luz de sua lanterna não passa perto das sombras que abrigam os invasores.

Andando com cuidado por entre estátuas e jazigos do antigo cemitério, procuram o mausoléu da família Checkley. Ripper vence o cadeado com facilidade, enquanto Mackey toma o cuidado de repor a corrente para evitar suspeitas.

No local estão sepultados os corpos de Jason, Rose, Rosemary, Adam e Jessica Checkley. Uma placa nomeia alguns membros da família cujos restos mortais já foram remanejados, cujas datas remetem ao século XVIII.

Ambos suspeitam de que não encontrarão corpos nos esquifes reservados aos filhos de Jason e Rose. Entretanto, a dúvida deverá persistir. É impossível vencer a barreira de mármore e tijolos sem alertar a segurança.

CENA 10 – Interlúdio

Certos de que a biblioteca de Jason Checkley pode conter mais respostas a respeito do mistério, Mackey e Ripper recebem autorização de Archibald Holmes para realizar a compra em seu nome. O patrono fica intrigado com as informações relatadas.

Após fechar a transação e acomodar os volumes em uma pequena sala que servirá de base para o início das pesquisas, Ripper e Mackey se dirigem ao Bank of America.

De posse da chave do cofre e da procuração entregue por Mildred Estheridge, não têm dificuldades para acessar o conteúdo depositado na instituição. Além de algumas páginas do diário de Jason Chekley e seu último desejo, a caixa contém diversas fotos de Rosemary, Adam e Jessica.

Na foto, um Adam muito jovem brinca com o mesmo relógio encontrado no porão da Mansão Checkley. Jessica e Rosemary, fotografadas no mesmo momento, exibem seus presentes, um colar e um bracelete, respectivamente.

Trechos do Diário de Jason Checkley

Abr 07, 1978: Marsella concordou. Eu lhe pagarei os $ 2.500 que pediu. Ela afirma saber como trazer minhas amadas crianças de volta. Dispensei os empregados pelos próximos dias e preparei o porão conforme suas instruções.
Abr 08, 1978: O mais horrendo dos dias. Quando percebi o que ela havia feito, perdi a cabeça. Fechei minhas mãos em torno de seu pescoço e a estrangulei como a uma de suas galinhas. Quando recuperei os sentidos, ela estava morta. Graças a Deus, pude contar com a ajuda de Willard.
Abr 09, 1978: Os caixões foram enterrados hoje em nosso mausoléu. O que farei com eles?
Eu escondi o corpo de Marsella, bem como as suas ferramentas.
Abr 10, 1978: O seu apetite é tremendo. Eu os alimentos regularmente, mas eles não demonstram sinais de tentar se comunicar comigo. Eu não sinto que possa confiar neles.
Abr 11, 1978: Eu demiti os empregados. Enquanto aqueles três estiverem no porão, preciso de absoluta privacidade. Pretendo reforçar a entrada de sua câmara para prevenir-me de todas as formas.
Abr 12, 1978: Um deles me atacou hoje. Foi Adam. Eu havia pegado uma tigela de comida, quando ele investiu contra mim. Apenas por sorte consegui afastá-lo e escapar da sala. Sou forçado a tratá-los como animais selvagens.
Abr 13, 1978: Talvez eles não possam ser curados. O secreto de sua recuperação deve estar escondido. Irei salvá-los. Nas minhas ações, e não nessas páginas, espero resolver o meu problema daqui para diante.

O Último Desejo de Jason Checkley – 1º de Janeiro de 1979

Eu, Jason Checkley, assumo toda a responsabilidade pela morte da serva haitiana chamada Marsella. Vitimado por ela de forma terrível, eu perdi o controle e a estrangulei com minhas próprias mãos.
Em meu porão eu deixei as três coisas – coisas perigosas – que precisam ser destruídas. Ainda que pareçam humanos, não o são. Não tenha pena deles. Desconheço forma de destruí-los. Não sucumbem à fome, e eu desconheço formas de vencer o mal que as anima.
Que Deus tenha piedade de minha alma.
Assinado: Jason Checkley

Por trinta anos Jason Checkley manteve trancado em seu porão um segredo que não pode morrer, e agora, algo estava à solta em Boston.

CENA 11 – A verdade mata

Willard Crossman estava implicado nos acontecimentos, e nada impediria Ripper e Mackey de arrancar as informações que precisavam. A recepção calorosa logo é substituída por um diálogo duro, onde os visitantes cercam o anfitrião, antecipando suas mentiras, terminando suas frases, completando o seu raciocínio.

A verdade é que, em 1978, após perder os três filhos em um período de uma semana, vítimas de Hantavirose, Checkley ruiu. Devastado, ele pediu a ajuda de uma mulher que se dizia capaz de reverter a situação. Empregada de Crossman, Marsella era uma feiticeira Vodu, vinda do Haiti. Enlouquecido, ele assassinou a mulher e, com a ajuda de seu antigo empregador, Willard Crossman, emparedou o cadáver. Crossman disse a todos que a mulher havia sido pega roubando, e fora demitida. Nunca mais se tocou no assunto.

Crossman afirma que seu amigo foi frustrado pelas promessas vazias de Marsella, e diante de seu fracasso, perdeu o controle. Ele o ajudou sim, e não se arrepende de ter procedido em favor de alguém que agiu sob efeito da dor extrema. Entretanto, quando Ripper e Mackey afirmam que o ritual pode, sim, ter dado certo, e que durante 30 anos seu querido amigo escondeu criaturas nem vivas nem mortas no porão, e que essas coisas estão a solta na cidade, o homem desmorona.

As palavras de Ripper e Mackey, as fotos do porão da Mansão Checkley, suas palavras no diário… seu efeito é devastador. O ceticismo de Crossman é desafiado além da compreensão, e a saúde frágil protesta contra aquilo. Mesmo após os esforços da equipe médica, Willard Crossman sucumbe, e não há como Mackey e Ripper não se sentirem parcialmente responsáveis por aquilo.

CENA 12 – Entre livros e jornais

Os dias seguintes são totalmente dedicados à pesquisa nos volumes da antiga biblioteca de Jason Checkley. Os cerca de 3 mil livros tem organização esparsa. Algumas informações, porém, vêm à tona:

– As páginas seguintes às inserções entre 7 e 13 de abril de 1978 fazem inúmeras menções a algo que Checkley sempre se refere como “o problema” ou “o meu problema”.
– Existem diversas passagens em que ele trata da abertura e fechamento do Instituto de Pesquisa Paranormal e seus objetivos envolvendo práticas que abordam o renascimento dos mortos.
– Mildred Estheridge é citada diversas vezes, sempre de maneira respeitosa.

Além disso, os livros mencionados em uma nota são encontrados:

Trecho do Diário de Jason Checkley – 02/07/1984

Meu pacote chegou hoje de Londres. Os dois livros que recebi estão em melhor estado do que imaginava. Serei sempre grato a Mildred por aprovar essa despesa. Os dois volumes certamente irão melhorar a biblioteca. Ambos parecem conter muita informação relacionada ao meu problema.
Um, o Nyhargo Codex, traduz entalhes em uma parede ancestral encontrada na África central. A precisão dessas traduções foram objeto de comentários ruidosos em círculos acadêmicos, e tem relação demais com o Vodu haitiano para ser apenas a imaginação de um excêntrico. Questões não respondidas circundam a súbita morte do autor. Dizem que apenas ele conhecia a localização exata das ruínas onde as inscrições foram encontradas.
E há o Cânticos de Dhol. É bastante técnico, e conheço pouco sobre música. Apesar disso, ele pode conter algo interessante.

Nyhargo Codex – Escrito em 1879 pelo arqueólogo amador Liam Waite, ele trata das suas supostas descobertas na África central. Segundo o texto, ruínas monolíticas estariam escondidas nas florestas da, hoje, República do Congo. O volume trata das inscrições encontradas nas profundezas dessa ruína. O texto faz menção a uma divindade obscura chamada Ahtu, adorada por algumas tribos da África Central. No meio acadêmico, o livro de Waite sempre foi considerado uma falsificação grosseira, até porque as tais ruínas nunca foram encontradas. Ele foi o único sobrevivente de sua expedição, e pouco após a publicação, se suicidou atirando-se em uma plataforma de trem. Esses fatos, mais do que seu conteúdo, seriam os grandes contribuintes para a fama do livro.

Cânticos de Dholl – Escrito por Heinrich Zimmerman em 1921, o volume trata da complexidade rítmica da música do Oeste da África. O livro elabora uma teoria musical a partir da música ritualística de algumas tribos da região, contendo exemplos de canções.

Algumas notícias publicadas pelos jornais ao longo desses dias completam as pistas para que Ripper e Mackey decidam o curso das próximas ações.

Boston Globe – Tentativa de roubo à delegacia de polícia – 29/03/08
Um homem não identificado, duas noites atrás, tentou forçar sua entrada até a sala de provas da 14ª Delegacia de Polícia de Boston. Antes que pudesse ser detido, o criminoso fugiu. Ele foi descrito como um afro-americano, com cerca de 1,80m, calvo e de porte atlético. Responsável pela 14ª DP, o comandante Nicholls afirmou que os cidadãos que suspeitarem da presença desse homem em suas vizinhanças devem contatar imediatamente as autoridades.

Metro Boston News – Vândalos violam cemitério – 30/03/08
Na madruga de ontem, uma ou mais pessoas desconhecidas entraram no Cemitério Católico de Boston e violaram um esquife recém sepultado. Quando descoberto, o caixão estava completamente exposto. Os responsáveis pelo cemitério garantiram que o conteúdo foi devolvido ao seu local original. Os polícias não têm suspeitos, mas informou que trotes de fraternidades costumam ocorrer nesse período, sendo a possível causa do ocorrido.

Metro Boston News – Sem-teto sofre ataque – 30/03/08
Um homem identificado apenas como Joe deu entrada na madrugada de ontem no Hospital Geral de Massachusetts com lacerações no rosto e no pescoço. A polícia o encontrou entre as ruas Garrison e River, próximo ao Porto de Boston, gritando por socorro. Nenhum perseguidor foi avistado. Ele foi rapidamente removido para tratamento de emergência. Joe afirmou ter sido atacado por uma jovem que primeiro tentou beijá-lo e depois o mordeu no pescoço. O homem não foi capaz de fornecer endereço fixo. A polícia presumiu que o indigente, dormindo em um beco, foi atacado por um rato ou cão de rua.

Boston Globe – Assassinato em armazém – 31/03/08
Trabalhadores descobriam, na manhã de ontem, um cadáver. O corpo, ainda não identificado, foi encontrado próximo a Transportadora Trevo da Sorte, na região do Porto de Boston. Segundo a polícia, o homem foi vítima de violência, sendo a perda de sangue provocada por ferimentos no rosto e na garganta a provável causa da morte. As investigações continuam.

Mackey e Ripper concluem que mais alguém está atrás de informações a respeito do caso. Além disso, “as crianças” estão atacando e fazendo vítimas. Uma medida extrema deve ser levada a cabo.

CENA 13 – Atividade portuária

Aguardando uma oportunidade para confrontar o que quer que tenha atacado os sem-teto da região do porto de Boston, Mackey e Ripper armam uma tocaia. Dentro do carro, o primeiro confere a munição de sua pistola e afaga o cabo do bisturi que obteve na residência de Crawford Tillinghast. O detetive, por sua vez, prefere algo mais tradicional. Serrado o cano, fez da espingarda calibre 12 uma arma terrível e ilegal.

A madrugada avança sem boas perspectivas, até que um mendigo bate no vidro de Ripper. Pede alguns trocados para se alimentar. Antes de entregar o dinheiro, o detetive faz algumas perguntas a respeito das imediações e do corpo encontrado por funcionários da Transportadora Trevo da Sorte.

Segundo a fonte, alguns mendigos que moram ali já ouviram histórias sobre uma mulher que anda pela região à noite. Doug, que acabou morto, andava contando histórias sobre ter beijado uma mulher “fria como um cadáver”. Alguns deles disseram que já há viram pela região, circulando à noite em um vestido esfarrapado.

Seguindo as orientações pagas com trocados, Ripper e Mackey se dirigem até uma região de armazéns abandonados. Deixando o carro em busca de uma posição que facilite a visão, eles encaram a madrugada fria e mal iluminada de umas das regiões mais antigas de Boston.

CENA 14 – Morte

Não demora até que o barulho de metal sendo retorcido desperte sua atenção. De um velho depósito, trajando um vestido de algodão que um dia foi azul, uma jovem de pés descalços se esgueira através de uma passagem na porta trancada e alcança a rua. Ainda que as suspeitas sejam claras, o cabelo em frente ao rosto impede a identificação de quem acreditam ser Rosemary Checkley.

Ripper e Mackey a seguem, guardando alguma distância. A mulher se encaminha na direção de onde estavam reunidos alguns moradores de rua, e quando atinge um ponto onde pode ser vista, estanca. Apenas aguarda até que seja percebida. Está caçando. Ripper se aproxima, e assim que nota sua presença, ela sorri com a parte do rosto que os cabelos não escondem, imediatamente se dirigindo até o armazém de onde surgiu. Antes que consiga atrair a sua presa, porém, é surpreendida por Mackey, que surge das sombras e lhe dá um tranco violento.

Empurrada para o meio da rua deserta, ela se vira e emite um som estrangulado. O movimento lhe descobre a face, revelando o rosto parcialmente apodrecido de Rosemary Checkley. Mesmo atordoados pela revelação, Mackey e Ripper atiram. O disparo da pistola a atinge no estômago, não produzindo efeito visível. O detetive busca como alvo o bracelete que ela recebeu ainda criança. A movimentação e a distância, porém, o levam ao erro. Diante da resistência inesperada, o cadáver animado de Rosemary corre em busca de abrigo, não sem antes ser atingido nas pernas por Ripper, que a derruba, mas não impede que se refugie na escuridão do armazém.

Abismados com o evento, mas sem ferimentos, Ripper e Mackey avançam. As lanternas fazem surgir caixas e antigos equipamentos em um espaço amplo e completamente imerso nas trevas. Antes que possa reagir, Ripper é atacado. A pequena Jessica Chekcley, tal qual um animal selvagem, lhe morde a perna brutalmente. O choque não permite reação. Mais sorte tem Mackey, que antecipa o avanço de Rosemary e detém o ataque, atingindo-a novamente. Com os dentes de Jessica lhe penetrando a carne até o osso, Ripper afasta a criança com um disparo que arranca metade do rosto. Pior do que vislumbrar o resultado é perceber que nem isso parou a odiosa criatura. Em pânico, Mackey tenta uma fuga, interrompida diante da pequena passagem que leva para fora do armazém. Atacado por Rosemary, realiza um esforço desesperado, levando-a de encontro a uma velha máquina. O impacto esmaga sua cabeça e a faz tombar. Ripper, por sua vez, não resiste à perda de sangue produzida pelos inúmeros ferimentos. Impedindo que Jessica desfira o ataque derradeiro, Mackey a afasta com um chute. Antes que a coisa sem rosto reaja, dispara com precisão no colar que leva seu nome. A atingir e romper o encanto terrível que lhe devolvia um arremedo de existência, a criança desaba. Imediatamente, 30 anos de decomposição se abatem sobre ambas, resultando em pouco mais do que ossos onde antes haviam corpos animados por energias desconhecidas.

Carregando Ripper até o carro antes que curiosos criem coragem para verificar a origem de tantos disparos, Mackey acelera até o hospital mais próximo.

EPÍLOGO

Necessitando de cuidados, Ripper fica dois dias no Centro Médico de Boston. Apesar de não correr riscos sérios, carregará para sempre as cicatrizes do ataque sofrido. Mackey, enquanto isso, trata de informar Archibald Holmes a respeito dos eventos transcorridos ao longo dos dez dias passados em Boston. Além disso, se responsabiliza por despachar os volumes da biblioteca de Jason Checkley para Arkham.

Duas notícias ainda dariam claras indicações de que, o que quer que tenha se desenrolado nesse dias, ainda não acabou.

Boston Globe – Acidente misterioso em delegacia de polícia – 01/04/08
O oficial Robert Logan, com uma longa e exemplar ficha de serviços prestados à Polícia de Boston, foi encontrado na manhã de ontem em um estado de letariga na 14ª DP. A sala de provas foi invadida, mas ainda não foi possível avaliar se algo desapareceu. O oficial Logan estava em serviço e, até o momento, a polícia está tratando o ocorrido como assunto interno. Robert Logan passa por diversos exames no Hospital Geral de Massachusetts.

Metro Boston News – Atrocidade no Borden Arms – 02/04/08
A polícia foi chamada ao Motel Borden Arms na manhã de ontem, após a camareira, Ruby Rankowitz, encontrar restos mortais de um animal em um dos quartos. Vasculhando o local, oficiais descobriram um par de mãos humanas envoltas em um pedaço de pano. Segundo a polícia, as mãos seriam de alguém falecido há cerca de três semanas. Os investigadores também encontraram restos de um bode espalhados pelo quarto. As paredes e o chão foram pintados com símbolos indecifráveis. A polícia acredita que o hóspede, que apresentou documentos falsos o identificando como Athu Marquês, tenha deixado Boston. Ele foi descrito como um afro-americano alto, de aparência distinta, com sotaque francês. Suspeita-se que seja o mesmo homem que teria tentado invadir a Sala de Provas da 14ª Delegacia de Polícia de Boston na semana passada.

O caminho de volta também não estaria livre de fatos estranhos. Na manhã chuvosa, que castigava a estrada e encobria a visão, Ripper acabou atropelando um homem. O trecho, entre Swampscott e Arkham, parecia completamente deserto. Ao descerem do automóvel para prestar socorro, Ripper e Mackey reconhecem Jason Englund. Delirando, ele apenas consegue balbuciar algumas palavras, enquanto lança o olhar atormentado na direção da estrada:

Müller…preciso encontrá-lo…..preciso ajudá-lo…..ele vai morrer… aqui….

Resumo de Abissal, Crônica que tem como referência o cenário e conjunto de regras apresentados no livro O Mundo das Trevas.
Narrador: Carlos Hentges
Lucas Mackey / Lucas
Ripper Moore / Filipe

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2 Respostas

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  1. Luiz said, on 14/05/2008 at 18:04

    Que merda, fui perder justo o quebra pau… Enquanto vocês tomavam ceva, faziam piadas e rolavam dados, eu inventava significado prum monte de lixo pseudo-artesanal q as peruas pagam caro pra poder chamar de arte e decorarem suas casas.
    Pelo menos ganhei pra isso.

    Essa parece ter sido a melhor sessão até agora, mas acho q ainda falta elaborar melhor um objetivo comum à todos os personagens. E espero que os acontecimentos da primeira sessão não sejam esquecidos, afinal, questões importantes sobre o ataque ainda estão sem resposta.

  2. Carlos Hentges said, on 14/05/2008 at 18:08

    Se tu leu o texto que te enviei hoje, tu já deve ter tido uma noção de como os personagens serão unidos em torno do “objetivo comum”.


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