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World of Darkness – Abissal – Capítulo 02 – A Sedução do Suicídio – Comentários

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 11/04/2008

Comentários do Narrador:

Finalmente, o sobrenatural irrompeu no cenário. Ao contrário do capítulo anterior, onde as ações dos personagens tinham um fim investigativo “mundano”, aqui houve a presença inquestionável do aspecto fantástico do cenário. Ou será que não?

Meu propósito nesse capítulo foi apresentar a possibilidade dos personagens questionarem os eventos com os quais travam contato. Sim, Mackey percebeu fantasmas na casa de Catherine Call e no Hospital Arkham. E Jason viu uma manifestação de Sedução do Suicídio (esse é o nome do espírito antagonista) em sua casa. Os personagens, inclusive, têm capacidade para tanto.

Por outro lado, nenhuma dessas situações gerou informações que eles já não tinham, ou, nenhuma delas sairia do escopo de uma explicação lógica, ainda que dura: esquizofrenia. Sim, os jogadores pagaram para possuir essas capacidades. Entretanto, estamos tratando do oculto e do sublime, e eles não exigem resoluções lógicas para funcionar. Pelo contrário. Na ausência de tais parâmetros, se fortalecem.

A dúvida que permeia as capacidades sobrenaturais dos personagens é apenas mais um ingrediente para reforçar a aura de mistério que é própria do Mundo das Trevas. A verdade é que Jason e Mackey nunca saberão quando estão alucinando, e quando estão tendo uma percepção do “real”. Pode parecer injusto, considerando o custo de pontos de personagem envolvido, mas serve muito bem ao propósito de um cenário de Horror Sobrenatural.

E quanto a Ripper? Bem, seu ceticismo se mantém inabalável. Tem motivos para tanto. Por mais que ele também tenha tido visões, estava sob os efeitos de mescalina, o que, notoriamente, produz tais fenômenos. A dúvida a respeito das próprias capacidades sensoriais é muito importante, e o alucinógeno fez parte do ritual com esse único propósito.

O bisturi usado por Sedução do Suicídio, que ficou em posse de Mackey ao final da cerimônia descrita na última cena, ainda não teve seu propósito ou capacidade definidos. Sequer sua permanência no mundo físico está garantida.

Uma percepção importante a respeito desse capítulo diz respeito à necessidade de construção de um clima adequado para a correta exposição dos eventos. Trata-se da mesma diferença entre ler um conto de Poe iluminado apenas por uma lâmpada e em um ônibus lotado. Algumas impressões simplesmente se perdem, ou deixam de funcionar, pela incapacidade de apreensão total do conteúdo exposto.

Durante o jogo falhei em alguns momentos na construção desse clima. O resultado foi uma atuação, por parte dos jogadores, aquém do potencial da cena. Além disso, alguns trechos poderiam ser prolongados, para extrair toda sua essência. Quando os personagens tentam evocar o próprio desespero foi uma dessas situações. Nada que tenha comprometido o todo, mas, certamente, problemas a serem corrigidos nos próximos encontros.

As referências usadas nesse capítulo foram os contos O Horla, de Guy de Maupassant, e Do Além, de H. P. Lovecraft. Ambos são de fácil acesso, e aqueles que já os leram não terão dificuldade para discernir os trechos ao longo da narrativa.

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