The Truth's For Sale

World of Darkness – Abissal – Capítulo 01 – Violação

Posted in RPG, World of Darkness by Carlos Hentges on 27/03/2008

No qual um ato de violência reúne os personagens, dando início a uma série de eventos que levará ao questionamento de inúmeras pétreas certezas.

CENA 01 – Sonho

Jason Englund reside na pacata cidade de Arkham há menos de duas semanas. Espera por um sinal de Jediah. O velho foi seu companheiro de cela durante parte do cumprimento de sua pena por assalto. Durante uma fuga em massa – noticiada em todos os jornais devido à extrema violência que a desencadeou – Jediah desapareceu. Perto de cumprir o restante do confinamento, Jason permaneceu na penitenciária. Assim que possível, se encontrariam em Arkham. Nessas duas semanas, porém, o destino do velho não passa de incerteza.

Frustrado e impaciente, Jason tem permanecido muito tempo no porão da mansão abandonada que vem ocupando. Vasculha o local com regularidade, motivado pelos objetos deixados para trás pelos antigos moradores. Cartas, fotos, livros e utensílios diversos enchem o subsolo. Em uma dessas buscas, sente uma repentina e atordoante dor em suas costas. Caindo de joelhos e levando a mão ao local, percebe um corte longo e curvo. Seus dedos sangram. Enquanto levanta-se com dificuldade, seus olhos alcançam um espelho. O homem no reflexo, porém, não é ele.

Subitamente, ele desperta. Está deitado, ao lado de uma velha banheira, ainda no subsolo. Sente dores na cabeça. Jason deduz que teve uma de suas visões premonitórias, e caiu durante o transe. Confirmando que o ferimento nas costas não passou de uma ilusão, decide se recolher e pensar a respeito do ocorrido.

CENA 02 – Pesadelo

Lucas Mackey desperta em uma banheira. Mal pode se mover, amortecido pelo frio intenso. Coberto por sacos de gelo e mergulhado em uma água com tom rosado, não sabe onde está. Buscando levantar-se, sente uma dor intensa no lado direito das costas. A ponta dos dedos revela uma cicatriz alongada em forma de “C”. Atordoado, percebe a existência de um telefone e um recado no balcão ao lado da banheira:

Ligue para o 911. Você está no apartamento 212 do Motel Harmony, na Sentinel Street.

Os momentos seguintes são um amontoado de eventos desconexos. A chegada dos paramédicos, o transporte até a ambulância, a tentativa de perguntas por parte da polícia, o início da recuperação…a mente de Lucas parece um turbilhão de imagens mal projetadas.

CENA 03 – Notícias do ataque

Arkham é uma cidade costeira de tamanho médio (250.000 habitantes), e está situada no estado de Massachusetts. Ela fica 40 quilômetros ao norte de Boston, em uma região de inverno rigoroso. A geografia é marcada por colinas e bosques, com pequenas regiões pantanosas ao longo do rio Miskatonic (nome de uma tribo indígena que habitava a região). A economia é movida pela indústria da pesca, com destaque para o setor de serviços e o mercado de antiguidades, próprio de uma das regiões mais ancestrais dos EUA.

Foi essa ancestralidade o que chamou a atenção de Heidrich Müller. Em Arkham há duas semanas, ele procurou a cidade para banir seu demônio. Autor de uma foto dada como falsa, o jornalista teve sua carreira subitamente encerrada. A criatura que retratou, porém, é real. Ele sabe disso. Por isso tem buscado incessantemente alguma pista na biblioteca da Universidade de Miskatonic, famosa por seus volumes raros. O ambiente acolhedor e a quantidade de rumores – próprios de uma comunidade antiqüíssima – têm feito com que ele considere se estabelecer por um período indefinido na cidade.

Sua atenção, porém, é presa pelos jornais. Uma nota no vespertino Arkham Observer traz o seguinte texto:

Vítima de violência tem rim roubado

Um homem, cuja identidade não foi revelada, deu entrada na noite de ontem no Hospital Arkham após ter sido vítima de violência. Um de seus rins foi cirurgicamente extraído e roubado em circunstâncias não reveladas. O Departamento de Polícia de Arkham está investigando o ataque. Segundo fontes do Hospital Arkham, o paciente se recupera bem, devendo ficar em observação pelos próximos dias. A hipótese de que o ataque esteja relacionado à violação de um cadáver no necrotério municipal não foi descartada pelo Chefe de Polícia Montgomery Callahan.

Müller considera que aquilo pode ser uma história para um jornalista. Ou um caso para um advogado. Como são as suas duas especialidades, talvez valha à pena conferir o fato mais de perto.

Por motivo semelhante, o detetive Ripper Moore conclui que uma visita ao Hospital Arkham pode render frutos. De passagem pela cidade devido a um caso simples, o ex-policial precisou de poucas horas para confirmar as pistas de desaparecimento que apontavam para Arkham. Fora contratado por Donald Skyes para encontrar sua filha, Alicia. A garota de 17 anos fugira com o namorado, Albert Cutler. Bastou descobrir a existência da família influente do namorado na cidade para saber onde procurá-la.

Com o caso encerrado, nada mais natural que o detetive particular parta ao encontro de um possível futuro cliente.

CENA 04 – Apresentação inamistosa

Durante toda a sua vida, Jason foi um criminoso. Garoto-problema, marginal, presidiário. Todas essas denominações não passaram dos estágios de uma vida permeada pelo crime. Essa certeza lhe dá segurança para que, mesmo em uma cidade desconhecida, ela demarque um território. Vagueando por uma área degradada, onde detecta com olho clínico os indícios de atividade ilegal, ele busca um contato. Em um bar, se aproxima do que acredita ser um pequeno traficante. A conversa, porém, não tem os resultados esperados. Irritado pelo desdém do estranho, que se limita a avaliá-lo com um olhar de desprezo enquanto dispara respostas curtas, Jason lhe dá um banho de cerveja.

Enfurecido pela atitude, o estranho se levanta e ameaça Jason, enquanto dois de seus companheiros se aproximam. Antes que seja atacado, o ex-presidiário atinge o homem no rosto. O que se segue disso é uma violenta troca de socos e golpes de garrafas. Jason consegue derrubar os três agressores, mas não resiste à série de contusões, e desmaia antes de deixar o local.

Ele retoma a consciência apenas quando chega à ala de Emergência do Hospital Arkham. Após alguns exames, é liberado. Um policial visivelmente entediado faz algumas perguntas de praxe para preenchimento de relatório. Jason se esquiva com facilidade, alegando roubo para justificar a ausência de documentos. Antes de se despedir, o oficial recomenda que o enfermo tome cuidado. Um sorriso silencioso é sua resposta.

Naquela noite, voltando para casa, Jason avista um exemplar do Arkham Observer. A notícia do roubo de um rim desperta lembranças de sua visão premonitória. Quem quer que ele tenha visto no espelho, era esse homem.

CENA 05 – Interesses mútuos

O primeiro contato entre Ripper Moore e Heidrich Müller se dá em frente ao Hospital Arkham. Dividem cigarros e impressões a respeito do entranho caso relatado no jornal, comentário em toda a cidade. Pouco revelam a respeito de suas intenções mais íntimas, mas concordam que a situação pode ser benéfica para ambos. Entretanto, dispõem de informações insuficientes. A visita a Lucas está proibida, pelo menos até que ele fale com a polícia, o que deve ocorrer apenas na manhã seguinte. A solução é buscar um modo de vasculhar a ficha do enfermo, ainda que nem mesmo saibam seu nome.

Müller percebe que a única forma possível é através do computador da recepcionista. Com uma dose de charme e conversa mole, consegue que ela lhe permita “enviar um e-mail”. Entretanto, é Ripper quem a distrai enquanto ele faz uma busca rápida entre as fichas do pacientes admitidos na noite anterior. Sem dificuldade, ele confirma o nome de Lucas Mackey, seu quarto e o local onde recebeu atendimento dos para-médicos: o Motel Harmony.

CENA 06 – Um lugar chamado Harmonia

A primeira tentativa de Ripper e Müller para descobrir mais informações no Motel Harmony começa com a conversa com um atendente pouco inteligente. A voz metálica e distorcida do aparelho de comunicação pouco faz para auxiliar no diálogo. O desconhecido apenas insiste para que ambos esperem algumas horas, quando o gerente, Doug Kinnear, chegará.

Impacientes, entram no motel como clientes. Observando as garagens que levam aos quartos, avistam as faixas coladas pela polícia para evitar invasão do local sob investigação. Sem se deter, Ripper arromba a porta da garagem, chegando até o quarto. Müller, em seguida, busca reorganizar a barreira violada, após o que se dirige ao carro e aguarda.

Diante da porta do quarto, as habilidades de Ripper se mostram menos efetivas. Irritado, ele arromba a porta à moda antiga: chutes. O local, já vasculhado pela perícia, revela pontos onde possíveis pistas foram coletadas. Após uma análise minuciosa, o detetive confirma a precisão do “cirurgião” e pela escolha cuidadosa do local para a extração. A higiene descuidada do Harmony contribuirá para que eventuais amostras de pele e cabelo no local sejam impossíveis de identificar, dada a quantidade de pessoas que deve ter estado no quarto nos últimos dias.

Após deixar o local, Ripper e Müller conseguem conversar com Kinnear, ainda que o contato seja mediado por um interfone, e o mau-humorado interlocutor se mostre pouco inclinado a auxiliar os dois, mesmo sob a falsa alegação de que seriam parentes da vítima. “Vocês deveriam estar com ele, então, e não aqui, dificultando ainda mais a minha vida” são as últimas palavras do proprietário antes de desligar o aparelho.

CENA 07 – Desalento

O segundo despertar de Lucas é menos confuso do que o anterior, mas as informações que recebe são quase tão desalentadoras quanto as parcas impressões que captou na banheira do Harmony. Ele realmente teve o rim direito extraído. Segundo o Dr. John Goldsack, responsável por sua recuperação, fosse menor a habilidade do agressor, certamente ele não teria sobrevivido. Demonstrando o contentamento distorcido dos que podem comemorar apenas o mal menor, Lucas zomba da observação do médico em seu íntimo.

É informado de que se recupera bem, e que, mantido o ritmo, deverá deixar o Hospital Arkham dentro de poucos dias. A visita seguinte é o Detetive Dale Cooper, da Unidade de Vítimas Especiais da Polícia de Arkham. A conversa é desanimadora. Insistindo que o paciente se esforce para lembrar dos eventos da noite do ataque – fundamental para o desvendamento do crime -, Cooper logo desabafa: esse tipo de crime acontece com mais freqüência do que se imagina, mas é raro o bastante para que ninguém tenha experiência em solucioná-lo. A própria polícia ficou confusa no momento de atribuir a responsabilidade pela investigação: divisão de Homicídio, Roubo ou Vítimas Especiais – que atende casos de ataques de natureza sexual. Caiu nas mãos do time menos ocupado no momento.

Sob efeito de uma combinação de medicamentos e drogas na ocasião do ataque, a memória de Lucas é uma caixa vazia. Aparentemente, a polícia será de pouca utilidade…

CENA 08 – Conferência no Hospital Arkham

O primeiro encontro entre Lucas, Ripper e Müller não geram impressões iniciais que podem ser consideradas promissoras. Lucas desconfia da atitude da dupla, que revela estar com uma investigação paralela adiantada – parecem ter feito esforço de menos para decorar um discurso mal ensaiado. Müller, motivado por dinheiro, não reconhece no paciente uma pessoa de posses. Já Ripper fica com a impressão de que algo importante deixa de ser mencionado. Apesar disso, os interesses mútuos superam as divergências iniciais.

Ouvindo um breve relato de Ripper a respeito do que encontrou no Motel Harmony, Lucas recorda que naquela noite pretendia encontrar duas pessoas. Marion, uma prostituta que trabalha em uma casa chamada Suffragette, e Seymour Flint, garçom do Josephine Italian Ristorante. A primeira é uma amiga. O segundo, um possível contato para mesas de pôquer de altas apostas. Entretanto, Lucas não recorda se conseguiu levar suas intenções adiante.

O que ele não informa é que se trata de um jogador de pôquer profissional. Um errante, que está em Arkham em busca de algum dinheiro fácil.

CENA 09 – Conversa entre os mortos

Após ler a notícia a respeito do ataque no Arkham Observer, Jason decide visitar o Necrotério Municipal para ver se há algo a descobrir ali. Ele imagina que sua visão pode ser fruto de uma relação obscura entre o ocorrido com Lucas e um evento anos atrás, que lhe despertou os sentidos para o mundo sobrenatural além do Véu.

Observando de longe o prédio cinzento do necrotério, ele chega à conclusão de que uma invasão seria temerária. Prefere se aproximar de um funcionário que almoça sozinho em um restaurante lotado, nos arredores. A abordagem é ineficaz. Mencionar uma falha dos funcionários para tentar começar uma conversa com os próprios funcionários é ingênuo. Mesmo assim, entre reclamações a respeito de condições de trabalho e o endurecimento da segurança após o ocorrido, descobre que o zelador na noite do ataque foi demitido. Alegou ter dormido durante o horário de expediente. Seu nome, porém, permanece um mistério.

A abordagem de Ripper é mais direta. Sutilmente, não o bastante para escapar à atenção de Jason, ele furta o crachá de um funcionário. Enquanto se dirige na direção do necrotério para usar o produto do roubo antes que sua falta seja percebida, se dá conta da presença de Jason, que o segue me meio à multidão.

O plano de Ripper, no entanto, falha. Tendo estado no necrotério mais cedo fazendo perguntas, é reconhecido pelo vigia. Antes que a posse indevida de um crachá chame atenção demais, ele deixa o local. Apenas para trombar de frente com Jason. A conversa entre ambos é tensa. Ripper não dá uma migalha de informação ao estranho. Jason, por sua vez, revela o que ouviu no restaurante. O detetive lhe dá um voto de confiança. Combinam de encontrar-se no Parque Independência, no final daquela tarde.

CENA 10 – Os pacientes silenciosos

Sentindo-se mais forte, e seguindo a recomendação médica para dar pequenas caminhadas pelo hospital, Lucas decide almoçar no refeitório. Mesmo que seja gelatina, a refeição será mais agradável do que no quarto onde já passou três dias.

Para chegar ao local, após atravessar o elevador, ele necessita atravessar os corredores que passam pelo Centro de Tratamento de Doenças Respiratórias e Alérgicas. Apesar da movimentação, quatro “pacientes” lhe despertam a atenção. Pálido e com os lábios cianóticos, sussurram com vozes estranguladas pelos corredores.

Esforçando-se, ele escuta a voz dos espíritos desencarnados:

– Eu estava sendo tratado aqui.
– Sentia dor no peito. Uma espécie de peso.
– Lembro de receber um “beijo” todas as noites.
– Eu não conseguia respirar.

Um forte odor de perfume feminino, doce e caro, preenche o ambiente. Mas isso Lucas não sabe dizer se percebe com os sentidos ou com a memória, que aos poucos se restabelece.

CENA 11 – Final de tarde no parque

Próximo a uma estátua sem identificação no Parque Independência, Jason observa a aproximação de Ripper e um desconhecido. Trata-se de Müller, que decidiu acompanhar o associado para avaliar o estranho que mostrou interesse no mesmo caso que eles têm investigado.

Jason sustenta a posição de que não precisa dizer qual é o seu interesse pelo assunto enquanto não perguntar qual é o de Ripper e Müller. Mesmo relutantes, ambos concordam com a situação, ainda que sugiram seu caráter provisório. Jason e Ripper decidem procurar Seymour Flint, no Josephine Italian Ristorante, enquanto Müller se encarrega de saber mais a respeito do funcionário demitido do Necrotério Municipal após a violação de um cadáver.

CENA 12 – Markus Spitz sob suspeita

A pesquisa de Müller nos arquivos recentes do Arkham Observer na Biblioteca da Universidade de Miskatonic revela uma notícia interessante, com data de dois meses atrás:

Nota Publicada no jornal Arkham Observer, em 13 de janeiro de 2008.

Cadáver é violado no necrotério

O cadáver de Jonathan Walters, falecido três dias atrás, teve seus dois rins extraídos sem permissão dos parentes. A descoberta ocorreu pelo Dr. Benjamin Smith, que seria responsável pela necropsia. A família da vítima espera que “essa violência desrespeitosa e absurda”, nas palavras da Sra. Walters, seja punida. O zelador do Necrotério Municipal, Markus Spitz, afirmou inocência, mas admitiu ter dormido durante boa parte da noite em que o crime ocorreu.

De posse da informação, Müller se dirige ao subúrbio de classe média-baixa onde reside Spitz. Pelo interfone, se dizendo representante da família Walters, persuade o reservado morador a conversar pessoalmente. Spitz se apresenta como a vítima de uma punição exagerada, e nega qualquer envolvimento com a violação do cadáver de Jonathan Walters. Diz que cansou de responder perguntas sobre o assunto, e o que o caso tem impedido que consiga um novo trabalho. Indiferente ao sutil apelo por dinheiro, Müller deixa o local sem nenhuma revelação substancial.

CENA 13 – Tutti buona gente

Ripper chega ao Josephine Italian Ristorante acompanhado por Jason, que prefere esperar do lado de fora, observando a movimentação enquanto tenta conseguir alguns cigarros. Informando o recepcionista de que deseja falar com Seymour Flint, o detetive provoca uma reação nervosa no rapaz, extremamente zeloso quanto à paz do luxuoso ambiente onde trabalha.

Dirigindo-se a uma entrada lateral do restaurante, utilizada para descarga de mantimentos, Ripper vê Flint e outro garçom conversando enquanto fumam. A aproximação da figura ameaçadora de Jason encerra a conversa e afasta o interlocutor. Cercando o pobre Flint, a dupla não tem dificuldade para pressioná-lo à beira do colapso. Entre lágrimas, diz não conhecer nenhum Lucas Mackey. Ele contou para algumas pessoas que trabalhara em um local onde os convidados faziam altas apostas apenas para impressionar uma garota chamada Janet, que também trabalha ali. Certos de que o rapaz não teria sido capaz de esconder nada, Ripper e Jason partem para o Suffragette.

CENA 14 – Onde está o meu Rim?

Após uma conversa informal pelos corredores do Hospital Arkham, Lucas chega até a ala onde dois pacientes recém operados se recuperam de um transplante renal. Ao contrário dele, eles receberam órgãos. Um deles é uma mulher. A cirurgia ocorreu há uma semana. O outro se chama Jack Daniels. A intervenção ocorreu na mesma noite em que Lucas foi atacado.

Entrando de forma sorrateira no quarto, ele encara o homem que pode ter recebido o seu rim. Uma olhada rápida em seu prontuário médico, porém, revela a incompatibilidade sangüínea. A suspeita é descartada.

CENA 15 – Confrontando Jack Williams

Jason, Ripper e Müller chegam ao Suffragette com um intervalo pequeno de tempo. O nome do local é uma ironia sutil dirigida às feministas mais eruditas. Um prostíbulo batizado com o nome das revolucionárias inglesas que lutaram pelo sufrágio universal na última metade do século XIX só pode ser um tipo de provocação.

No local, enquanto Ripper bebe e Jason rumina a ofensa que foi negar-lhe um trago, Müller chama uma das garotas. Ela lhes apresenta a Marion, que recém desceu do palco vestindo tanta roupa quanto um recém-nascido. Acreditando ter conquistado um cliente, ela se senta quase no colo de Müller. Os humores mudam rapidamente assim que ela é questionada a respeito do paradeiro de Lucas. Sim, ele esteve no local algumas noites atrás. Disse que ia conversar com alguém em um restaurante. Algo a respeito de jogo. Deixou o Suffragette por volta da 1h.

Eles explicam que ele foi a vítima do ataque que todos comentam na cidade. Preocupada, Marion liga do celular de Müller. Lucas afirmar estar bem, e pede que ela os ajude no que for necessário. Distraído da conversa, Jason observa com desagrado a presença de um segurança do Hospital Arkham. O homem lhe expulsou dias antes, quando agrediu uma recepcionista ao buscar informações sobre o paciente encontrado no Motel Harmony. Marion diz que ele se chama Jack Williams, e que tem estado no local com alguma freqüência nas últimas semanas. Sim, ele estava no Suffragette na noite do ataque.

Não demora até que um plano seja elaborado. Duas garotas sobem até os quartos com Jason e Ripper. Em seguida, Marion se aproxima de Williams e o seduz, levando-o ao quarto onde é aguardado para uma “conversa”. Müller sobe em seguida.

Emboscado na escuridão, Williams é dominado com facilidade. Amarrado com lençóis, é pressionado pelos três homens, que afirmam saber de seu envolvimento com o roubo do rim. Ele, porém, exibe grande confiança, e mesmo após ser queimado com cigarro e ter uma arma apontada para sua cabeça, conserva-se impassível.

O engatilhar da arma de Ripper e uma frase simples de Jason, contudo, são o estímulo necessário: “Pode matar. Esse aí não sabe de nada”.

– Call. Ela que vocês querem. O nome dela é Catherine Call. Ela é medica. Do Hospital Arkham. Não me matem. Eu apenas apaguei o cara e levei até o Harmony. Não sabia o que ela queria. Quando vi as manchetes, fiquei desesperado. Só não me matem. Eu não sabia…

Ripper, Jason e Müller deixam o Suffragette com a certeza de que muitas perguntas ainda precisam ser respondidas.

Resumo de Abissal, Crônica que tem como referência o cenário e conjunto de regras apresentados no livro O Mundo das Trevas.
Narrador: Carlos Hentges
Jason Englund / Luiz
Lucas Mackey / Lucas
Heidrich Müller / Gói
Ripper Moore / Filipe

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