The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 14 – Le Coup de Grâce

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 25/03/2008

Onde o nome do conspirador se revela, mas ainda resta muita a ser dito sobre a conspiração.

CENA 01 – Notícias, e um recado

Petrelli e Brujo despertam na pequena pousada que serviu de abrigo ao atravessador dias antes, quando da negociação que resultou na participação dos Gypsy Jokers no assalto da noite anterior. Descansados, e com algum prazer, eles acompanham o noticiário de Night City a respeito das explosões nos Armazéns Meratti’s:

– A primeiras informações são desencontradas. Fala-se de atentado terrorista, invasão criminosa mal-sucedida e explosão na tubulação subterrânea que alimenta os refrigeradores do Armazém.
– Algumas fontes dizem que se tratou de uma vingança levada adiante por agentes de Máfia de Night City, reforçando o rumor nunca comprovado de que Meratti é um negociante de armas.
– A intensa troca de tiros que se ouviu no local pouco antes da explosão apontaria para a invasão criminosa. Suspeita-se que a ação esteja envolvida com o súbito aumento do registro de ataques de gangues no Distrito NorthSide.
– O NCPD ainda não informou a respeito da quantidade nem a identidade das vítimas. Calcula-se que tenham sido em torno de 25, considerando o número de funcionários trabalhando naquela noite, conforme informação oficial do Armazém Meratti’s.
– Além de uma nota de condolência, Arturo Meratti não se manifestou a respeito do ocorrido.
– O NCPD disse que tem algumas linhas de investigação, mas não revelou detalhes.

Enquanto se dedica a – sem sucesso – colher mais informações, Brujo não percebe que Petrelli se distrai com uma mensagem em seu computador de mão. Trata-se de um conjunto de fotos e um vídeo. As imagens apresentam Vinnie Ciccione em diversas situações, ora em companhia de notórios membros da Máfia de Night City, ora junto a executivos da Arasaka. No vídeo, uma mensagem é transmitida pelo avatar de Ichiro Suzuki:

Olá,

Sou executivo sênior da Arasaka para Assuntos Locais. Entre as minhas funções está estabelecer a estratégia da empresa que represento junto às autoridades de Night City, bem como fazer com que a Arasaka disponha do melhor cenário possível para desempenhar suas operações.

As informações que acompanham essa gravação dizem respeito a alguém cuja ação, direta ou indiretamente, tem afetado sua vida nas últimas semanas. Talvez o pouco que forneço agora possa auxiliá-lo, talvez, venha a confundi-lo.

Você e seu associado sobreviveram a inúmeras situações complexas recentemente. A sagacidade que permitiu essa pequena façanha também deve tê-lo levado a desconfiar da autenticidade desse material. Não me surpreende se pensar dessa forma. Tudo que posso fazer a esse respeito é oferecer dados concretos, que apenas podem ser entregues pessoalmente.

Se você e seu associado estiverem dispostos a conquistar a solução de todos os seus problemas recentes, irão encontrar um aliado pessoal, Sakuya Ado, na Ilha Isadora, em Lake Park, amanhã. Ele chegará em um AV-4 neutro, pontualmente às 2h, não esperando por mais do que dois minutos. Em seguida, vocês serão transportados até o Escritório Central da Arasaka, para um encontro pessoal.

Estarei aguardando.

CENA 02 – De volta a Night City

Uma armadilha, pensam os dois. Mas também uma oportunidade para esclarecer alguns dos acontecimentos recentes que ambos viveram. E também a chance de atirar em todas as direções – Arasaka, Máfia, SlaughterHouse, Voodoo Boys, Meratti, Juanita, Ciccione – com a garantia de acertar alguém que mereça.

Petrelli vai ao encontro de William Duke. O sargento está mais amistoso desde a conversa que tiveram no Centro Médico de Crise. Isso faz com que Petrelli abra o jogo em relação à boa parte do conteúdo da mensagem supostamente enviada pela Arasaka. Duke responde com uma informação alarmante. Um dos “membros de gangue” responsável por ataques aleatórios na região do Distrito NorthSide era um mercenário com histórico de atividades sob ordens da megacorporação japonesa. Se a Arasaka já está colocando um exército “invisível” nas ruas, a guerra não pode mais ser detida. Em vista disso, Duke se oferece para auxiliar Petrelli no encontro da noite seguinte.

Brujo, enquanto isso, entra em contato com Daniel O’Flaherty, quando os dois têm a chance de lamentar a morte de Millie O’Keeffe, e deixar claro que o dono da Taverna não tem ressentimentos em relação ao atravessador. Deixando o local, Brujo percebe a insistente observação de três membros dos Voodoo Boys. A situação o leva a abordar o grupo. De arma em punho, ele rende o que parece ser o líder do trio, fazendo com que os demais se afastem, observando a cena à distância. O atravessador é surpreendido pela calma do homem sob a mira de sua pistola. Sugerindo que Brujo deixe as ruas que agora são dos Voodoo Boys, ele mal pisca diante das ameaças de morte.

Essa história, unida com as informações recebidas por Petrelli durante o encontro com Duke, evidenciam os planos da Arasaka. Resta confirmar o papel de Vinnie Ciccione no grande esquema.

CENA 03 – Trânsito Selvagem

Decididos a confirmar quem são os homens vestindo uniformes dos Voodoo Boys e do SlaughterHouse nas ruas do Distrito NorthSide, Brujo e Petrelli trafegam no furgão utilizado para transportar armas até os Gypsy Jokers. A caçada, porém, os expõem, e é Brujo quem avisa que estão sendo seguidos por duas motocicletas.

Nem mesmo o uso de controle neurais permite que o atravessador suplante a agilidade e a aceleração de seus perseguidores. Dirigindo-se até a parte de trás do veículo, Petrelli escancara as portas empunhando um fuzil. O primeiro disparo atinge uma das motocicletas, mas não derruba o condutor, apenas fazendo com que ele reduza a velocidade. A resposta alveja sua perna direita, mas os projéteis são contidos pela calça blindada. Coordenando o movimento com Brujo, que desacelera e alinha o furgão, Petrelli dispara novamente. Dessa vez, o projétil de 7.62mm atravessa o capacete e mata o alvo instantaneamente. Com uma guinada rápida, Brujo inverte os papéis e inicia perseguição ao segundo condutor. A velocidade da motocicleta, porém, não permite aproximação. Posicionado atrás do veículo parado, Petrelli atira. E erra. O segundo disparo, porém, após alguns segundos de pontaria – visando tirar melhor proveito da precisão da arma – atinge o pneu traseiro do alvo. O condutor perde o controle e se choca com violência contra o asfalto. Antes que possa recuperar os sentidos, é recolhido por Brujo e Petrelli e levado até um local ermo.

CENA 04 – Respostas

Refinando sua já tradicional técnica de interrogatório, Brujo extrai alguns dedos do cativo antes de fazer a primeira pergunta. – Quem está no comando? Quem está no comando? O esbravejo por trás dos bigodes, o sangue espirrando, a pistola pesada no coldre de Petrelli. Um conjunto de estímulos completamente irresistível.

Revelando-se um homem da Arasaka por baixo do uniforme dos Voodoo Boys, o atirador afirma cumprir ordens de Vinnie Ciccione. É o suficiente. A pistola ruge. Petrelli e Brujo partem, e mais um cadáver fica para trás.

A chegada à Igreja Holy Angels nada tem a ver com a necessidade de confissão dos inúmeros pecados recentes. O policial e o atravessador buscam o padre Kevin, e o encontro se dá após uma investida que intimida freiras e arrasta o religioso para fora de seu templo às súplicas.

Kevin está visivelmente arrependido, mas implora que compreendam a necessidade de um patrono como a Máfia. A realização do trabalho beneficente em um local tão perigoso quanto o Distrito NorthSide seria impossível sem esse recurso. O argumento, porém, não arrefece o desejo de sangue dos interrogadores. Pressionado, ele revela que em cinco dias deve ocorrer a cerimônia em homenagem aos vinte anos do falecimento de Clarice Bonnano, esposa de Joseph Bonnano, líder da Máfia de Night City. Essa celebração nunca deixou de ocorrer. Percebendo a oportunidade que isso significa, Petrelli e Brujo liberam o padre, fazendo-o recordar da importância do segredo a respeito daquele diálogo.

CENA 05 – Breves Preparativos

No dia que antecipa o encontro com o representante da Arasaka, Petrelli e Brujo tomam algumas precauções. A principal delas é garantir reforço. Duke não se converte em uma opção completamente confiável, já que ainda está preso às amarras do NCPD, das quais Petrelli já se libertou. Legião, por sua vez, parece ter a experiência e o destemor necessários para a missão. Em dívida pelo pagamento da reconstrução de seu olho cibernético, ele/a junta-se aos dois.

A investida seguinte é no escritório do falecido Lester Krupt. Brujo imagina que o local, lacrado pelo NCPD, possa conter informações importantes sobre o trânsito de mercadorias ilegais na região do Distrito NorthSide e imediações. Para sua decepção, os investigadores que estiveram no local levaram os computadores, restando a Brujo se contentar com algumas pastas de arquivos e anotações superficiais.

CENA 06 – Madrugada no Parque

Lake Park é uma imensa área verde ao sul do Centro Corporativo. Semelhanças entre as duas regiões, porém, não existem. Estacionando o furgão em um ponto coberto por árvores, a duzentos metros da pequena ponte que leva até a diminuta Ilha Isadora, Petrelli, Brujo e Legião averiguam as redondezas. Prostituição, tráfico e mendicância é tudo o que encontram. Nenhuma ameaça direta, apenas a insegurança provocada pela espera em um local tão precário.

No horário combinado, duas horas da manhã, um AV-4 sem identificação pousa na Ilha Isadora. Utilizando seu olho cibernético para realizar uma análise à distância, Petrelli identifica a presença de blindagem, mas não confirma a existência de armas de fogo no casco do veículo. Cautelosos, ele e Brujo se aproximam, enquanto Legião permanece de prontidão na mata, com um fuzil de assalto.

Quando terminam de cruzar a ponte, as portas se abrem. Um soldado, armado com fuzil e vestindo uma armadura de combate Metal Gear sai primeiro. Observa os dois e as imediações através do visor. Em seguida, Sakuya Ado, um japonês mirrado, deixa o veículo. Uma conversa rápida se desenvolve. Petrelli e Brujo não gostam da idéia de serem levados ao escritório central da Arasaka, mas o interlocutor se mantém irredutível quanto às suas ordens.

A negociação é interrompida pelo disparo de fuzis. Uma rajada atinge Ado antes que o solo possa protegê-lo. Petrelli identifica a luta de Legião contra pelos menos cinco alvos, enquanto Brujo atira na direção da fonte dos disparos. A troca de tiros se intensifica depois que o policial e o atravessador se protegem dentro do AV-4 ao mesmo tempo em que o solo responde ao fogo. Da mata, Legião corre na direção do veículo. Uma rajada atinge seu ombro, levando-o/a ao chão. Brujo vai ao seu encontro com a cobertura das rajadas disparadas pelo solo, enquanto Petrelli tenta, sem sucesso, ativar o AV-4.

Brujo sente os projéteis zunindo ao seu redor quando chega até Legião. Carregando-o/a, recebe ajuda de Petrelli assim que termina de atravessar a ponte. Nesse momento, uma nova rajada atinge Legião, que não resiste aos múltiplos ferimentos. Com o solo nos controles, o AV-4 alça vôo sob fogo cerrado. As avarias provocadas pelos múltiplos disparos, porém não permitem que o veículo avance muito. O piloto é obrigado a realizar um pouso forçado um quilômetro adiante, ainda dentro dos limites do Lake Park.

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

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