The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 10 – Dobram os Sinos

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 17/03/2008

Onde o confronto tem início, e o sangue brota nas ruas.

CENA 01 – Pequenas Invasões

O quarto de Dasha, nos Apartamentos Taira, não tem nada de relevante. Algumas roupas e a desordem natural. Entre as parcas posses da prostituta, Brujo encontra ED$ 400 e um notebook. Após recolher os pertences, e instalar uma micro-câmera, Brujo parte para a Taverna O’Flaherty.

Enquanto isso, Peter Petrelli aguarda. Com uma velha Beretta nas mãos, basta que o invasor adentre o apartamento de Sarah Chang para que seja surpreendido. Contrariando suas expectativas, o desconhecido espera diante da porta e, subitamente, parte na direção dos elevadores. Petrelli se pergunta se foi visto. Talvez um cyberótico com visão termográfica. Entre especulações, o policial inicia uma retirada paranóica.

Depois de subir dois andares, chamar o elevador e fazer com que ele descesse parando em todos os pavimentos enquanto o acompanhava pela escada de incêndio, Petrelli observa durante algum tempo o pátio em frente ao Bay Bridge Hotel. Temendo uma emboscada, o policial finalmente realiza sua fuga pela garagem.

CENA 02 – Conversas ao pé do ouvido

Em rápida conversa com Dasha, Brujo lhe entrega o dinheiro encontrado em seu apartamento. Antes de deixar a Taverna, é abordado por Millie O’Keeffe. Ela conseguiu fazer contato com o grupo de nômades que ajudou O Celta durante a operação do Soylent Green. Ao que tudo indica, o seu líder está envolvido em algum tipo de disputa com a Biotechnica. Millie adianta que ele pode ajudar, e que provavelmente armas e munição para apoiar sua luta serão o preço por esse auxílio.

CENA 03 – Perseguição

Conduzindo a Harley-Davidson DarkWing pelas ruas do Distrito Northside, Brujo faz contato com Alonso. O técnico é a melhor opção para quebrar o código de proteção do laptop de Dasha. Quando a ligação se completa, porém, o atravessador percebe que está sendo seguido. Aproveitando-se da agilidade da motocicleta, Brujo consegue despistar seus perseguidores. Invertendo papéis, ele localiza o veículo misterioso, e furtivamente acompanha seu trânsito. Depois de passar diante da Taverna O’Flaherty e do apartamento de Brujo, o condutor estaciona junto à Igreja Holy Angels. Nesse momento, a DarkWing ruge na direção de Little Italy.

CENA 04 – Quebra de Código

Brujo e Petrelli chegam juntos ao apartamento de Alonso. O técnico fica pouco confortável quando descobre que está recebendo um policial – as atividades ilegais no cubículo já excederam em muito qualquer possibilidade de explicação -, mas relaxa diante do aceno de Brujo com uma modesta oferta financeira.

O laptop de Dasha revela pouca coisa mais interessante do que uma lista de clientes. O computador pessoal de Sarah Chang, entre reportagens antigas e notas, apresenta pistas mais interessantes. Os textos informam que ela foi procurada por um contato anônimo oferecendo uma matéria a respeito de um policial corrupto do NCPD. Por curiosidade, ela aceitou receber o conteúdo, mesmo que isso representasse risco. Alguém cobraria um favor em breve.

Mais tarde descobriu, através de uma investigação que foi além dos dados recebidos, quem estava por trás de seu contato. O homem no comando do tabuleiro era um proeminente “executivo” da Máfia, sob comando direto do “capo” Joseph Bonnano: Vinnie Ciccione.

A pergunta que se impôe: por que um agente da Máfia alimentaria um policial com informações que poderiam voltar-se contra si próprio? O objetivo mais claro do contato com a jornalista parecia ser prejudicar esse policial, e indiretamente, o NCPD e a Prefeitura de Night City, e, dessa forma, fortalecer a Máfia. Mas a relação custo-benefício desse movimento não parece favorável. Muito risco para pouco lucro. Ou haveria algo a mais nisso tudo?

Aprofundando sua pesquisa e fazendo contatos que os documentos não revelam, Chang descobriu que Vinnie Ciccione não existia quinze anos atrás, pelo menos até onde foi possível averiguar. Coincidência ou não, ele é conhecido nos círculos da Máfia há pouco menos de uma década.

A peça central do quebra-cabeça continua ausente.

CENA 05 – Arsenal em Upper Marina

Petrelli desconfia que o Padre Kevin, responsável pela Igreja Holy Angels, tenha algo a ver com os movimentos da Máfia no Distrito NorthSide. O religioso, não se pode negar, conhece boa parte dos moradores da região e de Little Italy, e pode ser uma fonte de informações valiosa. A conversa que o detetive projeta, porém, pouco tem a ver com uma confissão. Seu Deus é vingativo, e cospe projéteis de 12mm.

Da mesma forma, o detetive desenvolveu um ódio abissal por Juanita Vargas. É isso que o motiva, enquanto na garupa da DarkWing de Brujo, a sugerir que procurem por ela em Upper Marina. O atravessador fez esse caminho dias antes, mas foi interrompido pela aparição dos três tenentes do SlaughterHouse, posteriormente abatidos.

Trafegando em silêncio pela região degradada, Petrelli usa seu olho cibernético para varrer a escuridão em busca de movimentos suspeitos, enquanto Brujo permanece atento aos pontos de localização que o permitam chegar ao armazém correto, conforme as anotações de Killigree.

A cerca de trezentos metros do local, Petrelli visualiza um homem, provavelmente um mendigo, carregando dois fuzis de assalto. Avançando mais, se deparam com uma pequena multidão trafegando em frente ao armazém que é o seu objetivo. Moradores de rua com armas de fogo discutem e trocam empurrões. Aparentemente, alguém descobriu que as armas roubadas pelo SlaughterHouse estavam ali. A disputa por elas já começou, e o estopim não demora a acender.

Brujo manobra para sair da possível linha de tiro, mas quando o primeiro disparo é ouvido, seguidos de gritos, agitação e mais disparos, a distância ainda não é suficiente. Atingido nas costas por uma bala perdida, Petrelli agradece à proteção da jaqueta blindada.

Passados alguns minutos, Petrelli e Brujo retornam. Os disparos fizeram a multidão dispersar, e alguns corpos ficaram para trás. Dentro do armazém, o policial identifica um homem armado, entrincheirado. Ele grita que as armas são suas, e dispara um fuzil de assalto para assinar com pólvora os seus argumentos.

Buscando uma entrada alternativa, encontram uma porta lateral. A incursão não é tão silenciosa quanto o necessário, alertando seu alvo. Abaixado entre caixas, em meio à escuridão e distante cerca de trinta metros, o homem é um alvo difícil, mesmo para Petrelli. Brujo resolve o problema de forma prosaica. Arremessando um pedaço de metal, provoca a distração necessária que o faz erguer-se atirando. Sem hesitar, Petrelli aproveita a brecha e o atinge no ombro, levando o desconhecido ao chão. Antes que este se recupere e alcance o fuzil, Petrelli vence a distância e o chuta com violência, o desacordando.

Uma avaliação rápida confirma as características das armas roubadas do Shopping UpTown. Em instantes Brujo e Petrelli carregam um dos furgões com o que foi deixado para trás. Cresce o arsenal.

CENA 06 – Assunto de Polícia

Brujo acorda com a porta sendo esmurrada. Alguém que se identifica como oficial Summers solicita que o morador abra. Desviando de uma caixa cheia de submetralhadoras e afastando um fuzil com o pé, o atravessador recebe seu visitante. No corredor, é claro, onde é mais seguro.

O oficial Summers é acompanhado por um detetive, Johnston. Estão buscando informações a respeito da troca de tiros no prédio, dias antes. Aparentemente, nada sabem a respeito do envolvimento de Petrelli e Brujo nas mortes. A frieza do atravessador sedimenta essa certeza.

Enquanto isso, Petrelli descobre que Fate Yashida não tem tempo para lhe falar. A assessora de comunicação do prefeito Mbole Ebunike explica o motivo. A Arasaka acaba de apresentar oficialmente ao Conselho Municipal de Night City a proposta que visa privatizar os serviços de polícia da cidade, eliminando o NCPD, ou lhe dando um caráter completamente diferente. Intimamente, Petrelli se pergunta se alguém, além dele, acha que Vinnie Ciccione se comporta como um funcionário da Arasaka.

CENA 07 – A Mídia escolhe seu lado

Na Taverna O’Flaherty, depois de ouvir de Millie que o encontro com os Gypsy Jokers pode acontecer em breve, mas sem sua participação direta, Brujo e Petrelli assistem mais notícias a respeito da violência em Night City e a proposta de privatização do NCPD feita pela Arasaka. Aparentemente, a mídia já tem um lado.

Depois de apresentar imagens do resultado da troca de tiros na noite anterior em Upper Marina, onde quatro pessoas morreram, o telejornal do Canal 54 aponta os crescentes índices de homicídios em Night City. Em seguida, uma rápida matéria enfoca o problema de corrupção no NCPD, citando o caso de Peter Petrelli. A morte da jornalista Sarah Channg é somada aos números da violência. Imagens da Arasaka apresentando a sua proposta ao Conselho Municipal, com declarações seguras a respeito do benefício da iniciativa, pontuam o texto. No fim da reportagem, o prefeito Ebunike surge, um tanto nervoso e exaltado, afirmando que a Prefeitura não vai aceitar essa intervenção, e que em breve uma contraproposta será apresentada.

CENA 08 – Declaração de Guerra

Não encontrando Dasha em seu quarto, Brujo descobre que ela, já recuperada do atentado, resolveu sair por um instante. O atravessador a encontra em uma esquina, meio que absorvida por pensamentos profundos. Sem conversar, ambos fumam lado a lado. Enquanto fita Brujo, Dasha reflete que existe alguma cumplicidade entre os marginais, afinal de contas. É o seu último pensamento, antes de um projétil atingir o seu ombro e a arremessar para a escuridão.

Mesmo tendo visto o atirador, Brujo não foi rápido o bastante para tirar a prostituta do caminho da bala. Buscando proteção atrás de um dataterm, ele dispara em resposta. O projétil atravessa a porta do carro e perfura a perna do motorista, impedindo sua fuga. Alertado pelos disparos, Petrelli se aproxima, buscando proteção atrás de veículos. Em pânico, a multidão dispersa e o trânsito pára diante da sinfonia do chumbo.

Brujo e Petrelli disparam contra os dois atiradores, mas a distância e a proteção oferecida pelos obstáculos torna o combate uma série de sucessivos projéteis mal dirigidos, enquanto todos esperam um deslize e uma brecha.

O primeiro erro é cometido por Petrelli, que se expõe demais e recebe como prêmio um disparo no rosto. Brujo vê o policial caído, e teme pelo pior. Às portas da inconsciência, ele pinta a calçada de vermelho. Nesse instante, Legião sai da Taverna atirando. Ele/a alveja um dos atacantes, explodindo seu crânio e espalhando pedaços de cérebro pelo carro. Tomando a submetralhadora do policial, Legião avança na direção do carro, enquanto faz disparos curtos. Brujo entende o sinal, e cerca o veículo, acuando o último atirador.

Sem forças para deixar o local, Petrelli apenas espera pelas sirenes que se aproximam. Brujo, enquanto isso, arrasta o atirador sobrevivente para um beco a poucas dezenas de metros do local. Segurando o cortador de charutos enquanto toma um dos dedos do interrogado, ele pronuncia as palavras que formam uma pergunta e uma sentença.

“Muito bem, cabrón, quem te mandou?”

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

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