The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 06 – A Primeira Fagulha

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 21/02/2008

Onde diversas provações se impõem, e alguns ciclos aproximam-se do fim.

CENA 01 – Encontros e Desencontros

Petrelli aguarda do lado de fora da Torre Burleson. O Totentanz tornou-se proibitivo desde a exposição que recebeu da mídia, identificando-o como um tira-herói. Contenta-se em observar o trânsito da região. Os contrastes são gritantes. Homens de negócio buscando no Burleson um hotel de preço acessível próximo ao Centro Corporativo cruzam com boosters a caminho do Totentanz.

A escória, porém, parece atenta aos noticiários, e não demora até que um punk reconheça o policial. Petrelli rapidamente neutraliza a memória do indivíduo por meio de uma fratura de caráter permanente na região do pulso. O ímpeto do marginal, porém, é mitigado apenas após ele e alguns companheiros serem expostos ao desconforto que apenas a visão de uma submetralhadora pesada é capaz de evocar.

Brujo, enquanto isso, é acompanhado por Juanita. Loa os espera no Totentanz, e o cheiro de uma armadilha apenas não é maior do que o odor produzido pelo suor de centenas de pessoas em frente ao palco. Uma banda qualquer comete atrocidades musicais, e o público troca amabilidades aos socos.

A conversa com Loa é breve, pois a música não permite o diálogo. Melhor procurar um local reservado. Sugestão que Brujo acata apenas diante da ameaça de cancelamento da negociação. O atravessador sente as coisas piorarem, mas não deseja parecer covarde diante de Juanita durante a execução de uma tarefa solicitada por Killigree.

Depois de atravessarem o público e contornarem o palco, Brujo, Juanita, Loa e um membro não identificado dos Voodoo Boys passam por um segurança. Caminhando na direção da sala reservada para a conversa, Juanita sussurra – “o Voodoo está armado”. Um toque no celular programado e Petrelli fica sabendo que as coisas vão mal no Totentanz.

Comentários:
Obviamente eu não deixaria Petrelli passar em branco diante de um prédio que abriga o bar mais perigoso de Night City. E lógico, também, que o encontro lá dentro era uma emboscada. Como havia decidido que Loa era inexperiente, imagino que tenha conseguido deixar claro para Brujo o que ela pretendia desde o início. Caso isso não ficasse tão óbvio, o alerta seria reforçado por Juanita.

CENA 02 – Invasão e Interrogatório

Contornar a Torre Burleson não chega a ser um problema. O que não quer dizer, porém, que seja uma tarefa empreendida com discrição. Quando se prepara para saltar uma cerca, Petrelli é abordado por um segurança armado. Seu distintivo vem acompanhado por uma frase que começa a dar sinais de desgaste – “você está atrapalhando uma investigação sigilosa”. Mesmo supondo que a invasão de propriedade não seja um procedimento correto, o segurança sabe que o dar de ombros pode poupar muitos problemas. Até parece…

Chegando ao pátio onde é feita a entrega de mercadorias ao hotel, Petrelli estilhaça o vidro de um caminhão e rouba o uniforme lá encontrado. O alarme do veículo dispara, atraindo a segurança, que é evitada com malícia e furtividade. Em instantes ele está no elevador de serviço, a caminho do Totentanz. Ao chegar no último andar, com o uniforme de entregas, é recebido com estranheza pelos seguranças da entrada. Após descer um andar, adentra o local por um depósito, e logo está circulando por corredores à procura de Brujo.

O atravessador, porém, tem preocupações mais imediatas. Loa se despede do Voodoo Boy, deixando-o com seus dois convidados em uma pequena sala. De arma em punho, ele questiona o atravessador a respeito da natureza do acordo proposto em nome do SlaughterHouse. O diálogo não produz resultados, e o interrogador reconhece que está ali a mando de Reynolds. Numa ação instintiva, Brujo vira uma mesa e parte para o ataque, buscando neutralizá-lo rapidamente. O ataque dá certo, e logo interrogado e interrogador invertem suas posições, enquanto Juanita vigia a porta.

Munido de um cortador de charutos, Brujo pouco se importa com o que seu algoz, agora vítima, tem a dizer. Entre gritos motivados pela dor causada durante a extração de seus dedos, o Voodoo Boy apenas consegue dizer que é Loa quem tem as respostas. Seguro de que o som da banda abafa suas atividades, o atravessador desfere seguidos golpes em seu interlocutor, reduzindo gritos à suplicas, depois a murmúrios, e por fim, ao silêncio.

À porta, Juanita avisa: “tem um tira no corredor”.

Comentários:
A parte da cena que envolve Petrelli gerou um problema que, acredito, todos os narradores tem que enfrentar. O personagem quer fazer algo. Você acha que isso é difícil. O jogador não chega a apresentar uma grande idéia. A ação é importante para a continuidade da trama. Enfim, Petrelli conseguiu invadir a Torre Burleson, mas não sem me deixar com a sensação de que eu estava facilitando as coisas demais. Brujo, por sua vez, fez o primeiro uso de uma futura tradição envolvendo o cortador de charutos. E foi extremamente cruel, outro traço que o personagem viria a apresentar em momentos de tensão.

CENA 03 – Fuga e Complicações

Brujo explica que o policial, o mesmo que interrogou Juanita no dia anterior, é seu aliado. Petrelli é chamado até a sala, e parece não se importar com a cena testemunhada. O uniforme que roubara acaba servindo para que o atravessador atenue as manchas de sangue em seu terno. Quando os dois e Juanita deixam a sala, se deparam com Loa, que provavelmente não esperava que os acontecimentos fugissem de seu controle de tal forma.

Antes que consiga fugir, ela é detida por Petrelli, que o faz com violência o bastante para colocá-la em estado de choque. Assim ela é levada por Brujo até o elevador utilizado pelo policial em sua entrada sorrateira.

A fuga segue sem maiores problemas, até que Petrelli escuta, na sala que encaminha ao saguão do elevador de serviço, duas vozes. Comentam a respeito do vidro quebrado do caminhão de entregas, e estão no caminho para a fuga do trio. Petrelli avança, e é abordado pelos seguranças, que imediatamente buscam suas armas. Antes que possam agir, são baleados e mortos por disparos certeiros. Juanita lança para Brujo um olhar que grita “problemas”.

Sem nenhum outro obstáculo em sua escapada, Brujo, Petrelli e Juanita carregam Loa até o carro do policial, enquanto o atravessador observa a intensa movimentação de seguranças em frente ao hotel da Torre Burleson.

Comentários:
Aqui que Petrelli realmente se afundou. Se a pressão pela extorsão da Máfia poderia ser um problema contornável, o assassinato de dois seguranças não seria de resolução simples. Ainda mais que existia uma testemunha de sua invasão. Em termos de relação do personagem com o cenário, esse foi o seu maior divisor de águas.

CENA 04 – Interrogatório e Problemas – II

Loa é levada até o apartamento de Brujo, onde sofre diversas ameaças. Sob pressão, revela que em duas noites haverá um encontro entre ela e um membro da Máfia. Ela receberá armas em troca de lealdade. Os Voodoo Boys pretendem utilizar o equipamento para assegurar sua posição no Distrito NorthSide e resistir ao SlaughterHouse. O contato de Loa na Máfia é Vinnie Ciccione.

Petrelli e Brujo ficam atordoados diante da revelação. Juanita declara imediatamente que eles devem usar Loa para se apropriar das armas e usá-las contra a Máfia. É obvio que os Voodoo Boys serão uma ferramenta para enfraquecer o SlaughterHouse antes que a Máfia se expanda na direção do Distrito NorthSide.

O policial e o atravessador não chegam a um acordo, mas resolvem que Loa permanecerá sob os cuidados de Juanita, que afirma ter condições de mantê-la escondida. No carro, a caminho do prédio onde mora, Juanita sugere a Petrelli que suas ações naquela noite podem gerar inúmeras perguntas que ele não gostaria de responder. Quem sabe, diz ela, a melhor resposta seria outra grande prisão. Alguém reconhecidamente perigoso. Alguém como Killigree, líder do SlaughterHouse. Ela afirma saber onde ele está escondido, e parece disposta a entregá-lo. Ainda abalado pela sua reação aos acontecimentos desta noite, o policial vê no acordo uma tábua de salvação.

Comentários:
Os dedos sujos de Vinnie Ciccione se estendem além das expectativas dos personagens. Como eles não se decidiam a respeito do que fazer, sugeri através de Juanita que poderiam se apossar das armas através de um plano bem orquestrado. Além disso, como ambos decidiram que Loa deveria ficar sob seus cuidados, mesmo tendo ela já provado que não era confiável, optei por esclarecer esse traço de sua personalidade: ela oferece o amante a Petrelli, consolidando seus planos para tomar a liderança do SlaughterHouse.

CENA 05 – Resoluções e Planos

Depois de deixar Loa e Juanita no apartamento da última, mesmo prédio onde esteve à procura de Stephen Richards, Petrelli volta ao encontro de Brujo. Juntos, requisitam um favor de Dasha. A prostituta admitirá que esteve toda a noite com o policial. Em seguida, Petrelli se livra de seu carro – basta deixá-lo destrancado – e entrega a arma que matou os seguranças para Brujo.

No dia seguinte os dois se encontram, e considerando as informações atuais e os acontecimentos últimos, não conseguem perceber quem está em pior situação. Precisam decidir o que fazer em relação ao SlaughterHouse e Killigree, e como reagir ao acordo entre a Máfia e os Voodoo Boys.

Eu posso virar “o chefão”, e ele pode ficar famoso, pensa Brujo, ainda que não existam garantias de que reste algo para chefiar se um conflito aberto for deflagrado, e que fama pode não ser, necessariamente, um benefício.

Comentários:
Combinações envolvendo uma tentativa de preservação do futuro de Petrelli. Como veremos a seguir, pior a emenda do que o soneto.

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

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