The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 04 – A Tênue Fronteira

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 22/01/2008

Onde boas intenções atraem tragédias, e a infâmia aspira bondade.

CENA 01 – Uma Nova Vida

Chegando em casa após uma hospitalização de três dias, Peter Petrelli não demora a perceber que algo mudou. Uma vizinha, que pouco ou nada falara com o policial até então, o cumprimenta enquanto segura um pacote de compras. “Eu vi o senhor aquele dia com o prefeito. Que bom que se recuperou. É bom ter alguém como o senhor por aqui”. Antes de se despedir, ela lembra que uma jornalista do Canal 54 esteve no prédio fazendo perguntas. Petrelli faz pouco caso do fato, rapidamente habituado à manifestação de interesse a seu respeito.

No final do mesmo dia ele janta com o detetive Jack Vincennes. A conversa trata especialmente do cadáver sem nome encontrado em um beco ao lado do Hotel Widmark. Assassinado e despedaçado, o corpo pertencia a Frederico Mancinelli, um executivo da Balboa Aeronautics, enterrado no cemitério da Igreja Holy Angels. Em uma época em que morrer é barato, o descanso na terra é sinal de muito dinheiro, afirma Vincennes. O detetive acrescenta que o corpo provavelmente tinha cibernéticos, pilhados antes do cadáver ser encontrado pela polícia. Faltava o braço direito e o olho esquerdo. Felizmente o assunto não estragou o apetite dos oficiais, acostumados à violência de Night City.

Preparado para a conversa, Petrelli apresenta ao detetive as mesmas fotos de Killigree no Widmark que já havia compartilhado com a capitã Pondsmith. Segundo seus contatos, aquelas imagens teriam sido registradas pelo olho cibernético de Mancinelli pouco antes de sua morte. O indício ganha força quando analisados os ferimentos fatais: cortes e perfurações que casam com o tipo de cibernético ilegal adotado pelos integrantes do SlaughterHouse.

Ao final do encontro, Vincennes sugere que ele e Petrelli em breve serão colegas.

Comentários:
Essa cena vinha com o óbvio e o nem tanto entregues no mesmo pacote. A primeira parte dizia respeito ao personagem se sentir confortável e “por cima” depois da saída do Centro Médico de Crise. O porém era a pista de que as relações escusas do personagem poderiam ser trazidas à tona graças ao interesse de uma jornalista. Uma ameaça velada, digamos assim. Além disso, havia a necessidade de revelar mais um tanto da contenda entre Máfia e SlaughterHouse, e o papel da morte de Frederico Mancinelli nisso tudo. Eu imaginava que o personagem fosse se aprofundar nas pistas que apontavam para a Balboa Aeronautics – um reduto da Máfia – e a Igreja Holy Angels, a essa altura já configurada como um ponto de influência da “famiglia”, mas me enganei.

CENA 02 – Pedido de Ajuda

O dia de Brujo geralmente começa perto do meio-dia, com gosto de uísque barato e charutos. Hoje não seria diferente. A partir disso, é momento de fazer ligações, estabelecer relações, e tentar ganhar algum dinheiro. Suas andanças o levam a travar contato com Alonso, no Widmark, e, mas tarde, com Millie O´Keefe, na Taverna O´Flaherty.

Esta acaba lhe fazendo um pedido. Um amigo precisa de um local reservado para ficar em segurança por cerca de uma semana. Brujo chega a arrombar um apartamento de seu próprio prédio, mas acaba se decidindo, com a ajuda de Alonso e algum dinheiro, pelo quarto do Widmark onde foi encontrado o corpo de Frederico Mancinelli.

Em conversa posterior com Millie, ela acaba revelando que quem precisava de ajuda é O Celta. Ele participou da operação que destruiu uma plataforma de petróleo da Petrochem na costa de Night City junto com o grupo eco-terrorista chamado Soylent Green. Apesar do sucesso da ação, O Celta acabou ferido e obrigado a despistar a Petrochem enquanto aguarda um momento seguro para deixar a cidade.

Por iniciativa própria, Brujo busca um substituto para a Taverna O´Flaherty na Segurança Especializada.

Comentários:
Apesar do gancho envolvendo Petrochem, Soylent Green e O Celta não ter dado resultado, nada me impedia de transformar isso em algo útil. O resultado veio através de um favor solicitado por Millie O’Keeffe. Isso me permitiria explicar o porque do assunto estar circulando em meio à trama, e também estreitar a relação com um NPC que, com vim a confirmar mais tarde, poderia ser muito importante para a história.

CENA 03 – Glórias Revividas

A chegada de Petrelli até a unidade do NCPD em Little Italy lembra, em diversos aspectos, o seu primeiro dia de trabalho após a prisão de Ryan Reynolds. Tapinhas nas costas, brincadeiras e um clima leve que difere em tudo da rotina dura dos oficiais de Night City. A defesa da corporação feita ao lado do prefeito Ebunike é lembrada e celebrada por muitos.

O dia corre e as suspeitas se confirmam. Peter Petrelli é o mais novo detetive da Divisão Anti-Crime do NCPD, alocado na Unidade de Combate a Gangues, respondendo diretamente a capitã Lisa Pondsmith.

Após ser apresentado a alguns novos colegas, entre eles Jack Vincennes, receber um novo distintivo e descobrir que vai ter que aprimorar seus conhecimentos em diversas áreas, Petrelli é incumbido de sua primeiro caso: descobrir o que aconteceu com o SlaughterHouse. Segundo informações de diversos oficiais, a gangue praticamente desapareceu do Distrito NorthSide após atacar o Shopping UpTown. Cientes de que esse é um movimento estudado, a Unidade de Combate a Gangues precisa descobrir o que isso significa e se pode ser o sinal de que algo ainda maior está em andamento.

Comentários:
Quando o personagem foi criado, me pareceu uma grande idéia colocá-lo patrulhando as ruas ao lado de um companheiro. Logo, entretanto, isso se tornou um problema. Se eu abrisse mão do dia-a-dia do policial, perderia parte do processo de construção da personalidade do personagem. Se pesasse a mão, o desenvolvimento da trama ficaria comprometido, já que o personagem simplesmente não teria tempo para participar dela. A solução foi promovê-lo para uma função que se encaixava perfeitamente às necessidades da história, e no processo, deixar subentendido o poder do prefeito Ebunike e o quanto a sua simpatia poderia ser valiosa.

CENA 04 – O Submundo negocia

Se Brujo não esperava ter que reencontrar Ryan Reynolds tão cedo após tê-lo entregue em uma bandeja de prata para Petrelli, isso não significa que vai ser pego em desvantagem. Armado do mais áspero sarcasmo, o encontro arranjado pelo advogado do prisioneiro ocorre nas dependências da Corte de Justiça Criminal, um prédio que reúne uma unidade do NCPD, tribunal, celas e instituto forense.

Dusty Wright deixa os rivais a sós para um embate de palavras onde nenhum parece capaz de ceder. Brujo fala em nome do SlaughterHouse e de seu ódio pelo rival. Busca um acordo que garanta que os integrantes remanescentes dos Voodoo Boys tomarão conta do Distrito NorthSide durante a ausência da gangue que representa. Em troca, oferece a certeza de que receberão o respeito e não serão dizimados, como os demais grupos da região.

Ryan Reynolds igualmente é movido pelo ódio àquele que o denunciou e o colocou na prisão, à espera de julgamento. Porém, a possibilidade de que possa vir a ser libertado e, quem sabe, voltar a liderar seus homens, parece motivar uma resposta que soa favorável aos ouvidos de Brujo.

Após deixar a Corte de Justiça Criminal, Dusty Wright afirma, conforme instruções de Reynolds, que Brujo deve procurar por uma tenente dos Voodoo Boys no Totentanz. Seu nome é Loa. O local, famoso pela violência resultante de um público predominantemente formado por membros de gangues, não inspira confiança no atravessador. Ele vai precisar de alguém que vigie sua retaguarda.

Comentários:
Essa cena me deixou profundamente insatisfeito. Eu simplesmente não consegui imprimir ao NPC a personalidade que gostaria. Com tantos membros de gangue circulando pela história, Reynolds ficou um tanto “genérico” demais. O encontro moveu a trama mais um pouco, mas considerando que era para ser o grande reencontro entre inimigos, cuja rivalidade colocou um deles na cadeia, devo admitir que o resultado foi frustrante.

CENA 05 – Uma jornalista no sapato

Ao voltar para casa, Petrelli descobre que é aguardado por uma mulher. Sarah Chang mostra sua identificação como repórter do Canal 54 e pede uma entrevista, que acontece em um bar muito freqüentado por policiais em Little Italy, o Mancini’s.

A conversa trata de amenidades no princípio. Após receber cumprimentos pela promoção e responder questões que já haviam sido formuladas por outros jornalistas durante a internação no Centro Médico de Crise, Petrelli descobre a verdadeira curiosidade que move Sarah Chang.

Ela afirma ter conseguido imagens das câmeras de segurança do hospital, e através delas descobriu que Petrelli recebeu a visita de Vinnie Ciccione, figura associada a atividades da Máfia em Night City. O policial se defende afirmando que o seu visitante jamais foi condenado, e que nada do que fez configura crime. A jornalista replica apresentando fotos que flagram o momento em que Petrelli recebe o pacote com dinheiro de um dos seguranças de Ciccione. Antes que consiga responder, Chang encerra a entrevista deixando claro que vai continuar trabalhando na história.

Enquanto se pergunta como ela teve acesso àquele conteúdo, Petrelli suspeita que sua recém iniciada carreira de detetive pode ser sepultada a qualquer momento.

Comentários:
Peter Petrelli na alça de mira da imprensa. A situação mudou tão rapidamente que o jogador ficou atordoado. Desde o início eu havia decidido que o conteúdo de posse da jornalista havia sido fornecido por Vinnie Ciccione. Na trama, Ciccione é um agente duplo da Arasaka inserido na organização desde o fim da guerra entra a Máfia e as corporações de Night City, por volta de 2010. Uma década de vida dupla, portanto. Pela ausência de pistas e total improbabilidade disso, o personagem não desconfiou por um instante sequer da origem do dossiê que o ameaçava. Como diz o livro de regras do CyberPunk 2.0.2.0., “se você não agüenta, vá jogar aquele RPG onde os elfos são felizes e dançam na floresta”.

CENA 06 – Costurando uma colcha de retalhos

Brujo e Petrelli se encontram na casa do atravessador, ainda que o policial resista inicialmente à idéia, especialmente devido ao seu problema envolvendo o suborno. Não deseja nenhum vínculo com pessoas que possam ser enquadradas como “criminoso”, mesmo sem dar-se conta de que ele próprio se acomoda na definição.

Ambos dividem algumas informações a respeito de suas atividades, com foco no interesse comum: o SlaughterHouse e a morte de Frederico Mancinelli. Brujo acredita que possa descobrir mais no Totentanz, mas Petrelli teme ser identificado como policial em um local utilizado predominantemente por gangues.

Com indefinições a respeito do futuro próximo, eles se despedem.

Comentários:
Como os personagens não se encontraram ao longo do capítulo, essa cena serviu para que eles atualizassem um ao outro do progresso recente e planejassem os próximos passos. Algo natural em uma sessão de transição.

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

Anúncios
Tagged with: , ,

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. Charlotte said, on 11/11/2008 at 19:30

    Well written article.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: