The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 03 – Coisas Belas e Sujas

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 21/01/2008

Onde gestos sutis adquirem grandes proporções, e o óbvio pode estar sendo ignorado.

CENA 01 – Trabalhando nas Ruas

O dia de Brujo começa com uma série de visitas. É hora de fazer negócios enquanto não surge alguma oportunidade realmente grande. Visitas breves fazem dinheiro e mercadoria trocar de mãos. A roda do mercado negro está em movimento. O braço e o olho cibernéticos do cadáver encontrado por Alonso rendem alguns milhares de eurodólares, deixando o técnico feliz e o bolso de Brujo um pouco mais estufado.

Na conversa com Alonso é mencionado que o cadáver ainda não foi identificado. Brujo lembra do favor solicitado a Petrelli e faz uma anotação mental para cobrar o policial mais tarde. O assunto, porém, desperta a atenção do atravessador para outro tópico. O que teria realmente acontecido naquela noite? Um cadáver retalhado foi encontrado no quinto andar do Widmark, e em seu olho estavam registradas fotos de Killigree, líder do SlaughterHouse. No quarto andar, policiais descobriram o corpo de um membro da gangue com ferimentos semelhantes. Uma família de sem-teto viu alguém fugir pela escada de incêndio do prédio logo após o crime, e vizinhos não ouviram a porta ser arrombada, mas asseguraram que uma discussão entre dois homens ocorreu no local. A visita ao apartamento onde Alonso achou o corpo não esclarece a questão. É como se uma peça ainda faltasse…

Depois do encontro, Brujo vai até a Taverna O’Flaherty. Millie, que esteve fora por alguns dias, retornou. Ela lhe entrega um bilhete assinado por Killigree solicitando um encontro, e aproveita para repreendê-lo por transformá-la em garota de recados do SlaughterHouse. O Celta, que também andava sumido, está presente. Um grande hematoma no rosto parecer ter contribuído para um sensível declínio de seu senso de humor.

Comentários:
Essa foi uma cena genérica e pouco efetiva. O personagem realizou divagações a respeito dos acontecimentos recentes, além de tocar adiante suas operações no submundo. Como eu fui teimoso, tentei retomar o assunto da Petrochem através da apresentação do Celta ferido após a operação. Esse personagem também não se interessou pelo gancho, e eu abandonei o tema.

CENA 02 – A Casa da Cura

Peter Petrelli desperta em um amplo salão de cores claras, com camas separadas por lençóis esverdeados, garantindo um mínimo de privacidade. A sensação em seu braço é de desconforto, mas não há dor. As lembranças a respeito do que aconteceu na noite anterior após a troca de tiros com os membros do SlaughterHouse são vagas, resultado dos ferimentos e do choque.

Uma enfermeira informa que ele está no Centro Médico de Crise, onde oficiais feridos em ação recebem tratamento. A cirurgia a que foi submetido foi um sucesso. Seu companheiro, o oficial Byron Jones, não teve tanta sorte. A gravidade da lesão obrigou à remoção da perna direita, imediatamente substituída por uma prótese cibernética. A enfermeira garante que Petrelli não precisa se preocupar. O tratamento que está recebendo, com o acréscimo da droga SpeedHeal, deve deixá-lo em forma dentro de poucos dias.

Não demora até que Petrelli resolva caminhar um pouco. Antes que consiga deixar o local, porém, é abordado pelo Dr. Gopal Krishnan, o cirurgião responsável pelo seu tratamento. É acompanhado por Fate Yashida, a assessora de comunicação do prefeito de Night City, Mbole Ebunike. Ela informa que Petrelli será transferido para um quarto particular naquele momento.

Comentários:
Quando sentei para escrever essa sessão, eu sabia que para Petrelli toda ela se passaria no hospital. É o mal de não haver poções de cura. O que inicialmente se mostrou um problema acabou contribuindo para o reforço do perfil “manipulação e corrupção” da história, representado pela luta nos bastidores entre a Arasaka e a Prefeitura Municipal de Night City. Da cama do hospital, Petrelli se tornaria uma das peças do jogo.

CENA 03 – Uma tarefa indigesta

O encontro com Killigree ocorre por volta da meia-noite sob um viaduto no Centro Velho da cidade, uma região tão degradada quanto o Distrito NorthSide. Depois de rondar o local por segurança, Brujo chega ao ponto combinado. Não demora até que sua atenção seja despertada pelos faróis de um carro. Do veículo sai Killigree. A alguns metros, membros do SlaughterHouse observam o encontro.

Como de costume, Killigree é direto. O SlaughterHouse vai dispersar por um tempo. O ataque ao UpTown chamou muita atenção, especialmente do NCPD. É momento de evitar o confronto com a polícia. Mas o Distrito NorthSide precisa permanecer sob o controle da gangue neste período. E neste ponto começa o trabalho de Brujo. Dos rivais locais, apenas um não foi absorvido – ou dizimado – pelo SlaughterHouse: os Voodoo Boys. Seu líder, Ryan Reynolds, está preso. Killigree quer que Brujo encontre-se com ele e negocie a co-existência pacífica entre as gangues. Os Voodoo Boys tomam conta do Distrito NorthSide, e quando o SlaughterHouse se reunir, serão preservados.

Brujo sua frio. Reynolds está preso graças a uma dica sua para Peter Petrelli. Ele não esperava ter que reencontrar seu rival, e não consegue imaginar o que pode acontecer nessa situação. Apesar disso, sem opção diante de quem já trata por “chefe”, diz sim para Killigree.

Comentários:
A relação de Brujo e Killigree se estreita. Não achei que fosse acontecer tão rapidamente, e retribuí com gosto: era o momento de encontrar o seu antigo inimigo, Ryan Reynolds, na prisão. O plano de Killigree em relação aos Voodoo Boys me pareceu coerente e temerário, dentro da linha de raciocínio que estabeleci para o NPC.

CENA 04 – Breaking News

O quarto para o qual Petrelli foi transferido é maior do que seu apartamento. E melhor. Muito melhor. Há até uma sala de estar com eletrônicos de ponta e as paredes mais brancas que já viu. Ainda sob efeito de drogas, o policial adormece. Recobra a consciência enquanto uma enfermeira faz a conferência dos dados fornecidos pelo equipamento de monitoramento. No corredor, uma algazarra destoa do ambiente tranqüilo. Não demora até que um grupo numeroso e heterogêneo adentre o recinto. Acompanhado de assessores e repórteres com câmeras e luzes, o prefeito de Night City se coloca ao lado da cama de Peter Petrelli. Aturdido, o policial testemunha um discurso veemente de Mbole Ebunike a respeito da importância do NCPD, constituído por oficiais heróicos, que colocam suas vidas em risco diariamente. Em seguida, jornalistas fazem perguntas sobre a troca de tiros contra membros do SlaughterHouse no shopping UpTown, abordam a prisão de Ryan Reynolds e, por fim, questionam o bravo paciente a respeito da proposta de privatização do NCPD levada adiante pela Arasaka. Petrelli se diz contra a idéia, para visível regozijo do prefeito, que retoma a palavra para lançar uma carga de acusações contra “o dinheiro estrangeiro buscando ferir a autonomia de Night City”.

Pouco depois, o circo se desfaz tão rapidamente quanto foi erguido. Antes de partir, o prefeito agradece as palavras de Petrelli, e dá a entender que uma promoção espera por ele. Se precisar de algo, pode contar com a Srta. Yashida. Ebunike deseja rápida recuperação e parte. Intimamente, o policial formula um pensamento pueril: tomara que não o tirem do quarto novo.

Comentários:
Estava deflagrado o conflito entre a Prefeitura de Night City e a Arasaka, e Petrelli não podia mais escolher não fazer parte disso. Foi interessante observar o personagem se deixar levar pelos argumentos do prefeito Ebunike. Aparentemente, ele nunca tinha pensado no assunto, e tomou a decisão mais fácil naquele momento. Até fiquei um pouco surpreso por as coisas ocorrerem exatamente conforme o previsto.

CENA 05 – Choque de Realidades

A visão de repórteres e câmeras no corredor faz com que Brujo se porte reservadamente. As flores sintéticas ajudam a transformá-lo em apenas mais uma visita com amigos poderosos no andar particular do Centro Médico de Crise. Já dentro do quarto, ele e Petrelli trocam comentários ácidos a respeito do gosto para flores de um e a súbita fama do outro.

Brujo questiona o policial a respeito de novidades sobre o cartão da Balboa Aeronautics encontrado no cadáver do Widmark. Os dados contidos ali podem ser importantes e valiosos. Nenhum avanço foi realizado, porém. Quando solicita informações a respeito de quem é o advogado de Ryan Reynolds e onde ele está preso enquanto aguarda julgamento, Brujo se irrita.

“Que Reynolds”, pergunta Petrelli, levemente embriagado pela súbita notoriedade. “O Reynolds que eu prendi para ti”, responde o atravessador, de imediato. Diante do reconhecimento do favor devido, que em parte garante as atenções que recebe nesse momento, Petrelli concorda em dar alguns telefonemas. A condição é que Brujo desapareça e não volte ao hospital, especialmente nesses tempos de atenção da mídia voraz.

Comentários:
Interessante perceber que apenas na metade do terceiro capítulo ocorreu o segundo encontro importante entre Brujo e Petrelli. Eu havia decidido que os personagens teriam trajetórias próprias, que se cruzariam em momentos oportunos. Apenas não imaginei que funcionaria tão bem. Nesse caso, serviu principalmente para estabelecer a dinâmica da relação entre os personagens, interesseira e algo mordaz.

CENA 06 – Um Recado Discreto

Depois de esperar um dia inteiro pelo telefonema de Petrelli, Brujo recebe o endereço de Dusty Wright, um advogado conhecido por assumir casos envolvendo membros de gangues. O atravessador passou a manhã no The Range treinando a pontaria. A presença de Reynolds e dos Voodoo Boys, ainda que distante, aguçou seu senso de sobrevivência.

Depois de uma rápida conversa por interfone, quando demonstra conhecer o caso de Reynolds e insinuar que pode ajudar, Brujo entra. No elevador, encontra um garoto sentado brincando com um videogame portátil. Ele pergunta se Brujo é bandido, já que usa bigodes.

Já dentro do apartamento de Wright, Brujo dá um breve recado que deve chegar a Reynolds. As palavras de Killigree a respeito dos Voodoo Boys são integralmente reproduzidas. Mesmo sem entender o conteúdo, Wright promete transmitir a mensagem.

De volta ao elevador, Brujo encontra o garoto sentando no mesmo local. A curiosidade o faz perguntar por que ele simplesmente não vai para casa. A resposta tem o gosto de uma piada amarga. “Quando minha mãe recebe amigos dela lá em casa eu tenho que ficar aqui no elevador”.

Comentários:
Inicialmente, o encontro com Dusty Wright envolveria o seqüestro de seu filho por ex-clientes insatisfeitos, e Brujo teria que ajudar em troca do auxílio do advogado para encontrar Reynolds. No momento de apresentar a cena, porém, achei que isso seria macarrônico, e desisti, tornando o encontro bastante direto. O detalhe do elevador foi apenas algo que me ocorreu no momento.

CENA 07 – Dia de Visitas

Trazendo flores naturais, Vinnie Ciccione chega ao Centro Médico de Crise acompanhado de um segurança. Como prometido, entrega a Petrelli informações a respeito do SlaughterHouse, que não demora a perguntar sua opinião a respeito da visita do prefeito no dia anterior. O mafioso afirma que uma eventual promoção do policial pode ser boa para ambos, e fica satisfeito ao ouvir que os planos conjuntos para o SlaughterHouse permanecem intactos. Petrelli, inclusive, manifesta um forte desejo de retaliação após ter sido alvejado por membros da gangue.

Chegando mais tarde, a capitã Lisa Pondsmith não abre mão de comentar a respeito das “admiradoras bem rápidas” de Petrelli, que já fizeram chegar dois vasos de flores ao seu quarto. Sua visita, em companhia do sargento Duke, tem propósito essencialmente protocolar. Eles também tem informações a respeito da bem-sucedida cirurgia de instalação de Jones, que veja só, não está se recuperando com SpeedHeal, ao contrário de seu colega, que caiu nas graças do prefeito. Duke faz questão de, ao narrar o fato, chamar o oficial de marionete de Ebunike em sua guerra particular contra a Arasaka.

Pondsmith acaba expulsando o subalterno do quarto, mas escolhe outras palavras para fazer um alerta similar. Ebunike foi eleito com apoio das corporações de Night City, mas sua reeleição recente parece ter tido o efeito de produzir novas aspirações, a ponto de atacar diretamente a empresa mais poderosa do mundo.

No dia seguinte, Petrelli é liberado do Centro Médico de Crise. Ele mantém uma rápida conversa com Byron Jones, que ficará hospitalizado mais alguns dias. Em seguida, o policial parte para casa, de volta às ruas.

Comentários:
Dois propósitos: aproximar Ciccione de Petrelli, tornando-o uma figura mais interessante do que um mero agente corruptor da Máfia, e afirmar claramente, através de Pondsmith e Duke, que o policial deveria ficar atento aos movimentos do prefeito.

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

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