The Truth's For Sale

Blood Street Blues – Capítulo 01 – Uma Noite Sobre a Terra

Posted in CyberPunk 2.0.2.0., RPG by Carlos Hentges on 16/01/2008

Onde os personagens são confrontados com suas rotinas, estabelecem diferenças e encontram semelhanças.

CENA 01 – Novidades no Trabalho

O oficial Peter Petrelli acorda no meio da tarde. O apartamento claustrofóbico reflete os salários pagos pelo Departamento de Polícia de Night City (NCPD). Antes de sair, confere a submetralhadora, guardada em um fundo falso do guarda-roupas. Ainda que a alta criminalidade da cidade tenha tornado possível aos oficiais portarem armas quando fora de serviço, Petrelli prefere ter em casa a vantagem adicional que apenas uma automática oferece. Para ele, poder de fogo e autoconfiança são conceitos indissociáveis.

Ao percorrer as ruas de Little Italy, bairro onde cresceu, algumas histórias lhe ocorrem. Completaram-se dez anos desde que a Máfia foi expulsa do local, mas nada mudou sensivelmente. Dizem que a Cosa Nostra está se reorganizando, mas isso são boatos. Enquanto pensa neles, Petrelli observa o que parece ser o assalto a uma loja. Faltam vinte minutos para começar o seu horário. Melhor deixar de lado. Não há lugar para heróis em Night City.

Ele chega à delegacia a tempo de testemunhar uma confusão. Um grupo de cinco homens, todos com tatuagens tribais e ossos sintéticos atravessando o septo nasal, aguarda o preenchimento de seus termos de prisão. Ao perceberem a chegada de Petrelli, insultam-no de todas as formas. São membros dos Voodoo Boys. Seu líder, Ryan Reynolds, foi preso por Petrelli recentemente, o que provocou o desmantelamento do grupo e a submissão de seus integrantes a gangues mais fortes, como o SlaughterHouse. O policial acena e se dirige à cafeteria.

Enquanto troca alguns cumprimentos e piadas com outros oficiais, Petrelli é convocado à sala do Sgt. William “Bill” Duke. Suas relações com o superior nunca foram boas. Desde a prisão de Reynolds, porém, as coisas pioraram sensivelmente. Responsável pela Patrulha, Duke informa ao oficial que ele será deslocado de Little Italy para a ronda no Distrito NorthSide. O bairro vizinho é muito mais perigoso, mas foi lá que a prisão de Reynolds foi efetuada. Segundo Duke, “é uma espécie de política de boa vizinhança”. O NCPD mostra boa vontade ao deslocar o seu “tira-herói” para onde a população mais precisa dele. Para se ambientar, ele terá um novo parceiro. Byron Jones recém saiu da academia, e conhece bem a região. O sargento não esconde o tom de sarcasmo na voz.

Comentários:
Existiam nesse capítulo algumas premissas a serem cumpridas, com diferentes graus de importância. A cena inicial com Petrelli tratava de assuntos vitais: o estabelecimento dos Voodoo Boys como um grupo de antagonistas, a apresentação do Sgt. William “Bill” Duke como um possível rival, e de Byron Jones como um parceiro. Em meio à torrente, um dado importante foi propositalmente tratado vagamente: existiam suspeitas de que a Máfia de Night City estava se organizando. O fato viria a ser de importância vital ao longo de todos os capítulos da história.

CENA 02 – Nadando com os Tubarões

Brujo precisa demarcar o seu território. Desde a prisão de Reynolds se criou um vácuo no Distrito NorthSide. O líder dos Voodoo Boys tinha as mãos em boa parte dos negócios sujos que aconteciam naquela parte decadente de Night City. Agora, é hora do atravessador tomar a sua parte antes que peixes maiores do que ele nadem nessas águas. O fato não o surpreendeu, é claro. Foi graças a uma dica sua que o oficial Peter Petrelli efetuou a prisão de Reynolds. Brujo colocou um policial no bolso e ainda se livrou de um concorrente. Negócios, apenas. Claro que o fato de sua ex-namorada ter saído de sua cama para acabar nos lençóis de Reynolds foi um incentivo adicional. Juanita Vargas mereceu a lição, pensa El Brujo.

No início da noite ele percorre as ruas do Distrito NorthSide sobre sua Harley-Davidson DarkWing. O som da motocicleta é parecido com o de uma Barrett-Arasaka 20mm, e isso o agrada. Conversando rapidamente com um pequeno traficante local, membro do SlaughterHouse, descobre que o líder da gangue, Killigree, está tendo uma noite difícil. Se dirige até O Fosso, um condomínio abandonado “requisitado” pela gangue, mas não consegue passar. Suborna um de seus membros para que um recado chegue até Killigree e parte. É cedo, e ele tem um encontro de negócios.

Comentários:
A cena com Brujo buscou estabelecer seu objetivo imediato: tomar o controle do submundo no Distrito NorthSide, além de apontar seu rival mais evidente, Ryan Reynolds, e recordar o desempenho de Juanita Vargas nessa história, considerando que seu papel seria relevante em um momento não muito distante. O SlaughterHouse, que faria as vezes de gangue mais perigosa da região, teria uma postura inicialmente neutra em relação ao personagem, à espera de que seus movimentos apontassem a dinâmica da relação.

CENA 03 – O Escapista

A euforia de Byron Jones por estar acompanhando a mais nova estrela da Delegacia de Polícia de Little Italy não comove Petrelli. Nem a sua afirmação de que foi um dos melhores da sua turma. “Apenas fale quando eu mandar, apenas faça o que eu disser” é sua primeira dica para o novato.

A ronda pelo Distrito NorthSide é cheia de novidades para o veterano. Jones aponta locais suspeitos, como o Armazém Meratti’s, que estoca e distribui frutas, mas dizem que fornece armas para gangues locais; aponta os sinais de decadência do bairro, caso dos Apartamentos Taira, um local de classe média lentamente tomado pela ralé; explica que o The Range, uma galeria de tiro famosa, é comandada por um ex-Solo chamado Elaric Fail; e a Igreja Holy Angels, onde a comunidade italiana e irlandesa da região costuma depositar suas esperanças escassas.

A primeira ocorrência se dá em uma LanHouse no Shopping Center UpTown, um conjunto de lojas a céu aberto que vem sofrendo com a atividade de gangues.  Uma pequena multidão já se aglomera. Após parar a viatura e tomar ciência da situação, Petrelli constata que o cadáver de um netrunner está sendo disputado por dois amigos. Sem conseguir descobrir em que parte da Rede navegava a vítima, Petrelli controla a multidão e aguarda a chegada de um veículo para transportar o corpo. Nesse período descobre que o proprietário aluga pontos de conexão neural e oferece um banheiro para netrunners desabrigados. Aparentemente, o falecido estava conectado há oito dias ininterruptos.

Comentários:
O objetivo principal aqui foi permitir que o personagem testasse seus poderes como agente da lei. A escolha de uma lanhouse se deu por relatar o papel da tecnologia no cenário. O encontro foi baseado em uma notícia a respeito de japoneses que residem temporariamente em estabelecimentos desse tipo, alugando conexões e pagando por banhos enquanto aguardam o chamado por trabalhadores temporários. Por fim, a cena se prestou para que Jones apresenta-se a Petrelli todos os locais que mais tarde teriam relevância dentro da história.

CENA 04 – Sexo, Drogas, Armas…

A Taverna O’Flaherty é comandada por Daniel O’Flaherty, um ex-combatente de cinqüenta e poucos anos que, dizem, fez parte do Exército Republicano Irlandês (IRA). No dia-a-dia o local é tocado por Millie O’Keeffe, que atua como bartender, relações públicas e negociante de informações. Para todos que entram na taverna pela primeira vez ela faz questão de dizer que o balcão é feito de carvalho verdadeiro. Recém contratado como segurança, O Celta é outra figura digna de nota. Um tipo imponente e de poucas palavras.

Millie e Brujo mantém uma relação amparada por interesses comuns. Por conta disso, ela aponta uma possível cliente, Dasha. A prostituta afirma precisar de uma arma para lidar com alguns “ratos de oitenta quilos” que tem dificultado sua vida e a dos clientes que recebe em casa. Não tem dinheiro, nem pode comprar uma arma legalmente, mas um de seus “amigos” é um veterano de guerra que lhe paga com drogas de combate. Ela não sabe como passar a mercadoria adiante, mas aceita uma arma mais divisão de lucros pela venda das drogas. Brujo concorda com a oferta.

Sua próxima parada é no The Range. Ele conhece Elaric Fail, e mesmo nunca tendo feito negócios juntos, sabe que ele está de posse de algumas armas que gostaria de passar adiante. A conversa dos dois se dá enquanto o ex-Solo destrói alvos com um fuzil de assalto Militech Ronin. Elaric não concorda em ceder uma arma em troca de futuros favores, e busca saber com que tipo de gente Brujo fará negócio. A compra de uma Colt AMT 2000 acaba sendo fechada por ED$ 700. Um preço 40% acima do mercado legal. Brujo deixa subentendido que pode conseguir clientes para as demais armas frias em posse de Elaric, proposta recebida sem entusiasmo.

Comentários:
Havia decidido que a Taverna O’Flaherty seria um ponto de referência para os personagens. Para deixar clara essa decisão, instalei no local Millie O’Keeffe, contato de Brujo, e na primeira cena delineei através dela um trabalho simples: conseguir uma arma para Dasha, uma prostituta local. Mais do que apresentar Dasha, a cena permitiu o contato com Elaric Fail. O jogador que interpreta Brujo queria que o atravessador se especializasse no tráfico de armas, e essa foi a forma encontrada para abrir caminho aos seus interesses.

CENA 05 – Encontro na Taverna

Brujo volta à Taverna O’Flaherty, mas não encontra Dasha. Byron Jones e Peter Petrelli bebem a melhor cerveja quente de Night City em um momento de folga. Brujo deixa a arma com Millie, afirmando que Dasha lhe entregará um pacote em breve. No balcão, o policial e o atravessador trocam algumas palavras. A bartender desconfia a respeito do quanto os dois sabem a respeito um do outro.

Aproveitando a tranqüilidade, Petrelli faz contato com a Cpt. Lisa Pondsmith. Eles mantêm uma relação amorosa discreta, sustentada dessa forma com a concordância mútua. O oficial acredita que seu desejo de promoção possa ser dificultado pelo Sgt. Duke caso venha à tona que passa algumas noites na cama da Capitã. Pondsmith, entretanto, responde friamente, e alega compromissos de trabalho para evitar um encontro.

Logo em seguida Jones e Petrelli são contatados para responder a uma chamada do Widmark. Aparentemente, foi encontrado um cadáver em um apartamento. Após a saída dos policiais, Brujo recebe uma ligação. Um contato chamado Alonso pede que ele compre uma serra elétrica e rume ao Widmark. Um cadáver com um belo braço cibernético está aguardando “remoção”.

Comentários:
O primeiro encontro de Petrelli e Brujo dentro do jogo. Havíamos decidido que a relação dos personagens era de interesse mútuo, mas não dizia respeito à amizade. Meu objetivo era apenas que eles se encontrassem, não havendo planejado nada especial para o momento. Aproveitei a oportunidade para introduzir a relação entre Petrelli e a Cpt. Lisa Pondsmith. Mais do que deixar claro sua condição de amantes, foi sugerir que ela estava pressionada pelo trabalho, a primeira semente da presença da corregedoria do NCPD na história.

CENA 06 – Um Homem Morto no Chão

Petrelli e Jones chegam ao prédio decadente e são recebidos por uma mulher assustada. A proprietária relata que, ao chegar em casa, viu a porta arrombada e um cadáver retalhado na sua sala. Uma janela estava quebrada. Os policiais confirmam a história, e descobrem que os vizinhos ouviram uma briga no apartamento. Uma família de moradores de rua ao lado do prédio afirma ter visto a saída de um homem pela escada de incêndio duas ou três horas antes. Sem muito mais para fazer, os policias deixam o local após a chegada da equipe de investigação e entregam um relatório de atividades.

Enquanto isso, no andar superior, Alonso espera por Brujo. Ao telefone, o atravessador diz que não vai subir devido à presença da polícia no local. Alonso garante que os policiais estão ocupados no quarto andar, e que não foi ele quem os chamou. Desconfiado, Brujo parte para casa. Pretende dormir e iniciar a negociação das drogas de Dasha o quanto antes. Após voltar para o NCPD, Petrelli também tem como destino seu apartamento.

Comentários:
A proposta da cena foi expor o conflito no submundo do Distrito NorthSide entre a Máfia e o SlaughterHouse. Ainda que nada disso ficasse claro de imediato, a estranheza das circunstâncias foi o bastante para alertar os personagens. Entretanto, a presença do cadáver no andar abaixo de onde se deu o encontro entre Mancinelli e Killigree foi um exagero, e desviou a atenção dos jogadores.

Resumo da campanha de RPG Blood Street Blues, que utilizou como sistema de regras e cenário o conteúdo apresentado nos livros CyberPunk 2.0.2.0. e Night City.
Narrador: Carlos Hentges
Jogador: Peter Petrelli – Filipe Brunetto
Jogador: Danny ‘El Brujo’ Trejo – Carlos Alexandre Fedrigo

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2 Respostas

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  1. Aham said, on 30/07/2009 at 20:57

    “O oficial Peter Petrelli”…

    Parei aqui. ¬¬

  2. Carlos Hentges said, on 31/07/2009 at 09:13

    Ahahhahaa…

    Pois é, não teve jeito do jogador mudar o nome do personagem. Paciência! Mas por isso você está abrindo mão de uma história muito legal em quinze capítulos/sessões.

    Tente novamente!


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