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Usuários e software fazem a web semântica

Posted in Jornalismo by Carlos Hentges on 10/12/2007

Inicialmente projetada para ser compreendida apenas por seres humanos, a internet terá suas informações interpretadas também por máquinas, em um trabalho mais cooperativo entre usuários e agentes de software.

Exercitar o pensamento voltado para o futuro exige o convívio com uma série de riscos. Um deles é próprio da futurologia: os eventos escapam da lógica prevista e atinge-se um resultado completamente diverso do esperado. Essa diversidade, porém, é parte imanente da função daqueles que tem na observação da tecnologia e seus desdobramentos o ponto de partida para a inovação.

Um exemplo muito claro dessa situação pode ser observado na trajetória da internet. Seus dez anos de existência comercial no Brasil foram comemorados em 2005. Antes, o uso era restrito, em maior parte, ao ambiente acadêmico.

Mais recentemente, a internet passou a ser associada ao termo 2.0. A “nova” rede, na verdade, é o resultado combinado de tecnologia de acesso à quantidade de usuários. Em uma simplificação grosseira dos desdobramentos provocados por mais de uma década de evolução, pode-se afirmar que o contingente de 1 bilhão de usuários freqüentes da internet atualmente, com conexões de melhor qualidade, avançou um passo no que diz respeito ao relacionamento com o conteúdo online. De espectador, passou a produtor.

Compartilhar essa informação não passa de um refinamento do quadro já estabelecido, portanto.

YouTube, MySpace e, em certa medida, o Orkut, para ficar apenas nas ferramentas mais populares, são a aplicação efetiva dos conceitos de produção compartilhada de conteúdo, próprios da internet 2.0.

Mas é claro que, em algum lugar, alguém está pensando em uma nova associação de idéias, que resultará em outra novidade nesse universo virtual tão amplo quando dinâmico. Bem, seu nome é internet 3.0, ou web semântica, e a idéia nem é tão nova assim. Tim Berners-Lee, o inglês que “inventou” a internet em 1990, é líder do World Wide Web Consortium (W3C), e um de seus grandes visionários.

No que consiste a web semântica? Trata-se de um conjunto de medidas que pretende criar significado, ou sentido, para tudo que habita a rede.

Por exemplo: você acessa uma ferramenta de busca online e faz uma pesquisa pelo termo “casa”. Vão surgir mais de 400 milhões de referências. Claro que é sua obrigação refinar a pesquisa. Ainda assim, a chance de haver muita informação que você não deseja é enorme. Isso acontece porque os programas de computador não são capazes de realizar a série de associações contextuais que são próprias da cognição humana.

Tornar a internet “inteligente”, e capaz de entender a essas necessidades, é o objetivo da web semântica. Em outras palavras, ela pretende que máquinas e seres humanos se comuniquem através de uma linguagem mais próxima.

E evolução consiste no fato de que a internet, inicialmente projetada para ser compreendida apenas por seres humanos, terá suas informações compreendidas também por máquinas. A estrutura semântica da informação deve levar a um trabalho mais cooperativo entre usuários e agentes de software.

Tentar prever o resultado disso, e mais ainda, sua aplicação comercial, leva aos riscos anotados no primeiro parágrafo. A observação do que vem ocorrendo com a internet 2.0, porém, fornece algumas pistas. O YouTube apenas há pouco tempo passou a receber a publicidade fundamental para sua capitalização. Outros nichos, como o Orkut, ainda estudam formas de adotar a prática sem que isso seja interpretado pelos usuários como uma invasão.

O sucesso da empreitada, nos parece, passa pela melhor interação do usuário com sua máquina pessoal, e desta com o universo da internet. O simples ato da compra de uma passagem aérea, no contexto da web semântica, implicaria na automática reserva de espaço em uma agenda virtual, o eventual direcionamento de e-mails para uma caixa previamente definida, e a alocação de arquivos importantes durante tal deslocamento para local próprio.

Outro exemplo possível, esse fornecido por Berners-Lee em The Semantic Web, trata de um serviço essencial: medicina. O usuário pede que o computador encontre um médico dentro de certos parâmetros – ele deve ser acadêmico e atender em um bairro próximo. Após navegar e encontrar algumas opções, o computador apresenta as opções de agenda do profissional escolhido. Basta ao usuário escolher o horário que lhe for mais conveniente e marcar a consulta.

O refinamento de funções como essa ainda está distante, mas são essenciais para que o conceito de web semântica se afirme, diferente do que aconteceu com tantas outras modas virtuais que ciclicamente surgiram na internet na última década.

Publicado originalmente na revista eletrônica Webinsider, em setembro de 2007.

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