Posts Categorizados ‘O Povo do Abismo

17
Jun
08

London em Londres V – Conclusão e Bibliografia

Não se tem notícia, além das críticas positivas recebidas por Jack London após a publicação de O Povo do Abismo, sobre a maneira como a obra, isoladamente, afetou seus leitores. Certamente afetou o autor, pois deu início a uma escalada que culminaria em títulos como O Tacão de Ferro e Martin Éden, todos impregnados de forte crítica social, amparadas na sua crença a respeito do aprimoramento da sociedade através da aplicação dos preceitos marxistas do Socialismo.

Jack London foi um combatente que saiu da miséria para transformar-se no escritor mais lido e bem pago de sua época. Ainda que, segundo críticos, tenha sido o primeiro exemplar de autor norte-americano a verdadeiramente conhecer os caminhos para a criação de um mito em torno de sua pessoa, é certo que viveu diversas vidas no período de uma única e breve existência. Teve tempo, inclusive, para deixar de ser um socialista, seis meses antes de sua morte. Alegou que o Partido havia perdido sua capacidade de ênfase na importância da manutenção da luta de classes.

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13
Jun
08

London em Londres IV – O Desafio à Espiral do Silêncio

Nascida na Alemanha em 1916, Elisabeth Noelle-Neumann especializou-se em demoscopia, isto é, na pesquisa da opinião pública sob organização científica. A partir dos anos 50, ela começou a se interessar pela relação entre imprensa e opinião pública.

Uma de suas primeiras pesquisas apontava que a auto-estima dos alemães diminuía à medida que a mídia fazia mais referências negativas ao povo. A pesquisadora começou a basear seus estudos em uma outra hipótese já existente, a da Agenda Setting, segundo a qual “a imprensa teria o poder de determinar os assuntos principais da população, através da divulgação repetitiva de artigos e notícias sobre certos temas” (HOHLFELDT, p. 191).

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12
Jun
08

London em Londres III – O Império dos Fatos e o Jardim da Imaginação

O Dicionário Eletrônico Michaelis de Língua Portuguesa define notícia como: “conhecimento, informação, novidade. Escrito de pouca extensão sobre um assunto qualquer”. A descrição é adequada para boa parte daquilo que se publica cotidianamente em jornais e revistas. Para avançar um pouco mais, apresenta-se o conceito de reportagem: “ato de adquirir informações para os periódicos. O serviço prestado pelos repórteres nos periódicos em que colaboram. As notícias que eles preparam para os periódicos”.

Comparadas ambas as definições dicionarizadas, fica-se com a sensação de que a primeira refere-se ao resultado da segunda. Combinando acepções, poderíamos ter que o serviço prestado pelos repórteres nos periódicos em que colaboram é um escrito de pouca extensão sobre um assunto qualquer.

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10
Jun
08

London em Londres II – Marinheiro a Cavalo

Nascido em São Francisco, em 12 de Janeiro de 1876, Jack London cresceu em um mundo que testemunhava a mudança. Os dias de uma economia dominada pela agricultura eram substituídos pelo mundo da máquina, da fábrica, e do capital financeiro.

Filho de um astrólogo, William Henry Chaney, Jack foi batizado pela mãe John Griffith Chaney. Manteria esse nome ao longo de apenas oito meses, até Flora Wellman se casar com John London. A vida do casal não foi fácil, passando por dificuldades financeiras e seguidas falências e mudanças de moradia. Já na fase adulta, Jack London lembraria desses dias atribulados da infância como um período assustador e de amarga pobreza.

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09
Jun
08

London em Londres I – Introdução

No ano de 1902, o escritor Jack London se dirigiu até o coração da miséria londrina para descobrir como viviam, se é que o faziam, as criaturas mais pobres do país mais rico do mundo. Entre sua chegada aos bairros que formavam o East End e o fim de suas pesquisas, três meses se passaram. Nesse período, o autor reuniu material para o livro que viria a batizar de O Povo do Abismo.

O resultado do trabalho de Jack London é uma longa reportagem. Para sua concepção, o escritor não apenas entrevistou, fotografou e comparou dados. Ele viveu com os habitantes do East End. Não encarnou um acadêmico com olhar superior de analista, mas retomou o papel de marinheiro norte-americano passando por tempos difíceis em uma terra de reis e rainhas. Não precisou compor um personagem, apenas trouxe à tona as memórias de sua juventude. Dessa aproximação resultou o material necessário para um livro que tem o autor e todos os miseráveis de Londres como personagens.

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